terça-feira, 3 de julho de 2018

Desenhando melhor em 4, 3, 2, 1...

Procurar desenhar melhor é uma luta constante que temos, ainda mais porque estamos sempre nos comparando a outros desenhistas, né? Bom, primeiramente devemos entender que cada pessoa tem a sua maneira de desenhar e ainda que tenhamos interesse pelo mesmo estilo, cada artista desenvolve uma característica própria em seu trabalho.

Reparou que usei a palavra "desenvolve"? Não cai do céu! Essa característica própria adquirida pelo artista é, na verdade, o resultado de um processo - muitas vezes extenso, pessoal e exaustivo - de busca por aperfeiçoamento constante de seu próprio trabalho.

Pegue um cappuccino (ou uma bebida de sua preferência) e sente para conversar comigo, porque hoje vou falar de quatro coisas básicas as quais, na minha opinião, precisamos nos habituar para melhorarmos nossa maneira de desenhar, principalmente para quem tem intenção de se profissionalizar fazendo isso. De certa forma, essas tais "coisas básicas" se aplicam também as várias outras carreiras. Mas, como sou ilustradora, os exemplos usados no post de hoje serão voltados mais especificamente para as artes. Vamos lá?

4 - Leia até seus olhos caírem
Ao longo da vida escutamos bastante a máxima de que "só aprendemos na prática", mas a teoria é igualmente importante para o aprendizado, pois lapida o fazer. Isto é, sabendo a teoria podemos praticar com mais confiança, os processos são otimizados quando sabemos o que e como fazer.

Livros sobre arte e desenho.

Leia textos sobre sua área de interesse, sejam livros, artigos, blogs... Construa sua própria biblioteca, não importa se ela for física ou digital, mas adquira sempre conhecimentos novos. Procure o saber teórico tanto de autores conhecidos, quanto das pessoas que gentilmente postam em seus sites/blogs suas próprias experiências e frustrações.

3 - Busque referências e se atualize
Quando se procura por leituras, consequentemente conhecemos artistas cujas obras nos chamam atenção. A apreciação dessas obras contribui para a construção de repertório.

Guarde aquele desenho legal que viu na revista ou salve no computador aquela ilustra bacana que apareceu numa pesquisa; monte um fichário ou uma pastinha de referências; siga os artistas nas redes sociais e acompanhe a evolução deles; veja histórias em quadrinhos e animações com outros olhos, perceba como as figuras são desenhadas e o que está na moda; procure outras obras do ilustrador daquele livro que você leu e curtiu na escola... Vá além: visite museus e galerias. Muitos possuem tour online pelos sites e contas nas redes sociais. Não tem desculpa, é só seguir!

Alguns artistas que sigo no Instagram; e minha ida à Pinacoteca, em São Paulo.

Esse tipo de referência ajuda demais! Com o tempo e o contato constante com trabalho de outros profissionais, você já saberá o que olhar quando precisar de ajuda com algum desenho. Mesmo que essas pessoas não convivam diretamente com você, ou nem fale seu idioma, é possível analisar suas obras e extrair delas algum aprendizado.

2 - Tenha materiais adequados
Não precisa gastar uma fortuna com materiais pra começar a desenhar. Pense nos materiais como suas ferramentas de trabalho e tenha à mão inicialmente apenas o que você realmente precisa. Vá abastecendo sua "caixa de ferramentas" de acordo com a demanda.

Minha área de trabalho.

Também é muito importante ter o seu espaço sagrado para desenhar. Mantenha seu cantinho de desenho sempre limpo e organizado para aproveitar melhor seu tempo nele.

1 - Treine constantemente
Recentemente os posts que minha vizinha de blog, Joyce, anda fazendo para o Caixola me deixaram bem motivadas para retomar o treino. Um deles foi o hábito de estudar, no qual relata a rotina de estudos sobre desenho de figura humana quem vem fazendo. Dá para notar o progresso que ela teve desenhando 20 minutos diariamente. Gente, vinte minutos! Parece pouco, mas faz uma enorme diferença.

Estudos de corpo humano que fiz há um tempo.

Só para esclarecer: ficar parado não faz com que a gente desaprenda a desenhar, só nos enferruja, e com isso acabamos ficando mais lentos para solucionar os problemas no desenho. Treinar diariamente nos agiliza física e mentalmente; a qualidade do acabamento melhora, os erros diminuem, otimizamos o tempo... Só temos a ganhar com isso. ;)

E aí, curtiu?
Concorda que seguindo essas dicas fica muito mais fácil buscar resultados? Não esqueça de compartilhar suas experiências, pois você pode ajudar outras pessoas com elas.

