quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Realizações x desilusões

Minha mão.

Essa é a minha mão do jeito que eu mais gosto de vê-la! Suja com materiais de desenho ou pintura, grafite, carvão, tinta, giz... seja lá com o que for. Com essas mãos sujas eu deixo marcas em tudo que encosto. Quando vejo essas marcas coloridas, sinto no coração a felicidade de quem faz o que gosta; e quando preciso lavar as mãos, um pouco dessa felicidade some também.

Até a próxima.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Vamos ao museu?

Quem nunca ouviu ou então falou aquela frase terrível "quem gosta de coisa velha é museu"? Nós estamos mal acostumados a associar "museu" com "lugar de coisa velha", e esse é um pensamento muito errado que internalizamos. O museu serve para guardar, cuidar e exibir elementos importantes para a cultura de um povo, sejam esses elementos históricos ou atuais. Por isso eles são tão diferentes uns dos outros, e atendem vários segmentos diferentes: arte, moda, história, cultura, música etc.

Isso parece coisa velha pra você?
Museu de Arte Digital de Tóquio.

Cada museu possui um acervo específico, isto é, os objetos de lá só serão encontrados lá. Porém, algumas vezes, as obras de arte podem ser "emprestadas" para exibição em outros locais por um período de tempo. Sendo assim, mesmo que não possamos ir a um museu famoso no exterior, podemos dar a sorte da exposição de lá aparecer em algum museu mais perto de casa.

Exemplo de exposição temporária que fui em 2012, no Museu da Vale, em Vila Velha - ES.

No Brasil há uma incidência maior de museus nas cidades históricas, ligadas diretamente ao desenvolvimento social, político e econômico do país. Em São Paulo, por exemplo, temos o famoso MASP (Museu de Arte de São Paulo), na Av. Paulista; no Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã; Honestino Guimarães, em Brasília; Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais etc etc... Ainda que não tenha tanta divulgação, toda cidade tem pelo menos um museu no qual se é possível investigar, conhecer e apreciar a história e cultura locais!


Mas Nane, não entendo Arte!
Olha, muitas vezes, sem contexto, eu também não. É importante que, mesmo não entendendo de imediato, a gente busque informação sobre aquilo que está sendo visto. A Arte - que é uma forma de expressão cultural e social - muda constantemente e depende de um contexto para ser entendida.

Além disso, a função da arte também mudou. Em cada período da civilização, a arte apresenta uma função. Na pré-história, as pinturas rupestres tinham caráter mágico e representativo; nas civilizações antigas do Egito, Grécia e Roma, eram aliadas à religiosidade e política; na Idade Média, à doutrina Cristã; Renascimento, ainda ligada à Igreja, buscava a representação da perfeição e clássica. Só depois deste período que a arte passou a ser também uma mercadoria, e os artistas, além de artífices, se tornam negociantes de arte.

Sabia que algumas pinturas rupestres, que tem aí mais de 17mil anos, 
só foram descobertas em expedições do século XIX? 

Na Idade Moderna, sobretudo pós invenção da fotografia, a Arte se liberta, perde o caráter de ser a única forma de "registro da vida", e os artistas passam a pesquisar e testar novas técnicas e materiais em suas obras. O avanço da ciência e das tecnologias nesse período foi um dos principais aliados das artes.

Nos períodos pós guerra, tanto Primeira Guerra quanto Segunda Guerra Mundial, a arte se torna uma poderosa ferramenta de crítica social. Grande parte das obras que de cara a gente vê e "não entende" começam nesta fase. Sabe aquelas fotos cheias de indiretas que mandamos pros amigos/parentes/paqueras nas redes sociais? É tipo isso, só que feito de outra forma, e para outras pessoas. rs

Marcel Duchamp e suas obras "readymade" que questionavam a sociedade e a própria arte.
Movimento Dada - período pós Primeira Guerra.

Por isso eu digo, busquem o contexto, pesquisem a história, a geografia, a política, a sociedade, as questões filosóficas que cercavam (e motivavam) os artistas. Outra coisa, arte não é só desenho e pintura. Saiam da tela, apreciem esculturas, performances, músicas, danças, teatro... Arte está em tudo isso! Inspire-se. Frequentar museus te ajuda a entender as coisas.


