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terça-feira, 4 de outubro de 2022

Raio Disneyzador

Oi, gente!

Recentemente assisti a uma série na plataforma Disney + chamado "Sketchbook - Do Esboço à Realidade". É uma espécie de documentário "desenha e fala" que apresenta ilustradores que trabalham nos estúdios de animação. Cada episódio tem uns 20 minutinhos de duração, com o profissional falando sobre sua trajetória enquanto desenha um dos personagens da franquia.


Sempre curti assistir outros artistas desenhando ou pintando, pois consigo aprender muito só de olhar o processo criativo deles. O que cada um faz de especial, os materiais que usam, como resolvem determinado problema no desenho... Isso tudo a gente observa e vai arquivando na nossa cabeça e lá na frente acaba resgatando essas informações quando precisamos.

Ouvindo as histórias, me emocionei em vários momentos. Quem desenha acaba tendo experiências bem parecidas em algum momento da vida. Se você que está lendo este post também é artista, com certeza vai se lembrar de ter desenhado exaustivamente um personagem favorito de algum filme, ou daquela vez que ganhou um material de arte que não era parte da lista dos materiais da escola, ou então por ter conseguido fazer amizade com alguém por ser a criança que desenha.

Para quem não é assinante da plataforma, eu vou deixar outros vídeos que estão no canal "Walt Disney Animation Studios", no youtube. Nesses vídeos podemos aprender a desenhar alguns personagens com as pessoas que trabalham lá, como Mark Henn, por exemplo, animador da Pequena Sereia, Simba, Princesa Jasmine etc.



Vou deixar aqui também o link para a playlist com vários outros vídeos desenhando personagens


E que "raio" é esse que você colocou no título, Nane?
Ah, sim! Bom, fato é que, depois de assistir uma porção de vídeos, fiquei empolgadíssima e acabei fazendo alguns estudos pessoais pra exercitar esse estilo Disney, usando os amigos e eu como cobaias modelos.


O desenho acima foi o resultado da experiência. Fiz digitalmente, simulando lápis no app Procreate. Tem sido difícil encontrar tempo entre os trabalhos para estudar e praticar coisas novas, então fiquei feliz de ter conseguido desenvolver esses rascunhos durante os intervalos de descanso.

E por hoje é só. rs
Queria muito compartilhar os vídeos e, quem sabe, empolgar vocês também.

Beijos, e até a próxima! o/

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Estudos com paleta reduzida

Sobre paletas
No contexto artístico*, chamamos "paleta" o conjunto de cores disponíveis para executar um trabalho. Podem ser tanto as cores que vão ser misturadas entre si, quanto cores já misturadas e selecionadas previamente. Também chamamos de paleta aquele instrumento de madeira ou acrílico no qual as tintas são dispostas.


Às vezes a paleta de um artista** acabam funcionando como uma espécie de assinatura de suas obras!

O que é paleta reduzida?
Na semana passada, durante algumas pesquisas que vinha fazendo, achei o canal da Escola de Belas Artes da UFRJ no Youtube e acabei assistindo a algumas todas as lives gravadas sobre composição pictórica e pintura. Numa dessas aulas aprendi sobre "paleta reduzida" e fiquei impressionadíssima. Talvez para um estudante do curso de Artes isso não seja novidade, mas para mim foi como se um horizonte inteiro de novas possibilidades tivesse aberto diante dos meus olhos.

EBA UFRJ - Live de ensino remoto, professor Licius Bossolan
(paleta reduzida a partir de 01:40:21)

Aprendemos na teoria da cor que a partir das cores primárias (amarelo, magenta e do azul) podemos formar toda uma variedade de matizes, e adicionando branco ou preto a essas misturas, conseguimos criar ainda mais tons. Temos aí então uma paleta básica composta por 5 cores: 3 cores primárias + 2 (preto e branco). Mudando o tom de alguma dessas cores primárias, as misturas podem se tornar únicas e diferenciadas. 

Na paleta reduzida vista na aula, aprendi que conseguimos chegar a um espectro semelhante aos resultantes das cores primárias misturando apenas 3 cores: vermelho terroso, amarelo ocre e preto.


Quando falamos de espectro, estamos nos referindo à sensação de cor que nossos olhos captam por meio do reflexo da luz. Observe que no disco acima, a cor preta vibra para a casa dos azuis, e quando misturado ao amarelo ocre, acaba causando uma sensação de verde. Física ótica purinha, gente!

Meus testes
Empolgadona, acabei fazendo vários estudos de paleta reduzida, usando três mídias diferentes: tinta à óleo, aquarela e tinta acrílica.




O de tinta à óleo (imagem acima) foi feito no papel mesmo, com tinta da marca Acrilex. A coisa foi ficando tão interessante ao meu ver, que no final arrependi por não ter feito em tela. Acho que vou refazer em algum momento.


Em seguida, fiz com aquarela. Apesar da gente entender que o princípio ocorre com qualquer material, eu queria ver com meus próprios olhos o resultado das misturas. Usei tinta aquarela da linha Pentel Arts sobre papel específico para técnicas aguadas, 300g/m².


Talvez o mais polêmico tenha sido esse com tinta acrílica, um estudo de folhagem em "monocromia" de amarelo sobre papel. Usando apenas amarelo (Corfix), preto e branco (Acrilex) consegui efeitos visuais de tons verdes bem intensos. A polêmica em cima disso é que, de acordo com a teoria da cor, os verdes são obtidos por meio da mistura de amarelos e azuis.

Se quiser ver mais detalhes, postei os resultados no meu perfil do Instagram.

