Aconteceu comigo algo que está cada vez mais comum no meio artístico: o tão temido bloqueio criativo. Não foi de uma hora para a outra, e sim um processo. Houve um período em que eu estava com alguns trabalhos de ilustração para fazer e mal sobrava um tempinho para produção pessoal; porém, depois da entrega dos trabalhos e sobra de tempo livre, a produção pessoal continuou no zero!
Em meio a uma das várias crises de ansiedade que tive, assisti a vídeos sobre como aproveitar melhor as peças de roupa e fazer combinações inteligentes com o que já tem no armário. Com vontade de testar essas combinações, mas sem paciência de ficar trocando de roupa, comecei então a desenhar os "looks" que achava interessante experimentar um dia.
Primeiro look, usei para passear e tomar café.
Esse desenho acima foi o primeiro após meses de bloqueio. Tentei me desprender de várias formalidades como proporção, perspectiva, e deixar o traço fluir sem compromisso. Achei o resultado legal e acabei postando no Instagram.
Segundo look, uma combinação que ficou melhor na vida real do que no desenho.
No segundo já consegui ousar um pouco mais na pose. Usei o desenho como aquecimento de braço para um trabalho que precisava fazer. A partir daí já consegui desenhar outras coisas no tempo livre e voltar a rabiscar o que quer que fosse, despretenciosamente.
Terceiro look, ainda não usei. Estou aguardando oportunidade!
Quando cheguei no terceiro desenho de look, pensei "por que não fazer disso um hábito?". Se vai dar certo, ainda não sei, mas pretendo postar nas redes sociais todas as segundas-feiras uma sugestão de roupa com a #lookdesegunda. O nome carrega um trocadilho que me descredita (afinal, quem sou eu no mundo da moda?), mas como exercício, acho que vale à pena. Te convido a me seguir lá para acompanhar meus looks de segunda rsrs.
Para amarrar o assunto sobre bloqueio criativo e ansiedade, fatores externos como organização da casa nova depois da mudança interestadual, saudade da família e do convívio com amigos, falta de renda fixa e preocupação com os boletos chegando etc, tiveram uma parcela de contribuição nesse problema. Me sentia completamente culpada por sentar diante do sketchbook enquanto todas essas coisas buzinavam na minha cabeça. Sei que muitas pessoas passam por isso, cada uma com os seus gatilhos. =/
Como experiência pessoal, sugiro respeitar seu próprio tempo. Bloqueios criativos às vezes são necessários para que a gente, como artista, possa refletir sobre o próprio trabalho. Evite se comparar com o outro, e foque no seu próprio desenvolvimento. Se abra, fique ligado ao que está acontecendo ao seu redor, leia um livro novo, veja vídeo sobre algo que nunca te interessou antes... Uma hora a criatividade volta, e você vai poder desenvolver novos projetos. S2
Sabe aquele dia que a gente acorda inspirado, com vontade de tirar todos os materiais possíveis de desenho de dentro das gavetas pra fazer algo incrível, mas fica trezentas mil horas olhando pro papel em branco decidindo o que vai desenhar e no final não rabisca nada? Bloqueio criativo que fala, né? Pois bem, seus probleeeeemas acabaaaram!!! Minha amiga Débora (Imaginei Ilustrei) me apresentou uma técnica de sorteio ótima: o desenho de pote.
Funciona assim: você escreve algumas palavras em tirinhas de papel, depois organiza por categorias e as divide em potinhos. Por exemplo, o potinho de "personagens" seria alimentado com palavras como princesa, ogro, fada, bombeiro; o potinho de "objetos" poderia ter tesoura, cadeira, lâmpada, picolé; e um terceiro potinho de "ações" como fazer compra, cozinhar, cantar, estudar etc; Daí você sorteia uma palavra de cada potinho e faz um desenho com o resultado, que poderia ser "bombeiro, lâmpada, cozinhar". Será que consegui explicar?
Nossa ideia, a princípio, era arrumar uns potinhos mesmo, e colocar neles as mesmas palavras para o desafio ficar "justo". Mas a afobação foi tanta para começar a brincadeira, que acabamos usando uma planilha compartilhada para organizar as palavras e sorteá-las online.