Nane, no momento não tenho condições de ir no museu...
Seeeeus problemas acabaram! O museu vai até você.
Com a facilidade do mundo digital é possível fazer tour online em vários museus do mundo! Vou deixar alguns links para vocês se divertirem:

Istituto Inhotim (Minas Gerais)

Masp (São Paulo)

Pinacoteca (São Paulo)

Museu do Amanhã (Rio de Janeiro)

Museu do Louvre (Paris, meus amores)

O próprio Google tem um projeto de arte e cultura, no qual você pode pesquisar sobre artistas, movimentos artísticos, período, galerias, obras de arte... Uma infinidade de coisas. E esse projeto tem com parceiros museus do mundo inteiro, então é o banco de dados é bem farto: https://artsandculture.google.com/explore

Fica aqui então meu convite. Se conhece outros links interessantes de tour virtual, compartilhe aqui nos comentários. Conta pra mim sua experiência! ;)

Até a próxima!

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

GELOO e cartela de cor

Estive no Japão mês passado, realizando os sonho da minha vida! Tive oportunidade de conhecer muitas lojas de mangá, museus, e, lógico, lojas de artigos de arte e papelarias. Consegui trazer algumas coisas pra testar aqui ateliê, e hoje vou falar um pouco das canetinhas hidrográficas brushpen da marca GELOO, que ganhei de presente da minha amiga que mora lá.

Canetinhas GELOO

Não existe muita informação sobre essas canetinhas disponível na internet. Fiz uma busca no Google em japonês e encontrei para vender na Amazon Japão. Na embalagem mesmo não tem muita coisa escrita, nem dados do fabricante. Com as descrições da loja Amazon, descobri que são de uma fábrica chinesa, que só produz e distribui, não faz venda. Me senti bem perdida! rs

O meu conjunto tem 60 cores e vem nessa embalagem redonda de papelão compensado, bem resistente. Consta as informações de que são canetas hidrográficas - ou seja, à base de água -, com duas pontas, para utilizar em atividades de colorir, material escolar e escritório, artesanatos do tipo "faça você mesmo", esboços etc. É recomendado tanto para crianças quanto adultos.

Pontas das canetas GELOO

As pontas de pincel são bem parecidas com as dos marcadores Tombow, são arredondadas e de feltro. Precisa ter cuidado com o papel em que vai usar, pois sai muita tinta! Já as pontas finas da outra extremidade são similares às canetas Stabilo. As cores são super bonitas e vivas, mas ao contrário das Tombow, não consegui notar a possibilidade de misturá-las em matizes e degradês.

Sobre o material da tinta em si, acho que o equivalente disponível no mercado brasileiro seriam as canetinhas hidrográficas da Faber Castell ou Compactor, da linha escolar. A diferença mesmo são as pontas e a quantidade de carga. Acredito que as GELOO tenham mais mililitros de tinta.

Cartela de cor - GELOO

As canetas não têm sequer indicação dos códigos das cores. Fiz uma cartela de cor por conta própria e etiquetei a tampa de todas elas por meio de um sistema que fazia sentido pra mim. Geralmente os materiais de desenho possuem esse código, e facilita bastante no caso de reposição depois.

Você pode fazer suas próprias cartelas de cor dos materiais que tem em casa. Mesmo os que já possuem código podem ser catalogados para que você saiba exatamente qual é qual, e qual a verdadeira cor deles, uma vez que as cores das tampas da caneta nem sempre fazem jus à cor do pigmento delas. 

Fiz um modelo de tabela igual a que usei para as GELOO para você imprimir, se quiser. O formato é A5, dá para imprimir duas em um papel A4. Tem 60 espaços, e no topo você pode colocar o nome do material e a quantidade total de cores dele. É só clicar na imagem abaixo e salvar.

Tabela vazia para fazer a sua cartela de cor.

Testei as canetas colorindo uma fanart que fiz da minha personagem favorita da série de mangá e anime My Hero Academia - a Tsuyu Asui. Esse anime conta a história de uma escola para formar super-heróis, e cada aluno possui uma individualidade (habilidade especial), e a dessa personagem é basicamente ser um sapo.

