quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Olá, Mauricio!

Ei, gente! Tudo bem? Como está a rotina de desenho? Espero que à todo vapor!!!

Depois de sumir por um tempo, estou de volta trazendo uma dica super bacana de rolê gratuito pra você: a exposição Olá, Mauricio!, no Centro Cultural Fiesp, na cidade de São Paulo. A mostra começou em julho, e temos aí mais alguns meses para aproveitar.

Imagem do folder com Programação de Setembro do SESI-SP;
+ Bidu gigante na entrada do prédio da Fiesp.

Mesmo com uma duração bacana, eu sei que muitos admiradores do trabalho do Mauricio e fãs da Turma da Mônica não tem a oportunidade de viajar até São Paulo para conferir de pertinho o que está rolando. Eu mesma passei por isso várias vezes! Perdi muitas exposições legais que acontecem aqui na "terra da garoa" porque morava longe e não tinha condições de vir... Mas, calma! Quero compartilhar contigo a experiência. Vamos juntos?

Primeiro painel da exposição.

A mostra é sobre as contribuições de Mauricio de Sousa nesses 60 anos de carreira. Ele, que começou jornalista, hoje tem papel super importante na cultura brasileira, tanto na área do entretenimento quanto na de educação, por meio dos quase 500 personagens de quadrinhos que criou. O painel de entrada, na metáfora de página dupla de jornal, conta um resumo de sua vida profissional e traz imagens de diversos momentos, incluindo a primeira tirinha publicada - Bidu e Franjinha.

Painéis de apresentação das personagens dos núcleos
Chico Bento (acima) e Astronauta (abaixo).

Na primeira parte da exposição temos contato com as personagens organizadas de acordo com seus núcleos. Os painéis são gigantes, super coloridos, e podem ser fotografados (sem flash, lógico). Fui num horário bem tranquilo, então consegui tirar fotos bem abertas pra mostrar alguns deles.

Agora pasmem! Quando as apresentações das personagens acabam, a gente encontra uma réplica da estação de trabalho do Mauricio. Confesso, senti muita vontade de pular a faixa de segurança e sentar ali pra saber qual a sensação. Dicionário, canetas de todas as cores e miniaturas são alguns dos itens em cima da mesa, sem contar com maravilhosas páginas originais (ou cópias das originais) de Turma da Mônica Jovem. A lágrima só não escorreu porque tinha um segurança me olhando fixamente.

Réplica da mesa de trabalho do Mauricio de Sousa.

Aí, meu coração que já estava abalado, quase encerra atividade quando me dirijo à segunda parte da exposição: Histórias em Quadrões -  a releitura que o Mauricio fez das obras de grandes artistas. Esta ala começa com vááááários originais dos esboços protegidos de mim por um vidro.

Esboços originais de Histórias em Quadrões.

Os "quadrões" são quadrões mesmo. Telas bem grandes pintadas à tinta, com personagens da Turma da Mônica dando ar da graça em famosas obras de arte. Encontrei, dentre os esboços, o do meu "quadrão" favorito - Cebolinha tocador de pífaro (releitura de O tocador de pífaro, de Édouard Manet).

Cebolinha tocador de pífaro.

Porém, a versão à tinta não estava exposta, buááá!! Mas aproveitei a oportunidade para eleger um segundo favorito dentre os presentes na galeria. A escolha foi bem óbvia, na verdade: a releitura d'A grande onda de Kanagawa, do mestre japonês Hokusai.

A grande onda de Kanagawa.

O final da galeria fica na saída do espaço, encerrando a exposição, e isso me deu uma sensação triste de "poxa... acabou." - daí, retornei pela porta de entrada e percorri tudo de novo! Sim... perambulei lá dentro DUAS vezes e pretendo ir de novo, porque dá pra absorver muita informação.

Do lado de fora, professores organizavam seus alunos para entrar. Senti tanta vontade de conduzir eu mesma um grupo de crianças e explicar os personagens, contar sobre como as historinhas do Mauricio me ajudaram quando eu tinha a idade delas, ensinar história da arte pegando a deixa dos Quadrões... Passou um filme na minha cabeça. Me vi criança desenhando a Mônica e falando  que seria desenhista.

