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quarta-feira, 6 de abril de 2022

Existe diferença entre Guache e Aquarela?

Por muito tempo ensaiei trazer esse assunto para o blog, mas me perdia pensando na melhor forma de fazer isso. Tenho algumas postagens sobre tinta aquarela e outras sobre tinta guache, mas acho que nunca abordei as diferenças entre elas.


Enfim, depois de me amparar na literatura e preparar um pequeno estudo prático para exemplificar as descobertas, criei coragem para trazer a discussão pra cá.

Composição das tintas:
De acordo com o livro Manual do Artista, "o guache é uma aquarela opaca" (MAYER, 2015). Ou seja, há pouca diferença na composição das duas tintas.

No livro ainda encontramos a seguinte explicação: "As tintas guache são feitas pela moagem de pigmentos no mesmo medium utilizado para aquarelas, mas se utiliza uma porcentagem definitivamente maior de veículo do que é usado na aquarela e com adição de vários pigmentos inertes, como gesso-cré ou blanc fixe (...); assim se obtém o efeito opaco" (MAYER, 2015).

Na prática:
Ambas, guache e aquarela, são tintas solúveis em água e podem ser encontradas no mercado em potes, bisnagas ou pastilhas. A maior diferença entre as duas está no objetivo esperado com a pintura, pois dão resultados distintos em relação à técnica. Enquanto a aquarela valoriza as transparências das cores, que se misturam com sobreposições de camadas, escurecendo gradativamente o papel branco, que permanece visível; o guache proporciona resultados opacos, cobrindo completamente o substrato, independente da sua cor original.

Inclusive você pode usar tinta aquarela mais concentrada para simular técnicas opacas de guache, assim como pode diluir suas tintas guaches para obter efeitos aquarelados, como mostrarei a seguir.


Fiz dois desenhos iguais em uma folha de papel para fazer o experimento de usar guache como aquarela, diluindo bastante a tinta e trabalhando camadas translúcidas; e aquarela como guache, diluindo pouquíssimo e misturando algumas cores com branco, para ter resultado ainda mais opaco.

Estudo 1 - Aquarelando guache
Para "transformar" guache em aquarela, é preciso aguar bastante a tinta. Neste estudo optei por usar apenas as 3 cores básicas (ciano, magenta e amarelo) de guache em bisnaga (marca TGA) na paleta, e fazendo as misturas necessárias para obter novas cores, incluindo tons mais escuros.


Usei pincel redondo de cerdas sintéticas, sempre úmido, retirando o excesso de água com ajuda de um guardanapo para não danificar as fibras do papel.


A imagem acima foi o resultado do primeiro estudo.

Estudo 2 - efeito de guache com aquarela
O segundo desenho foi trabalhado com a tinta aquarela também em bisnaga (marca Pentel), pouco diluída. Usei umas 6 cores diferentes, e misturei algumas com branco a fim de conseguir tons pasteis também. Aguei o suficiente para a tinta aderir ao pincel e deslizar no papel.


Usei pincel redondo, número 2, para ter mais precisão. Optei aplicar as cores de forma blocada, para intensificar ainda mais o efeito opaco característico de guache.


E a imagem acima foi o resultado do segundo estudo. É possível notar a diferença de textura que a tinta sem diluição adquiriu no papel.

Considerações finais:
Mesmo não tendo diferenças gritantes na composição, precisamos entender que cada tinta tem sua técnica/aplicação correspondente. Apesar de ter conseguido manchas e efeitos bem próximos da aquarela, o guache ainda se manteve opaco e de toque áspero depois de seco. A aquarela, por sua vez, se comportou muito bem como guache, mas seria um gasto desproporcional o seu uso em trabalhos de grande escala, tendo em vista que foi feita para ser diluída.


Queria falar das diferenças, mas fui me empolgando e acabei falando das semelhanças. Se você nunca teve contato com essas tintas e ficou na dúvida de qual das duas comprar para experimentar, use como critério de desempate o objetivo e resultado esperado para seu trabalho. Para massas de cores mais opacas, que ofereçam cobertura total do papel - seja ele de qualquer cor: use guache. Mas se quiser trabalhar com transparências, manchas, sobreposições e delicadeza: aquarela.

Espero que este post tenha sido útil... Se ficou alguma dúvida, pode me escrever, viu? E se você já trabalha com esses materiais, fique a vontade para compartilhar sua experiência aqui nos comentários e ajudar quem está se aventurando. S2

Até a próxima! o/

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Guache

Não acredito que, em todos esses anos de blog, eu nunca tenha feito uma postagem exclusiva sobre guache. Que vergonha! Mas de hoje não passa. rs

Com certeza, você em algum momento da vida usou tinta guache! Por ser uma tinta composta basicamente de pigmento, aglutinante e água, a tinta guache muitas vezes é usada para desenvolver atividades lúdicas com crianças. Antes da popularização dos produtos próprios para pintura corporal, se usava guache até pra pintar os rostos dos pequenos nas datas comemorativas da escola.


Essas tintas de potinhos coloridos que a gente acha fácil nas papelarias geralmente são tinta guache escolar. Mas temos no mercado as guaches de uso profissional também.