Processo de colorização com GELOO - Tsuyu Asui

A cobertura da tinta é boa e a secagem é bem rápida. Se a área para cobrir for grande, vai ficar um pouco manchado. Pra deixar uniforme é preciso esperar secar e cobrir novamente. Não dá pra fazer sobreposições e misturas, mas a quantidade de cores da caixa possibilita brincadeiras com tonalidades próximas.

Resultado do desenho, usando canetinhas GELOO

Além da cartela de cores, fiz uma tabela com as cores que usaria no desenho. Quanto mais opções temos, mais perdidos ficamos, certo? Por isso selecionei 18 cores para compor todos os itens. Segui referência da paleta da Asui na internet para fazer essa seleção. Fazer isso antes de colorir ajuda muito a não errar, pois já crio uma imagem do desenho pronto na cabeça.

A conclusão que cheguei foi que conseguimos efeitos muito parecidos com canetinhas comuns. A vantagem da ponta pincel é poder cobrir uma área maior em menos tempo e dar efeito de variação de espessura da linha com mais facilidade. Gostei bastante do presente! Farei muitos desenhos e exercícios de lettering, com certeza!

Curtiu? Deixe um comentário e vamos trocar ideia.
Até a próxima!

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Urban sketching

Desenhar cenários, paisagens, cidades sempre foi a minha maior dificuldade, e não tenho vergonha nenhuma em dizer isso. Mesmo sendo uma dificuldade declarada, nunca recusei um projeto envolvendo esse tipo de esforço só por não ser meu ponto forte. Ao contrário, encarei essas chances como oportunidade de desenvolver um pouco mais esse lado.

Na postagem de hoje vou apresentar dois livrinhos que adquiri há algum tempo e que estão me ajudando demais com o estudo. O primeiro, na verdade, foi um presente que ganhei de uma colega na agência que trabalhei: Paisagem Desenhada, de Tarcísio Bahia de Andrade; e o outro livro, que encontrei por acaso na livraria e comprei, é o A Perspectiva em Urban Sketching, de Bruno Mollière.


Paisagem Desenhada

Neste livro há vários desenhos do artista. A base, na maioria das vezes, é feita com nanquim, e quando os desenhos são coloridos, dá para perceber o uso de diferentes materiais no processo de colorização.

Capa: Paisagem desenhada - Tarcísio Bahia de Andrade - Editora Cousa

O livro é uma compilação dos desenhos de vários locais em Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O traço é bem solto e representativo, e por isso uso como uma fonte de referência.

Miolo: Paisagem desenhada - Tarcísio Bahia de Andrade - Editora Cousa

Além das paisagens, também é possível encontrar alguns esboços e detalhes de arquitetura. O trabalho do artista é interessante, os desenhos explora diferentes texturas e, pessoalmente, isso me atrai muito num trabalho visual.


A perspectiva em urban sketching

Já é o terceiro livro que compro dessa editora! Recentemente conheci a GG adquirindo um livro sobre Aquarela e fiquei surpresa com a quantidade de publicações que essa editora tem destinadas às áreas das artes, arquitetura e design. A perspectiva em urban sketching, em especial, mexe em duas feridas que tenho: cenários e perspectiva.

Capa: A perspectiva em urban sketching - Bruno Mellière - Editora GG

O livro em si é bem didático e de uma linguagem extremamente simples e compreensível. É dividido em capítulos e em cada um é falado sobre uma particularidade do desenho de espaços urbanos, com dicas interessantes para que o processo todo pareça mais fácil. Virou um xodó, de verdade.

Miolo: A perspectiva em urban sketching - Bruno Mellière - Editora GG

Além de muitos exemplos de paisagens urbanas desenhadas, o livro apresenta fotos e esquemas que facilitam bastante a compreensão dos conceitos propostos. Para quem quer começar a se enveredar por este caminho ou aperfeiçoar o que já iniciou, é um apoio interessante. Pelo menos pra mim tá sendo de grande ajuda...