Curiosidades
A teoria da cor que estudamos hoje em dia só foi publicada por Goethe no início do século XIX.

Em tempos passados, pintores do renascimento e do barroco faziam seus tons de verdes e violetas a partir dos efeitos óticos que o pigmento preto proporciona ao ser misturado com ocres, brancos e vermelhos. 

O pigmento azul já foi muito caro, pois era feito a partir de uma pedra preciosa chamada lapis lazuli. Sendo assim, apenas nobreza e clero tinham grana o suficiente para bancar pinturas que levavam essa cor.

Com o passar do tempo, novos materiais foram sendo descobertos para extrair pigmentos azuis, como cobalto, cobre...e também pigmentos sintéticos livres de metais, como é o caso da ftalocianina.

Para quem interessar, deixo outra sugestão de aula:

EBA UFRJ - Análise de formação da pintura "A Ponte de Pedra", de Rembrandt.

No vídeo, o professor explica como teria sido o processo de composição pictórica do artista barroco Rembrandt para a paisagem "A Ponte de Pedra".

Dever de casa
Quem sou eu pra passar dever de casa?! Mas gostaria muito de sugerir que vocês façam o estudo de paleta reduzida, ou que testem seus materiais para explorar quantas misturas diferentes podem fazer com o que existe aí na sua casa. Vai ser surpreendente, tenho certeza!

Bons estudos e até a próxima! o/

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* - artístico aqui se refere a qualquer atividade ou ofício que envolva o uso de técnicas artísticas: design, arquitetura, ilustração, artes plásticas etc.
** - artista, portanto, também pode ser lido como qualquer pessoa, profissional ou não, praticante de atividades do meio artístico.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Matiz, Saturação e Valor - folha de teste para materiais artísticos

Olá, arteiros!
No post de hoje tem utilidade pra quem gosta de pintar.

Sempre que compro tintas, opto pelas três cores primárias - azul ciano, amarelo e magenta -, mais preto e branco. Quando não encontro as cores básicas na loja, pego cores aproximadas e faço uma tabela de misturas para entender quais novas cores elas formam. (É possível ver as misturas neste post sobre tinta acrílica)

O tempo passou, fui pintando um monte de treco, e chegou o momento de repor meus tubinhos de acrílica. Só que a gênia aqui esqueceu de anotar a numeração de referência antes de ir pra papelaria, e chegando lá, escolheu "no olho" as cores. Conclusão: errei 2 cores das 3 que precisava comprar.


Em vez de comprar amarelo de cádmio claro, trouxe o amarelo limão; e no lugar de azul ultramar, veio o azul cobalto na cestinha. A compra foi feita há 2 anos, mais ou menos, antes dos tubos menores acabarem de vez. Mas sabe quando eu notei que comprei errado? Ontem!

Lá estava eu, animadíssima para pintar com as acrílicas, mas tive que parar tudo e testar as misturas para saber se a mudança nos tons afetaria muito a paleta a qual estava acostumada.

Uma nova folha de teste para download
Pensei em usar aquela tabela com o círculo cromático que disponibilizei aqui, mas como as cores que tenho de acrílica não são primárias, precisei fazer uma nova página de testes. Desta vez, uma em que eu pudesse explorar mais matiz, saturação e brilho das cores.




  • Matiz ou gama está relacionado ao espectro de cores, à variedade que nos é apresentada.
  • Quando acrescentamos branco ou preto em alguma cor, estamos alterando seu brilho/valor. Ao misturar branco para deixar uma cor em tom pastel, estamos, em "termos técnicos", aumentando o brilho/valor dela.
  • Para mexer na saturação, misturamos a cor com cinza. Quanto mais cinza, menos saturada a cor fica. Em outras palavras, cores saturadas são aquelas cores mais vivas, e cores menos saturadas são cores que parecem desbotadas.
Você pode visualizar e baixar a tabela de teste do Cappuccino clicando na imagem abaixo:


O arquivo em PDF é composto por 2 folhas, sendo a primeira delas a tabela vazia para imprimir, e a segunda, um guia de como utilizar corretamente a tabela.

Compartilhem com quem precisa
Todos os materiais disponíveis para download no Cappuccino são de minha autoria, gratuitos e de venda proibida. Faço isso para que o conhecimento artístico (teórico e prático) possa alcançar cada vez mais pessoas, ajudando no crescimento da nossa comunidade. 

Sendo assim, fique à vontade para indicar para seus amigos artistas! \(^_^)/ 
A sua opinião nos comentários deste post também é muito bem-vinda. 

Bons estudos e até a próxima! o/

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Tinta Acrílica - releituras de grandes mestres

Pegue um cappuccino e venha sentar aqui comigo para conversarmos sobre uns estudos que andei fazendo recentemente com tinta acrílica.

Prólogo
Um belo dia, passei por uma obra de Amadeo Modigliani no meu livro MASP de Bolso. A estética das obras desse artista me agrada muito, e eu acho super divertido como ele deixa as pessoas com pescoços compridos em seus quadros. Justamente essa característica me fez lembrar de um cachorro da raça galgo que conheci, e querer pintá-lo à Modigliani.

Cãozinho Athos à Modigliani. Tinta acrílica sobre papel, 29,7cmx42cn.

A princípio seria apenas um estudo, pois não usava tinta acrílica há bastante tempo. Mas o resultado agradou tanto, que quis transformar essa ideia em uma série.

