domingo, 31 de agosto de 2014

#MDC Supercalifragilisticoespialidoso!

Sabe quando você está sem palavras para descrever uma emoção? Do lugar de onde veio Mary Poppins (na versão Disney), existe uma palavra que podemos usar em momentos assim: esta palavra é "supercalifragilisticoespialidoso".

Explicado o título deste post, vamos ao que interessa - o conteúdo. Em agosto, o MDC teve como tema "gender bender", uma brincadeira de transformação de gêneros dos personagens. Ficou acordado que poderíamos fazer a mudança de sexo em qualquer personagem conhecido, ou seja, não valia OC (original character) ou familiares, por exemplo. Como na época que o desafio foi lançado eu estava vivendo uma fase Mary Poppins, resolvi que ela seria minha vítima.

Afinal, quem é Mary Poppins?
Embora muita gente conheça por causa do filme, ela é originalmente uma personagem de uma série de livros da escritora P. L. Travers. Mary Poppins é uma espécie de babá bem diferente, às vezes fria demais, correta demais, mágica demais... e, com o guarda-chuva aberto, é carregada pelo vento.

Meu MDC.
Os primeiros estudos que fiz depois de definir os personagens que trabalharia a inversão de sexo foram "de cabeça", isto é, sem uma referência para consultar. Tudo que tinha era a memória do filme que assisti há alguns meses.

Mary Poppins e Bert - estudos mais crus.

Como as personagens eram, no filme, pessoas de verdade (Julie Andrews e Dick Van Dyke), senti necessidade de estudar melhor a fisionomia dos atores usando referências fotográficas. Além disso, me propus assistir novamente ao filme. Tipo, eu precisa entender como as pessoas seriam se fossem um desenho, para poder desenhar a versão feminina e masculina invertida deles. Tá sacando a roubada em que fui me meter?

Segundo estudo, usando referências antes da inversão de gênero.

O segundo estudo me agradou muito mais! Até comecei a arriscar uma "Berta" e um "John Poppins" com mais confiança para inserir movimento neles. Minha inspiração foi uma das cenas do filme (que existe também no livro) mostrando um passeio das personagens em um cenário desenhando.

Estudo de movimento das personagens com sexo trocado.

Durante os estudos senti necessidade também de ler o livro, porque queria ter a minha própria interpretação das personagens, saber como era a personalidade original delas. O filme apresenta a interpretação Disney da coisa toda, e eu queria chegar as minhas próprias conclusões.

Cheguei até a procurar o livro físico para comprar, mas só achei disponível a edição da editora Cosac Naify, cujo projeto gráfico não me agradou muito. Procurei as ilustrações originais do livro em inglês e anexei tudo na pastinha de referências.

À esquerda: ilustrações originais do livro. À direita: ilustrações de Ronaldo Fraga para Cosac Naify.

Depois de ler o livro, fiquei em dúvida se refazia tudo do zero, considerando apenas a Mary Poppins e o Bert originais, ou se continuava seguindo a interpretação Disney. Apesar de ter absorvido bastante coisa do livro, resolvi continuar na linha Disney, pois foi como conheci a história - e talvez como muitas outras pessoas aqui no Brasil conheceram.

Mais alguns estudos explorando movimentos e personalidade.

Ainda não estava plenamente satisfeita com o processo de "cartunização" e continuei procurando outras formas de representação. Passei quase o mês inteiro trabalhando nisso, um pouquinho todos os dias, nas horas livres do trabalho, e em alguns momentos dentro do ônibus.

Nesse estudo eu já estava pensando numa possível animação. xD

A essa altura do campeonato eu já estava saturada de Mary Poppins e fiquei quase uma semana só lendo o livro, sem desenhar nada. Todavia (olha eu usando a palavra "todavia") quando voltei ao desenho, me surpreendi com o resultado. Parece que o hiato fez bem e consegui um resultado melhor.

O último estudo das personagens antes de partir pro esboço.