Nossos "potinhos" - planilha em andamento
A dinâmica de embaralhar e escolher uma palavra ficou por conta do site Sorteador. Já que cada categoria possui números relacionado às palavras, foi só preencher os campos de sorteio do site e começar a diversão. O meu ficou assim: Característica 1; Personalidade 3; Personagem 15; Elemento adicional 22 = alto, zangado, pizzaiolo, com um aquário.
Rascunhos do pizzaiolo.
Fiz um monte de rascunhos até chegar numa possível solução combinando as palavras que sorteei. Foi um processo difícil, mas muito legal pra exercitar criatividade. Houve muita troca de ideia e de fotos, pois estávamos super empolgadas.
Rascunho limpo.
Depois de definir o rascunho, geralmente eu faço a limpeza dele. Isto é, apago aquele monte de rabisqueira doida e deixo as linhas mais certas possível para poder arte-finalizar o desenho. Quando o desenho precisa ser feito em um papel especial, uso mesa de luz nesse processo.
Comparativos - rascunho sujo e rascunho limpo.
Desenho base resolvido, hora de finalizar. Optei por trabalhar as linhas em nanquim e colorir com marcadores que ainda tenho funcionando.
Desenho em preto e branco x desenho colorido.
Ao colorir, fui adicionando elementos gráficos que reforçassem as características que o desenho deveria ter, como linhas verticais e ângulos fortes para marcar altura e zanga. Por fim, trabalhei nos detalhes de fundo e ajustei espessura da linha de contorno em alguns pontos.
Desenho finalizado.
Não sei ainda qual vai ser a frequência desses desafios de desenho, pois vai depender bastante da nossa disponibilidade de horas para fazê-lo, mas já estou aguardando o próximo. A experiência foi bem divertida e foi uma oportunidade de usar o material de desenho que estava parado.
Sinta-se à vontade para embarcar nessa conosco! É só criar quantas categorias de potes quiser e abastecê-los com palavras para sortear, e postar nas redes sociais usando a hashtag#desenhodepote pra gente te achar.
Todo mundo já sabe que minha casa fica em festa quando o trio do barulho tá reunido pra desenhar, né? Ou melhor, ultimamente o trio só se reúne aqui em casa quando tem festa... Aniversário da minha mãe, meu aniversário e aniversário do meu irmão - um pertinho do outro! E graças a essas datas maravilhosas, consegui mais uma vez encontrar meus amigos Bis e Suco no meu humilde recinto pra jogar conversa fora e desenhar.
Todos nós estamos trabalhando e sentimos falta do convívio diário que tínhamos na faculdade. Então, sempre que há alguma oportunidade, a gente aproveita pra fazer um encontrão. Desta vez, trabalhamos e estudamos coisas mais elaboradas, que fiz questão de registrar em etapas.
Estudos e desenvolvimentos do Bis (sequencia de cima) e da Suco (sequencia de baixo)
Na imagem acima está registrado começo, meio e "quase-fim" dos desenhos feitos pelos dois. Quando começamos os estudos, o assunto era abrangente, e ao passo em que avançávamos os estudos, o assunto ficava mais restrito ao processo criativo e estudo de desenho em geral (observação das formas, dificuldades de representação, essas coisas). =D
O mais legal de tudo é que temos liberdade total uns com os outros para aceitar críticas e pedir ajudas. Bis e eu passamos um tempo tentando resolver número de cabeças na proporção da fada que ele estava desenhando, e eu pedi dicas de efeito cromado (que ela usou bastante na série Rodentia) para fazer o meu desenho.
Minha bárbara
Sobre o desenho acima, eu havia assistido ao segundo filme da série Como treinar o seu dragão e ainda estava inspirada com os personagens e cenário da história. Hehehe! Enquanto conversávamos, rabisquei isso aí e finalizei usando canetinhas aquareláveis (as mesmas do post anterior).
Foi tão bom fazer essa reunião, e os resultados ficaram tão maneiros!!! Não vejo a hora de poder encontrar o pessoal de novo. Sei que sempre digo isso, mas fazer o quê? É a mais pura verdade. xD
E daí que...