Materiais, estilos e técnicas
Como o objetivo inicial era praticar pintura com tinta acrílica, me mantive exclusivamente nesse material. Até por comodidade de ser uma tinta que seca mais rápido e que proporciona um resultado imediato. Como substrato, usei papel para desenho no formato A3, de gramatura 180g/m². Na foto abaixo é possível ver o que tinha disponível em cima da mesa:

Pinceis de cerdas chatas, forminha de gelo que usei como godê, tubos de tinta e bloco de papel A3.

Em relação aos estilos e técnicas, isso vai depender da obra que eu for me basear para pintar. Cada artista possui um gestual diferente, e por isso pode ser necessário ir mudando a técnica de pintura para conseguir o efeito de cada estilo. Se eu for pegar um Da Vinci por exemplo, precisarei usar pinceis mais macios e trabalhar transição de cores por meio do esfumado; mas se eu pegar como referência um Picasso, as pinceladas serão mais marcadas e a transição de cores vai ser mais dura.

A doideira... digo, processo criativo
Para a segunda pintura da série escolhi misturar o Tocador de Pífano, de Manet, com uma calopsita. Estava trocando mensagens com amigas artistas enquanto folheava outro livro de arte, daí o nome da calopsita de uma delas apareceu na conversa, e logo imaginei o passarinho como uma obra.

À esqueda: Tocador de Pífano, Manet - À direita: Harley.

Após ter esse estalo, a primeira coisa que fiz foi esboçar o desenho no papel. Depois, tentando ao máximo copiar as pinceladas de Manet, fui destacando figura e fundo. Estudar as obras dos artistas é fundamental nessa parte, porque a gente consegue pegar uns detalhes mais aprofundados de como eles desenvolveram suas pinturas na época. Costumo consultar meus livros, mas existe muito material de qualidade e livros grátis disponíveis para leitura na internet!

À esqueda: esboço do desenho - À direita: primeiras camadas de tinta.

Me joguei nesse trabalho! O tempo passava e eu nem percebia. Em algumas etapas da pintura eu precisava esperar a tinta secar para pode trabalhar outras camadas por cima, como foi o caso do chapéu que pode ser visto na imagem abaixo:

Comparação de antes e depois dos detalhes na pintura.

Para produzir o efeito de que as penas da ave estavam passando na frente do chapeuzinho, primeiro pintei o chapéu, esperei secar e depois trabalhei a tinta branca por cima. Penugem e pelagem eu faço da seguinte forma: crio manchas de cor ocupando a área inteira, e depois, com um pincel mais fino, vou trabalhando melhor os detalhes.

Detalhe de antes e depois do rostinho da calopsita.

Um processo demorado e trabalhoso, que exige tempo e atenção, mas que no fim das contas é gostoso de fazer. O resultado foi este:

Pintura finalizada.

Conclusão
O que a princípio era um estudo acabou virando ideia para uma série. Óbvio que preciso aprender muita coisa ainda em termos de pintura, mas acredito que vou melhorar com a prática. Aliás, não tem pra onde fugir, né? Se a gente não pratica, não aprende, não evolui.

Se quiser saber um pouco mais sobre tinta acrílica, tenho alguns posts sobre o assunto aqui no blog, que você pode ler depois com calma. Por enquanto me conta nos comentários o que achou ou o que ficou faltando. Vamos trocar experiências!

Beijos, até a próxima! o/


terça-feira, 8 de setembro de 2020

Desenho botânico

Olá, galera! Tudo joia?
No post de hoje vou falar um pouquinho sobre minha relação com o desenho botânico, um motivo que veio ganhando muito destaque recentemente entre artistas e ilustradores, mas que já existe e é praticado há vários séculos.

A humanidade sempre se relacionou com a natureza ao longo de sua existência, mas só a partir do Renascimento que os artistas puderam olhar para ela de forma mais científica. Nessa época, entender a natureza de maneira aprofundada permitia ao artista representá-la com fidedignidade.

Desenhos botânicos do artista renascentista Albrecht Dürer, século XVI.

Chamamos de Botânica a ciência que estuda o Reino das Plantas, e o desenho é um elemento fundamental para o desenvolvimento desse estudo. Neste contexto, podemos classificar grosseiramente as ilustrações botânicas em dois tipos: científicas e artísticas. 

Silvia Cordeiro // Marie Burke
Ilustrações botânicas com propósitos diferentes.

As ilustrações botânicas científicas são direcionadas aos conteúdos instrucionais e didáticos, pois precisam seguir metodicamente a estrutura de uma planta como ela realmente é. Costumamos ver esse tipo de desenho em livros de Biologia, catálogos, publicações especiais, enciclopédias etc. Já as ilustrações artísticas tem liberdade absoluta em relação à técnica, ao uso de materiais, simplificação de formas, abstração, criação de elementos, e por aí vai.

No meu caso, reproduzir qualquer um dos tipos citados acima me tira da zona de conforto. Desenhar plantinha não é o meu forte, mas quis trazer pro blog alguns estudos que fiz nesta semana.


Passamos por um feriadão e fiquei com vontade de desenhar e estudar alguma coisa. Pensei no quanto precisava me aventurar por desenhos botânicos e lembrei deste perfil bem legal do Instagram com fotos lindas de orquídeas, para dar uma ajuda com referências.

O primeiro desenho que fiz foi este aqui:

Imagem de referência X Desenho com lápis de cor.

Usei lápis de cor da linha Super Soft da Faber Castell sobre papel preto Fabriano neste estudo. Apesar de destoar bastante da foto, achei bem legal o exercício e tentei aproveitar ao máximo o processo como um topo. Até mesmo para desenvolver mais a experiência com o lápis de cor.