Beba de outras fontes

Me ative em dois livros que tenho na estante, porém, os materiais de referência vão além deste espaço. Existem muitos materiais online disponíveis para estudo também, e portfólio de artistas disponíveis em plataformas digitais que podem ser acessadas sem a necessidade de criar uma conta nelas. Vale a pena pesquisar a área de interesse e selecionar os materiais que melhor atendem à sua demanda no momento. ;)

Essas foram as dicas de leitura de hoje, espero que tenham gostado e que tenha sido útil. Deixe seu feedback nos comentários. Se tiver também alguma dica de outras fontes sobre urban sketch, ou artistas que recomenda, será super bem-vindo. Vamos trocar experiências!

Abraço!
Até a próxima!

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Bruxa a solta!

Dia desses, inspirada pela lua cheia, rabisquei uma bruxinha e acabei usando o desenho para testar um conjunto de canetas permanentes pretas - dessas de uso geral - que ganhei. Cheguei a postar o resultado no Instagram, e vou mostrar as etapas hoje por aqui.

Não usei referências externas, me baseei no senso comum que temos sobre bruxas usarem chapéu pontudo e voarem em vassouras. Como no momento do desenho eu estava com o humor compatível ao tema, acabei emprestando algumas características físicas minhas à personagem.

Rascunho.

O rascunho foi feito em papel cartão e usei apenas lápis HB. Era apenas um desses rascunhos que a gente faz enquanto conversa ou assiste alguma aula, sabe? Mas achei que ficou fofo e guardei para testar com as canetas permanentes.

O conjunto é formado por duas canetas, ambas com duas pontas, uma em cada extremidade da caneta. A caneta menor possui uma ponta redonda de feltro, e outra ponta fina também de feltro; a caneta grossa possui uma ponta redonda e outra ponta chanfrada.

Linhas de contorno feitas com caneta fina.

Usei a ponta fina da caneta meno para fazer a linha de contorno. O traçado fica bem uniforme e possui poucos pontos de variação na espessura. Como o papel cartão é um pouco poroso, as linhas devem ser traçadas de forma contínua para evitar acúmulo de tinta ao longo do caminho.

Preenchimento feito com caneta grossa.

A imagem acima mostra a diferença de espessura das duas canetas. Com a ponta chanfrada da caneta mais grossa preenchi as áreas pretas do desenho sem medo de ser feliz. A cobertura da tinta das canetas permanentes é muito boa e resistente à água. Isso me permite usar tranquilamente em projetos de curta duração como letreiro, cartaz manuscrito, endereçamento de encomendas, etc.

Mas Nane, por que você não pode usar em outros projetos? 
A carga dessas canetas permanentes são compostas por solventes que, com o passar do tempo, amarelam o pigmento. Já falei desse "probleminha" no post nem toda tinta preta é nanquim. Vale a pena dar uma conferida, caso ainda não tenha visto.

Bruxinha colorida.

Para colorir usei marcadores Bic e Promarker, e caneta gel branca para os picos de luz. O resultado me agradou muito e, assim como outros desenhos que fiz, já fiquei imaginando o desdobramento como estampa de alguns produtos (camisa, caneca, essas coisas...). Foi um processo divertido e despretensioso, que resultou em mais uma peça interessante para minha pastinha de desenhos.

Moral da história: não subestime os rabiscos que faz ao telefone, durante as aulas, ou enquanto espera na fila do atendimento de algum serviço. Eles podem ser base de algum material bacana futuramente. Seja para uso comercial ou como objeto de estudo... Vale tudo!

Abração a todos. Até a próxima! o/

terça-feira, 3 de julho de 2018

Desenhando melhor em 4, 3, 2, 1...

Procurar desenhar melhor é uma luta constante que temos, ainda mais porque estamos sempre nos comparando a outros desenhistas, né? Bom, primeiramente devemos entender que cada pessoa tem a sua maneira de desenhar e ainda que tenhamos interesse pelo mesmo estilo, cada artista desenvolve uma característica própria em seu trabalho.

Reparou que usei a palavra "desenvolve"? Não cai do céu! Essa característica própria adquirida pelo artista é, na verdade, o resultado de um processo - muitas vezes extenso, pessoal e exaustivo - de busca por aperfeiçoamento constante de seu próprio trabalho.