Até a próxima! o/

sábado, 23 de junho de 2018

5 dicas para economizar caneta nanquim

De tempos em tempos organizo meus materiais de desenho e jogo fora aqueles que não consigo mais usar -  os vazios, os que estragaram/secaram com o tempo, etc - e faço uma lista do que deve ser reposto. Um dos principais itens que monitoro são as minhas canetas nanquim descartáveis, que ultimamente estão durando bastante devido ao modo como as utilizo.

Vou deixar no post de hoje umas dicas de como fazer o material render, uma vez que os valores das canetas estão subindo desesperadamente. Para isso, conto com a ajuda do meu modelo, príncipe Vegeta, desenhado especialmente para este post. rs

Vegeta, personagem da série Dragon Ball Z - Nanquim sobre papel offset 180g/m², formato A5.

1) Procure opções mais baratas
Para trabalhos profissionais e que exijam qualidade a longo prazo, recomendo ter no seu estojo algumas canetas nanquins (nanquiiiim mesmo) descartáveis ou reutilizáveis. Se o desenho que você for fazer tem como finalidade um estudo, um rascunho rápido, algo pessoal e momentâneo, que não justificaria gastar um material tão caro, use outras canetas pretas mais em conta. 

Opções de canetas pretas mais baratas para desenhar.

Quando estava começando a desenhar histórias em quadrinhos, gostava de contornar tudo com caneta preta mas não me atentava à qualidade delas. No post "Nem toda tinta preta é nanquim" expliquei a diferença entre as canetas pretas, avaliando sua composição e mostrando o efeito que elas dão a longo prazo.

2) Faça rascunhos, esboce mil vezes se for necessário!
Meus rascunhos iniciais são uma bagunça. Uso pouco a borracha neles e faço uma quantidade absurda de riscos no mesmo lugar para obter um traço correto. Depois disso, com ajuda do vidro da janela da mesa de luz, faço um "esboço limpo".

Rascunho sujo em vermelho e rascunho limpo em azul.

Na imagem acima é possível comparar duas fases diferentes de rescunho do mesmo desenho. Faço o segundo rascunho aproveitando as melhores linhas do rascunho anterior e a partir dele vou adicionando detalhes. A arte final em caneta só vem depois que o rascunho está devidamente resolvido.

3) Preencha grandes áreas usando tinta
Uso caneta nanquim no contorno dos desenhos, mas para preencher áreas maiores, vou no pincel e tinta mesmo. Uma prática comum na arte final de quadrinhos é marcar com um "x" as áreas que serão preenchidas com nanquim, desta forma tanto o desenhista quanto o ajudante entendem o que é para ser feito.

Preenchimento das áreas marcadas com o "x" com tinta nanquim .

Imagina o tempo que eu gastaria para preencher essas áreas com caneta! Com tinta e pincel é bem mais rápido, fora que rende muito mais. 20 ml de nanquim Acrilex está na faixa de R$1,50 ~ R$2,00 e dá pra fazer uma porção de Vegetas iguais a esse.

4) Tenha pelo menos uma brush pen
Para preenchimento de áreas não tão grandes, recomendo usar brush pen - canetas com ponta de pincel de cerdas ou de feltro. Também existem vários tipos à venda, tanto nanquim quanto marcadores à base de álcool ou à base de água, de valores diversos.

Minhas brush pen.

Além de preenchimento, podem ser usadas para acabamento de linhas de contorno. A variação de peso proporcionada pela ponta dessas canetas dá um efeito interessante no desenho que seria difícil alcançar com a mesma precisão usando um pincel. Quem faz lettering também usa bastante!

5) Arte finalize digitalmente
As mesas digitalizadoras permitem desenvolver o processo todo digitalmente, desde o rascunho até a colorização. No entanto, mesmo quem não possui um desses recursos pode alternar as etapas fazendo contorno com técnicas tradicionais e depois selecionando e preenchendo as áreas pretas maiores em um programa editor de imagem sempre que possível.

Selecionando área e preenchendo digitalmente.

Essas foram algumas dicas de como fazer render e evitar desperdício dos materiais mais caros. Claro que cada caso é  um caso e alguns projetos demandam uso de materiais específicos. 