O gosto pela coisa acabou me levando para um segundo estudo, o qual registrei algumas etapas para mostrar melhor aqui no blog: 

Imagem de referência X Início do desenho.

Como estava desenhando em um papel escuro, optei por fazer o risco/esboço com lápis giz na cor branca. O pigmento do giz não gruda permanentemente no papel e fica mais fácil apagar sem danificar sua fibra. Grafite também funciona, porém ao apagar algum erro, a borracha pode manchar a impressão colorida do papel, deixando algumas áreas opacas e esmaecidas.

Etapas e colorização do desenho.

À medida em que eu fui passando o lápis de cor, o giz branco foi saindo. Tentei evitar linhas de contorno na flor, deixando a passagem de cores o mais natural possível. Observar a planta e pensar na sua estrutura facilita muito na hora de desenhar e estabelecer os pontos de luz e sombra.

Resultado do segundo estudo.

Desenho finalizado, com gostinho de quero mais. O processo todo me exigiu paciência e muita concentração, o que não foi fácil... mas também não foi impossível. Fiquei satisfeita com o resultado mesmo não sendo 100% perfeito. Afinal, perfeiçãããão só vem com a prática, né?

Agora me conta, qual tipo de ilustração te tiraria da zona de conforto?
Até a próxima! o/

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Os rabiscos de Leonardo DaVinci

A princípio, contaria para você neste post um pouco sobre uma exposição dos inventos e obras de Leonardo DaVinci que fui no começo do ano. Mas ao revisar as fotos que tirei durante o passeio, percebi que as réplicas de seus inventos em tamanho real e exibição de seus quadros em tamanhos colossais não chamaram tanto a minha atenção quanto os esboços feitos pelo artista em seu pequeno caderninho, modestamente colocado numa redoma de vidro.

Caderninho de estudos de Leonardo DaVinci.

Somos culturalmente influenciados, desde crianças, a colocar Leonardo num pedestal, e associar sua Mona Lisa como "obra prima" mesmo não sabendo o que de fato significa essa expressão ou quais foram suas contribuições no cenário artístico do Renascimento. Quando vi de perto seu caderno de esboços, há poucos centímetros de mim (separado por uma grossa lâmina de vidro, é claro), pude trazer de volta DaVinci para o mundo dos mortais, e percebê-lo como "gente como a gente".

Partiu Renascimento!
Antes de continuarmos, proponho uma viagem no tempo para a Itália do século XV. Vamos?
Até então, as pessoas com habilidades manuais - escultores, arquitetos, vidraceiros - eram contratadas pela Igreja Católica para produção de artigos religiosos: murais, esculturas, ornamentos, objetos sacros etc. Pois é, antes não se apreciava arte, pois os painéis religiosos serviam para educar os fiéis sobre os castigos divinos.

Mais ou menos nesta época a Igreja foi perdendo a sua soberania, mas foi ainda durante muito tempo uma instituição muito influente na vida das pessoas e "ditava moda" por assim dizer. Daí, famílias ricas começaram a contratar artesãos para encomendar peças de arte para seus casarões. Foi quando se deu origem ao mecenato, à profissão "artista", e à ideia de arte como algo para ser apreciado. Agora patrocinados, os artistas puderam melhorar suas técnicas e entregar trabalhos cada vez mais "belos". (Sabe a plataforma Patreon? Então, mesma coisa, mas sem internet)

Durante o Renascimento, as ciências naturais e humanas voltaram a ser estudadas, e socialmente o padrão de beleza adotado se inspirava em cânones da antiguidade clássica. Neste momento é que encontraremos os grandes nomes da pintura e escultura italianos, e entenderemos o porquê de Leonardo DaVinci ser gente como a gente.

Como se formava um artista renascentista?
Ainda não existem escolas de arte por aqui... Os jovens que pretendem virar artistas precisam aprender o ofício com outros artistas mais experientes. Leonardo, inclusive, trabalhou muitos anos com Andrea del Verrocchio para aprimorar suas habilidades até ser financiado por mecenas. Os aprendizes ajudavam seus mestres com as encomendas e estudavam suas obras para aprender técnica.

Andrea del Verrocchio - Dama com buquê, 1475 // Leonardo DaVinci - Ginevra de'Benci, 1975-76
Uma espécie de "desenhe isso no seu estilo" do período Renascentista.

Na casa dos 30 anos, já morando em Milão e trabalhando para família Sforza, Leonardo começou a ampliar seus estudos sobre perspectiva e natureza, desenvolvendo seus próprios métodos de representação pictórica - sendo o mais notável deles o esfumato. Muito desses seus estudos estão documentados em seus caderninhos de esboço, que até nos dias de hoje nos causa tanta admiração.

Voltemos para 2020!
O que nos aproxima de Leonardo DaVinci é o fato de termos conosco um caderno de rascunhos, onde fazemos nossas anotações, nossos estudos, os rabiscos, onde documentamos nosso processo de aprendizagem das artes, do design, da ilustração. Esse é o nosso ponto em comum! Assim como DaVinci contribuiu para as artes nos tempos dele, e outros grandes nomes assim fizeram a cada período, também temos potencial para produzir conhecimento de modo a aperfeiçoar cada vez mais o que fazemos.

Páginas com estudos (desenhos e anotações) de Leonardo DaVinci sobre anatomia humana.

Leonardo DaVinci - Virgem com o Menino Jesus (Virgem Benois), 1478-80.
Dos esboços até a pintura.