De modo geral, podemos dizer que guache é uma tinta aquarela opaca. O que muda na composição das duas é a proporção dos ingredientes, e a adição de materiais opacos (como gesso, por exemplo) ao pigmento do guache. Daí, temos de um lado a aquarela, que é uma tinta translúcida e que precisa de um fundo branco e um papel com textura pra poder "aparecer"; e de outro, o guache, de alta cobertura e que pode ser aplicado em qualquer fundo, independente de cor ou textura.



Na foto dos círculos cromáticos acima há um comparativo entre as cores de aquarela e as cores de guache. Note que no círculo das aquarelas ainda conseguimos ver a textura do papel, enquanto no círculo de guache, a única textura visível é deixada pelo pincel ao preencher a área com tinta.

Testando guache profissional
Há muitos anos, direto do túnel do tempo, quando ainda estava no início do curso de Design na Ufes, tive uma disciplina sobre Teoria da Cor na qual precisamos comprar guaches profissionais. A professora, artista plástica, recomendou comprar as cores básicas da marca Talens.

O preço de 1 potinho de Talens dava pra comprar uns 12 potinhos de tinta escolar. Foi o primeiro susto que eu levei! Mas em compensação, a pigmentação é bem forte e o rendimento dela para pintar é excelente. Foi possível fazer todos os trabalhos do semestre e ainda tenho tinta nos vidrinhos hoje, mais de 10 anos depois. Estão com o prazo de validade vencidos, mas mesmo assim dá pra usar porque guache não estraga.


Este ano, com pandemia e tudo mais, voltando a fazer trabalhos com tinta, encontrei no mercado a marca TGA. Também são guaches de linha profissional, de fabricação nacional e de valor bem mais em conta que a Talens. Comprei uma caixinha com 5 bisnagas (cores básicas + preto e branco) e custou uns R$50. 


Depois de comprar, dei uma pesquisada e descobri que outros ilustradores daqui do Brasil também usam essa marca. Fiquei super feliz e empolgada com a aquisição! 

Meus últimos estudos foram feitos com aquarela, e apesar da composição ser a mesma, são técnicas diferentes. Voltar a mexer com guache não foi fácil, mas foi bem gostoso. Vou deixar abaixo alguns estudos feitos com a TGA nos últimos dias: 



Algumas observações
Jamais subestimem um material pela finalidade dele. Como assim? É possível fazer trabalhos muito maravilhosos com materiais de baixo custo e de linha escolar. Talento e criatividade são qualidades que podem ser desenvolvidas independente das ferramentas que temos disponíveis no momento para o fazer artístico.

Juntar uns trocados para comprar materiais profissionais pode valer à pena quando queremos investir numa carreira mais sólida de ilustrador, artista ou designer. A durabilidade de um material profissional é bem maior, e tendo qualidade maior embutida no seu trabalho, é possível cobrar um valor mais alto por ele.

E não custa nada lembrar: não é o material que faz o artista.
Bons estudos e até a próxima! o/

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EXTRA - posts relacionados:

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Guache escolar x Guache profissional

Oi, galera!
Falei sobre tinta guache no post anterior aqui no blog e, ainda empolgada com a postagem, me propus um desafio: comparar guache escolar com guache profissional usando como base um mesmo desenho - uma fanart de Naruto.

Lá no Instagram eu fui postando etapa por etapa, mas eu queria muito trazer também o relato completo de como foi a experiência de uso desses dois materiais. O resultado me surpreendeu!

Desenho do Naruto que fiz para testar as guaches.

Mas primeiro, algumas palavras
O objetivo deste post não é dizer qual é melhor e qual é pior. Seria muito injusto, pois são materiais projetados para finalidades diferentes.

Quem é leitor do meu blog há mais tempo sabe que meu propósito aqui é deixar arte, design e processo criativo o mais acessível possível. Tanto em relação a conhecimento, quanto a materiais. Ao longo dos anos trabalhando como designer e ilustradora, fui tendo condições de investir um dinheirinho em materiais um pouco mais caros e com mais qualidade. Porém, criatividade, imaginação, força de vontade e experiência não são itens que a gente consegue comprar. 

Então, nunca se limite por falta de um ou outro material, combinado? Um bom artista não é aquele que tem os melhores materiais, e sim o que faz o melhor uso do que tem disponível.

Dito isso, vamos pra "batalha de tinta guache"
As duas marcas usadas nessa comparação são: potinhos de Acrilex - para categoria escolar; bisnagas TGA - na categoria profissional.

Pintura dos desenhos usando guaches Acrilex (à esquerda) e TGA (à direita)

Primeira diferença que encontramos de cara nessa comparação é o formato em que a tinta chega pra gente. Enquanto no potinho de guache escolar as cores já estão na sua saturação e mistura prontas pra uso, a guache profissional vem super concentrada e cabe a nós misturar as cores e diluir em água pra poder usar.

A cor vermelha da Acrilex já vem "pronta". Com a tinta TGA eu precisei misturar um pouco da cor magenta com a cor amarela até conseguir esse tom de vermelho.