Ao mesmo tempo que economizar é importante, recomendo uso dos bons materiais em testes para que você consiga entender como funcionam e como podem ser bem aproveitados em seus trabalhos. Com o tempo e experiência, você mesmo vai ser capaz de julgar qual marca atende melhor suas necessidades, sejam elas amadoras ou profissionais.

Fico por aqui! Se já segue essas dicas ou tem mais alguma pra compartilhar, deixe seu comentário e vamos trocar figurinhas.

Até a próxima! o/

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Lettering - wi fi só depois

Olá, tudo certo? Desenhando muito?

Na semana passada tive uma experiência muito boa: arrumei a casa inteira. No começo foi complicado e deu trabalho imenso colocar tudo no lugar certo, mas o resultado foi ótimo. Nessa história, o ateliê/escritório ficou mais organizado e a vontade de produzir aumentou. Antes eu olhava pra bagunça em cima da mesa e sentia preguiça de fazer qualquer coisa, mas agora tento manter todas as coisas no lugar certo para não desperdiçar os meus surtos criativos.

Um desses surtos ocorreu quando terminei de limpar os armários da cozinha. Tenho duas prateleiras que ficam em cima da geladeira viradas para a sala de estar e uma moldura vermelha que estava vazia na gaveta de materiais. Pensei em unir o útil ao agradável colocando um quadrinho com alguma frase legal sobre cozinhas, mas ao procurar inspirações e referências, encontrei uma frase que chamou mais atenção: "wi-fi só depois de 30min de conversa".

Resultados de pesquisa de imagens no Google.

Como pode ver, existem vários modelos dessa frase, feitas à mão ou digitalmente, composições coloridas ou monocromáticas. Me apeguei mesmo à frase em si e quis fazer minha própria composição à mão.

Esboços iniciais.

Defendo que todas as ideias devem ir primeiro pro papel! Além de conseguir visualizar em tamanho real, com o rascunho eu pude fazer teste de legibilidade das letras.

Verifiquei que a escolha das letras não deu muito movimento pra composição. Quando falo de movimento, me refiro a sensação causada pelo caminho que olho faz no texto. O único elemento que proporcionava isso era aquele "de" como se fosse uma linha. A partir daí, experimentei outros estilos, mantendo a composição.

Esses foram alguns testes de letras cursivas para quebrar a monotonia.

É importante rascunhar tudo antes de finalizar. Quando você visualiza o rascunho de maneira mais crítica, consegue perceber erros e corrigir a tempo. Mostre para outras pessoas e peça opinião nessa fase, trazer olhares de fora pode ajudar a enxergar coisas que a gente não vê durante o processo. Bem melhor do que gastar aquele material caro pra finalizar e ter que refazer.

Processo de finalização em nanquim.

Quando cheguei na composição que julguei mais interessante, corri pra mesa de luz e passei o rascunho bruto para um novo rascunho, com grafite bem de leve, já no papel definitivo. Em seguida, passei caneta nanquim no contorno das letras e fiz o preenchimento com nanquim tinta.

Quadrinho finalizado.

Esse foi o resultado do estudo de lettering da semana. Achei que ficou bem divertido, e ameniza um pouco o impacto que a frase (pesada e reflexiva) proporciona.

Gostou? Deixe seu comentário. Vamos trocar experiências!
Até a próxima! o/

terça-feira, 29 de maio de 2018

Mermay 2018

Maio está acabando e com ele se vai mais um mermay - evento no qual artistas do mundo inteiro se dedicam ao desenho de sereias, honrando o trocadilho em inglês: mermaid (sereia) + may (maio). O objetivo nesses eventos, acredito eu, não é ganhar algum prêmio mas sim poder exercitar técnicas e criatividade. E, consequentemente, trocar experiências com outras pessoas, conhecer outros estilos, expor seus trabalhos... Não vamos esquecer que redes sociais são vitrines incríveis!

É a segunda vez que "participo". Coloquei entre aspas porque a minha produção, comparada à de outras pessoas, não foi muito volumosa. No entanto, foi divertido desenhar as sereias e tentar usar materiais diferentes em cada uma. Postei algumas fotos no meu Instagram, mas como lá não é possível falar detalhadamente sobre cada uma delas, vou inserir as informações por aqui, na postagem de hoje.