Hoje não teve muita novidade, mas deixei vários exemplos de como uma conversa com os amigos influencia no processo criativo, e como boas ideias surgem ao longo do caminho. Isto é, às vezes você está rabiscando algo sem compromisso e o rabisco acaba evoluindo inesperadamente pra algo super legal. Então, se estiver com bloqueio criativo, mais uma opção válida é juntar os amigos e conversar. \(^-^)/
Olá, meus guerreiros! Fazer parte do mercado de ilustração é uma batalha sem fim, ora lutando contra o bloquei criativo, ora contra os prazos, e sempre treinando pra melhorar nossas habilidades. Certo?
Pois muito que bem, tirei algumas semanas para me dedicar a um treinamento. Precisava testar uns materiais de desenho, e vou compartilhar tudo por aqui.
O retorno do desenho de pote
Para quem ainda não conhece ou é novo aqui no blog, tenho uma série de posts com dicas para quebrar o bloqueio criativo. Uma das formas é colocar palavras em um pote e sortear para desenhar. Assim eu fiz a cada semana do mês de abril para poder testar materiais novos.
Quem acompanha pelo Instagram, viu semana a semana o que rolou, mas vou postar aqui mais informações sobre o processo todo.
Semana 1 - zumbi e aqualine
Eu tinha acabado de receber minhas aquarelas líquidas pelos correios, e estava doida pra testar. Foi aí que o desafio começou e sorteei as palavras: zumbi, magro, divertido e corda.
Para trabalhar a característica de magreza, desenhei o monstrinho com os ossos bem marcados, sobretudo na face, pra deixar bem esquelético mesmo. O elemento corda foi usado emaranhado num prato, lembrando ao mesmo tempo um cérebro e uma macarronada. Imaginei que esse jogo de imagens também traria o conceito de "divertido" pra ilustração. As características de zumbi da personagem vieram tanto pelo corpo se deteriorando, quanto pelo uso das cores mais frias e cadavéricas. Assustador, mas bem simpático!
Semana 2 - princesa e desenho digital no Procreate
Investi na compra do app Procreate após pesquisar muito a respeito. Em relação a funcionalidade, até agora, não achei tão diferente do app gratuito que eu já usava - o Sketchbook Pro. As principais diferenças estão na interface dos aplicativos e nos atalhos de toque. Ainda estou no período de transição e tenho muita coisa para descobrir.
Na semana 2 as palavras que sorteei foram: princesa, lanche, roqueira e magra. Acabou repetindo uma palavra da semana anterior.
Busquei referências de mulheres rockeiras na internet para poder compor o visual do meu desenho. Peguei inspiração nos cabelos e óculos da Rita Lee; acessórios com bastante personalidade e jaqueta de couro; alfinetes com logo de banda; e tatuagens da rainha Pitty. Queria muito comer um chocolate na hora que estava desenhando, então essa vontade acabou indo para a ilustração também!
Vídeo da finalização do desenho digitalmente.
Apesar do rascunho ter sido feito em papel, o processo de finalização dele foi todo digital. No vídeo acima é possível acompanha tudo em timelapse.
Semana 3 - o cavaleiro em nanquim
O terceiro "brinquedo" que precisava ser testado era uma caneta nanquim com ponta de pincel da UniPin. Gosto muito dessa marca para canetas descartáveis, uso vários tamanho de ponta pra arte final, mas dela ponta de pincel nunca tive antes.
Palavras sorteadas da semana: cavaleiro, gordo, ranzinza e bola.
Apesar de ter usado novamente a aquarela líquida pra aproveitar a tinta que ficou no godê, o que eu quis estudar aqui nessa ilustra foi a brush pen. Ela é bem resistente e consegui traçar linhas de várias espessuras sem deformar a ponta.
Sobre a narrativa do desenho, imaginei um cavaleiro gordinho e zangado, segurando uma bola que poderia ser a munição de um canhão. Não busquei muita referência externa para fazer essa ilustração, trabalhei mais com o que já existia pronto no meu imaginário. Deixei fluir.
Semana 4 - fada faminta e a tinta guache
A última semana do desafio teve como tema as palavras: fada, gulosa, grande e celular. Nessa ilustra eu trabalhei com tinta guache. Não é uma tinta que tenho muita experiência de uso, mas ficava com vontade de usar, inspiradas nos trabalhos de colegas (inclusive, quem não conhece o Mateus Cena, recomendo seguir o cara! Ele é fera na pintura com guache).