Comparativo: guache TGA à esquerda / guache Acrilex à direita.

Com a tinta guache escolar, eu tinha praticamente todos os tons da paleta do Naruto em potinhos. Já com guache profissional, eu tive que misturar as cores para obter os tons necessários para pintar. É possível notar na imagem acima a diferença entre vibração das cores - a escolar é está mais saturada e "viva".

Cada fabricante tem a sua fórmula de pigmentos e aglutinantes para fazer um produto. E cada tipo de produto atende a um nicho específico. Na guache escolar eu notei a tinta bem mais viscosa, gelatinosa, e foi preciso muitas camadas para cobrir completamente uma área do desenho. Também foi preciso bastante calma nos detalhes de contorno, porque a tinta fica mais no pincel do que no papel.

A tinta guache profissional, por outro lado, fica mais fluida e o pincel desliza no papel que é uma maravilha! Além disso, não precisei passar muitas camadas pra preencher as áreas do desenho, pois a tinta é bem concentrada em pigmento e rende bastante. Mas cuidado pra não diluir demais! rs Precisa ir dosando a água direitinho.

Pinturas finalizadas lado a lado.

Outra grande dificuldade que tive foi o uso da tinta em si. Independente de ser escolar ou profissional, eu ainda não domino o uso de guache e cometi vários erros técnicos. =P

Conclusão
Hoje em dia, prezando pela maior qualidade e durabilidade dos projetos entregues em mídia tradicional, opto usar guaches profissionais. Mas isso não anula o fato de que posso (e devo) brincar e produzir coisas incríveis também com materiais de linha escolar.

Mesmo tendo usado materiais com finalidades distintas, acredito que cheguei num resultado estético muito satisfatório em ambos os desenhos. Teve algum que você gostou mais?

Espero que este post sirva de incentivo para que você ouse, use e abuse dos materiais que já tem em casa. Desenhe sempre, desenhe feliz!

Até a próxima! o/

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Como recuperar guache seca

As guaches secaram no potinho, e agora? Calma, não precisa entrar em pânico e nem jogar suas tintas fora. Nesse post eu vou ensinar como recuperar essas preciosidades da nossa vida.

Guache sequinha no pote... eita tristeza!

Você vai precisar de:
- tinta guache seca no pote;
- borrifador ou conta-gotas;
- palito de madeira (churrasco ou de picolé).

O primeiro passo é abrir o pote de guache. Se tiver dificuldade em desenroscar a tampa, pode dar umas batidinhas em volta dela com o cabo de pincel ou de uma colher de pau para quebrar a tinta que ficou alojada das ranhuras da tampa e tente abrir novamente.

Depois de aberto, borrife ou goteje um pouco d'água dentro do pote e, com ajuda do palito de madeira tente misturar a tinta. É importante que a água seja colocada aos poucos, para que chegar na consistência ideal da tinta - pastosa e homogênea.

Adicione água aos poucos e mexa. Repita o processo quantas vezes precisar.

Caso tenha dificuldade em identificar a consistência ideal da tinta guache, você pode ir testando com um pincel no papel até achar que está deslizando bem, sem empelotar. Novamente, atenção para não aguar demais, pois não há como reverter imediatamente.

Teste a consistência à medida em que for misturando.

Recuperei 6 potinhos de guache profissional da marca Talens desta forma, mas pode não funcionar com guaches de linha escolar devido à mudança na composição da tinta pelas fabricantes. Não custa tentar, né?

Por que a guache seca?
Guache, assim como aquarela, é uma tinta composta por basicamente 3 ingredientes: pigmento, goma arábica e água. Com o tempo a água pode evaporar dos potinhos, e isso acontece muito mais rápido se estiverem mal tampados. Já o pigmento e a goma, que não evaporam, endurecem e ficam craquelados igual chão de barro no calor. Entendendo esse processo, basta a gente adicionar o ingrediente que evaporou de volta na mistura.

Consigo recuperar outras tintas assim?
Seguindo o mesmo processo descrito acima, você pode conseguir bons resultados na recuperação de nanquim e aquarela também, pois são tintas com água na composição. 

Já as tintas acrílicas, apesar de solúveis em água quando frescas, são irrecuperáveis depois de secar. Além de água, ocorre volatização de outros componentes, transformando o resíduo em uma película plástica - e o plástico não dissolve na água.

Mas perae...
Se sua tinta estiver com fungos ou com um aspecto duvidoso, o melhor a se fazer (pra sua saúde, inclusive) é descartá-la imediatamente e adquirir uma nova quando puder. Tintas estragadas podem causar problemas sérios como alergias, dermatites, intoxicações etc.

Por fim, desejo boa sorte na recuperação dos seus materiais de pintura! Espero ter ajudado com este post. Abração e até a próxima! o/


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Nem toda tinta branca é corretivo!

Fiz o Cappuccino de hoje pensando no post de semanas atrás: "Nem toda tinta preta é nanquim". Quando falei das possibilidades e diferenças das tintas pretas das canetas, pensei também no uso dos diferentes materiais brancos que usamos para consertar erros e/ou produzir efeitos.