O desenho do Bert, na imagem acima, foi graciosamente colorido por G., meu amigo pessoal e afilhado-por-tabela de 5 anos de idade! Ele estava insistindo para colorir a Mary Poppins também, mas foi facilmente persuadido a desenhar um Ben10 no caderno de desenho dele.  xD

Os finalmentes
Desisti de trabalhar também o Bert e foquei apenas na Mary Poppins. Adotei a última versão do estudo como base para inverter o gênero, e procurei não trabalhar imagens comuns, como ela sendo carregado pelo vento.

Optei trabalhar uma cena do filme que me pareceu bastante curiosa: a que Mary Poppins começa a retirar objetos grandes de sua pequena bolsa (um beijo, Hermione), fazendo as crianças ficarem admiradas. Ora, acho que isso espantaria até os adultos normais...

Esboços de duas versões da mesma cena.

No fim das contas, concluí que escolhi o caminho mais difícil para uma coisa simples. Muitas vezes me queixei de ter feito uma burrada escolhendo trabalhar com pessoas de verdade, mas fui cabeça dura e não desisti. Talvez fosse melhor trabalhar a cena icônica do vôo de guarda-chuva, facilitando o reconhecimento da personagem, mas nãããão... Lá fui eu trabalhar outra cena da história...

Desenho finalizado.

Na finalização usei caneta nanquim, aquarela em pastilha, lápis de cor para textura de camurça na bolsa e na fita do chapéu, e caneta gel branca para picos de luz nos sapatos e calça; papel para desenho Canson, 120g/m². Ainda estou na dúvida se gostei do resultado - pra variar. Como resultado de estudo, está ótimo, mas não sei se cumpriu com o quesito "fácil identificação".

O post ficou muito mais longo do que previa... Agradeço imensamente a você que teve paciência para ler tudo, e espero que tenha contribuído de alguma maneira para seu processo criativo. Uma boa pesquisa antes de desenhar ajuda muito a seguirmos o caminho para o melhor resultado, mesmo que neste caminho a gente tropece algumas vezes.

Até a próxima! o/
Espero você no próximo #MDC.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Super Vicki

Quem já assistiu Super Vicki (Small Wonder) levanta a mão! (^-^)/ Provavelmente seja um seriado desconhecido para a maioria de vocês, mas essa série marcou minha infância! Contava a história de uma família (os Lawson) que tinha em casa uma robô com corpo de criança.

Elenco da série. Vicki é a menina de avental.

Eu assistia sempre que ia na casa da tia da minha mãe, então é o tipo de coisa que aguça a memória afetiva de maneira muito forte. Como eu era muito criança e não sabia ainda a programação da TV, achava que só passava na televisão da casa dela! XD Fora que eu acreditava mesmo que Vicki era uma robô de verdade! O painel nas costas dela, com os circuitos e luzes piscando, me encantava...

Recentemente achei, por acaso, episódios da série para assistir e estou viciada novamente nesse trem. Por mais que fosse ruim (se comparado às super produções cinematográficas dos seriados atuais), as historinhas de cada episódio são divertidas e engraçadas. E lógico, rever a série me empolgou também pro desenho!

Rascunhos da Vicki

À esquerda da imagem acima está o esboço mais "sujo", com apenas a ideia principal do desenho, pose, roupa, quantidade de cabeças (fiz com 4 cabeças e meia, pois Vicki tem a aparência de uma criança de 11 anos). Do lado direito, o esboço mais "limpo", ou seja, pronto para ser trabalhado com arte final.

Depois de limpar o desenho, observei que as linhas ficaram bem delicadas e pensei que talvez fosse uma boa ideia usar aquarela para colorir. Viajando um pouco na maionese Deixando a imaginação tomar conta da situação, a suavidade da aquarela dá para a Vicki uma certa delicadeza que falta nos robôs dos anos 80, e claro, seria também uma ótima oportunidade de testar o meu novo pincel com reservatório.

Etapas da colorização - com direito o estouro das cores pelo escaner no último quadro.

