quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Exposição Isto é Mangá

Olá!

Pronto para mais um rolê em centros culturais? O nosso passeio anterior foi na exposição "Olá, Mauricio!" e hoje vamos saber um pouco mais sobre a Isto é Mangá, que ficará na Japan House SP até o dia 05 de janeiro de 2020. A Japan House, para quem não conhece, é uma instituição criada pelo governo japonês para difundir arte e cultura japonesa em vários países. Aqui no Brasil, ela fica na cidade de São Paulo, na famosa Avenida Paulista.

Painel de entrada da exposição Isto é Mangá.

Isto é Mangá fala sobre a carreira do premiado quadrinista japonês (mangaka) Naoki Urasawa - autor de 20th Century Boys, mangá lançado pela Shogakukan e publicado aqui pela Panini. Inclusive, eu só conhecia essa obra dele, e me surpreendi bastante na exposição vendo as outras criações.

O espaço é bem grande, e conta com vários biombos contendo páginas originais dos mangás de Urasawa. Por questões legais, infelizmente não é permitido fotografar essas páginas de quadrinhos, mas é muito legal ver de perto o processo de artefinal de um mangaka de verdade. Retículas coladas, esboços e anotações em lápis azul (non-photo blue), machas de nanquim corrigidas com tinta branca, páginas especiais coloridas com aquarela... Que pena não poder registrar isso para vocês!

Havia também nas paredes alguns painéis com cópias em grande escala das obras. Estes sim poderiam ser fotografados, inclusive para interagir e compartilhar nas redes sociais. A Japan House sugere o uso das hastags #UrasawaNaJHSP e #IstoéMangá para divulgar a exposição.

Painel mangá YAWARA! / Painel mangá MONSTER

Boneco e painel de 20th Century Boys.

Ideias para capa do mangá PLUTO / Painel dos quadrinhos BILLY BAT
*cocriação de Takashi Nagasaki

Além disso, também estavam expostas as cópias de cadernos de quando Naoki Urasawa era criança, contendo suas primeiras histórias originais. Conseguimos acompanhar, desta forma, a constante evolução do traço do artista e sua capacidade de transformação. Billy Bat, por exemplo, embora contenha muitos elementos característicos dos quadrinhos japoneses, está carregado de inspiração nos cartuns americanos da década de 1920, como Gato Félix.

Vou deixar abaixo imagens do folder, no qual podemos obter mais informações sobre o artista, e sobre o mangá e sua importância cultural.

Folder da exposição - cliquei na imagem para ampliar

Espero que tenha curtido nosso passeio. Quem gosta de quadrinhos, gosta de desenhar, e estiver por São Paulo, visite a exposição. É fácil chegar, não paga nada pra entrar, e faz um bem danado! Para quem mora longe, também é possível sentir o gostinho da exposição visitando o site da Japan House e acompanhando as hashtags já mencionadas.

Um agradecimento super especial ao Hideki, que estava comigo no dia e cedeu algumas fotos que fez lá para que eu pudesse compartilhar a experiência aqui no Cappuccino. 

Vejo você no próximo rolê!
Até mais! o/

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Looks "de segunda"

Oi oi oi! Tudo joia?

Aconteceu comigo algo que está cada vez mais comum no meio artístico: o tão temido bloqueio criativo. Não foi de uma hora para a outra, e sim um processo. Houve um período em que eu estava com alguns trabalhos de ilustração para fazer e mal sobrava um tempinho para produção pessoal; porém, depois da entrega dos trabalhos e sobra de tempo livre, a produção pessoal continuou no zero!

Em meio a uma das várias crises de ansiedade que tive, assisti a vídeos sobre como aproveitar melhor as peças de roupa e fazer combinações inteligentes com o que já tem no armário. Com vontade de testar essas combinações, mas sem paciência de ficar trocando de roupa, comecei então a desenhar os "looks" que achava interessante experimentar um dia.

Primeiro look, usei para passear e tomar café.

Esse desenho acima foi o primeiro após meses de bloqueio. Tentei me desprender de várias formalidades como proporção, perspectiva, e deixar o traço fluir sem compromisso. Achei o resultado legal e acabei postando no Instagram

Segundo look, uma combinação que ficou melhor na vida real do que no desenho.