Quando sorteei as palavras, a primeira imagem que veio na minha cabeça foi aquela fada gigante do jogo Zelda - The Breath of the Wild. Juro pra vocês, quase fiz uma fanart! Mas aí pensei direitinho e optei ir por outro caminho: desenhar uma fadinha faminta pedindo comida em um app pelo celular. Dei uma roubada na palavra "grande", que no desenho aparece no objeto de interação, um celular bem grande em relação à fada.
Você pode fazer também!
E assim se passou o mês de abril por aqui. Alternando trabalho e experimentações de material nesse desafio criativo. Foi bem bacana e eu recomendo demais, caso tenha um tempo livre pra isso.
Você pode fazer a sua versão das palavras sorteadas acima ou então sortear palavras novas para desenhar. Se postar com a #desenhodepote e #cappuccinocomnanechan eu consigo te achar no Instagram e repostar seus desenhos. \o/ Vai ser bem legal!!
Gostou do post? Vamos trocar ideia nos comentários.
Quase um trava-línguas este título, né? Eu mesma tenho dificuldade em falar isso rápido... Sai "cipestre tristre"... que seja! Hoje vou falar sobre como uma boa leitura pode influenciar no seu humor pra desenhar.
Não é segredo pra ninguém que eu gosto de ler romance policial, e dentre meus autores preferidos está a Agatha Christie. Nos últimos 15 dias peguei dois livros dela pra ler, um é o Cipreste Triste, e o outro (dado pra mim de presente de aniversário pela Suco) foi OsCrimes ABC; ambos estrelados pelo detetive fictício, Hercule Poirot.
Os livros que tenho são da coleção de bolso da editora L&PM.
O que mais me chamou a atenção nos dois livros foi a fuga da busca pelo culpado. No Ciprestre Triste, Poirot é procurado para provar a inocência de uma moça condenada por assassinato, e em Os Crimes ABC, é mais ou menos parecido com Death Note... não terminei de ler ainda.
E daí?
Me senti muito empolgada quando estava lendo Cipreste Triste, tentando adivinhar o final, essas coisas, e depois que terminei de ler, senti vontade de desenhar algo que representasse a narrativa. A capa de um livro é bem isso, né? Você olha pra ela e encontra o resumo da história inteira, mas as relações entre capa e narrativa só fazem sentido depois que você lê tudo (a galera que já leu sobre/estudou semiótica entende o que eu quero dizer).
Enfim, me empolguei com o livro, reuni os elementos que considerava importantes, e fiz isto:
Elinor Carlisle - personagem fictícia do livro Cipreste Triste (Agatha Christie)
O desenho acima é a minha visão sobre uma das personagens principais do romance, a acusada pelo crime de assassinato. Usei lápis de cor escolar e tinta nanquim sobre papel vergê cor-de-salmão-grelhado (me disseram que o nome certo desta cor é "coral").
ABC
Também estou me divertindo com este livro, e faltam apenas algumas páginas pra terminar. Desta vez, não me apeguei na história em si para desenhar, mas nos personagens detetive Poirot e seu amigo Hastings - o narrador da aventura.
Poirot é o baixinho da esquerda; Hastings, o outro.
Ainda está no esboço à lápis, e não tenho previsão para terminar por causa da rotina puxada de trabalho. Neste meio tempo, toda sugestão de material para usar na arte final será bem-vinda. Quando tiver pronto, faço um Cappuccino com o resultado.
Moral da história... se é que tem.
Bloqueio criativo não é uma macumba que jogaram na gente, e sim algo muito comum de acontecer, por inúmeros fatores. Por outro lado, um surto criativo pode vir do nada também, assistindo a um filme, ouvindo uma música, ou, como no meu caso, lendo alguns livros. =D
Agora com licença, vou ler mais um pedaço dOs Crimes ABC e dormir.
Até a próxima! o/
Em abril fiz um estudo com guache, mas só agora consegui sentar no computador com calma e descrevê-lo pra vocês.
Num típico dia de bloqueio criativo, fuçando os materiais de desenho procurando por inspiração, encontrei dois objetos: um lápis adornado com um tucano de biscuit; e curvas francesas (um gabarito de curvas irregulares, arabescos). Juntei as duas coisas e obtive um desenho bem orgânico!