O importante é começar! Estude, rabisque, faça do seu sketchbook seu melhor amigo. Não importa se o desenho ficar inacabado, ou se não vai servir para algo imediato... guarde a ideia, mais tarde ao consultá-la poderá fazer mais sentido. Use para treinamento das suas habilidades, desenvolvimento das suas técnicas. Em se tratando de arte, já não temos amarras formais! Somos livres para criar o que quisermos. Tudo é possível e há uma infinidade de materiais, técnicas e estilos para serem explorados.

Bons estudos! Até a próxima! o/

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Este post foi inspirado na visita à exposição Leonardo DaVinci - 500 anos de um gênio - Museu da Imagem e do Som, em São Paulo; e na edição Grande Mestres - Leonardo DaVinci, da Abril Coleções; São Paulo: Abril, 2011.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

3 dicas de cursos on-line gratuitos para melhorar seus desenhos

Oi! Tudo bem?
Ultimamente estou tendo pouca demanda de trabalho, e além de afetar o lado financeiro, também os meus estudos pessoais ficaram comprometidos. Sabe o que dizem, né? Mente vazia, oficina do diabo. Em situações assim, a melhor coisa a se fazer é procurar uma atividade para manter a cabeça no lugar.

Foi numa dessas tentativas de ocupar a cabeça que pensei em procurar cursos gratuitos para melhorar minha produção, e vou compartilhar algumas dicas por aqui hoje.

1 - Plataforma Crehana
A Crehana é uma plataforma digital que reúne vários cursos nas áreas de design, ilustração, animação, publicidade... é praticamente uma escola especializante e que ultimamente vem bombardeando meu feed do Instagram de post patrocinado. Ótimo! Porque foi um deles, com a palavra "gratuito", que resolveu meu problema.

Acesse a página de cursos grátis da Crehana clicando na imagem acima.

Para acessar a plataforma, você deve fazer um cadastro simples inserindo nome e endereço de e-mail. E ao final de cada curso, pode enviar o seu projeto final na sua galeria, que funciona como portfólio. Para quem está iniciando, é uma ótima oportunidade de trocar contatos e experiências.

2 - Caça ao Tesouro no Youtube
Pois é... olha que doideira!
Hoje em dia todo mundo tem canal no Youtube, né? Sei que às vezes é um pouco difícil filtrar os conteúdos de qualidade, mas se a gente dedicar um tempinho do dia para fazer uma caça ao tesouro, tenho certeza que encontraremos preciosidades.

Uma dica que queria dar é o canal da Marina Viabone, que trabalha com lettering, uma vertente do design gráfico e da ilustração que ainda não domino e gostaria de exercitar.

Clique aqui para acessar a playlist de Aulas de Lettering da Marina.

Achei os vídeos bem didáticos, e dá tranquilo pra adaptar os exercícios aos materiais que temos a nossa disposição em casa.

Além disso, as empresas fabricantes de material artístico estão nas redes sociais e divulgam vídeos com artistas falando sobre processos criativos. Vale a pena conferir, pois mesmo que não tenhamos aqueles materiais que estão usando, podemos aprender novas técnicas e adaptá-las ao que temos.

Tutorial Gabriel Picolo - canal Faber Castell

O vídeo acima é um exemplo disso que falei. Nele, Gabriel Picolo está usando produtos da Faber-Castell, mas falando do seu processo criativo para finalizar uma ilustração. Você pode se inspirar nesses tipos de vídeo para produzir uma ilustração com os materiais que possui no seu estojo.

3 - Google Books / Google Livros
Um dos meus queridinhos é o Google Livros, uma das opções de filtro de buscas do Google que disponibiliza leitura gratuita de vários livros, em diversos idiomas. Usando a palavra-chave "desenho", encontrei esta lista imensa:

Clique na imagem acima para acessar a lista.

É só clicar no livro que mais atrair seu interesse e visualizar. Grande parte dos livros possui visualização restrita de páginas. Mas filtrando bem, dá pra achar muito material útil para melhorarmos nossas habilidades.

Visualização do livro Guia Curso Básico de Desenho Cartoon Ed.01 no Google Livros.

Você pode fazer uma busca mais específica de acordo com sua área de interesse, como desenho livre, ou desenho de observação; tem até livros específicos para desenhos para tatuagens!

Dica extra
Se tiver alguma dica extra para contribuir com esse post, ou quiser relatar sua experiência com alguma das dicas acima, é só escrever aqui nos comentários. Desta forma, ajudamos muitos colegas que, assim como nós, buscam melhorar cada vez mais suas habilidades no desenho.

Bons estudos e até a próxima! o/

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Desenho de pote - superando o bloqueio criativo

Sabe aquele dia que a gente acorda inspirado, com vontade de tirar todos os materiais possíveis de desenho de dentro das gavetas pra fazer algo incrível, mas fica trezentas mil horas olhando pro papel em branco decidindo o que vai desenhar e no final não rabisca nada? Bloqueio criativo que fala, né? Pois bem, seus probleeeeemas acabaaaram!!! Minha amiga Débora (Imaginei Ilustrei) me apresentou uma técnica de sorteio ótima: o desenho de pote.

Funciona assim: você escreve algumas palavras em tirinhas de papel, depois organiza por categorias e as divide em potinhos. Por exemplo, o potinho de "personagens" seria alimentado com palavras como princesa, ogro, fada, bombeiro; o potinho de "objetos" poderia ter tesoura, cadeira, lâmpada, picolé; e um terceiro potinho de "ações" como fazer compra, cozinhar, cantar, estudar etc; Daí você sorteia uma palavra de cada potinho e faz um desenho com o resultado, que poderia ser "bombeiro, lâmpada, cozinhar". Será que consegui explicar?