No segundo já consegui ousar um pouco mais na pose. Usei o desenho como aquecimento de braço para um trabalho que precisava fazer. A partir daí já consegui desenhar outras coisas no tempo livre e voltar a rabiscar o que quer que fosse, despretenciosamente.

Terceiro look, ainda não usei. Estou aguardando oportunidade!

Quando cheguei no terceiro desenho de look, pensei "por que não fazer disso um hábito?". Se vai dar certo, ainda não sei, mas pretendo postar nas redes sociais todas as segundas-feiras uma sugestão de roupa com a #lookdesegunda. O nome carrega um trocadilho que me descredita (afinal, quem sou eu no mundo da moda?), mas como exercício, acho que vale à pena. Te convido a me seguir lá para acompanhar meus looks de segunda rsrs. 

Para amarrar o assunto sobre bloqueio criativo e ansiedade, fatores externos como organização da casa nova depois da mudança interestadual, saudade da família e do convívio com amigos, falta de renda fixa e preocupação com os boletos chegando etc, tiveram uma parcela de contribuição nesse problema. Me sentia completamente culpada por sentar diante do sketchbook enquanto todas essas coisas buzinavam na minha cabeça. Sei que muitas pessoas passam por isso, cada uma com os seus gatilhos. =/

Como experiência pessoal, sugiro respeitar seu próprio tempo. Bloqueios criativos às vezes são necessários para que a gente, como artista, possa refletir sobre o próprio trabalho. Evite se comparar com o outro, e foque no seu próprio desenvolvimento. Se abra, fique ligado ao que está acontecendo ao seu redor, leia um livro novo, veja vídeo sobre algo que nunca te interessou antes... Uma hora a criatividade volta, e você vai poder desenvolver novos projetos. S2

Beijo grande, leitor!
Até a próxima! o/

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Mascotes

Pára tudo!

Semana passada trabalhei em um projeto de mascote e caí na real de que nunca abordei esse tema em sua amplitude aqui no Cappuccino. Você sabe o que são mascotes? Talvez até saiba, pois estamos em contato com eles a todo tempo, seja pela televisão, na gôndula do supermercado, nos eventos promocionais, nas escolas, nas campanhas etc.

É massacote...

Na publicidade, Mascote é uma personagem simbólica de uma marca, com objetivo de estabelecer relação de proximidade com o público consumidor. E quando falo "marca" não me refiro apenas a um produto, ok? Pode ser uma instituição, um serviço, um evento...

Estudo de caso.
Vou compartilhar com vocês um projeto do meu portfólio para exemplificar melhor a questão toda. Foi um trabalho desenvolvido em 2017 para a rádio capixaba FM Super. Por questões éticas, não divulgarei nenhuma informação institucional presente nos documentos de pré-projeto, e me atentarei apenas em exemplificar por meio das imagens o que foi feito.

Foi realizado um briefing com o cliente para que eu tivesse todas as diretrizes para iniciar o projeto. Essa etapa, meus queridos, é muito importante! Quanto mais específico e bem delimitado for o escopo, melhor conseguimos nos organizar e entregar um bom resultado. A partir daí, fiz pesquisas para embasamento teórico, desenhei os primeiros rascunhos e elaborei os possíveis desdobramentos, para que o cliente pudesse visualizar a funcionalidade do mascote.

Mascote FM Super - estudos iniciais.

Enviei os rascunhos para aprovação, junto com a justificativa de todas as tomadas de decisão do desenho, para que a equipe pudesse entender os estudos que fiz e os propósitos de cada detalhe. Alguns ajustes foram solicitados antes da aprovação. Confira:

Ajustes solicitados durante o desenvolvimento do Mascote FM Super.

Importante: aprovem com cliente todas as etapas e documentem todos os retornos. Isso minimiza o erro e evita que grandes modificações sejam solicitadas perto da finalização do trabalho.

Depois do rascunho aprovado, o mascote foi vetorizado para dar melhor acabamento e possibilitar sua aplicação posteriormente em qualquer formato. Também disponibilizei o esquema com as várias vistas do personagem para facilitar futuramente sua modelagem em 3D.

Mascote FM Super finalizado, com vistas fronta, lateral, costas e detalhes.

Atenção! Mascotes não são apenas um desenho!
É bastante comum um cliente se assustar com a diferença nos valores de um projeto de mascote comparados aos valores de uma caricatura, por exemplo. Apesar de em ambos os casos o resultado final ser, na maioria das vezes, a entrega de um desenho, o processo de desenvolvimento de uma mascote é bem mais complexo.