Senha simbólica para fila da exposição Olá, Mauricio!

Bom, trouxe comigo dois bilhetinhos da senha simbólica que é distribuída lá dentro. Uma é minha e a outra é sua, leitor, que foi junto por meio desta postagem. 

A exposição tem muito mais do que mostrei aqui. Perderia a graça se eu mostrasse tudo também, né? Se você tiver chance, gosta de desenhar, gosta de quadrinhos, visite. Fica aberto de terça à sábado, das 10h às 22h; e aos domingos, das 10h às 20h - até dia 15 de dezembro de 2019.

Se já foi, ou pretende ir, deixe um comentário contando sua experiência. Caso não possa ir, mas interessou, deixe suas perguntas aqui nos comentários, que a gente troca ideia também. Beleza?

Até a próxima! o/

terça-feira, 7 de maio de 2019

Teste seus materiais sem medo

Este é mais um post para aqueles que, assim como eu, precisam trabalhar o medo de colorir desenhos. Fiz pra mim uma "folha de testes" que complementa a cartela de cores que disponibilizei no post sobre as canetinhas Geloo.

Costumo dizer que para se perder o medo de pintar seja lá o que for, precisamos conhecer os materiais, saber as cores, testar misturas, e praticar exaustivamente. Recentemente voltei a usar lápis de cor para pintar alguns desenhos e, antes de riscar o papel, adquiri o hábito de testar a mina do lápis em um papel de rascunho para ter certeza da cor. Isso já me dá uma confiança maior para colorir os desenhos sem medo de estragar, mas além de consumir material extra, notei que essa prática acaba me tomando um pouco de tempo a mais para finalizar um desenho.

Assisti alguns vídeos no youtube de pessoas que possuem grupos de colorir, e vi que a maioria fazia anotações das cores dos lápis em um papel para consultar. Foi daí que veio a ideia de elaborar uma folha de teste padrão, na qual eu pudesse especificar a marca do material, fazer anotações prévias e sugerir instruções de misturas ou possibilidades de efeitos. Desta forma, em vez de ter um papel rascunho sempre a tiracolo, eu teria um documento já com dicas do que posso fazer.

Vou deixar a imagem abaixo disponível em alta qualidade para que você possa baixar e imprimir. O formato original é de um A5, então sugiro impressão de 2 páginas por folha para melhor aproveitamento de papel. 

Clique na imagem para visualizar e baixar.

A princípio a folha conta com um mini círculo cromático para primárias e secundárias, espaço para 12 cores, 3 retângulos e 6 bolinhas para testes gerais de misturas, transições, sobreposições etc, além de um espaço pra observações gerais. 

Folha de teste - protótipo - lápis metálico Faber-Castell

No protótipo acima, ainda manuscrito, fiz estudos da minha caixa de lápis metálicos da Faber-Castell - que tem 12 cores - e achei que esse formato atende as minhas necessidades no momento. Aos poucos vou atualizando de acordo com os materiais que tenho no ateliê para tentar facilitar a vida. Espero que ajude a facilitar a sua vida também.

Depois me conta o que achou.
Até a próxima! o/

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Encáustica - técnica do artista Vinícius Zocolotti

Você já ouviu falar sobre encáustica? Tive oportunidade de presenciar a técnica visitando o ateliê de Vinícius Zocolotti (@vrznativa), artista plástico, terapeuta holístico, arteterapeuta e meliponicultor aqui do estado. Uma pessoa talentosíssima de quem o trabalho admiro muito!

A encáustica, ou pintura com cera quente, é uma técnica artística antiga grega usada tanto para pinturas em cavalete quanto pinturas de mural, e que com o passar dos anos foi adquirindo funcionalidades práticas devido à durabilidade e qualidade. Para confecção das tintas é necessário misturar pigmentos com cera branca ou cera de abelha derretida. É um processo demorado e meticuloso, o qual Vinícius se dedica por completo.

Vinícius Zocolotti em seu ateliê.

