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sexta-feira, 2 de junho de 2023

Aquarela TGA

Queridos cappucciners, trouxe hoje o kit de aquarelas lançamento da TGA para experimentar e compartilhar minhas impressões com vocês. \o/ 

Nane, quem é TGA?
Você vai encontrar algumas menções à TGA nos meus posts sobre guache. É uma marca brasileira de tinta que descobri numa das minhas andanças em papelaria. O primeiro contato foi com guache de bisnagas, cujo precinho é super acessível, e tem uma qualidade de pigmentos excelente! Desde então passei a usá-la como alternativa para a guache Talens (que custa os zói da cara).

Pois bem, agora a TGA está fabricando aquarelas e lançou em maio um kit com 12 pastilhas, podendo ser estojo em metal ou em papel. Quando aparece material de arte novo no nosso feed do Instagram, uma voz na cabeça grita "já quero!", não é mesmo?


Para minha surpresa, a marca entrou em contato comigo pra falar que gostou muito das minhas artes com a guache dela e disse que me enviaria de presente um kit de aquarela 12 cores + 6 cores extras, que ainda serão lançadas (imagens acima)! ✨😱✨ Gente! Fiquei tão feliz!! 

Bora pro review?

Vou começar descrevendo a embalagem de metal: é um estojinho preto de aproximadamente 12cm x 7cm, que abre igual lata de biscoito. Sabe como? Mas a tampa não é solta não, ela é presa em um dos lados por uma dobradiça, e depois de aberta vira um godê. As tintas são protegidas por outra aba interna de metal, na cor branca. Na parte de baixo do estojo há uma alça de metal que eu imagino servir para pendurar o estojo em algum lugar.

Em seguida, fui pra parte divertida de desembrulhar as pastilhinhas. Gostei que além do nome da cor, a TGA coloca o código do pigmento que foi usado. Passei a achar essa informação extremamente necessária quando comecei a pintar com tinta à óleo, e fiquei feliz quando vi que tinha nas pastilhas da TGA. Nas aquarelas da Winsor&Newton, por exemplo, não há essa informação.


Os rótulos são de papel, mas um deles veio em papel adesivo e quando retirei, a tinta se soltou completamente da panelinha e ficou resíduo de cola no produto. Outra coisa que reparei foi que não havia um padrão de lacre dos rótulos. Alguns eram fechados com fita adesiva (tipo durex), outros com adesivo de papel... Achei os de papel mais práticos de abrir, porque os de fita adesiva eu precisei da ajuda de um estilete/tesoura.


Em relação à apresentação das tintas, também reportei ao fabricante que as consistências e os volumes das tintas do meu kit variavam um pouco. Algumas estavam mais secas, outras porosas, outras mais pastosas... E eu entendo que seja um baita desafio padronizar tudo isso, já que cada pigmento tem sua característica química. Chegar numa fórmula ideal leva tempo. Mas confio que a TGA consiga resolver isso logo logo.


A parte boa é que, mesmo com a diferença nas texturas, o pigmento ativa bem rápido e se solta da pastilha com facilidade! Fiz a cartela de cores para ter ideia de como a tinta se comporta quando diluída. Outra coisa bacana é que no estojo cabe um total de 20 pastilhas! Além das 12 que vieram, consegui armazenar as 6 extras e ainda sobrou espaço pra mais 2.


Dos pigmentos do meu kit de 12 cores, o que senti mais dificuldade para trabalhar foi o Verde de Cromo (PG17), mas recorrendo ao livro Manual do Artista, li que esse pigmento tem poder tintorial baixo. Ou seja, apesar da cor ser linda, ele é um materialzinho difícil mesmo! rs Já para as cores que ainda serão lançadas (sim, spoiler), a cartela ficou assim:


Apaixonada nesse laranja... *suspiro*

Informei todos esses detalhes à TGA antes de escrever esta postagem no blog, pois quero que nossa relação de confiança continue. Afinal, pode ter sido algo isolado do meu kit, e assim como tenho o compromisso de ser honesta com meus leitores (mesmo o Cappuccino tendo pouco alcance), me senti na obrigação de ser honesta em relação à aquarela deles também.