Primeiro de tudo, precisamos seguir uma metodologia. Estudar a marca a qual a mascote fará parte, entender suas características, pesquisar o que já foi feito para marcas diferentes do mesmo ramo para não cair no senso comum ou no plágio; buscar referências e elementos marcantes; entender como a marca se posiciona no mercado e com seus consumidores para ajudar no desenvolvimento do gestual da personagem. É preciso também ter noção de composição, teoria das cores, marketing; testar, errar, consertar, testar novamente...

O que um bom projeto de mascote precisa ter?
Xiiii... vamos lá. Pesquisa é um ponto chave na elaboração de um mascote. Se aprofunde o quanto puder no segmento do seu cliente, posicionamento da marca, características desejáveis; tente entender o motivo do cliente solicitar um mascote.

No desenvolvimento da personagem, busque informação sobre linguagem corporal, significado das cores, estudos de formas e sólidos geométricos, estilos de desenho, texturas, acabamentos... a semiótica pode ser uma ferramenta norteadora para tomada de decisões.

Charlie - mascote criado para ser porta-voz da campanha Consuma Atitude, da empresa Resultate.

Em relação à parte técnica da entrega do projeto, procure mostrar como será a expressão corporal dessa mascote e como será sua interação com a marca. Pense em poses chaves para utilização em peças publicitárias e/ou outros tipos de campanha. O esquema com as vistas rotacionadas do mascote também faz parte de um projeto completo.

Leituras
Para quem se interessa pelo assunto, além de me disponibilizar por e-mail ou por comentário a trocar ideia sobre o assunto, gostaria de recomendar o livro Mascotes. Semiótica da Vida Imaginária, da professora Clotilde Perez; e dois artigos sobre utilização de mascotes:

- A utilização de personagens e mascotes nas embalagens e sua representação
simbólica no ponto-de-venda, de Luiz Cláudio Gonçalves Gomes, e Alexsandro de Souza Azevedo.

- As mascotes na publicidade a alimentos para crianças, de Rosário Higgs, Carla Medeiros, e Francisco Costa Pereira.

Espero que tenham gostado.
Até a próxima! o/

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Olá, Mauricio!

Ei, gente! Tudo bem? Como está a rotina de desenho? Espero que à todo vapor!!!

Depois de sumir por um tempo, estou de volta trazendo uma dica super bacana de rolê gratuito pra você: a exposição Olá, Mauricio!, no Centro Cultural Fiesp, na cidade de São Paulo. A mostra começou em julho, e temos aí mais alguns meses para aproveitar.

Imagem do folder com Programação de Setembro do SESI-SP;
+ Bidu gigante na entrada do prédio da Fiesp.

Mesmo com uma duração bacana, eu sei que muitos admiradores do trabalho do Mauricio e fãs da Turma da Mônica não tem a oportunidade de viajar até São Paulo para conferir de pertinho o que está rolando. Eu mesma passei por isso várias vezes! Perdi muitas exposições legais que acontecem aqui na "terra da garoa" porque morava longe e não tinha condições de vir... Mas, calma! Quero compartilhar contigo a experiência. Vamos juntos?

Primeiro painel da exposição.

A mostra é sobre as contribuições de Mauricio de Sousa nesses 60 anos de carreira. Ele, que começou jornalista, hoje tem papel super importante na cultura brasileira, tanto na área do entretenimento quanto na de educação, por meio dos quase 500 personagens de quadrinhos que criou. O painel de entrada, na metáfora de página dupla de jornal, conta um resumo de sua vida profissional e traz imagens de diversos momentos, incluindo a primeira tirinha publicada - Bidu e Franjinha.

Painéis de apresentação das personagens dos núcleos
Chico Bento (acima) e Astronauta (abaixo).

Na primeira parte da exposição temos contato com as personagens organizadas de acordo com seus núcleos. Os painéis são gigantes, super coloridos, e podem ser fotografados (sem flash, lógico). Fui num horário bem tranquilo, então consegui tirar fotos bem abertas pra mostrar alguns deles.