Sereia 1
Podem rir se quiser, mas a inspiração da primeira sereia veio da atriz Marina Ruy Barbosa. Na ocasião, estava desenhando e assistindo TV ao mesmo tempo, no horário do Video Show, e apareceu uma matéria com ela sobre a novela Deus Salve o Rei. Sereias ruivas são um clássico desde a Ariel, da Disney, mas por incrível que pareça, primeiro pensei na Marina. xD

Sereia Marina - cujo nome tem tudo a ver com mar, vamos combinar.

Sobre a pose, também pensei no clichê da sereia sobre as rochas, olhando o mar e tal. Como sempre deixam um pedaço do rabo pro lado de fora da água, achei justo uma gaivota esfomeada tentar se aproveitar da situação.

No desenho usei caneta nanquim de pontas variadas, marcadores à base de água da marca Tombow, marcadores à base de álcool da marca Promarker, lápis de cor; para detalhes usei caneta colorida de ponta fina e caneta gel branca.

Sereia 2
Estava com fome quando desenhei a segunda sereia. Fome de algo específico: sushi. Pesquisando referências na internet, vi uma foto maravilhosa de um sushi feito com camarão que saltou aos olhos e encheu a boca! Consiste em um bolinho de arroz com um camarão descascado, sem cabeça e pré-cozido (às vezes até cru) por cima.

Ebi sereia sushi. Ebi = camarão em japonês.

Camarão não é um peixe, mas pensei que seria no mínimo muito engraçado ver alguém metade camarão. O cabelo da sereia foi inspirado em ovas de peixe, usada para preparar alguns sushis. Usei nanquim, marcadores Tombow e caneta gel branca.

Sereia 3
Para a terceira sereia, continuei com a ideia de trabalhar outros animais marinhos que não são peixes, como por exemplo a água-viva.

Sereia água-viva

O mais desafiador nesse desenho foi conseguir o efeito de transparência da água-viva. Para isso, usei vários tons de azul, sobrepondo camadas. Também usei nanquim e caneta gel branca.

Sereia 4
Tenho uma horta na varanda e uma aquisição recente foi uma planta chamada "peixinho da horta", cujas folhas podem ser empanadas e fritas, lembrando gosto de peixe. Sim, uma planta com gosto de peixe... prato cheio para inspiração!

Peixinho da horta, bem caipira.

Queria que a textura do rabinho dele ficasse parecido com a folha da planta, que como podem observar na imagem acima, parece ter pelinhos. Não ficou lá grande coisa, mas valeu pela piada e serviu de experiência.

Sereias 5 e 6
Voltei aos peixes e fiz uma sereia baiacu e uma sereia cavalo-marinho. A baiacu foi feita num dia em que eu estava bem estressada, querendo explodir. Desenhar é bem libertador nesse sentido, pois a gente consegue externalizar os sentimentos de maneira nem sempre sutil.

Sereia baiacu - cheia do veneno! xD

Misturei marcadores e lápis de cor, e o processo de colorização acabou me acalmando o suficiente para pesquisar sobre cavalos-marinhos. Não lembro de ter desenhado um antes, então precisei olhar varias fotos e fazer alguns rascunhos para aprender.

Sereia cavalo-marinho beijoqueira.

Uma das características do cavalo-marinho que acho mais graciosa é o fato de terem um biquinho prolongado, que dá impressão de estarem mandando beijos a todo instante. São umas fofuras!! Fiz uma sereia bem apaixonada e caprichada no dourado.

Nesse desenho misturei marcadores e lápis de cor em tons de amarelo e laranja, caneta nanquim e caneta gel branca. Como os marcadores amarelos tem uma cobertura bem forte e o papel não aguentava muitas camadas, trabalhei as sombras com lápis de cor. Achei que a variação de texturas ficou bem legal.

Conclusão
Vale à pena se permitir participar de alguns eventos, ou então criar sua própria rotina de estudos para experimentar novas técnicas, novos materiais, novos estilos. Não gosta de sereias? Escolha um tema que te agrade, faça fanart daquele seu desenho animado preferido. O importante é se manter sempre em movimento, estudando, praticando, experimentando, errando, corrigindo, insistindo...

Vou finalizar por aqui (embora eu queira continuar escrevendo sem parar), mas todo comentário é bem vindo, e se tiver alguma curiosidade sobre algum processo, fique à vontade. Conte também sua experiência! Já participou de algum evento?

Até a próxima! o/

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Como disse Van Gogh...