De modo geral, recomendo o produto pra quem procura uma linha um pouco mais profissional e não tem grana pra bancar aquarelas Van Gogh, Pestilento ou Winsor&Newton. As cores são bem bonitas, as pastilhas rendem horroooores, e o kit é mais acessível que as concorrentes da mesma categoria. Já para quem está começando a experimentar aquarela mas ainda tem um pouco de receio, pode procurar pelas linhas escolares: Pentel, Giotto, Molin...

Partiu usar numa ilustração?
Falei, falei, falei... e agora tá na hora de mostrar um pouco de ação por aqui.

Para experimentar tudo daquele jeeeeito que nós gostamos, colocando a mão na massa, desenhei um sapinho de cartola.


Estou nessa onda de desenhar mundinhos em miniatura e lembrei que há personagens sapos na história dA Polegarzinha. Poxa, acho que seria muito divertido ilustrar essa história um dia! É cheia de bichinhos que eu gosto.


Esse foi o resultado do estudo! Acho que usei quase todas as cores. Vocês gostaram?

Tentei deixar a postagem o mais completa possível, mas se ficou alguma dúvida ou se surgiu alguma curiosidade, pode deixar nos comentários que eu volto pra responder.

Gostaria de aproveitar para agradecer a TGA pelo presente e dizer que fiquei muito feliz. Acho que toda blogueira - independente da área de atuação - sonha um dia ter esse tipo de oportunidade, e poder realizar esse sonho no mês de aniversário de 13 anos do Cappuccino foi emocionante!

Até a próxima! o/
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Extra:
As aquarelas da TGA estão sendo vendidas diretamente por eles no Instagram (@tgatintas). Quem precisar de mais informações, pode acessar o site tgatintas.com.br e entrar em contato por lá também.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Existe diferença entre Guache e Aquarela?

Por muito tempo ensaiei trazer esse assunto para o blog, mas me perdia pensando na melhor forma de fazer isso. Tenho algumas postagens sobre tinta aquarela e outras sobre tinta guache, mas acho que nunca abordei as diferenças entre elas.


Enfim, depois de me amparar na literatura e preparar um pequeno estudo prático para exemplificar as descobertas, criei coragem para trazer a discussão pra cá.

Composição das tintas:
De acordo com o livro Manual do Artista, "o guache é uma aquarela opaca" (MAYER, 2015). Ou seja, há pouca diferença na composição das duas tintas.

No livro ainda encontramos a seguinte explicação: "As tintas guache são feitas pela moagem de pigmentos no mesmo medium utilizado para aquarelas, mas se utiliza uma porcentagem definitivamente maior de veículo do que é usado na aquarela e com adição de vários pigmentos inertes, como gesso-cré ou blanc fixe (...); assim se obtém o efeito opaco" (MAYER, 2015).

Na prática:
Ambas, guache e aquarela, são tintas solúveis em água e podem ser encontradas no mercado em potes, bisnagas ou pastilhas. A maior diferença entre as duas está no objetivo esperado com a pintura, pois dão resultados distintos em relação à técnica. Enquanto a aquarela valoriza as transparências das cores, que se misturam com sobreposições de camadas, escurecendo gradativamente o papel branco, que permanece visível; o guache proporciona resultados opacos, cobrindo completamente o substrato, independente da sua cor original.

Inclusive você pode usar tinta aquarela mais concentrada para simular técnicas opacas de guache, assim como pode diluir suas tintas guaches para obter efeitos aquarelados, como mostrarei a seguir.


Fiz dois desenhos iguais em uma folha de papel para fazer o experimento de usar guache como aquarela, diluindo bastante a tinta e trabalhando camadas translúcidas; e aquarela como guache, diluindo pouquíssimo e misturando algumas cores com branco, para ter resultado ainda mais opaco.