Apaga a linha aqui, põe brilho ali, esfumaça lá...

Quando o desenho é feito à lápis, a borracha é garantia de que os erros podem ser corrigidos... mas e quando a gente faz o que não deve "pra valer"? Isto é, e quando erramos uma coisa importante usando tinta, lápis de cor, marcadores? Faz falta um Ctrl+z na vida real! Ou então, o que fazer quando o desenho está sem contraste ou vibrante demais?

Atualmente, mesmo que uma ilustração seja feita por processos manuais, de um jeito ou de outro ela recebe tratamento digital antes de ser utilizada no veículo ao qual se destina. Alguns erros e manchas, diferença de cores, efeitos, etc, podem ser facilmente corrigidos usando ferramentas dos softwares de edição de imagem. Algo que podemos fazer para diminuir o trabalho na hora da edição é tentar suavizar os problemas.


Diferentes materiais brancos:

Nanquim branco, aquarela, lápis de cor, lápis dermatográfico, caneta gel, corretivo e guache.

Já mostrei vários materiais diferentes aqui no blog e falei sobre comportamento de cada um. A tinta branca correspondente aos tipos diversos desses materiais não costuma ser diferente - em termos de "comportamento" - das demais cores.

O lápis de cor branco, por exemplo, é composto por pigmento, argila, cera e aglutinantes. Quando passamos ele por sobre papel branco, o pigmento branco ficará preso no papel e dependendo da concentração de cera, dificilmente conseguiremos misturar outra cor. Se o contrário for feito, se passar lápis colorido primeiro e por cima passar o branco, é possível aumentar a luminosidade da primeira cor.

giz pastel branco é um material mais delicado e de pouca aderência, pois é composto por muito pigmento e pouco aglutinante. Pode ser aplicado por cima de qualquer outro material e esfumaçado facilmente. Para efeito de luminosidade é bom, mas não recomendo para apagar erros.

Coloco o famoso corretivo escolar na mesma categoria da caneta gel branca. Recomendo usar para acabamento - retocar umas linhas aqui e ali, puxar picos de luz, trazer áreas de grande contraste... São bons artifícios para cobrir erros, mas o corretivo escolar costuma amarelar com o tempo. A caneta gel, por sua vez, adere o pigmento da tinta que está sob ela.

As tintas brancas de guache e aquarela possuem a mesma composição, diferenciando basicamente na quantidade de coisas (aglutinantes e pigmentos). A tinta guache é mais espessa e mais recomendada para consertar "burradas", porque ao contrário do corretivo escolar, guache não costuma amarelar com o tempo... eu usava muito em quadrinhos. Na falta de guache, dá até pra usar aquarela em bisnaga, mas ela é bem mais fraquinha e dilui mais fácil. Em vez de corrigir uma mancha, pode causar uma nova. =P

Para quem gosta de nanquim, nanquim branco é uma opção e tanto, principalmente para trabalhos preto e branco. Use sem medo de ser feliz, pois o comportamento é o mesmo do nanquim preto: depois de seco, fica impermeável. Pra ter ideia, deixei secar nanquim branco no godê e não sai nem à pau! Já lavei muitas vezes e até agora nada...

Dois exemplos conhecidos e distintos de uso do material branco.
Esquerda: caneta gel branca usada no cabelo absorveu pigmento do marcador;
Direita: caneta gel e corretivo escolar não pegaram pigmento do material sob eles.

Nessa listinha podem entrar o lápis dermatográfico branco, aquela brush pen opaca da Magic Color, marcador branco Posca, tinta acrílica branca, etc, etc. 

Li certa vez que a cor branca "puro" não existe, e o que encontramos não só na forma de pigmento branco, mas objetos e papel, são na verdade variações de cinza com quase nada preto. E esses "brancos" também possuem variações frias e quentes, e tendência a outras cores, quando misturados (Materiais e técnicas: guia completo. São Paulo: Martins Fontes, 2008. p.68-69). Então, mais uma vez levanto a importância de se descobrir a finalidade do trabalho antes de escolher o material para executá-lo.

Enfim, eu não tenho conhecimento tão aprofundado pra afirmar nada com 100% de certeza, mas procuro sempre pesquisar as coisas que eu tenho para saber o que pode dar certo ou errado - e saber porque deu certo e porque deu errado. Algumas coisas são respondidas observando o resultado de testes, e outras infelizmente não estão ao meu alcance. Mas se o pouquinho da minha experiência puder ajudar em alguma coisa, eu já fico satisfeita.

Até a próxima! o/

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Aquarela TGA

Queridos cappucciners, trouxe hoje o kit de aquarelas lançamento da TGA para experimentar e compartilhar minhas impressões com vocês. \o/ 

Nane, quem é TGA?
Você vai encontrar algumas menções à TGA nos meus posts sobre guache. É uma marca brasileira de tinta que descobri numa das minhas andanças em papelaria. O primeiro contato foi com guache de bisnagas, cujo precinho é super acessível, e tem uma qualidade de pigmentos excelente! Desde então passei a usá-la como alternativa para a guache Talens (que custa os zói da cara).