Há muitos anos atrás, depois que inventaram a fotografia, as artes começaram a se libertar um pouco do formalismo. Resumindo em poucas palavras, rolou o seguinte: o realismo a fotografia já faz, bora explorar coisas novas! E a partir daí os pintores começaram a estudar mais a física da cor, os novos materiais, novos formatos, variações de tempo, novas técnicas. Esse período inicial de mudança, conhecido como Impressionismo, ganhou meu coração.

Um dos artistas que admiro muito o trabalho, que infelizmente teve uma trajetória muito curta, é o holandês Vincent Van Gogh. Recomendo, inclusive, um filme biográfico chamado Com amor, Van Gogh (tem no Netflix). É bem interessante, principalmente pela técnica de animação usada para fazer o filme, que simula o estilo de pintura do artista do começo ao fim. #sóamor

Livro da coleção Grandes Mestres, da Editora Abril

Mas por que eu tô falando dele? Porque foi a partir de uma frase dele que tive ideia pra um estudo com lettering e tinta acrílica: "Coloquei meu coração e minha alma no trabalho e perdi minha mente no processo". Essa fala sintetiza não só os momentos de "insanidade" dele, mas como representa o nosso fazer artístico. Quantas vezes ficamos imersos num trabalho/projeto e nos desligamos do mundo?

Quando li a frase, pensei "preciso escrever isso". E, como uma coisa vai puxando a outra, passei a pensar em como escrever, onde escrever, para quê, essas coisas todas... Fui buscar inspiração relendo o livro que mostrei acima, e encontrei numa página o recorte de uma das obras mais famosas dele - Noite Estrelada (Ciprestes e Vila).

Detalhe de Noite Estrelada no livro.

Nós aprendemos a ler obras de arte na escola, e o exercício geralmente é acompanhado com um pedido de releitura. Quando estudamos História da Arte na graduação, esse exercício criativo dificilmente existe, e ficamos no processo teórico. No estudo de hoje tive oportunidade de praticar um pouco da teoria.

Longe de mim querer ser Van Gogh, ou ter pretensão de fazer algo igual ao que ele fazia, até porque o contexto (histórico, cultural, político, tecnológico, etc) é completamente outro.

Van Gogh usava tinta à óleo, e para a proposta que tinha em mente optei trabalhar com tinta acrílica, que como expliquei aqui no blog, proporciona efeito parecido. Depois de definir o material, escolhi o tamanho da área para trabalhar e fiz testes de composição com a frase - que preferi trabalhar em inglês.

Testes de composição e estilo das letras.

A ideia original seria dividir o A4 para fazer dois quadrinhos A5, nos quais um traria a releitura e o outro traria a frase escrita. Porém, pra conseguir dar ideia de continuidade, o ideal seria trabalhar com o papel inteiro e só depois cortar.

Tinta acrílica sobre papel offset 120g/m²

O processo me tomou completamente, fiquei imersa o tempo todo! Quando preenchi a área do papel que emolduraria a frase, confesso que senti uma leve tristeza em ter terminado. Foi uma experiência muito gostosa e que casou perfeitamente com meu lado ansioso.

Dos testes de composição para o texto, escolhi usar o que simulava a letra de Van Gogh. Para chegar nessa letra, dei uma estudada nas assinaturas do artista em suas telas a fim de entender o gestual dele ao assinar. O resultado pode ser observado na imagem abaixo.

Frase escrita com letra inspirada na assinatura de Van Gogh.

Fiz direto no pincel, misturando as cores em cada pincelada. Deu um trabalho danado, mas considerei o efeito que consegui bastante satisfatório para a proposta.

Detalhe da grafia.

Depois de ver pronto, fiquei numa dúvida se deveria fazer a composição com dois quadros A5 ou se manteria a peça inteira em uma moldura A4. Aceito sugestões.

Estou em dúvida sobre qual composição fazer.

Meu processo criativo não encerra aí. Acredito que compartilhar a experiência no blog também faz parte desse processo, e como tal, vai rendendo ideias novas e desdobramentos. Enquanto escrevia, pensei que poderia fazer uma série com outros quadros de Van Gogh, e também que valeria experimentar emoldurar frases de outros artistas seguindo seus estilos.

Você tem artistas preferidos? Quais são suas referências? Acredito que fazer uma visita a eles te proporcionará um dia bastante agradável. O que acha da proposta?

