Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta acrílica. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta acrílica. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de março de 2018

Tinta Acrílica - material que usei no painel de flores

Olá! No post anterior prometi fotografar os materiais que usei para fazer aquele painel de flores de capuchinha. Estou aqui para honrar o compromisso e explicar tudo direitinho pra você.

Para começar, vou falar um pouco sobre a tinta acrílica, que foi a usada na pintura. Diferentes das outras tintas mostradas aqui no Cappuccino, é um material com o qual não costumo trabalhar com frequência. Tinta acrílica, também ocasionalmente conhecida como tinta plástica, é uma tinta feita à base de resinas sintéticas da família dos polímeros. Suas principais características são a flexibilidade e elasticidade que dificultam o craquelamento ao longo do tempo, a rápida secagem, o efeito de brilho e, por último, não menos importante, não faz tanta sujeira quanto as outras tintas de secagem lenta.

Além das características citadas acima, a tinta acrílica também possui um valor de mercado mais baixo em relação as outras tintas, o que a torna bem acessível. Podemos encontrar desde tintas acrílicas voltadas ao uso escolar e/ou artesanato, até as de uso profissional.

Minhas tintas acrílicas.

A tinta que comprei pra experimentar foi a da marca Acrilex, na embalagem de bisnaga, nas cores: 320 - preto, 319 - titânio (que é o único branco que existe para tinta acrílica), 340 - amarelo de cádmio claro, 312 - vermelho cádmio e 348 - azul ultramar claro.

Materiais usados no painel de flores.

No painel todo usei apenas dois tamanhos de pincel chato da Keramik, 12 e 18. O papel foi um cartonado para embalagens, tamanho 48 cm x 66 cm. Comprei baratinho a embalagem com 20 folhas desse papel em uma loja distribuidora de materiais. Não é o melhor papel do mundo para pintura, mas escolhi pelo tamanho e preço.

Papel cartão - VMP Papéis

Recebo por e-mail pedidos de orientação/indicação de cores de tintas para comprar. Bom, quando o objetivo é estudar e aprender mais sobre um determinado material, eu aconselho sempre começar pelas cores básicas: amarelo, vermelho/magenta e azul; e se tiver possibilidade, levar preto e branco também. Essas são as cores que dão origem a todas as outras, então com capital reduzido e um pouco de paciência, você pode criar sua própria paleta por meio das misturas obtidas.

Misturas das cores básicas entre si.

Acima temos as misturas de partes iguais entre cores básicas, gerando cores secundárias. Alterando as quantidades de cada parte, ou então dosando os resultados com preto e branco, a quantidade de cores diferentes vai ser beeeem maior. Sobre combinação de cores e suas relações, recomendo ler este post que fiz sobre teoria da cor.

Quando fizer os testes, anote certinho a quantidade de tinta de cada cor utilizada em cada mistura. Isso vai ajudar a refazer suas cores caso acabem. No caso da tinta acrílica, por secar muito rápido, uso porções pequenas de cores e as refaço sempre.

Em relação à diluição da tinta, pode-se usar água ou médium acrílico (que é a resina acrílica). Quando diluída em água, a tinta tende a secar mais rápido, mas é possível conseguir efeitos de aguadas e velaturas. O médium deixa a tinta mais pastosa e densa, ideal para cobertura total do substrato.

Diferentes consistências da tinta acrílica.
 (Foto: Guia Completo Materiais e Técnicas, editora Martins Fontes, página 81)

Gosto bastante de preparar esses conteúdos para o blog. Apesar de ser um relato pessoal de experiência com tinta acrílica, espero ter ajudado aí quem está começando a se aventurar nesse caminho.

Se você já usa tinta acrílica ou tem alguma dúvida em relação ao material, podemos sempre trocar ideia nos comentários. Fico no aguardo!

Até logo! o/

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Tinta Acrílica - releituras de grandes mestres

Pegue um cappuccino e venha sentar aqui comigo para conversarmos sobre uns estudos que andei fazendo recentemente com tinta acrílica.

Prólogo
Um belo dia, passei por uma obra de Amadeo Modigliani no meu livro MASP de Bolso. A estética das obras desse artista me agrada muito, e eu acho super divertido como ele deixa as pessoas com pescoços compridos em seus quadros. Justamente essa característica me fez lembrar de um cachorro da raça galgo que conheci, e querer pintá-lo à Modigliani.

Cãozinho Athos à Modigliani. Tinta acrílica sobre papel, 29,7cmx42cn.

A princípio seria apenas um estudo, pois não usava tinta acrílica há bastante tempo. Mas o resultado agradou tanto, que quis transformar essa ideia em uma série.