Nossa ideia, a princípio, era arrumar uns potinhos mesmo, e colocar neles as mesmas palavras para o desafio ficar "justo". Mas a afobação foi tanta para começar a brincadeira, que acabamos usando uma planilha compartilhada para organizar as palavras e sorteá-las online.

Nossos "potinhos" - planilha em andamento


A dinâmica de embaralhar e escolher uma palavra ficou por conta do site Sorteador. Já que cada categoria possui números relacionado às palavras, foi só preencher os campos de sorteio do site e começar a diversão. O meu ficou assim: Característica 1; Personalidade 3; Personagem 15; Elemento adicional 22 = alto, zangado, pizzaiolo, com um aquário.

Rascunhos do pizzaiolo.

Fiz um monte de rascunhos até chegar numa possível solução combinando as palavras que sorteei. Foi um processo difícil, mas muito legal pra exercitar criatividade. Houve muita troca de ideia e de fotos, pois estávamos super empolgadas.

Rascunho limpo.

Depois de definir o rascunho, geralmente eu faço a limpeza dele. Isto é, apago aquele monte de rabisqueira doida e deixo as linhas mais certas possível para poder arte-finalizar o desenho. Quando o desenho precisa ser feito em um papel especial, uso mesa de luz nesse processo.

Comparativos - rascunho sujo e rascunho limpo.

Desenho base resolvido, hora de finalizar. Optei por trabalhar as linhas em nanquim e colorir com marcadores que ainda tenho funcionando.

Desenho em preto e branco x desenho colorido.

Ao colorir, fui adicionando elementos gráficos que reforçassem as características que o desenho deveria ter, como linhas verticais e ângulos fortes para marcar altura e zanga. Por fim, trabalhei nos detalhes de fundo e ajustei espessura da linha de contorno em alguns pontos.

Desenho finalizado.

Não sei ainda qual vai ser a frequência desses desafios de desenho, pois vai depender bastante da nossa disponibilidade de horas para fazê-lo, mas já estou aguardando o próximo. A experiência foi bem divertida e foi uma oportunidade de usar o material de desenho que estava parado.

Sinta-se à vontade para embarcar nessa conosco! É só criar quantas categorias de potes quiser e abastecê-los com palavras para sortear, e postar nas redes sociais usando a hashtag #desenhodepote pra gente te achar.

Fico por aqui!
Até a próxima. o/

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Leprechaun - SuperSoft Faber Castell

Conversando com as amigas desenhistas sobre lápis de cor, tive conhecimento sobre uma linha de lápis da Faber-Castell, da série mais profissional, chamada SuperSoft. São lápis de cor de mina macia e que soltam muito pigmento na superfície na qual são usados. Tive oportunidade de experimentá-los uma vez na casa da Joyce (Caixola), e gostei muito do comportamento da cor no papel. Empolgada com a experiência, no fim de 2018 me dei uma caixa de presente.

Caixa dos lápis SuperSoft e Leprechauns.

Encontrei um tempo para testá-los novamente esta semana, após ver uns estudos de leprechaun (duente da sorte) que a minha amiga Débora (Imaginei Ilustrei) estava fazendo. Fiquei inspirada e tive vontade de desenhar um também, então usei ele como a desculpa perfeita para estrear meus lápis SuperSoft.

O rascunho foi feito em papel sulfite e finalizado em papel kraft. Como a transferido para o papel kraft não é possível com mesa de luz, usei a técnica de decalque. Com grafite a gente risca o verso de uma folha de papel e depois a usa com se fosse um carbono.

Transferindo o rascunho para o papel kraft.

Antes de ir para os finalmentes e colorir o desenho, fiz uns estudos de comportamento do lápis. Isto é, em um papel colorido testei todos os lápis para saber exatamente quais eram as cores das minas, e misturei algumas para entender como o pigmento se comporta.

Testes de pigmento dos lápis SuperSoft.

Apertando bastante o lápis, o pigmento cobre toda a superfície, dando um efeito maravilhoso. Como pode ser observado na foto acima, os degradês podem variar tanto em função da pressão aplicada no lápis ao pintar, quanto na mistura entre cores diferentes.

Leprechaun finalizado

O marrom do papel kraft sumiu, ficou apenas o pigmento do lápis. O melhor de tudo é que não deixa resíduo na mão da gente e não corre o risco de borrar o desenho. Pelo menos comigo não aconteceu.

Gostei bastante da experiência e repeti fazendo uma companheira pro personagem. Afinal de contas, essa riqueza toda que ele carrega poderia muito bem ser compartilhada, né?

Casal leprechaun.

Os detalhes de pontos de luz, em branco, foram feitos com caneta Posca e caneta gel Gelly Roll. A tinta dessas canetas não absorve o pigmento deste tipo de lápis, continua bem branquinha. Achei ótimo, pois o efeito permanece no desenho por um bom tempo!

A caixa que tenho tem 24 cores e custou aproximadamente R$50. Foi bem divertido e prazeroso colorir com lápis de cor depois de tanto tempo sem usá-los. Existem outras marcas de lápis macios que seguem nessa linha, com preços variados. Os usados pela Débora no estudo foram os da marca Prismacolor. Espero que tenham gostado e que visitem os blogs mencionados neste post.