Agora pasmem! Quando as apresentações das personagens acabam, a gente encontra uma réplica da estação de trabalho do Mauricio. Confesso, senti muita vontade de pular a faixa de segurança e sentar ali pra saber qual a sensação. Dicionário, canetas de todas as cores e miniaturas são alguns dos itens em cima da mesa, sem contar com maravilhosas páginas originais (ou cópias das originais) de Turma da Mônica Jovem. A lágrima só não escorreu porque tinha um segurança me olhando fixamente.

Réplica da mesa de trabalho do Mauricio de Sousa.

Aí, meu coração que já estava abalado, quase encerra atividade quando me dirijo à segunda parte da exposição: Histórias em Quadrões -  a releitura que o Mauricio fez das obras de grandes artistas. Esta ala começa com vááááários originais dos esboços protegidos de mim por um vidro.

Esboços originais de Histórias em Quadrões.

Os "quadrões" são quadrões mesmo. Telas bem grandes pintadas à tinta, com personagens da Turma da Mônica dando ar da graça em famosas obras de arte. Encontrei, dentre os esboços, o do meu "quadrão" favorito - Cebolinha tocador de pífaro (releitura de O tocador de pífaro, de Édouard Manet).

Cebolinha tocador de pífaro.

Porém, a versão à tinta não estava exposta, buááá!! Mas aproveitei a oportunidade para eleger um segundo favorito dentre os presentes na galeria. A escolha foi bem óbvia, na verdade: a releitura d'A grande onda de Kanagawa, do mestre japonês Hokusai.

A grande onda de Kanagawa.

O final da galeria fica na saída do espaço, encerrando a exposição, e isso me deu uma sensação triste de "poxa... acabou." - daí, retornei pela porta de entrada e percorri tudo de novo! Sim... perambulei lá dentro DUAS vezes e pretendo ir de novo, porque dá pra absorver muita informação.

Do lado de fora, professores organizavam seus alunos para entrar. Senti tanta vontade de conduzir eu mesma um grupo de crianças e explicar os personagens, contar sobre como as historinhas do Mauricio me ajudaram quando eu tinha a idade delas, ensinar história da arte pegando a deixa dos Quadrões... Passou um filme na minha cabeça. Me vi criança desenhando a Mônica e falando  que seria desenhista.

Senha simbólica para fila da exposição Olá, Mauricio!

Bom, trouxe comigo dois bilhetinhos da senha simbólica que é distribuída lá dentro. Uma é minha e a outra é sua, leitor, que foi junto por meio desta postagem. 

A exposição tem muito mais do que mostrei aqui. Perderia a graça se eu mostrasse tudo também, né? Se você tiver chance, gosta de desenhar, gosta de quadrinhos, visite. Fica aberto de terça à sábado, das 10h às 22h; e aos domingos, das 10h às 20h - até dia 15 de dezembro de 2019.

Se já foi, ou pretende ir, deixe um comentário contando sua experiência. Caso não possa ir, mas interessou, deixe suas perguntas aqui nos comentários, que a gente troca ideia também. Beleza?

Até a próxima! o/

terça-feira, 7 de maio de 2019

Teste seus materiais sem medo

Este é mais um post para aqueles que, assim como eu, precisam trabalhar o medo de colorir desenhos. Fiz pra mim uma "folha de testes" que complementa a cartela de cores que disponibilizei no post sobre as canetinhas Geloo.

Costumo dizer que para se perder o medo de pintar seja lá o que for, precisamos conhecer os materiais, saber as cores, testar misturas, e praticar exaustivamente. Recentemente voltei a usar lápis de cor para pintar alguns desenhos e, antes de riscar o papel, adquiri o hábito de testar a mina do lápis em um papel de rascunho para ter certeza da cor. Isso já me dá uma confiança maior para colorir os desenhos sem medo de estragar, mas além de consumir material extra, notei que essa prática acaba me tomando um pouco de tempo a mais para finalizar um desenho.

Assisti alguns vídeos no youtube de pessoas que possuem grupos de colorir, e vi que a maioria fazia anotações das cores dos lápis em um papel para consultar. Foi daí que veio a ideia de elaborar uma folha de teste padrão, na qual eu pudesse especificar a marca do material, fazer anotações prévias e sugerir instruções de misturas ou possibilidades de efeitos. Desta forma, em vez de ter um papel rascunho sempre a tiracolo, eu teria um documento já com dicas do que posso fazer.