Pois bem, agora a TGA está fabricando aquarelas e lançou em maio um kit com 12 pastilhas, podendo ser estojo em metal ou em papel. Quando aparece material de arte novo no nosso feed do Instagram, uma voz na cabeça grita "já quero!", não é mesmo?


Para minha surpresa, a marca entrou em contato comigo pra falar que gostou muito das minhas artes com a guache dela e disse que me enviaria de presente um kit de aquarela 12 cores + 6 cores extras, que ainda serão lançadas (imagens acima)! ✨😱✨ Gente! Fiquei tão feliz!! 

Bora pro review?

Vou começar descrevendo a embalagem de metal: é um estojinho preto de aproximadamente 12cm x 7cm, que abre igual lata de biscoito. Sabe como? Mas a tampa não é solta não, ela é presa em um dos lados por uma dobradiça, e depois de aberta vira um godê. As tintas são protegidas por outra aba interna de metal, na cor branca. Na parte de baixo do estojo há uma alça de metal que eu imagino servir para pendurar o estojo em algum lugar.

Em seguida, fui pra parte divertida de desembrulhar as pastilhinhas. Gostei que além do nome da cor, a TGA coloca o código do pigmento que foi usado. Passei a achar essa informação extremamente necessária quando comecei a pintar com tinta à óleo, e fiquei feliz quando vi que tinha nas pastilhas da TGA. Nas aquarelas da Winsor&Newton, por exemplo, não há essa informação.


Os rótulos são de papel, mas um deles veio em papel adesivo e quando retirei, a tinta se soltou completamente da panelinha e ficou resíduo de cola no produto. Outra coisa que reparei foi que não havia um padrão de lacre dos rótulos. Alguns eram fechados com fita adesiva (tipo durex), outros com adesivo de papel... Achei os de papel mais práticos de abrir, porque os de fita adesiva eu precisei da ajuda de um estilete/tesoura.


Em relação à apresentação das tintas, também reportei ao fabricante que as consistências e os volumes das tintas do meu kit variavam um pouco. Algumas estavam mais secas, outras porosas, outras mais pastosas... E eu entendo que seja um baita desafio padronizar tudo isso, já que cada pigmento tem sua característica química. Chegar numa fórmula ideal leva tempo. Mas confio que a TGA consiga resolver isso logo logo.


A parte boa é que, mesmo com a diferença nas texturas, o pigmento ativa bem rápido e se solta da pastilha com facilidade! Fiz a cartela de cores para ter ideia de como a tinta se comporta quando diluída. Outra coisa bacana é que no estojo cabe um total de 20 pastilhas! Além das 12 que vieram, consegui armazenar as 6 extras e ainda sobrou espaço pra mais 2.


Dos pigmentos do meu kit de 12 cores, o que senti mais dificuldade para trabalhar foi o Verde de Cromo (PG17), mas recorrendo ao livro Manual do Artista, li que esse pigmento tem poder tintorial baixo. Ou seja, apesar da cor ser linda, ele é um materialzinho difícil mesmo! rs Já para as cores que ainda serão lançadas (sim, spoiler), a cartela ficou assim:


Apaixonada nesse laranja... *suspiro*

Informei todos esses detalhes à TGA antes de escrever esta postagem no blog, pois quero que nossa relação de confiança continue. Afinal, pode ter sido algo isolado do meu kit, e assim como tenho o compromisso de ser honesta com meus leitores (mesmo o Cappuccino tendo pouco alcance), me senti na obrigação de ser honesta em relação à aquarela deles também.

De modo geral, recomendo o produto pra quem procura uma linha um pouco mais profissional e não tem grana pra bancar aquarelas Van Gogh, Pestilento ou Winsor&Newton. As cores são bem bonitas, as pastilhas rendem horroooores, e o kit é mais acessível que as concorrentes da mesma categoria. Já para quem está começando a experimentar aquarela mas ainda tem um pouco de receio, pode procurar pelas linhas escolares: Pentel, Giotto, Molin...

Partiu usar numa ilustração?
Falei, falei, falei... e agora tá na hora de mostrar um pouco de ação por aqui.

Para experimentar tudo daquele jeeeeito que nós gostamos, colocando a mão na massa, desenhei um sapinho de cartola.


Estou nessa onda de desenhar mundinhos em miniatura e lembrei que há personagens sapos na história dA Polegarzinha. Poxa, acho que seria muito divertido ilustrar essa história um dia! É cheia de bichinhos que eu gosto.


Esse foi o resultado do estudo! Acho que usei quase todas as cores. Vocês gostaram?

Tentei deixar a postagem o mais completa possível, mas se ficou alguma dúvida ou se surgiu alguma curiosidade, pode deixar nos comentários que eu volto pra responder.

Gostaria de aproveitar para agradecer a TGA pelo presente e dizer que fiquei muito feliz. Acho que toda blogueira - independente da área de atuação - sonha um dia ter esse tipo de oportunidade, e poder realizar esse sonho no mês de aniversário de 13 anos do Cappuccino foi emocionante!