A fluidez do desenho me agradou bastante e achei que cores vibrantes poderiam levantar ainda mais o astral dele. Fazia muito tempo que não mexia nas minhas tintas guaches, e como elas apresentam pigmentação bem forte, não pensei duas vezes.
Usei basicamente cores primárias e secundárias, e senti dificuldade na diluição da tinta em água - o papel até enrugou um pouquinho em algumas áreas. O acabamento foi feito depois da tinta secar completamente, usando lápis de cor super macios.
O desenho foi postado no meu Instagram, mas achei que valeria a pena explicar o processo criativo com mais detalhes, e quem sabe, motivá-los a experimentar esse exercício de criatividade.
Vou tentar repetir a dose qualquer hora dessas. Me conta o que achou!
Senta com seu cafezinho, porque esse post vai ser um desabafo longo.
Sou a tia que dá material de arte de presente. Quem poderia imaginar uma coisa dessas, não é? Sempre que tenho oportunidade de incentivar uma criança que se interessa em arte, eu vou lá e me faço de fada da papelaria!
De modo geral, me amarro em desenhos infantis, pois são livres, espontâneos e cheios de significados. Olhar atentamente para o desenho de uma criança é como mergulhar no coração dela.
Desenho da minha sobrinha. Família brincando num playground.
O desenho acima foi feito pela minha sobrinha, quando ela tinha 4 aninhos. Ela me viu colocar balões numa tirinha e quis colocar balões da fala no desenho dela também. Atualmente ela tem 6 anos, ama desenhar e disse que a matéria favorita na escola é artes.
Outra criança com quem tenho contato é a filha de um casal de amigos. Ela agora está com 4 aninhos e eu lembro de brincar de desenhar com ela desde que tinha 2. Quando vem aqui em casa, a gente prepara uma verdadeira estação de trabalho no tapete, com tintas guache escolar, e papeis...
Nossa obra de arte!
É uma paixão que compartilhamos! Mas até quando isso vai durar?
É uma pergunta triste, eu sei.
Por que paramos?
Fiquei pensando sobre isso enquanto olhava os desenhos preciosos.
A humanidade sempre se manifestou artisticamente ao longo dos anos. Em cada período histórico, toda a civilização apresenta sua forma de comunicação visual de mensagens, de crenças, de costumes... e isso era tão natural!
Então, quando alguém me diz "ah, eu não desenho porque não sei desenhar" ou "eu desenhava só quando era criança", sinto aperto no coração. Será que param por medo de julgamento?
Penso que ainda existe no imaginário da maioria das pessoas que representações pictóricas só são belas, bem executadas e dignas de apreciação se corresponderem à uma cópia fiel do seu equivalente no mundo físico. Seria um resquício do pensamento renascentista, da tradição acadêmica e seus cânones clássicos, padrões de "beleza" com base nas proporções áureas e pontos de fuga?
Com o advento da fotografia no século XIX, desenho e pintura puderam finalmente se desprender da função/obrigação de representar o real. Os movimentos artísticos modernos surgiram daí, para a liberdade da arte, para que os artistas pudessem ser mais experimentais, espontâneos, expressivos. Na contemporaneidade então... nem se fala! O ideal de ruptura com o formalismo vem com tudo.
Se hoje temos liberdade para ilustrar numa variedade de estilos, traços, materiais, é graças ao surgimento da fotografia lá atrás.
Oh, céus! Mas olha que doideira:
Mesmo entendendo tudo isso, às vezes acordo pensando em parar de desenhar.
Calma! Apesar de pensar isso, acho que jamais pararia rs. Desenhar e pintar são as atividades que eu mais amo fazer nessa vida, seria impossível parar. Assim, com a correria do dia a dia e dos prazos dos trabalhos, não dá tempos de fazer arte "pra mim", e quando rola uma folga, eu me sinto tão cansada que acabo tendo preguiça ou bloqueio criativo rs.
O que me desanima?
A síndrome do impostor tem sido, sem dúvida, a maior vilã ultimamente. Acho que por mais que a gente tente o exercício de racionalizar as crises, acabamos nos comparando a outras pessoas e questionando nosso potencial como artista.