Pegue um cappuccino (ou uma bebida de sua preferência) e sente para conversar comigo, porque hoje vou falar de quatro coisas básicas com as quais, na minha opinião, precisamos nos habituar para melhorarmos nossa maneira de desenhar, principalmente para quem tem intenção de se profissionalizar fazendo isso. De certa forma, essas tais "coisas básicas" se aplicam também as várias outras carreiras. Mas, como sou ilustradora, os exemplos usados no post de hoje serão voltados mais especificamente para as artes. Vamos lá?

4 - Leia até seus olhos caírem
Ao longo da vida escutamos bastante a máxima de que "só aprendemos na prática", mas a teoria é igualmente importante para o aprendizado, pois lapida o fazer. Isto é, sabendo a teoria podemos praticar com mais confiança, os processos são otimizados quando sabemos o que e como fazer.


Livros sobre arte e desenho.

Leia textos sobre sua área de interesse, sejam livros, artigos, blogs... Construa sua própria biblioteca, não importa se ela for física ou digital, mas adquira sempre conhecimentos novos. Procure o saber teórico tanto de autores conhecidos, quanto das pessoas que gentilmente postam em seus sites/blogs suas próprias experiências e frustrações.

3 - Busque referências e se atualize
Quando se procura por leituras, consequentemente conhecemos artistas cujas obras nos chamam atenção. A apreciação dessas obras contribui para a construção de repertório.

Guarde aquele desenho legal que viu na revista ou salve no computador aquela ilustra bacana que apareceu numa pesquisa; monte um fichário ou uma pastinha de referências; siga os artistas nas redes sociais e acompanhe a evolução deles; veja histórias em quadrinhos e animações com outros olhos, perceba como as figuras são desenhadas e o que está na moda; procure outras obras do ilustrador daquele livro que você leu e curtiu na escola... Vá além: visite museus e galerias. Muitos possuem tour online pelos sites e contas nas redes sociais. Não tem desculpa, é só seguir!

Alguns artistas que sigo no Instagram; e minha ida à Pinacoteca, em São Paulo.

Esse tipo de referência ajuda demais! Com o tempo e o contato constante com trabalho de outros profissionais, você já saberá o que olhar quando precisar de ajuda com algum desenho. Mesmo que essas pessoas não convivam diretamente com você, ou nem fale seu idioma, é possível analisar suas obras e extrair delas algum aprendizado.

2 - Tenha materiais adequados
Não precisa gastar uma fortuna com materiais pra começar a desenhar. Pense nos materiais como suas ferramentas de trabalho e tenha à mão inicialmente apenas o que você realmente precisa. Vá abastecendo sua "caixa de ferramentas" de acordo com a demanda.

Minha área de trabalho.

Também é muito importante ter o seu espaço sagrado para desenhar. Mantenha seu cantinho de desenho sempre limpo e organizado para aproveitar melhor seu tempo nele.

1 - Treine constantemente
Recentemente os posts que minha vizinha de blog, Joyce, anda fazendo para o Caixola me deixaram bem motivadas para retomar o treino. Um deles foi o hábito de estudar, no qual relata a rotina de estudos sobre desenho de figura humana quem vem fazendo. Dá para notar o progresso que ela teve desenhando 20 minutos diariamente. Gente, vinte minutos! Parece pouco, mas faz uma enorme diferença.

Estudos de corpo humano que fiz há um tempo.

Só para esclarecer: ficar parado não faz com que a gente desaprenda a desenhar, só nos enferruja, e com isso acabamos ficando mais lentos para solucionar os problemas no desenho. Treinar diariamente nos agiliza física e mentalmente; a qualidade do acabamento melhora, os erros diminuem, otimizamos o tempo... Só temos a ganhar com isso. ;)

E aí, curtiu?
Concorda que seguindo essas dicas fica muito mais fácil buscar resultados? Não esqueça de compartilhar suas experiências, pois você pode ajudar outras pessoas com elas.

Até a próxima! o/

sábado, 23 de junho de 2018

5 dicas para economizar caneta nanquim

De tempos em tempos organizo meus materiais de desenho e jogo fora aqueles que não consigo mais usar -  os vazios, os que estragaram/secaram com o tempo, etc - e faço uma lista do que deve ser reposto. Um dos principais itens que monitoro são as minhas canetas nanquim descartáveis, que ultimamente estão durando bastante devido ao modo como as utilizo.