Até a próxima! o/
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Extra:
As aquarelas da TGA estão sendo vendidas diretamente por eles no Instagram (@tgatintas). Quem precisar de mais informações, pode acessar o site tgatintas.com.br e entrar em contato por lá também.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Desafio de Abril - desenho de pote

Olá, meus guerreiros! Fazer parte do mercado de ilustração é uma batalha sem fim, ora lutando contra o bloquei criativo, ora contra os prazos, e sempre treinando pra melhorar nossas habilidades. Certo?

Pois muito que bem, tirei algumas semanas para me dedicar a um treinamento. Precisava testar uns materiais de desenho, e vou compartilhar tudo por aqui.

O retorno do desenho de pote
Para quem ainda não conhece ou é novo aqui no blog, tenho uma série de posts com dicas para quebrar o bloqueio criativo. Uma das formas é colocar palavras em um pote e sortear para desenhar. Assim eu fiz a cada semana do mês de abril para poder testar materiais novos. 

Quem acompanha pelo Instagram, viu semana a semana o que rolou, mas vou postar aqui mais informações sobre o processo todo.

Semana 1 - zumbi e aqualine
Eu tinha acabado de receber minhas aquarelas líquidas pelos correios, e estava doida pra testar. Foi aí que o desafio começou e sorteei as palavras: zumbi, magro, divertido e corda. 


Para trabalhar a característica de magreza, desenhei o monstrinho com os ossos bem marcados, sobretudo na face, pra deixar bem esquelético mesmo. O elemento corda foi usado emaranhado num prato, lembrando ao mesmo tempo um cérebro e uma macarronada. Imaginei que esse jogo de imagens também traria o conceito de "divertido" pra ilustração. As características de zumbi da personagem vieram tanto pelo corpo se deteriorando, quanto pelo uso das cores mais frias e cadavéricas. Assustador, mas bem simpático! 

Semana 2 - princesa e desenho digital no Procreate
Investi na compra do app Procreate após pesquisar muito a respeito. Em relação a funcionalidade, até agora, não achei tão diferente do app gratuito que eu já usava - o Sketchbook Pro. As principais diferenças estão na interface dos aplicativos e nos atalhos de toque. Ainda estou no período de transição e tenho muita coisa para descobrir.

Na semana 2 as palavras que sorteei foram: princesa, lanche, roqueira e magra. Acabou repetindo uma palavra da semana anterior.


Busquei referências de mulheres rockeiras na internet para poder compor o visual do meu desenho. Peguei inspiração nos cabelos e óculos da Rita Lee; acessórios com bastante personalidade e jaqueta de couro; alfinetes com logo de banda; e tatuagens da rainha Pitty. Queria muito comer um chocolate na hora que estava desenhando, então essa vontade acabou indo para a ilustração também!

Vídeo da finalização do desenho digitalmente.

Apesar do rascunho ter sido feito em papel, o processo de finalização dele foi todo digital. No vídeo acima é possível acompanha tudo em timelapse.

Semana 3 - o cavaleiro em nanquim
O terceiro "brinquedo" que precisava ser testado era uma caneta nanquim com ponta de pincel da UniPin. Gosto muito dessa marca para canetas descartáveis, uso vários tamanho de ponta pra arte final, mas dela ponta de pincel nunca tive antes.

Palavras sorteadas da semana: cavaleiro, gordo, ranzinza e bola.


Apesar de ter usado novamente a aquarela líquida pra aproveitar a tinta que ficou no godê, o que eu quis estudar aqui nessa ilustra foi a brush pen. Ela é bem resistente e consegui traçar linhas de várias espessuras sem deformar a ponta.

Sobre a narrativa do desenho, imaginei um cavaleiro gordinho e zangado, segurando uma bola que poderia ser a munição de um canhão. Não busquei muita referência externa para fazer essa ilustração, trabalhei mais com o que já existia pronto no meu imaginário. Deixei fluir.

Semana 4 - fada faminta e a tinta guache
A última semana do desafio teve como tema as palavras: fada, gulosa, grande e celular. Nessa ilustra eu trabalhei com tinta guache. Não é uma tinta que tenho muita experiência de uso, mas ficava com vontade de usar, inspiradas nos trabalhos de colegas (inclusive, quem não conhece o Mateus Cena, recomendo seguir o cara! Ele é fera na pintura com guache).


Quando sorteei as palavras, a primeira imagem que veio na minha cabeça foi aquela fada gigante do jogo Zelda - The Breath of the Wild. Juro pra vocês, quase fiz  uma fanart! Mas aí pensei direitinho e optei ir por outro caminho: desenhar uma fadinha faminta pedindo comida em um app pelo celular. Dei uma roubada na palavra "grande", que no desenho aparece no objeto de interação, um celular bem grande em relação à fada.

Você pode fazer também!
E assim se passou o mês de abril por aqui. Alternando trabalho e experimentações de material nesse desafio criativo. Foi bem bacana e eu recomendo demais, caso tenha um tempo livre pra isso.