Usei Ecoline para colorir, caneta nanquim para finalizar as linhas e caneta gel branca para fazer os pontos de luz e as bolinhas no vestido. O papel utilizado foi Canson Desenho "C" à grain, 180g/m², da linha estudante. Ele aguentou aguadas sem envergar, então acho que vale a pena o investimento. =)

Fico por aqui, porque o post já está imenso. Até a próxima! o/

domingo, 24 de agosto de 2014

Gambiarra - Pincel com reservatório de água

Existe nesse mundo uma ferramenta maravilhosa chamada Pincel com reservatório. Como o nome já diz, é um pincel que possui um reservatório acoplado nas cerdas, que você pode deixar cheio de água e molhar constantemente a ponta do pincel sem precisar ficar mergulhando ele num copo o tempo todo. A ferramenta, além de ser de grande valia aos preguiçosos, permite que o "artista" leve suas aquarelas pra lá e pra cá sem precisar carregar na bolsa um volumoso recipiente para encher de água.

Pincel com reservatório da marca Sakura, linha Koi.

Não é um item caríssimo (está na faixa de uns R$18, e o preço varia de acordo com o tamanho), mas é um investimento a ser feito com material de desenho/pintura/etc que eu fico adiando. Na verdade, não é algo que preciso ter, e eu só teria pela possibilidade de tirar onda pintando com aquarela numa viagem de ônibus até a casa da Suco, por exemplo. E bom, as minhas vizinhas de blog têm e fazem uma propaganda danada!


Da esquerda pra direita: materiais da Débora, Silvia e da Suco.
Clique na imagem para ler a postagem no blog de cada uma delas.

Aí, neste final de semana, num curto momento de ócio, encontrei: um pincel velho no porta pincéis; uma caneta esferográfica seca (dessas com tubo de acrílico) no porta lápis; cola adesiva e cola instantânea numa das minhas gavetas... Se você costuma ler o Cappuccino, já sabe o que fiz em seguida.

A Gambiarra:
Primeiro, com ajuda de uma goiva, separei as cerdas do cabo do pincel; depois desmontei a caneta e reservei todas as peças (tampas, carga e tubo).

Tive cuidado de cortar o pincel sem danificar a base das cerdas no alumínio.

Em seguida, encaixei a ponta de alumínio das cerdas do pincel no tubo da caneta, no local onde ficaria a ponta dela. Feito isso, usei cola instantânea para fixar as peças e cola adesiva para vedar os buracos do tubo. Mas não pode ser vedado aquele buraco de cima do tubo, pois é por ali que a água vai entrar, sacou?

Em função do modelo da caneta usada, precisei tapar os furos que tinha na tampa superior do tubo.

Uma pausa para falar de Física - aquela matéria que te fazia tirar 1,5 numa prova valendo 10.
Se tiver algum físico de verdade lendo isso, saiba que sou mais ou menos leiga no assunto e tentei explicar a coisa de maneira simples.


Bada bim, bada bum! Agora você sabe como um pincel com reservatório funciona.
Mundo de Beakman é nóis! 

(E se alguém, por ventura, quiser ler mais a respeito, procure fluidos no livro de Física mais próximo.)

O teste!
Esperei um tempão a cola secar, enchi o tubo de água, fechei a tampinha de cima e chequei se havia algum vazamento. Estava tudo ok, com uma aparência horrível, mas ok.

 O teste de qualidade...

Peguei uma caneta aquarelável e fiz um círculo no papel, daí usei o meu super-mega-ultra-blááááster pincel com reservatório pra aquarelar. Funcionou muito bem! Fiquei feliz com o resultado da minha gambiarra hoje. Tenho certeza que será muito limitado o uso dele, mas espero que eu consiga usar bastante e que nenhum acidente aconteça (molhar minha mochila toda, por exemplo).