Estudo 1 - Aquarelando guache
Para "transformar" guache em aquarela, é preciso aguar bastante a tinta. Neste estudo optei por usar apenas as 3 cores básicas (ciano, magenta e amarelo) de guache em bisnaga (marca TGA) na paleta, e fazendo as misturas necessárias para obter novas cores, incluindo tons mais escuros.


Usei pincel redondo de cerdas sintéticas, sempre úmido, retirando o excesso de água com ajuda de um guardanapo para não danificar as fibras do papel.


A imagem acima foi o resultado do primeiro estudo.

Estudo 2 - efeito de guache com aquarela
O segundo desenho foi trabalhado com a tinta aquarela também em bisnaga (marca Pentel), pouco diluída. Usei umas 6 cores diferentes, e misturei algumas com branco a fim de conseguir tons pasteis também. Aguei o suficiente para a tinta aderir ao pincel e deslizar no papel.


Usei pincel redondo, número 2, para ter mais precisão. Optei aplicar as cores de forma blocada, para intensificar ainda mais o efeito opaco característico de guache.


E a imagem acima foi o resultado do segundo estudo. É possível notar a diferença de textura que a tinta sem diluição adquiriu no papel.

Considerações finais:
Mesmo não tendo diferenças gritantes na composição, precisamos entender que cada tinta tem sua técnica/aplicação correspondente. Apesar de ter conseguido manchas e efeitos bem próximos da aquarela, o guache ainda se manteve opaco e de toque áspero depois de seco. A aquarela, por sua vez, se comportou muito bem como guache, mas seria um gasto desproporcional o seu uso em trabalhos de grande escala, tendo em vista que foi feita para ser diluída.


Queria falar das diferenças, mas fui me empolgando e acabei falando das semelhanças. Se você nunca teve contato com essas tintas e ficou na dúvida de qual das duas comprar para experimentar, use como critério de desempate o objetivo e resultado esperado para seu trabalho. Para massas de cores mais opacas, que ofereçam cobertura total do papel - seja ele de qualquer cor: use guache. Mas se quiser trabalhar com transparências, manchas, sobreposições e delicadeza: aquarela.

Espero que este post tenha sido útil... Se ficou alguma dúvida, pode me escrever, viu? E se você já trabalha com esses materiais, fique a vontade para compartilhar sua experiência aqui nos comentários e ajudar quem está se aventurando. S2

Até a próxima! o/

segunda-feira, 7 de março de 2022

Aquarela - estudante de Hogwarts

Olá, bebedores de cappuccino!
Vou relatar por aqui um estudo que fiz com aquarela no finalzinho do ano passado, após ficar um bom tempo dedicada aos trabalhos com tinta à óleo. Na verdade, o gatilho pra usar aquarela veio quando estava organizando meus materiais e, ao folhear o sketchbook que dedico às técnicas aguadas, encontrei alguns desenhos inacabados.

Desenhos encontrados no sketchbook

Lembro como se fosse hoje: tinha recém maratonado os filmes de Harry Potter e o povo da internet estava comentando sobre os novos filmes da franquia. Passei um tempo nessa vibe de "e se eu tivesse estudado em Hogwarts na minha adolescência, como seria?". Todas as viagens da nossa cabeça são estudos em potencial!

Puxei do fundo da memória minha aparência de adolescente, estilo, corte de cabelo, acessórios que usava etc, e tentei mesclar ao ambiente escolar bruxo, sobretudo em relação à casa em Hogwarts que o chapéu escolheu pra mim - Corvinal (eu fiz o teste pra descobrir).

Pintura em aquarela.

Escolhi trabalhar com as aquarelas em pastilha desta vez, fazendo muitas sobreposições de camadas e explorando as manchinhas de tinta. Um diferencial foi ter usado aquarela até para as linhas de contorno do desenho em vez de nanquim ou lápis de cor, como fazia antes.

Desenhando linhas com aquarela.