Por ser meliponicultor, ele é bem exigente em relação à qualidade das ceras mistas orgânicas e dos pigmentos usados para fazer suas tintas. O processo de fabricação dos bastões é relativamente simples: a cera é derretida e dividida em porções para cada cor de pigmento; depois a mistura colorida é depositada em moldes e colocada para esfriar. Não me foi revelado a proporção de cada item, um mistério que só faz crescer meu interesse no trabalho. Os bastões ficam prontos para uso quando se solidificam por completo, e, segundo o artista, fatores externos como temperatura ambiente e umidade podem influenciar no resultado e no tempo de secagem.

Bastões de cera e materiais para pintura encáustica - ateliê de Vinícius Zocolotti.

Em seu ateliê, Vinícius possui, além das tradicionais ferramentas de pintor - como pincéis, espátulas, goivas etc - alguns objetos de uso doméstico que produzem calor e que são usados exclusivamente para as pinturas, como chapas de fritura (que ele usa como godê), ferro de passar roupa, secador de cabelo, solda, maçarico, entre outros. Desta forma, é possível derreter gradativamente os bastões produzindo efeitos diversos e texturas belíssimas no suporte.

Esquerda: A Roda / Direita: Axis Mundi I
Quadros do acervo de Vinícius Zocolotti - venda sob consultoria.

Devido ao nosso clima tropical com verões castigadores, as pinturas de encáustica são sazonais, tendo seu pico de produção nos meses correspondentes ao inverno. Nas outras estações, a dedicação maior de Vinícius está na confecção dos artigos de sua marca Nativa Atelier, nos atendimentos terapêuticos e no cultivo de mel e alimentos orgânicos do sítio que a família possui no interior do estado. O contato com a natureza também é uma forma de desacelerar o ritmo frenético da vida na cidade, colocar a mente no momento presente, e aproveitar as energias da terra.

As abelhas do meliponário viram motivos de suas obras.
 Quadro do acervo de Vinícius Zocolotti - venda sob consultoria.

No seu espaço de criação encontramos sempre músicas étnicas e tribais, batuque, mantras; artigos de decoração místicos; tarots; toneladas de livros; e gatos brincando. Talvez a tranquilidade do ambiente seja uma tentativa de acalmar a mente fervorosa e criativa de quem o habita. É como se a gente se acalmasse e se agitasse ao mesmo tempo... Dualidade digna de soneto de um outro Vinicius.

Detalhe da parede decorada do ateliê.

A encáustica é uma opção de técnica para quem tem receio de sujar a casa toda de tinta. Por ser à base de cera, não corre o risco de manchar o chão nem a roupa, e a manutenção do ambiente de trabalho é simples. Além disso, não há necessidade de aplicar verniz na pintura! A cera que Vinícius usa, quando polida, deixa um efeito brilhoso lindo nos quadros, e ele mesmo ressalta: "quanto mais polir, mais reluzente fica". Porém, deve-se ter todo o cuidado do mundo para não se queimar durante o trabalho.

Fico por aqui, espero que tenha gostado de conhecer um pouco sobre encáustica e sobre a produção artística do Vinícius Zocolotti. Quando puder, trarei mais artistas e seus processos criativos para o blog. Combinado?

Até a próxima! o/

quarta-feira, 27 de março de 2019

Does it spark joy? - método KonMari na vida do artista

Não se assuste! Este post não vai ensinar a dobrar roupas, mas vai dar dicas de como organizar a sua vida criativa para que sua produção como artista não vire uma bagunça.

Estreou recentemente no Netflix uma série chamada "Ordem na Casa" (Tidying Up), na qual Marie Kondo, autora dos livros "A mágica da arrumação" e "Isso me traz alegria",  visita famílias para ajudar a pôr ordem na bagunça de suas casas. Assisti a série toda e também senti vontade de guardar Marie num potinho... Mas o que mais me chamou atenção foi a possibilidade de aplicar seu método de organização - KonMari - em qualquer área da vida. Inclusive na profissão.


Trailer da série Ordem na Casa - Tidying Up

E como fazer isso?
A ideia geral é manter na vida apenas o que te traz alegria, itens que tenham valor sentimental, coisas que fazem parte de quem você pretende ser. Na vida profissional, interpretei como fazer uma organização geral das nossas referências, dos materiais e ferramentas, estilo de trabalho, técnicas...