Atenção: não façam isso em casa!
Acho prudente avisar que as gambiarras mostradas neste blog são apenas demonstrações de como eu resolvi (ou tentei resolver) algo mão-de-vacamente. Meu conselho é que façam as coisas do jeito correto e seguro, seja comprando um produto confiável ou procurando assistência técnica do fabricante. Obrigada.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Pincéis

Costumo usar vários tipos de pincel quando trabalho meus desenhos, seja na etapa de arte final ou de colorização, e cada um se adéqua melhor a um determinado uso. Vez ou outra recomento o uso de algum aqui no blog, mas nunca parei para dedicar um post somente para essas ferramentas lindas da minha vida. Pois bem, o post de hoje vai ser sobre pincéis... Não que eu seja especialista no assunto, mas vou dizer o que sei a respeito a fim de compartilhar minha experiência.

Pincéis legais redondos e chatos
Como disse, existem vários tipos de pincel e, dentre eles, há dois grupos mais conhecidos: o dos chatos e o dos redondos. Pincel chato é todo pincel com cerdas retas - são mais usados para espalhar tinta; já os redondos, possuem cerdas mais longas e arredondadas - retém mais tinta.

Sinceramente, uso o único pincel chato que tenho para prender o cabelo ou espalhar cola.

Tamanhos
Os pincéis artísticos são medidos de acordo com uma escala numérica que varia de 7/0 a sei-lá-qual-número. Os tamanhos de uso mais comum estão entre 000 e 20. Acho que funciona assim: quanto menor o número, menor é a quantidade e comprimento das cerdas.

Tamanhos diferentes de pinceis de pelo de orelha de boi.

A numeração do pincel fica impressa no cabo dele, junto com o nome do fabricante (marca), código de barras, número de referência (aquele 165 no cabo) e material das cerdas. 

Cerdas sintéticas e cerdas naturais
Pincéis de cerdas sintética são mais baratos e geralmente feitos de nylon, e se você não cuidar bem deles, fica igual cabelo de Barbie depois que a gente molha. São mais baratos e servem pra muita coisa, mas tenho a impressão de que eles não guardam tinta por muito tempo e "arranham" o papel.

Já os pincéis de pelos de animais são mais macios e dá pra passar um creme de vez em quando para manter as cerdas juntas. Os que eu uso com mais frequência são de pelo de marta (muito bons para tintas mais espessas como nanquim, acrílica e aquarela bisnaga) e de pelo de orelha de boi (ótimos para aquarela e guache... mas também uso pra nanquim às vezes). Tenho um de kolinsky também, que uso pra acabamentos.

Recapitulando: Na imagem acima temos dois pincéis, um da marca Tigre, outro da marca Condor; 
Tigre nº0 , ref 309, cerdas de kolinsky e Condor nº12, ref 415, cerdas de marta. ;)

Qual comprar, Nane?
Pergunta difícil! Até minha professora da Ufes me pedir pra comprar um de orelha de boi, eu achava que minha vida era perfeita com o pincel que vem no estojo escolar de lápis aquarela da Faber Castell. Mas pensando em todas as "descobertas" até hoje, aconselho não faltar em seu kit: pincéis redondos de pelo de marta e pincéis redondos de pelo de orelha de boi... E pode ser, sei lá, uns 3 tamanhos diferentes de cada um. =P

Mas claro que você pode se virar muito bem com os sintéticos. Para quem quer algo mais específico, é possível encontrar na internet várias dicas de qual pincel é mais apropriado para determinada técnica. Um local que oferece isso é o site da Tigre, que além de ter as descrições sobre os pincéis que vendem, te permite "filtrar" a melhor ferramenta de acordo com a técnica.

Exemplo de como o site da Tigre traz as informações sobre o pincel.

Conservação
"Vou deixar aqui, depois eu lavo" - Evite pensar assim! Usou, lavou! Claro que enquanto você está "no processo de utilização", dá pra quebrar o galho limpando num recipiente com água, mas quando for guardar seus brinquedos de volta no lugar deles, limpe as cerdas com água corrente e sabão. Algumas pessoas passam um pouco de creme hidratante ou até mesmo creme para pentear nas cerdas, para que fiquem macias. Só que é preciso ter cuidado para a química presente nesses produtos não danificar o pelo do seu pincel (no caso de cerdas naturais).

Espero ter ajudado você, que sempre entra na papelaria procurando um pincel e nunca sai com um na sacola.

Até a próxima! o/