Por fim, usei tinta prateada para detalhes no desenho, como óculos, gravata, brincos e pulseiras; e caneta posca branca para puxar pontos de luz. 

Colorização finalizada.

Foi um estudo divertido de fazer! Sei que ao olhos de outras pessoas pode parecer meio bobo fantasiar esse tipo de coisa, mas é como a minha mente funciona rs.

Confesso que enquanto escrevo esta postagem, penso em um novo estudo me projetando em Hogwarts novamente, mas desta vez como professora - que é "um papel" mais condizente com minha idade atual. O que será que ensinaria por lá? XD

Finalizo por aqui, pedindo que evitem bloquear a imaginação de vocês. Seja num universo de livro, desenho animado, HQ, filme ou jogo... libere a sua mente para brincar a vontade.

Até a próxima! o/

terça-feira, 30 de março de 2021

Mulher Maravilha - Técnica mista

Olá, olá!
Na semana passada falei sobre borrachas aqui no blog, e usei um rascunho que fiz da Mulher Maravilha para exemplificar os pontos do post. Esse desenho, depois de finalizado, teve uma boa repercussão no Instagram e decidi trazer hoje o processo de colorização dele pra vocês.



 Esboço e limpeza do rascunho

Não me lembro de ter feito uma Mulher Maravilha alguma vez. Fiquei com vontade depois de assistir ao filme Liga da Justiça, do Zack Snyder. Para o desenho, busquei fotos de referência na internet. 

Depois do rascunho pronto, usei uma borracha limpa-tipos para suavizar as linhas. Para quem não conhece, essa borracha lembra muito uma massinha de modelar cinza. Ela é elástica, pode ser moldada do jeito que precisar, não desgasta, e absorve a sujeira da superfície sem deixar resíduos. Essa massinha era usada antigamente para fazer a limpeza de tipos móveis de composição, daí o nome "limpa tipos".


A intenção era deixar o rascunho com linhas beeeeem fracas, porque à princípio eu queria trabalhar somente com aquarela.

Colorização

Meu sketchbook não aguenta muito bem as técnicas aguadas, e descobri da pior forma: passando a primeira pincelada de tinta no papel. O papel absorve líquido muito rápido e resseca fácil. Mesmo assim, insisti e fiz a cor base toda em aquarela.


Com o preenchimento das áreas principais feito, esperei o papel secar completamente e trabalhei com lápis de cor super macios por cima. O bom desse tipo de lápis é que soltam bastante pigmento no papel, mesmo pintando de leve. Já fiz um post sobre os lápis de cor que uso, vale a pena dar uma olhadinha.


Todas as texturas e balanço de sombra foram feitos em lápis de cor. Apaguei as poucas linhas de grafite que sobraram pra deixar o desenho "saltar do papel" com a variação de peso das cores. Puxei efeito de luz usando lápis de cor amarelo (que seria o reflexo do Laço da Verdade), caneta gel branca para picos de luz, e tinta guache dourada pra dar um tchanãnã.


Como pode ser visto nos detalhes acima, as texturas de aquarela, lápis e guache no papel casaram muito bem. Foi um estudo bem legal de fazer, embora eu quase tenha desistido quando vi que o papel não aceitava bem as aguadas.

Por fim...

Fiquei feliz por não ter desistido do estudo. Nem sempre as coisas acontecem como imaginamos, mas com um pouco de insistência (e paciência) podemos conseguir algo surpreendente.

Alguma vez você já sentiu vontade de largar um desenho pela metade, mas foi até o fim? Compartilha a experiência com a gente nos comentários. 

Até a próxima! o/

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Aquarela - retrato da Isabella Fiorentino

Olá, arteiros!
Fiquei bastante tempo afastada da aquarela. Na verdade, afastada de desenhar qualquer coisa com qualquer material. A rotina de trabalhos com direção de arte (tem "arte" no nome, mas não tem relação com ilustração) ficou mais intensa e a nas horas vagas só quero dormir pra recuperar as energias. Mas eis que neste domingo, a vontade e disposição para desenhar bateu mais forte e consegui ter ânimo para brincar novamente com minhas aquarelas.