Vou deixar a imagem abaixo disponível em alta qualidade para que você possa baixar e imprimir. O formato original é de um A5, então sugiro impressão de 2 páginas por folha para melhor aproveitamento de papel. 

Clique na imagem para visualizar e baixar.

A princípio a folha conta com um mini círculo cromático para primárias e secundárias, espaço para 12 cores, 3 retângulos e 6 bolinhas para testes gerais de misturas, transições, sobreposições etc, além de um espaço pra observações gerais. 

Folha de teste - protótipo - lápis metálico Faber-Castell

No protótipo acima, ainda manuscrito, fiz estudos da minha caixa de lápis metálicos da Faber-Castell - que tem 12 cores - e achei que esse formato atende as minhas necessidades no momento. Aos poucos vou atualizando de acordo com os materiais que tenho no ateliê para tentar facilitar a vida. Espero que ajude a facilitar a sua vida também.

Depois me conta o que achou.
Até a próxima! o/

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Encáustica - técnica do artista Vinícius Zocolotti

Você já ouviu falar sobre encáustica? Tive oportunidade de presenciar a técnica visitando o ateliê de Vinícius Zocolotti (@vrznativa), artista plástico, terapeuta holístico, arteterapeuta e meliponicultor aqui do estado. Uma pessoa talentosíssima de quem o trabalho admiro muito!

A encáustica, ou pintura com cera quente, é uma técnica artística antiga grega usada tanto para pinturas em cavalete quanto pinturas de mural, e que com o passar dos anos foi adquirindo funcionalidades práticas devido à durabilidade e qualidade. Para confecção das tintas é necessário misturar pigmentos com cera branca ou cera de abelha derretida. É um processo demorado e meticuloso, o qual Vinícius se dedica por completo.

Vinícius Zocolotti em seu ateliê.

Por ser meliponicultor, ele é bem exigente em relação à qualidade das ceras mistas orgânicas e dos pigmentos usados para fazer suas tintas. O processo de fabricação dos bastões é relativamente simples: a cera é derretida e dividida em porções para cada cor de pigmento; depois a mistura colorida é depositada em moldes e colocada para esfriar. Não me foi revelado a proporção de cada item, um mistério que só faz crescer meu interesse no trabalho. Os bastões ficam prontos para uso quando se solidificam por completo, e, segundo o artista, fatores externos como temperatura ambiente e umidade podem influenciar no resultado e no tempo de secagem.

Bastões de cera e materiais para pintura encáustica - ateliê de Vinícius Zocolotti.

Em seu ateliê, Vinícius possui, além das tradicionais ferramentas de pintor - como pincéis, espátulas, goivas etc - alguns objetos de uso doméstico que produzem calor e que são usados exclusivamente para as pinturas, como chapas de fritura (que ele usa como godê), ferro de passar roupa, secador de cabelo, solda, maçarico, entre outros. Desta forma, é possível derreter gradativamente os bastões produzindo efeitos diversos e texturas belíssimas no suporte.

Esquerda: A Roda / Direita: Axis Mundi I
Quadros do acervo de Vinícius Zocolotti - venda sob consultoria.

Devido ao nosso clima tropical com verões castigadores, as pinturas de encáustica são sazonais, tendo seu pico de produção nos meses correspondentes ao inverno. Nas outras estações, a dedicação maior de Vinícius está na confecção dos artigos de sua marca Nativa Atelier, nos atendimentos terapêuticos e no cultivo de mel e alimentos orgânicos do sítio que a família possui no interior do estado. O contato com a natureza também é uma forma de desacelerar o ritmo frenético da vida na cidade, colocar a mente no momento presente, e aproveitar as energias da terra.

As abelhas do meliponário viram motivos de suas obras.
 Quadro do acervo de Vinícius Zocolotti - venda sob consultoria.

No seu espaço de criação encontramos sempre músicas étnicas e tribais, batuque, mantras; artigos de decoração místicos; tarots; toneladas de livros; e gatos brincando. Talvez a tranquilidade do ambiente seja uma tentativa de acalmar a mente fervorosa e criativa de quem o habita. É como se a gente se acalmasse e se agitasse ao mesmo tempo... Dualidade digna de soneto de um outro Vinicius.

Detalhe da parede decorada do ateliê.