Dependendo da sua área de atuação, as categorias podem variar, o importante é pensar nos objetos e agrupá-los de acordo com suas características ou função. Trabalho com design gráfico e ilustração, então dividi as minhas categorias da seguinte forma:

  • MATERIAIS: minha maior categoria - aqui ficam todos os materiais artísticos e as ferramentas de trabalho que tenho, como computador, tablet, papeis, lápis de cor, tintas, pincéis, caneta, grampeador, cola, fita adesiva etc;
  • LIVROS: esta categoria engloba livros em geral, revistas, mangá, histórias em quadrinhos, apostilas etc;
  • DOCUMENTOS: documentos pessoais e profissionais, desenhos e trabalhos antigos, contratos, briefings, certificados, diplomas, recibos, notas fiscais e afins;
  • REFERÊNCIAS: sites favoritos, plataformas, conteúdo em redes sociais;
  • DIVERSOS: praticamente itens de decoração, CDs de música, e as coisas que não pertencem aos demais grupos;

Mantenha apenas o que for necessário
Depois de separar os objetos dentro das categorias, fui descartando o que não me trazia felicidade e o que de fato não servia mais. Tinha vários marcadores secos ocupando espaço na gaveta, então agradeci e joguei fora. Itens que estão em boas condições de uso, mas que já não fazem mais sentido para você, podem ser doados pra quem precisa. Isso inclui os perfis que a gente segue em redes sociais também. 

Um pedacinho da bagunça...

Os itens que você decidir manter precisam ser guardados com seus semelhantes. A criação de subcategorias pode ajudar a estabelecer os espaços de cada coisa. Por exemplo: designar um local específico para guardar só papeis, outro só para tintas, outro para as canetas, e por aí vai. Desta forma fica mais fácil encontrar o que procura e, depois do uso, retornar ao lugar correto.

Deixe perto o que você usa com frequência.
Nesta postagem sobre criatividade comparei nosso cérebro com uma estante em que as coisas importantes estão lá para serem acessadas facilmente, e que à medida em que nossas prioridades mudam, as informações da estante também vão mudando. Bom, seu espaço físico criativo deve seguir a mesma linha: deixe mais acessível o que é usado com frequência. Se no futuro as prioridades mudarem, reconfigure seu espaço de modo que ele continue te atendendo bem.

Mantenha por perto apenas o necessário, e organize de acordo com tipo e frequência de uso.

No fim das contas você vai se sentir mais feliz e mais produtivo no seu ambiente de trabalho ou de estudo. Ainda estou no meio do processo e já me sinto bem melhor. Recomendo o exercício!

Até a próxima! o/

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Leprechaun - SuperSoft Faber Castell

Conversando com as amigas desenhistas sobre lápis de cor, tive conhecimento sobre uma linha de lápis da Faber-Castell, da série mais profissional, chamada SuperSoft. São lápis de cor de mina macia e que soltam muito pigmento na superfície na qual são usados. Tive oportunidade de experimentá-los uma vez na casa da Joyce (Caixola), e gostei muito do comportamento da cor no papel. Empolgada com a experiência, no fim de 2018 me dei uma caixa de presente.

Caixa dos lápis SuperSoft e Leprechauns.

Encontrei um tempo para testá-los novamente esta semana, após ver uns estudos de leprechaun (duente da sorte) que a minha amiga Débora (Imaginei Ilustrei) estava fazendo. Fiquei inspirada e tive vontade de desenhar um também, então usei ele como a desculpa perfeita para estrear meus lápis SuperSoft.

O rascunho foi feito em papel sulfite e finalizado em papel kraft. Como a transferido para o papel kraft não é possível com mesa de luz, usei a técnica de decalque. Com grafite a gente risca o verso de uma folha de papel e depois a usa com se fosse um carbono.

Transferindo o rascunho para o papel kraft.

Antes de ir para os finalmentes e colorir o desenho, fiz uns estudos de comportamento do lápis. Isto é, em um papel colorido testei todos os lápis para saber exatamente quais eram as cores das minas, e misturei algumas para entender como o pigmento se comporta.

Testes de pigmento dos lápis SuperSoft.