Materiais, estilos e técnicas
Como o objetivo inicial era praticar pintura com tinta acrílica, me mantive exclusivamente nesse material. Até por comodidade de ser uma tinta que seca mais rápido e que proporciona um resultado imediato. Como substrato, usei papel para desenho no formato A3, de gramatura 180g/m². Na foto abaixo é possível ver o que tinha disponível em cima da mesa:

Pinceis de cerdas chatas, forminha de gelo que usei como godê, tubos de tinta e bloco de papel A3.

Em relação aos estilos e técnicas, isso vai depender da obra que eu for me basear para pintar. Cada artista possui um gestual diferente, e por isso pode ser necessário ir mudando a técnica de pintura para conseguir o efeito de cada estilo. Se eu for pegar um Da Vinci por exemplo, precisarei usar pinceis mais macios e trabalhar transição de cores por meio do esfumado; mas se eu pegar como referência um Picasso, as pinceladas serão mais marcadas e a transição de cores vai ser mais dura.

A doideira... digo, processo criativo
Para a segunda pintura da série escolhi misturar o Tocador de Pífano, de Manet, com uma calopsita. Estava trocando mensagens com amigas artistas enquanto folheava outro livro de arte, daí o nome da calopsita de uma delas apareceu na conversa, e logo imaginei o passarinho como uma obra.

À esqueda: Tocador de Pífano, Manet - À direita: Harley.

Após ter esse estalo, a primeira coisa que fiz foi esboçar o desenho no papel. Depois, tentando ao máximo copiar as pinceladas de Manet, fui destacando figura e fundo. Estudar as obras dos artistas é fundamental nessa parte, porque a gente consegue pegar uns detalhes mais aprofundados de como eles desenvolveram suas pinturas na época. Costumo consultar meus livros, mas existe muito material de qualidade e livros grátis disponíveis para leitura na internet!

À esqueda: esboço do desenho - À direita: primeiras camadas de tinta.

Me joguei nesse trabalho! O tempo passava e eu nem percebia. Em algumas etapas da pintura eu precisava esperar a tinta secar para pode trabalhar outras camadas por cima, como foi o caso do chapéu que pode ser visto na imagem abaixo:

Comparação de antes e depois dos detalhes na pintura.

Para produzir o efeito de que as penas da ave estavam passando na frente do chapeuzinho, primeiro pintei o chapéu, esperei secar e depois trabalhei a tinta branca por cima. Penugem e pelagem eu faço da seguinte forma: crio manchas de cor ocupando a área inteira, e depois, com um pincel mais fino, vou trabalhando melhor os detalhes.

Detalhe de antes e depois do rostinho da calopsita.

Um processo demorado e trabalhoso, que exige tempo e atenção, mas que no fim das contas é gostoso de fazer. O resultado foi este:

Pintura finalizada.

Conclusão
O que a princípio era um estudo acabou virando ideia para uma série. Óbvio que preciso aprender muita coisa ainda em termos de pintura, mas acredito que vou melhorar com a prática. Aliás, não tem pra onde fugir, né? Se a gente não pratica, não aprende, não evolui.

Se quiser saber um pouco mais sobre tinta acrílica, tenho alguns posts sobre o assunto aqui no blog, que você pode ler depois com calma. Por enquanto me conta nos comentários o que achou ou o que ficou faltando. Vamos trocar experiências!

Beijos, até a próxima! o/


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Como disse Van Gogh...

Há muitos anos atrás, depois que inventaram a fotografia, as artes começaram a se libertar um pouco do formalismo. Resumindo em poucas palavras, rolou o seguinte: o realismo a fotografia já faz, bora explorar coisas novas! E a partir daí os pintores começaram a estudar mais a física da cor, os novos materiais, novos formatos, variações de tempo, novas técnicas. Esse período inicial de mudança, conhecido como Impressionismo, ganhou meu coração.

Um dos artistas que admiro muito o trabalho, que infelizmente teve uma trajetória muito curta, é o holandês Vincent Van Gogh. Recomendo, inclusive, um filme biográfico chamado Com amor, Van Gogh (tem no Netflix). É bem interessante, principalmente pela técnica de animação usada para fazer o filme, que simula o estilo de pintura do artista do começo ao fim. #sóamor

Livro da coleção Grandes Mestres, da Editora Abril

Mas por que eu tô falando dele? Porque foi a partir de uma frase dele que tive ideia pra um estudo com lettering e tinta acrílica: "Coloquei meu coração e minha alma no trabalho e perdi minha mente no processo". Essa fala sintetiza não só os momentos de "insanidade" dele, mas como representa o nosso fazer artístico. Quantas vezes ficamos imersos num trabalho/projeto e nos desligamos do mundo?