Desejo muita sorte e fortuna a todos vocês! 🍀
Até a próxima!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Tipos de gravuras

Tenho visitado a cidade de São Paulo algumas vezes, sempre de maneira corrida, no estilo bate-e-volta, mas algo que tento fazer sempre que vou é visitar pelo menos algum centro cultural. Da última vez que estive lá, passei no Itaú Cultural, localizado na Av. Paulista, e trouxe lembrancinhas:

Meus lindos catálogos/Lembrança de viagem (?)

Todo centro cultural oferece, de forma gratuita, catálogos das exposições que estão acontecendo no momento, guia de acervo, etc. Além disso, alguns outros impressos podem ser disponibilizados gratuitamente. Os três impressos que trouxe são: um catálogo sobre a Ocupação Ilê Aiyê - que conta a história do primeiro bloco afro do Brasil, e um apanhado geral super interessante sobre a cultura negra no país; um livreto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que completou 70 anos agora em dezembro; e o catálogo Imagens Impressas, da exposição das gravuras históricas.

Pois bem, foi o catálogo de gravuras que me deu inspiração para o post de hoje, pois vi que nunca falei sobre esse assunto de maneira mais aprofundada. Espero que goste. Vamos lá!

Gravuras
A gravura é uma das formas de reprodução de imagem e texto mais antigas que existe. "Gravura" vem de "gravação", que a grosso modo significa "esculpir" ou "entalhar". O tipo de gravura se define pelo material da matriz de gravação, que pode ser madeira, pedra, metal, borracha, cera...

Xilogravura - "xilo" quer dizer madeira. Portanto, xilografia significa "gravar em madeira" e xilogravura é a gravura feita com matriz de madeira. A precisão dos entalhes varia com o tipo de madeira escolhida para trabalhar, e os desenhos costumam ficar um pouco mais grosseiros em relação a outras técnicas. Para gravar em madeira, geralmente se usam goivas, mas recentemente, pirógrafos também vem sendo usados como ferramenta.

Moça Roubada - xilogravura de J. Borges.

No Brasil, as xilogravuras de maior expressividade fazem parte da cultura nordestina e estão presentes na literatura de cordel.

Litogravura - "lito" significa pedra. Mesma lógica de nomenclatura... Litografia é a gravação em pedra, e litogravura é a imagem resultante da matriz gravada. Por ser um material bem duro, as gravações em pedra são feitas ou com ferramentas de entalhe mais resistentes e de metal, ou com ácidos. No segundo caso, a pedra recebe uma camada de cera ou gordura e o desenho é feito sobre essa camada. Em seguida, se joga um ácido para corroer os espaços da pedra sem proteção.


Um processo beeeem trabalhoso, mas de resultado lindíssimo! O sonho da minha vida é um dia ter um ateliê imenso, cheia de maquinário que me permita usar a técnica que eu quiser. Custa nada sonhar, né? rs

Calcogravura - "calco" em grego significa cobre vermelho. Estamos falando aqui da gravura em metal. As matrizes são gravadas com ferramentas chamadas pontas secas, que são na verdade pontas finas em outros metais duros que servem para riscar o metal mais "macio" e produzir nele o desenho. Também é possível usar corrosivos no metal para gravar.

Calcogravura com água-forte de Carlos Oswald, acervo do Museu Nacional de Belas Artes/IBRAM

É comum ouvir pessoas mais velhas se referindo à imagens em livros como gravura, e essa nomenclatura vem do processo de impressão de textos e imagens que era feito antigamente. Atualmente as gravuras ganharam um caráter muito mais artístico do que funcional, uma vez que possuímos tecnologias de impressão bem mais rápidas e eficientes para grandes tiragens. Reproduzir imagens se tornou cada vez mais fácil, e é comum termos scanners e impressoras em casa.

O catálogo de gravuras do Itaú Cultural pode ser folheado online. Nele tem mais informações sobre cada tipo de técnica de gravura e seus usos ao longo da história. Fora que apresenta vários exemplos maravilhosos! Vou deixar aqui pra vocês ;)



Já teve alguma experiência com gravura? Já tentei algumas coisas com xilo, mas confesso que não levei à frente. rs Qual a técnica que mais te atrai? Me conta aí, vai...

Até a próxima! o/

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Urban sketching

Desenhar cenários, paisagens, cidades sempre foi a minha maior dificuldade, e não tenho vergonha nenhuma em dizer isso. Mesmo sendo uma dificuldade declarada, nunca recusei um projeto envolvendo esse tipo de esforço só por não ser meu ponto forte. Ao contrário, encarei essas chances como oportunidade de desenvolver um pouco mais esse lado.

Na postagem de hoje vou apresentar dois livrinhos que adquiri há algum tempo e que estão me ajudando demais com o estudo. O primeiro, na verdade, foi um presente que ganhei de uma colega na agência que trabalhei: Paisagem Desenhada, de Tarcísio Bahia de Andrade; e o outro livro, que encontrei por acaso na livraria e comprei, é o A Perspectiva em Urban Sketching, de Bruno Mollière.


Paisagem Desenhada

Neste livro há vários desenhos do artista. A base, na maioria das vezes, é feita com nanquim, e quando os desenhos são coloridos, dá para perceber o uso de diferentes materiais no processo de colorização.

Capa: Paisagem desenhada - Tarcísio Bahia de Andrade - Editora Cousa

O livro é uma compilação dos desenhos de vários locais em Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O traço é bem solto e representativo, e por isso uso como uma fonte de referência.

Miolo: Paisagem desenhada - Tarcísio Bahia de Andrade - Editora Cousa

Além das paisagens, também é possível encontrar alguns esboços e detalhes de arquitetura. O trabalho do artista é interessante, os desenhos explora diferentes texturas e, pessoalmente, isso me atrai muito num trabalho visual.