Apertando bastante o lápis, o pigmento cobre toda a superfície, dando um efeito maravilhoso. Como pode ser observado na foto acima, os degradês podem variar tanto em função da pressão aplicada no lápis ao pintar, quanto na mistura entre cores diferentes.

Leprechaun finalizado

O marrom do papel kraft sumiu, ficou apenas o pigmento do lápis. O melhor de tudo é que não deixa resíduo na mão da gente e não corre o risco de borrar o desenho. Pelo menos comigo não aconteceu.

Gostei bastante da experiência e repeti fazendo uma companheira pro personagem. Afinal de contas, essa riqueza toda que ele carrega poderia muito bem ser compartilhada, né?

Casal leprechaun.

Os detalhes de pontos de luz, em branco, foram feitos com caneta Posca e caneta gel Gelly Roll. A tinta dessas canetas não absorve o pigmento deste tipo de lápis, continua bem branquinha. Achei ótimo, pois o efeito permanece no desenho por um bom tempo!

A caixa que tenho tem 24 cores e custou aproximadamente R$50. Foi bem divertido e prazeroso colorir com lápis de cor depois de tanto tempo sem usá-los. Existem outras marcas de lápis macios que seguem nessa linha, com preços variados. Os usados pela Débora no estudo foram os da marca Prismacolor. Espero que tenham gostado e que visitem os blogs mencionados neste post.

Desejo muita sorte e fortuna a todos vocês! 🍀
Até a próxima!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Origami - meu novo passatempo

Nós, em algum momento da vida, acabamos tendo contato com dobraduras - também conhecidas como origami (palavra japonesa que significa "dobrar papel"). Geralmente essa prática é iniciada durante a infância com barquinhos pra brincar na banheira ou aviõezinhos para brincar na hora do recreio. Neste post vou falar sobre as vantagens físicas e mentais que percebi com esse exercício de dobrar papel, e por que recomendo a prática a todas as pessoas.

Já o meu primeiro contato com essa arte foi com as embalagens antigas de Chamequinho, que continham instruções de dobraduras, e, como eu era muito criança e não entendia os gráficos direito, quem as seguia era meu pai. A que eu mais gostava era de um sapinho que "pulava de verdade".

Resultado de imagem para sapo origami
Para quem quiser se aventurar.

Anos mais tarde, retomei a brincadeira procurando aprender coisas novas. Me considero inciante e são poucas as dobraduras que consigo lembrar sem consultar algum guia. No geral, a gente aprende e internaliza um processo pela repetição, então praticar é importante. Como tudo nesta na vida, né?

Depois de ter feito muitos bichos e flores, comecei a pesquisar a categoria de kusudama, que são estruturas esféricas formadas por pequenos módulos. É como montar um quebra-cabeças ou fazer uma escultura de blocos de encaixe... Exercitamos o raciocínio lógico, o matemático, as funções motoras e também a criatividade.

Minhas aventuras mais recentes com origami

Na imagem acima tem os octaedros e as flores que fiz. Os módulos usados nele chamam sonobe e a partir deles é possível montar diversas outras estruturas com níveis variados de complexidade. Ainda sou iniciante nessas coisas, mas está sendo uma experiência bem legal.

Enquanto dobro os módulos, trabalho a concentração e o foco no momento presente, de certa forma acaba sendo terapêutico e meditativo. É uma ótima atividade pra quem, assim como eu, é ansioso, ou precisa desacelerar após um dia corrido de trabalho.

Recomendo origami, inclusive, para crianças! Ajuda no estímulo sensorial; no aprendizado das cores, das formas, das estruturas, das relações físicas dos objetos e dos encaixes; e na noção de plasticidade, isto é, a capacidade de transformação de um objeto em outro.

Uma brincadeira excelente para as crianças, e uma mega terapia para os adultos.

O processo inteiro mexe com a nossa criatividade desde a seleção dos tamanhos e tipos de papel, até a composição por meio da escolha das cores. Atualmente estou bem envolvida nisso e bastante empolgada nas diferentes coisas que estou conseguindo fazer. Espero contagiar você também!