Até a próxima! o/

terça-feira, 20 de março de 2018

Estampa - Zelda Breath of the Wild

Tô eu falando de Zelda de novo né... pra variar!
Na verdade, eu vou falar é de processo criativo, e qualquer coisa pode ser motivo para o despertar da produção. No meu caso, a inspiração veio desse jogo de videogame que é puro amor! Toda vez que jogo, sinto vontade de desenhar, pois o visual é incrível, os cenários e personagens maravilhosos...

Olha esse artwork! 

Num desses surtos de tietagem, fiz uma série de desenhos do personagem principal - Link - no sketchbook, mostrando algumas atividades dele durante as missões do jogo. Na época eu estava a todo vapor com as tirinhas do Casal Chan, daí usei mais ou menos o mesmo estilo simples pra desenhar. Foram despretenciosos, sem caráter de estudo, apenas por diversão e passatempo.

Desenhos feitos inspirados no jogo Zelda.

Ficou lá no sketchbook por meeeeses! Não sei se você faz isso, mas tenho costume de olhar meus desenhos antigos de tempos em tempos. Principalmente quando quero desenhar e estou sem inspiração. Ver os rabiscos antigos pode nos trazer alguma ideia nova, é importante guardar tudo.

Bom, seguindo com a história... Olhei novamente pros desenhos e pensei cá com meus botões: "Até que daria uma estampa legal se estivesse colorido." Então, desses quatro desenhos, escolhi um pra colorir digitalmente da maneira mais simples possível.

Colorização digital de um dos desenhos.

Fiquei em dúvida entre esse do paraquedas e aquele cozinhando. Acabei escolhendo o que gastaria menos tempo, pois estava num dia corrido! Em seguida, apliquei digitalmente o desenho em modelos de camisa e caneca pra testar a estampa. Gostei bastante do resultado.

Camisa e caneca com estampa do Link de paraquedas.

Costumo trabalhar com caricaturas e fanarts para produtos/presentes personalizados em casos de encomendas de ilustrações, raramente faço algo para uso pessoal. Foi bem legal! Vou colorir os outros desenhos também quando tiver um tempo livre, talvez adicionar alguma frase engraçadinha pra compor... Vamos ver, né! rs

Ah sim, agora vem a parte importante da história toda: assim como o jogo me inspirou pra fazer uma estampa, alguma coisa do seu universo pode te inspirar também. O processo criativo veio em etapas com intervalos de tempo bem distantes. Isto é, quando desenhei o personagem no sketchbook, não pensava naquilo como estampa de nada. Somente um segundo olhar para a produção que deu o estalo para transformá-la em um "produto".

Gostou, se interessou, tem alguma história parecida pra contar? Vamos trocar ideia aqui nos comentários! ;)

Abração e até a próxima! o/

sexta-feira, 9 de março de 2018

Art trade - Sheena Fujibayashi



Quanto tempo não rolava um art trade nesse Cappuccino, heim!

Dia desses, a Joyce (Caixola) me mostrou o processo de uma fanart que estava fazendo de uma personagem do jogo Tales of Symphonia. Não conhecia o jogo, muito menos a personagem, mas quando vi o rascunho, achei tão bonito e interessante que perguntei pra Joyce se por acaso poderia arte-finalizar em nanquim.

Pra minha felicidade, ela topou e disponibilizou o arquivo do rascunho, feito no Clip Studio Paint, para imprimir. Além disso, me enviou várias imagens do jogo e da personagem para que eu tivesse referência visual, e ainda contou um pouco da história pra me situar no universo do jogo. <3 p="">

Sheena e Corrine - fanart Tales of Symphonia
Por: Joyce Carmo

Me amarro em processos assim! É um exercício bem legal poder finalizar um desenho que a gente não fez, sabe? Quando o desenho é nosso, ao cometer um deslize, podemos fingir que foi intencional, ficar por isso mesmo, mas desta forma não crescemos; quando o desenho não é nosso, a atenção aumenta e o erro se torna um incômodo, e com ele aprendemos a ser mais cuidadosos e certeiros.

Após algumas horas na mesa de luz, o resultado foi este:

Desenho finalizado em nanquim

Eu não fazia nada neste estilo há um bom tempo! Gostei de poder desenferrujar e contribuir com uma etapa do processo, e de descobrir que minhas canetas ainda não secaram. Imprimi o rascunho em papel A4 e nas linhas usei pontas 0.3 e 0.8, preenchendo as áreas maiores com uma brushpen.

Já fez algo assim antes?
Deixa um comentário contando sua experiência. ;)

Até a próxima!