A perspectiva em urban sketching

Já é o terceiro livro que compro dessa editora! Recentemente conheci a GG adquirindo um livro sobre Aquarela e fiquei surpresa com a quantidade de publicações que essa editora tem destinadas às áreas das artes, arquitetura e design. A perspectiva em urban sketching, em especial, mexe em duas feridas que tenho: cenários e perspectiva.

Capa: A perspectiva em urban sketching - Bruno Mellière - Editora GG

O livro em si é bem didático e de uma linguagem extremamente simples e compreensível. É dividido em capítulos e em cada um é falado sobre uma particularidade do desenho de espaços urbanos, com dicas interessantes para que o processo todo pareça mais fácil. Virou um xodó, de verdade.

Miolo: A perspectiva em urban sketching - Bruno Mellière - Editora GG

Além de muitos exemplos de paisagens urbanas desenhadas, o livro apresenta fotos e esquemas que facilitam bastante a compreensão dos conceitos propostos. Para quem quer começar a se enveredar por este caminho ou aperfeiçoar o que já iniciou, é um apoio interessante. Pelo menos pra mim tá sendo de grande ajuda...


Beba de outras fontes

Me ative em dois livros que tenho na estante, porém, os materiais de referência vão além deste espaço. Existem muitos materiais online disponíveis para estudo também, e portfólio de artistas disponíveis em plataformas digitais que podem ser acessadas sem a necessidade de criar uma conta nelas. Vale a pena pesquisar a área de interesse e selecionar os materiais que melhor atendem à sua demanda no momento. ;)

Essas foram as dicas de leitura de hoje, espero que tenham gostado e que tenha sido útil. Deixe seu feedback nos comentários. Se tiver também alguma dica de outras fontes sobre urban sketch, ou artistas que recomenda, será super bem-vindo. Vamos trocar experiências!

Abraço!
Até a próxima!

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Matriz de isopor

Olá, meu bem!
Minhas vizinhas de blog e eu costumamos nos reunir praticamente todo dia para falar de arte, desenho, técnicas, vida... E numa dessas, conversando sobre cartões de Natal e a dificuldade de se conseguir uma matriz boa para imprimir em casa, a Débora (@imagineiilustrei) me sugeriu fazer umas gravuras em isopor de bandeja de frios.

Pra minha sorte, ela também fez e enviou imagens do resultado e dos materiais que havia usado. Daí, inspirada e empolgada, hoje arrumei uma bandeja de isopor e me aventurei. Vou mostrar o passo a passo aqui pra você tentar fazer em casa também.

Passo a passo:

Materiais utilizados

Utilizei bandeja de isopor, dessas de embalagens de comida e de qualquer cor; tesoura (para maior segurança, use tesoura sem ponta); estilete (crianças devem ser supervisionadas por adultos, ok?); caneta esferográfica; lapiseira; tintas ou canetinhas hidrocor.

A primeira coisa que fiz foi recortar as laterais da bandeja, para aproveitar somente a área plana do fundo. Algumas bandejas não possuem essas bordas, mas se tiver, é bom remover pra facilitar o manuseio e, além disso, o carimbo deve ser trabalhado em uma área totalmente plana.

Primeiros passos

Depois de cortar as bordas, eu comecei a desenhar os carimbos. Ao fazer isso, precisamos riscar bem de leve para não sulcar o isopor. Usei como primeiro molde a folha de uma planta que tenho em casa. Acho o desenho dela muito bonito! Em seguida é só recortar o desenho com tesoura ou estilete.

Dependendo do tamanho da bandeja, dá pra fazer mais de um desenho. Ou então pode usar a placa como se fosse uma matriz inteiriça e fazer um único desenho ocupando ela toda. No meu caso, optei por fazer vários desenhos de tamanhos e formatos diferentes para testar.

Minhas matrizes

Os detalhes de ranhuras das folhas foram feitos usando estilete e a ponta da lapiseira. Qualquer marcação que fizer no isopor vai resultar em uma cavidade, que ao entintar, não será visível na impressão. Isto é, a tinta só ficará na superfície plana.

Na figura abaixo se pode observar essa característica no resultado das impressões de testes. Entre os materiais usados para entintar, estão canetinhas hidrográficas, aquarela e marcadores Tombow.

Folha de testes

Ao ver os carimbos prontos, comecei a pensar nas composições que daria pra fazer usando eles. Como são móveis e podem ser entintados várias vezes, a variedade de resultados é infinita. Fora que o processo como um todo é muito divertido, e pode servir como ferramenta para atividades pedagógicas.

Resultados:

Exemplos de composições

Em relação aos materiais que usei pra colorir, o que mais deixou resíduo no papel foram as canetinhas hidrográficas. Para conseguir um bom resultado com aquarela, a tinta deve ser pastosa e com pouquíssima água. Não usei acrílica nem nanquim nos testes, mas pela experiência que tenho com essas tintas, recomendo que as matrizes sejam imediatamente lavadas após o uso, pois ao secar, podem impossibilitar o reuso dos carimbos.

A cabeça está a mil pensando em outras maneiras de usar os carimbos que fiz, novas cores, novos formatos... Vou inclusive escanear e transformar em brushes personalizados para usar no Photoshop, pois essa textura do isopor no papel ficou bem interessante.

Fico por aqui! Qualquer dúvida ou sugestão, sabe onde me encontrar.
Até a próxima! o/