Abraços e até a próxima!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Tipos de gravuras

Tenho visitado a cidade de São Paulo algumas vezes, sempre de maneira corrida, no estilo bate-e-volta, mas algo que tento fazer sempre que vou é visitar pelo menos algum centro cultural. Da última vez que estive lá, passei no Itaú Cultural, localizado na Av. Paulista, e trouxe lembrancinhas:

Meus lindos catálogos/Lembrança de viagem (?)

Todo centro cultural oferece, de forma gratuita, catálogos das exposições que estão acontecendo no momento, guia de acervo, etc. Além disso, alguns outros impressos podem ser disponibilizados gratuitamente. Os três impressos que trouxe são: um catálogo sobre a Ocupação Ilê Aiyê - que conta a história do primeiro bloco afro do Brasil, e um apanhado geral super interessante sobre a cultura negra no país; um livreto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que completou 70 anos agora em dezembro; e o catálogo Imagens Impressas, da exposição das gravuras históricas.

Pois bem, foi o catálogo de gravuras que me deu inspiração para o post de hoje, pois vi que nunca falei sobre esse assunto de maneira mais aprofundada. Espero que goste. Vamos lá!

Gravuras
A gravura é uma das formas de reprodução de imagem e texto mais antigas que existe. "Gravura" vem de "gravação", que a grosso modo significa "esculpir" ou "entalhar". O tipo de gravura se define pelo material da matriz de gravação, que pode ser madeira, pedra, metal, borracha, cera...

Xilogravura - "xilo" quer dizer madeira. Portanto, xilografia significa "gravar em madeira" e xilogravura é a gravura feita com matriz de madeira. A precisão dos entalhes varia com o tipo de madeira escolhida para trabalhar, e os desenhos costumam ficar um pouco mais grosseiros em relação a outras técnicas. Para gravar em madeira, geralmente se usam goivas, mas recentemente, pirógrafos também vem sendo usados como ferramenta.

Moça Roubada - xilogravura de J. Borges.

No Brasil, as xilogravuras de maior expressividade fazem parte da cultura nordestina e estão presentes na literatura de cordel.

Litogravura - "lito" significa pedra. Mesma lógica de nomenclatura... Litografia é a gravação em pedra, e litogravura é a imagem resultante da matriz gravada. Por ser um material bem duro, as gravações em pedra são feitas ou com ferramentas de entalhe mais resistentes e de metal, ou com ácidos. No segundo caso, a pedra recebe uma camada de cera ou gordura e o desenho é feito sobre essa camada. Em seguida, se joga um ácido para corroer os espaços da pedra sem proteção.


Um processo beeeem trabalhoso, mas de resultado lindíssimo! O sonho da minha vida é um dia ter um ateliê imenso, cheia de maquinário que me permita usar a técnica que eu quiser. Custa nada sonhar, né? rs

Calcogravura - "calco" em grego significa cobre vermelho. Estamos falando aqui da gravura em metal. As matrizes são gravadas com ferramentas chamadas pontas secas, que são na verdade pontas finas em outros metais duros que servem para riscar o metal mais "macio" e produzir nele o desenho. Também é possível usar corrosivos no metal para gravar.

Calcogravura com água-forte de Carlos Oswald, acervo do Museu Nacional de Belas Artes/IBRAM

É comum ouvir pessoas mais velhas se referindo à imagens em livros como gravura, e essa nomenclatura vem do processo de impressão de textos e imagens que era feito antigamente. Atualmente as gravuras ganharam um caráter muito mais artístico do que funcional, uma vez que possuímos tecnologias de impressão bem mais rápidas e eficientes para grandes tiragens. Reproduzir imagens se tornou cada vez mais fácil, e é comum termos scanners e impressoras em casa.

O catálogo de gravuras do Itaú Cultural pode ser folheado online. Nele tem mais informações sobre cada tipo de técnica de gravura e seus usos ao longo da história. Fora que apresenta vários exemplos maravilhosos! Vou deixar aqui pra vocês ;)



Já teve alguma experiência com gravura? Já tentei algumas coisas com xilo, mas confesso que não levei à frente. rs Qual a técnica que mais te atrai? Me conta aí, vai...

Até a próxima! o/