Retirar a fita adesiva das bordas da pintura é terapêutico. XD

Usei como base uma foto publicada no Instagram da modelo Isabella Fiorentino para este estudo. Os materiais foram aquarela em pastilha, pincel com reservatório de água, e sketchbook com papel próprio para técnicas aguadas. Depois que a tinta secou bem, fiz linhas e texturas com lápis de cor, e pontos de luz com caneta gel branca. Para deixar essas bordas bem retinhas, delimitei o papel com fita adesiva antes de pintar.

Retrato finalizado.

O resultado foi uma arte de 10cm de largura e 14cm de altura... quase um postal. Apesar de ter gostado de como ficou, acredito que ainda preciso melhorar. =P

Boa semana e até a próxima! o/

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Estudos de fim de ano. Tchau, 2017!

Pra variar, mais um ano que mal começou já está acabando. 2017 foi um ano bem tenso, cheio de reviravoltas e perrengues, mas torço para que todos os problemas iniciados neste ano possam se resolver em 2018.

Sobre os estudos de fim de ano, que por acaso intitulam este post, além de brincar com carimbos de isopor, voltei a mexer nas aquarelas. A ideia surgiu na época em que estava empolgada com os estudos de lettering, e comecei a pensar em fazer uma série de cartõezinhos de boas festas para o fim de ano.

Sentada no sofá, assistindo TV, rabiscando despretenciosamente no sketchbook... até que 4 modelos de cartões brotaram no papel. Dois para Natal e dois para Ano Novo.

Início da colorização.

Passei os desenhos para um papel de gramatura alta, a fim de finalizar com aquarela. Fiz a linha com grafite bem clarinho e comecei preenchendo as cores mais claras. Depois passei para as cores mais escuras. A paleta principal foi composta pelas cores: ocre, vermelho e verde.

No lugar do ocre, eu gostaria de ter usado dourado, mas como seria digitalizado depois, não daria certo usar tinta especial no original. Sendo assim, tentei fazer os efeitos com o ocre mesmo, trabalhando passagem de nuances e aguadas.

Preenchimentos das demais cores.

Dos quatro cartões, dois deles tiveram temática japonesa. Um dos cartões de ano novo trazia um cachorrinho, pois o ano de 2018 é o ano do cachorro no horóscopo chinês (também seguido no japão); e um dos cartões de Natal trazia um daruma como a figura de Papai Noel.

Finalização dos cartões.

Depois que a tinta aquarela secou, trabalhei com nanquim preto e tinta acrílica branca para fazer detalhes de contorno e escrita nas faixas.

A ideia era imprimir cópias e distribuir para os amigos e familiares, mas o máximo que consegui foi postar a imagem de um deles no Instagram. Mas há males que vem para o bem. Cometi alguns erros de execução - por exemplo, o ideograma de cachorro, que em vez de 狗 deveria ser 戌. Mas eu corrijo em breve, e em relação aos de Natal, posso guardar para o próximo ano.

Protótipo digital dos cartões de fim de ano.

Posso até não ter conseguido distribuir os cartões do jeito que queria, mas pelo menos fico feliz de poder compartilhar com você aqui pelo blog. Saiba que desejo um ótimo fim de ano a todos, e que 2018 seja infinitamente melhor. Que essa crise passe, que as pessoas se respeitem mais, que as distâncias diminuam e que sonhos se realizem!

Obrigada por acompanhar o Cappuccino!
Ano que vem tem mais. ;)
Até a próxima!

sábado, 18 de fevereiro de 2017

A borboleta e o pincel com reservatório de água

Senta, que lá vem história.

Introdução
Sabe quando você quer muito uma coisa e fica enrolando pra comprar? Eu era assim com o pincel com reservatório de água. Cheguei a fazer um usando tubo de caneta esferográfica (veja o post), mas o que eu queria de verdade era o danado do pincel de plástico, com cerdas certinhas.