Quando li a frase, pensei "preciso escrever isso". E, como uma coisa vai puxando a outra, passei a pensar em como escrever, onde escrever, para quê, essas coisas todas... Fui buscar inspiração relendo o livro que mostrei acima, e encontrei numa página o recorte de uma das obras mais famosas dele - Noite Estrelada (Ciprestes e Vila).

Detalhe de Noite Estrelada no livro.

Nós aprendemos a ler obras de arte na escola, e o exercício geralmente é acompanhado com um pedido de releitura. Quando estudamos História da Arte na graduação, esse exercício criativo dificilmente existe, e ficamos no processo teórico. No estudo de hoje tive oportunidade de praticar um pouco da teoria.

Longe de mim querer ser Van Gogh, ou ter pretensão de fazer algo igual ao que ele fazia, até porque o contexto (histórico, cultural, político, tecnológico, etc) é completamente outro.

Van Gogh usava tinta à óleo, e para a proposta que tinha em mente optei trabalhar com tinta acrílica, que como expliquei aqui no blog, proporciona efeito parecido. Depois de definir o material, escolhi o tamanho da área para trabalhar e fiz testes de composição com a frase - que preferi trabalhar em inglês.

Testes de composição e estilo das letras.

A ideia original seria dividir o A4 para fazer dois quadrinhos A5, nos quais um traria a releitura e o outro traria a frase escrita. Porém, pra conseguir dar ideia de continuidade, o ideal seria trabalhar com o papel inteiro e só depois cortar.

Tinta acrílica sobre papel offset 120g/m²

O processo me tomou completamente, fiquei imersa o tempo todo! Quando preenchi a área do papel que emolduraria a frase, confesso que senti uma leve tristeza em ter terminado. Foi uma experiência muito gostosa e que casou perfeitamente com meu lado ansioso.

Dos testes de composição para o texto, escolhi usar o que simulava a letra de Van Gogh. Para chegar nessa letra, dei uma estudada nas assinaturas do artista em suas telas a fim de entender o gestual dele ao assinar. O resultado pode ser observado na imagem abaixo.

Frase escrita com letra inspirada na assinatura de Van Gogh.

Fiz direto no pincel, misturando as cores em cada pincelada. Deu um trabalho danado, mas considerei o efeito que consegui bastante satisfatório para a proposta.

Detalhe da grafia.

Depois de ver pronto, fiquei numa dúvida se deveria fazer a composição com dois quadros A5 ou se manteria a peça inteira em uma moldura A4. Aceito sugestões.

Estou em dúvida sobre qual composição fazer.

Meu processo criativo não encerra aí. Acredito que compartilhar a experiência no blog também faz parte desse processo, e como tal, vai rendendo ideias novas e desdobramentos. Enquanto escrevia, pensei que poderia fazer uma série com outros quadros de Van Gogh, e também que valeria experimentar emoldurar frases de outros artistas seguindo seus estilos.

Você tem artistas preferidos? Quais são suas referências? Acredito que fazer uma visita a eles te proporcionará um dia bastante agradável. O que acha da proposta?

Até a próxima! o/

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Matiz, Saturação e Valor - folha de teste para materiais artísticos

Olá, arteiros!
No post de hoje tem utilidade pra quem gosta de pintar.

Sempre que compro tintas, opto pelas três cores primárias - azul ciano, amarelo e magenta -, mais preto e branco. Quando não encontro as cores básicas na loja, pego cores aproximadas e faço uma tabela de misturas para entender quais novas cores elas formam. (É possível ver as misturas neste post sobre tinta acrílica)

O tempo passou, fui pintando um monte de treco, e chegou o momento de repor meus tubinhos de acrílica. Só que a gênia aqui esqueceu de anotar a numeração de referência antes de ir pra papelaria, e chegando lá, escolheu "no olho" as cores. Conclusão: errei 2 cores das 3 que precisava comprar.


Em vez de comprar amarelo de cádmio claro, trouxe o amarelo limão; e no lugar de azul ultramar, veio o azul cobalto na cestinha. A compra foi feita há 2 anos, mais ou menos, antes dos tubos menores acabarem de vez. Mas sabe quando eu notei que comprei errado? Ontem!

Lá estava eu, animadíssima para pintar com as acrílicas, mas tive que parar tudo e testar as misturas para saber se a mudança nos tons afetaria muito a paleta a qual estava acostumada.

Uma nova folha de teste para download
Pensei em usar aquela tabela com o círculo cromático que disponibilizei aqui, mas como as cores que tenho de acrílica não são primárias, precisei fazer uma nova página de testes. Desta vez, uma em que eu pudesse explorar mais matiz, saturação e brilho das cores.