Vou deixar no post de hoje umas dicas de como fazer o material render, uma vez que os valores das canetas estão subindo desesperadamente. Para isso, conto com a ajuda do meu modelo, príncipe Vegeta, desenhado especialmente para este post. rs

Vegeta, personagem da série Dragon Ball Z - Nanquim sobre papel offset 180g/m², formato A5.

1) Procure opções mais baratas
Para trabalhos profissionais e que exijam qualidade a longo prazo, recomendo ter no seu estojo algumas canetas nanquins (nanquiiiim mesmo) descartáveis ou reutilizáveis. Se o desenho que você for fazer tem como finalidade um estudo, um rascunho rápido, algo pessoal e momentâneo, que não justificaria gastar um material tão caro, use outras canetas pretas mais em conta. 

Opções de canetas pretas mais baratas para desenhar.

Quando estava começando a desenhar histórias em quadrinhos, gostava de contornar tudo com caneta preta mas não me atentava à qualidade delas. No post "Nem toda tinta preta é nanquim" expliquei a diferença entre as canetas pretas, avaliando sua composição e mostrando o efeito que elas dão a longo prazo.

2) Faça rascunhos, esboce mil vezes se for necessário!
Meus rascunhos iniciais são uma bagunça. Uso pouco a borracha neles e faço uma quantidade absurda de riscos no mesmo lugar para obter um traço correto. Depois disso, com ajuda do vidro da janela da mesa de luz, faço um "esboço limpo".

Rascunho sujo em vermelho e rascunho limpo em azul.

Na imagem acima é possível comparar duas fases diferentes de rescunho do mesmo desenho. Faço o segundo rascunho aproveitando as melhores linhas do rascunho anterior e a partir dele vou adicionando detalhes. A arte final em caneta só vem depois que o rascunho está devidamente resolvido.

3) Preencha grandes áreas usando tinta
Uso caneta nanquim no contorno dos desenhos, mas para preencher áreas maiores, vou no pincel e tinta mesmo. Uma prática comum na arte final de quadrinhos é marcar com um "x" as áreas que serão preenchidas com nanquim, desta forma tanto o desenhista quanto o ajudante entendem o que é para ser feito.

Preenchimento das áreas marcadas com o "x" com tinta nanquim .

Imagina o tempo que eu gastaria para preencher essas áreas com caneta! Com tinta e pincel é bem mais rápido, fora que rende muito mais. 20 ml de nanquim Acrilex está na faixa de R$1,50 ~ R$2,00 e dá pra fazer uma porção de Vegetas iguais a esse.

4) Tenha pelo menos uma brush pen
Para preenchimento de áreas não tão grandes, recomendo usar brush pen - canetas com ponta de pincel de cerdas ou de feltro. Também existem vários tipos à venda, tanto nanquim quanto marcadores à base de álcool ou à base de água, de valores diversos.

Minhas brush pen.

Além de preenchimento, podem ser usadas para acabamento de linhas de contorno. A variação de peso proporcionada pela ponta dessas canetas dá um efeito interessante no desenho que seria difícil alcançar com a mesma precisão usando um pincel. Quem faz lettering também usa bastante!

5) Arte finalize digitalmente
As mesas digitalizadoras permitem desenvolver o processo todo digitalmente, desde o rascunho até a colorização. No entanto, mesmo quem não possui um desses recursos pode alternar as etapas fazendo contorno com técnicas tradicionais e depois selecionando e preenchendo as áreas pretas maiores em um programa editor de imagem sempre que possível.

Selecionando área e preenchendo digitalmente.

Essas foram algumas dicas de como fazer render e evitar desperdício dos materiais mais caros. Claro que cada caso é  um caso e alguns projetos demandam uso de materiais específicos. 

Ao mesmo tempo que economizar é importante, recomendo uso dos bons materiais em testes para que você consiga entender como funcionam e como podem ser bem aproveitados em seus trabalhos. Com o tempo e experiência, você mesmo vai ser capaz de julgar qual marca atende melhor suas necessidades, sejam elas amadoras ou profissionais.

Fico por aqui! Se já segue essas dicas ou tem mais alguma pra compartilhar, deixe seu comentário e vamos trocar figurinhas.

Até a próxima! o/