Os dias foram passando, fui ficando sem tempo pra desenhar e acabei esquecendo não só do pincel, mas como uma boa parte das outras coisas que pretendia comprar pro atelier (se é que posso chamar o canto da bagunça de atelier). Então, numa maravilhosa quinta-feira, chego na agência e encontro essa coisa linda na minha mesa de trabalho:

"Para minha artista preferida fazer artes mais lindas ainda S2"
Pincel com reservatório de água - Aquash Brush, Ponta média - Pentel

Surtei com a surpresa! Pensa numa pessoa desesperada para o fim de semana chegar. Eu! E enfim, o fim de semana chegou, e cá estou postando o resultado de umas horas de diversão na varanda com aquarelas.

Continua sentado, que tem mais.
Como disse, estava na varanda. Quando não está chovendo, é pra lá que vou relaxar com meu material de desenho e fones de ouvido. Venta bastante à tarde e tem umas plantinhas bonitas, um local bastante agradável do meu lar para se tomar um café cappuccino, alugo para temporada.

Beleza, estava com os materiais e uma folha de papel em branco esperando pra ser usada bem na minha frente. E você que desenha, sabe muito bem que essa é a parte mais difícil do processo criativo: iniciar o processo. O que eu ia desenhar naquela folha pra testar meu brinquedo novo?

Foi aí que o pé de manjericão da varanda, que está florido, respondeu minha pergunta. Senti o cheiro da florzinha e isso me fez olhar pra ela e desviar o pensamento para outra coisa: "moro tão alto, não vem nenhuma borboleta ver as flores das minhas plantas". E pensar na borboleta me fez lembrar do primeiro livro de romance policial que li quando criança: O Caso da Borboleta Atíria, da Lúcia Machado de Almeida.

O livro era da minha mãe, que leu nos tempos de escola, e depois me deu pra ler. Lembrei das ilustrações do livro, como se estivesse com ele nas mãos.

Capa e ilustrações internas feitas por Milton Rodrigues Alves

Depois do momento nostalgia, busquei referências para esboçar o desenho. Queria desenhar a Atíria, então além das ilustrações que encontrei na internet, procurei saber mais sobre a borboleta em si, e folheei umas revistas em casa para achar referências de uma pose legal pra ela.

Minha seleção do resultado de pesquisa na internet

Pose que escolhi para desenhar. Adoro composição triangular...
(Foto da chef Paola Carosella, tirada por Gabriel Rinaldi, para a Revista GOL - nov 2016)

Próxima etapa foi esboçar e transferir o desenho para o papel próprio para aquarela. Hoje usei o Canson, 300g/m², no formato A4. Lembrando que para técnicas aguadas, é recomendável o uso de um papel próprio, ou de gramatura mais alta, para que as fibras aguentem a umidade sem "esfarelar", rasgar etc.

Rascunho, mesa de luz improvisada no vidro, e desenho no papel de aquarela.

Queria fazer minha versão da Atíria, mas mantive muitas características dos desenhos do Milton Rodrigues, como os headphones à Princesa Leia, e os sapatinhos... basicamente só mexi do modelito do colant, que ganhou um decote ousado. XD

Agora vou mostrar o passo a passo da colorização. Usei tinta aquarela em bisnaga da Pentel nas cores amarelo, ocre, sépia, azul cobalto e preto.

Etapas de colorização.

Como as asas da borboleta são amarelas, quis colocar um pouco de azul na roupa para dar um contraste pro desenho. A cor complementar do amarelo é o roxo, mas o azul é análogo do roxo, então tá tudo em casa.

Resultado e detalhes.

Agora tem borboleta na minha casa. Me diverti bastante, e fico feliz de ter conseguido compartilhar essa experiência aqui no blog. E você, já usou pincel com reservatório? Me conta...


Espero que tenha gostado. =)
Até a próxima!