A encáustica é uma opção de técnica para quem tem receio de sujar a casa toda de tinta. Por ser à base de cera, não corre o risco de manchar o chão nem a roupa, e a manutenção do ambiente de trabalho é simples. Além disso, não há necessidade de aplicar verniz na pintura! A cera que Vinícius usa, quando polida, deixa um efeito brilhoso lindo nos quadros, e ele mesmo ressalta: "quanto mais polir, mais reluzente fica". Porém, deve-se ter todo o cuidado do mundo para não se queimar durante o trabalho.

Fico por aqui, espero que tenha gostado de conhecer um pouco sobre encáustica e sobre a produção artística do Vinícius Zocolotti. Quando puder, trarei mais artistas e seus processos criativos para o blog. Combinado?

Até a próxima! o/

quarta-feira, 27 de março de 2019

Does it spark joy? - método KonMari na vida do artista

Não se assuste! Este post não vai ensinar a dobrar roupas, mas vai dar dicas de como organizar a sua vida criativa para que sua produção como artista não vire uma bagunça.

Estreou recentemente no Netflix uma série chamada "Ordem na Casa" (Tidying Up), na qual Marie Kondo, autora dos livros "A mágica da arrumação" e "Isso me traz alegria",  visita famílias para ajudar a pôr ordem na bagunça de suas casas. Assisti a série toda e também senti vontade de guardar Marie num potinho... Mas o que mais me chamou atenção foi a possibilidade de aplicar seu método de organização - KonMari - em qualquer área da vida. Inclusive na profissão.


Trailer da série Ordem na Casa - Tidying Up

E como fazer isso?
A ideia geral é manter na vida apenas o que te traz alegria, itens que tenham valor sentimental, coisas que fazem parte de quem você pretende ser. Na vida profissional, interpretei como fazer uma organização geral das nossas referências, dos materiais e ferramentas, estilo de trabalho, técnicas...

Dependendo da sua área de atuação, as categorias podem variar, o importante é pensar nos objetos e agrupá-los de acordo com suas características ou função. Trabalho com design gráfico e ilustração, então dividi as minhas categorias da seguinte forma:

  • MATERIAIS: minha maior categoria - aqui ficam todos os materiais artísticos e as ferramentas de trabalho que tenho, como computador, tablet, papeis, lápis de cor, tintas, pincéis, caneta, grampeador, cola, fita adesiva etc;
  • LIVROS: esta categoria engloba livros em geral, revistas, mangá, histórias em quadrinhos, apostilas etc;
  • DOCUMENTOS: documentos pessoais e profissionais, desenhos e trabalhos antigos, contratos, briefings, certificados, diplomas, recibos, notas fiscais e afins;
  • REFERÊNCIAS: sites favoritos, plataformas, conteúdo em redes sociais;
  • DIVERSOS: praticamente itens de decoração, CDs de música, e as coisas que não pertencem aos demais grupos;

Mantenha apenas o que for necessário
Depois de separar os objetos dentro das categorias, fui descartando o que não me trazia felicidade e o que de fato não servia mais. Tinha vários marcadores secos ocupando espaço na gaveta, então agradeci e joguei fora. Itens que estão em boas condições de uso, mas que já não fazem mais sentido para você, podem ser doados pra quem precisa. Isso inclui os perfis que a gente segue em redes sociais também. 

Um pedacinho da bagunça...

Os itens que você decidir manter precisam ser guardados com seus semelhantes. A criação de subcategorias pode ajudar a estabelecer os espaços de cada coisa. Por exemplo: designar um local específico para guardar só papeis, outro só para tintas, outro para as canetas, e por aí vai. Desta forma fica mais fácil encontrar o que procura e, depois do uso, retornar ao lugar correto.

Deixe perto o que você usa com frequência.
Nesta postagem sobre criatividade comparei nosso cérebro com uma estante em que as coisas importantes estão lá para serem acessadas facilmente, e que à medida em que nossas prioridades mudam, as informações da estante também vão mudando. Bom, seu espaço físico criativo deve seguir a mesma linha: deixe mais acessível o que é usado com frequência. Se no futuro as prioridades mudarem, reconfigure seu espaço de modo que ele continue te atendendo bem.

Mantenha por perto apenas o necessário, e organize de acordo com tipo e frequência de uso.

No fim das contas você vai se sentir mais feliz e mais produtivo no seu ambiente de trabalho ou de estudo. Ainda estou no meio do processo e já me sinto bem melhor. Recomendo o exercício!

Até a próxima! o/