Você pode fazer a sua versão das palavras sorteadas acima ou então sortear palavras novas para desenhar. Se postar com a #desenhodepote e #cappuccinocomnanechan eu consigo te achar no Instagram e repostar seus desenhos. \o/ Vai ser bem legal!!

Gostou do post? Vamos trocar ideia nos comentários.
Abraço e até a próxima!

sábado, 27 de julho de 2013

Salvando meu Elfo

Este post depende do conhecimento do leitor sobre duas outras postagens que ocorreram neste mês: a primeira é Composição Simétrica, e a segunda Suco Wazowski.

Bom, depois de estragar uma página dupla do meu sketch pad (que custou uma fortuna), conseguir consertar o desenho graças às sugestões da minha amiga Suco, e estragar de novo mais tarde sendo descuidada, eu resolvi tentar salvar pela segunda vez o pobre coitado do Elfo do cabelo azul.

Pensei em usar alguma tinta que fosse consistente o suficiente para sobrepor as manchas do marcador, mas que ainda tivesse um comportamento parecido com o da aquarela. Então, optei por tinta guache - que segundo meu livro sobre materiais e técnicas artísticas, possuem a mesma composição.

Gravei o vídeo do processo:

Super gambiarra, pra variar.

O resultado nem ficou tão bom quanto eu esperava, mas comparando antes e depois, tô muito feliz!

Antes e depois...

Minha tinta guache venceu há muito tempo, e não misturou corretamente. A tinta ficou toda empelotada, aí parece que o Elfo está com o rosto cheio de cravos e espinhas. xD Mas tá bom!

Até a próxima! o/

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Tucano com tinta guache

Oi, oi! Como estão?

Em abril fiz um estudo com guache, mas só agora consegui sentar no computador com calma e descrevê-lo pra vocês.

Num típico dia de bloqueio criativo, fuçando os materiais de desenho procurando por inspiração, encontrei dois objetos: um lápis adornado com um tucano de biscuit; e curvas francesas (um gabarito de curvas irregulares, arabescos). Juntei as duas coisas e obtive um desenho bem orgânico!

A fluidez do desenho me agradou bastante e achei que cores vibrantes poderiam levantar ainda mais o astral dele. Fazia muito tempo que não mexia nas minhas tintas guaches, e como elas apresentam pigmentação bem forte, não pensei duas vezes. 

Usei basicamente cores primárias e secundárias, e senti dificuldade na diluição da tinta em água - o papel até enrugou um pouquinho em algumas áreas. O acabamento foi feito depois da tinta secar completamente, usando lápis de cor super macios.

O desenho foi postado no meu Instagram, mas achei que valeria a pena explicar o processo criativo com mais detalhes, e quem sabe, motivá-los a experimentar esse exercício de criatividade.

Vou tentar repetir a dose qualquer hora dessas. Me conta o que achou!

Abraço, até a próxima! o/

terça-feira, 30 de março de 2021

Mulher Maravilha - Técnica mista

Olá, olá!
Na semana passada falei sobre borrachas aqui no blog, e usei um rascunho que fiz da Mulher Maravilha para exemplificar os pontos do post. Esse desenho, depois de finalizado, teve uma boa repercussão no Instagram e decidi trazer hoje o processo de colorização dele pra vocês.



 Esboço e limpeza do rascunho

Não me lembro de ter feito uma Mulher Maravilha alguma vez. Fiquei com vontade depois de assistir ao filme Liga da Justiça, do Zack Snyder. Para o desenho, busquei fotos de referência na internet. 

Depois do rascunho pronto, usei uma borracha limpa-tipos para suavizar as linhas. Para quem não conhece, essa borracha lembra muito uma massinha de modelar cinza. Ela é elástica, pode ser moldada do jeito que precisar, não desgasta, e absorve a sujeira da superfície sem deixar resíduos. Essa massinha era usada antigamente para fazer a limpeza de tipos móveis de composição, daí o nome "limpa tipos".


A intenção era deixar o rascunho com linhas beeeeem fracas, porque à princípio eu queria trabalhar somente com aquarela.

Colorização

Meu sketchbook não aguenta muito bem as técnicas aguadas, e descobri da pior forma: passando a primeira pincelada de tinta no papel. O papel absorve líquido muito rápido e resseca fácil. Mesmo assim, insisti e fiz a cor base toda em aquarela.


Com o preenchimento das áreas principais feito, esperei o papel secar completamente e trabalhei com lápis de cor super macios por cima. O bom desse tipo de lápis é que soltam bastante pigmento no papel, mesmo pintando de leve. Já fiz um post sobre os lápis de cor que uso, vale a pena dar uma olhadinha.


Todas as texturas e balanço de sombra foram feitos em lápis de cor. Apaguei as poucas linhas de grafite que sobraram pra deixar o desenho "saltar do papel" com a variação de peso das cores. Puxei efeito de luz usando lápis de cor amarelo (que seria o reflexo do Laço da Verdade), caneta gel branca para picos de luz, e tinta guache dourada pra dar um tchanãnã.