Outra coisa é o investimento de tempo em divulgação do trabalho em rede social. Confesso que cada vez menos tenho paciência de alimentar o Instagram, e a "consequência" disso é a queda no alcance das postagens. Tenho concentrado mais esforços para o portfólio no Behance (que é o link que envio quando faço prospecção do meu trabalho) e marcado mais presença no LinkedIn.
Por último, não menos importante, o atual uso desenfreado da Inteligência Artificial na produção de imagens saiu atropelando o moral de uma porção de ilustrador. A substituição da nossa mão de obra por essa ferramenta mais barata já é uma realidade com a qual precisamos lidar.
E agora?
Vamos sair do fundo desse poço!
Embora tudo isso influencie demais no ânimo e na confiança no nosso taco, é preciso buscar motivação para não desistirmos. E, assim como os desenhos das crianças tiveram o poder de me fazer refletir sobre tudo isso que escrevi, são justamente esses mesmos desenhos/pinturas - tão puros, tão honestos - que me dão força pra continuar.
Não quero perder meu poder de expressão por meio da arte, tampouco quero que as futuras gerações percam algo que é tão natural, tão humano e tão bonito. Que o nosso fazer artístico possa se libertar de qualquer tipo de comparação ou julgamento. Que sejamos, enfim, livres!
Olá! Passe o protetor solar, porque hoje vamos caminhar no jardim procurando cenários para os mundinhos em miniatura.
Tenho postado várias ilustrações recentemente com esse tema, afinal de contas, fantasia é um gênero que adoro e acaba sendo aquela "zona de conforto" quando o bloqueio criativo bate, sabe? Porém, apesar de ser confortável, muitas vezes não é nada fácil elaborar uma composição e acabo angustiada do mesmo jeito.
Neste post vou mostrar um truque que pode ajudar a vencer a tela/ o papel em branco. E, pasmem, está aqui no jardim! Heheh!
Você certamente tem alguma plantinha perto de você neste momento. Seja no quintal, no jardim, no vasinho de suculenta na janela da área de serviço, ou no capim que cresce na calçada da rua... Todos esses cantinhos com mato são cenários em potencial para se desenhar micromundos.
Fiz esse compilado de fotos no jardim do condomínio. Não é a foto do jardim em si, mas são detalhezinhos de plantinhas aqui e ali. Tá entendendo onde quero chegar? Então pegue seu material de desenho e venha!
Pode tirar foto e voltar pra dentro casa, ou fazer o exercício de desenho no local mesmo, repondo a vitamina D. Foi o que eu fiz, inclusive! Fiquei lá me contorcendo no jardim do prédio pra ver e desenhar direitinho as plantas, até ficar com vergonha dos vizinhos me olhando, curiosos.
Uma coisa que eu adoro no desenho artístico é que ele não tem o compromisso de ser fiel à realidade. A gente pode inserir ou apagar elementos da imagem de referência sem culpa!
Depois de desenhar apenas aquilo que considerei interessante para o cenário, coloquei personagens: um duende (possível heróis da história); um vagalume (seu fiel escudeiro); e um sapinho espreitando perigosamente. Em seguida, com o rascunho pronto, fiz as linhas de contorno para arte final e comecei a preencher os espaços com cor.
O fundo fez toda a diferença na ilustração! Além de deixar o cenário mais profundo, as silhuetas das plantas criaram uma atmosfera mais sinistra para a narrativa. Eu amei, porque a ideia era justamente deixar a presença de um sapo ali o mais dramático possível!
Próximo passo, iluminação. Além dos detalhes das plantinhas, fui colocando sombra e luz no ambiente. Como tenho um vagalume em cena, precisei me preocupar com a luminosidade emitida por ele também.
O traseiro do vagalume foi a cereja do bolo e a ilustração ficou assim:
A parte mais difícil é sempre o começo, né? Mas aí a gente vai rabiscando e se empolgando... até sair algo. O que você acha desse tipo de exercício para a criatividade? Toparia fazer?
Vou encerrar por aqui, deixando a proposta para que procurem um vasinho de planta aí em casa e façam a experiência de usar como cenário de um mundinho, com personagens fantásticos. Me conta se fizer, vou amar saber o resultado!