Como pode ser visto nos detalhes acima, as texturas de aquarela, lápis e guache no papel casaram muito bem. Foi um estudo bem legal de fazer, embora eu quase tenha desistido quando vi que o papel não aceitava bem as aguadas.

Por fim...

Fiquei feliz por não ter desistido do estudo. Nem sempre as coisas acontecem como imaginamos, mas com um pouco de insistência (e paciência) podemos conseguir algo surpreendente.

Alguma vez você já sentiu vontade de largar um desenho pela metade, mas foi até o fim? Compartilha a experiência com a gente nos comentários. 

Até a próxima! o/

domingo, 22 de maio de 2016

Lettering: um estudo saboroso


No cappuccino de hoje vou mostrar o resultados de estudos que fiz junto com o Sr. Momotaro dia desses. Eu o tinha convidado para desenhar comigo, testar uns materiais, só que não tínhamos em mente o que exatamente poderíamos fazer. Ele então sugeriu estudo e produção de lettering.

Achei a ideia excelente! Mas ficou um olhando pra cara do outro esperando um tema para desenvolver o estudo. Mais que um tema, precisávamos de palavras ou frases que tivessem sentido. Nomes de filme, de livros, trechos de músicas... Fomos falando categorias de adedonha até chegarmos na brilhante ideia de usar nomes de comida.

Foi exatamente assim que aconteceu

Preparativos
Primeiro, escrevemos vários nomes de comidas que achamos engraçados numa espécie de lista. Depois recortei os nomes e dobrei para que pudéssemos fazer um sorteio.

Eu peguei "coxinha com catupiry" e ele ficou com "bolo de cenoura".

Olhamos referências em sites como Pinterest e Behance, tanto para ver trabalhos já existentes nessa linha, quanto para termos uma base de como iniciar a atividade. A fim de conseguir uma estrutura mais equilibrada no desenho das letras, imprimimos uma grade quadriculada (parecida com aquelas folhas de caderno de matemática do 1º ano, lembra?) para usar sob o papel.

Quem não tem impressora em casa, pode fazer manualmente com uma régua, marcando toda a folha de papel em intervalos de 5mm, vertical e horizontalmente. Depois passa caneta preta para deixar as linhas bem evidentes. Pode fazer também em formatos reduzidos e carregar sempre com você dentro do sketchbook!



Nossa grade auxiliar.

Processo criativo
No primeiro sorteio, trabalhamos visualmente as letras para que as palavras se parecessem com as comidas que representavam. Acompanhe o processo nas imagens a seguir.


Rafes

Fizemos arte-final em outro papel, usando mesa de luz para fazer essa transferência. Sr. Momotaro usou caneta nanquim para as linhas de contorno das palavras, optando por colorir depois; eu fiz as linhas de contorno das palavras usando lápis de cor já nas cores que imaginava para preenchimento.




Cada um de uma vez na mesa de luz. rs

Depois do revesamento, cada um voltou para sua estação para trabalhar mais livremente a finalização colorida. O uso de material foi livre, não restringimos nada, não combinamos nada... poderia usar qualquer coisa que estivesse ao alcance. Os itens mais usados foram nanquim, lápis de cor, marcadores, caneta gel branca e tinta guache branca para acabamentos.

Colorização

No primeiro estudo a gente trabalhou bastante as cores e os materiais pensando em representar as texturas das comidas, as cores reais... No "bolo de cenoura", a palavra "bolo" foi desenhada com profundidade (em perspectiva) para lembrar pedaços de bolo, bem fofinho, com cobertura de chocolate; e a palavra "cenoura" ficou mais orgânica, delicada, e foi colorida em laranja. Na "coxinha com catupiry" tentei deixar a primeira palavra bem gordurosa! XD Quis reproduzir a textura da massa frita da coxinha, enquanto dava contraste na palavra "catupiry", explorando todo o derretimento que o queijo pode proporcionar.

Resultados do primeiro estudo

Depois disso, repetimos o sorteio e, coincidentemente, nós dois tiramos comida oriental! Confira na imagem abaixo como ficaram "rolinho primavera" e "yakisoba misto".

Já finalizados.

No segundo estudo, Sr. Momotaro trabalhou mais com o significado das palavras do que com a referência ao prato. Ou seja, em vez de algo que lembrasse um pastel cilíndrico, ele usou ornamentos cacheados e flores. Eu mantive a brincadeira com as palavras lembrando a comida, usando um desenho que lembrasse macarrão para escrever "yakisoba".

Conclusão
Foi um estudo gostoso! Trocadilhos à parte, gostei muito da experiência e achei divertido desenhar letras dessa forma. Não é algo que estou acostumada a fazer, então curti bastante pesquisar e praticar um pouco.

Conta aí, você já fez algo parecido? (^-^)

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Dica da Nane
Sabe, quando não se está com muita criatividade para escolher um tema para desenho, podemos sorteá-los, por que não?! Faça uma lista de várias coisas que você gosta ou que fazem parte do seu cotidiano. Aí, recorta tudo, dobra e guarda numa caixinha. Sempre que estiver se coçando pra desenhar e não souber o que fazer, recorra a esta caixinha e sorteie alguma coisa.
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