  • Matiz ou gama está relacionado ao espectro de cores, à variedade que nos é apresentada.
  • Quando acrescentamos branco ou preto em alguma cor, estamos alterando seu brilho/valor. Ao misturar branco para deixar uma cor em tom pastel, estamos, em "termos técnicos", aumentando o brilho/valor dela.
  • Para mexer na saturação, misturamos a cor com cinza. Quanto mais cinza, menos saturada a cor fica. Em outras palavras, cores saturadas são aquelas cores mais vivas, e cores menos saturadas são cores que parecem desbotadas.
Você pode visualizar e baixar a tabela de teste do Cappuccino clicando na imagem abaixo:


O arquivo em PDF é composto por 2 folhas, sendo a primeira delas a tabela vazia para imprimir, e a segunda, um guia de como utilizar corretamente a tabela.

Compartilhem com quem precisa
Todos os materiais disponíveis para download no Cappuccino são de minha autoria, gratuitos e de venda proibida. Faço isso para que o conhecimento artístico (teórico e prático) possa alcançar cada vez mais pessoas, ajudando no crescimento da nossa comunidade. 

Sendo assim, fique à vontade para indicar para seus amigos artistas! \(^_^)/ 
A sua opinião nos comentários deste post também é muito bem-vinda. 

Bons estudos e até a próxima! o/

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Tinta à óleo

Agueeeeenta, coração, que esse dia chegou! Cappuccino com tinta à óleo, finalmente.

Vou mentir não, como minha rinite ataca até com "bom dia", evitei usar a tinta à óleo o máximo que pude durante a vida porque tinha medo do fato de ser uma técnica que precisa do uso de solventes e óleos com cheiros fortíssimos.

E estava super feliz com meus estudos somente nas tintas à base de água - aquarela, guache, acrílica - até que um belo dia:

Promoção na papelaria! Caixa com 8 tubos de tinta à óleo, 50 pau! hahahaha

Sem brincadeira, a tinta ficou aqui em casa 1 ano sem eu nem encostar na caixinha. Aí um dia desses, arrumando meus materiais, vi que o vencimento era tipo, ano que vem! rs Desesperei e saí caçando tutorial no YouTube.

A tinta à óleo
É uma tinta encorpada, vendida em bisnagas, e como o nome sugere, composta de pigmento + óleo. Isso quer dizer que em vez de misturar com água, a gente precisa misturar óleo (geralmente óleo de linhaça) ou solvente para diluir.


Os pigmentos da tinta são normalmente compostos por metais pesados (titânio, cádmio, cobalto). Lembra das aulas de química e da tabela periódica que servia só de enfeite na sala de aula? Pois bem... Você, jovem aspirante a artista, que escolheu humanas porque odeia química, física e matemática, sinto dizer que usamos tudo isso em artes também.

Se liga: se você quer um tom de verde pastel na sua pintura, vai precisar mistura um azul cobalto com amarelo cádmio e branco de titânio. BUUUUM! Explodiu. hauahau brincadeira, não explode, mas é bem tóxico.

Solventes
Pra minha sorte, hoje em dia já vendem solventes sem cheiro e que não são tão fortes e tóxicos quanto uma terebentina ou um querosene da vida. Inclusive, num post antigo sobre pastel oleoso, cheguei a usar aguarrás pra um estudo e nunca mais pretendo repetir o experimento.


Claro que o fato de não ter cheio forte não anula a toxidade de um solvente. Procure sempre estar num ambiente bem ventilado, e de preferência com máscara e luvas, pra evitar inalação e contato direto com essas substâncias. Se você for uma criança, adicione "supervisão de um adulto" a essa lista de segurança.

Equipamento de segurança
Perdi a conta de quantas vezes usei a palavra "tóxico" neste post. Mas assim, gente, não é pra ficar com medo também não, tá? A tinta à óleo é uma das mais recomendadas para quem tá querendo começar a pintar, basta ter um cuidadinho especial.


Como eu sou muito estabanada, preciso ficar alerta o tempo todo pra não coçar o rosto com mão suja de tinta, ou me policiando pra não colocar cabo de pincel na boca. Ainda não precisei usar luvas, pois até tenho lembrado de lavar as mãos imediatamente quando encosto na tinta, mas tenho usado máscara e avental (ou uma roupa que não tem problema sujar) quando vou pintar.

Pinceis
Use os piores que tiver em casa, porque vai dar muita dó de usar pincel bom. Aqui eu separei os mais velhos, os desgastados e os mais baratinhos pra poder aprender a pintar, porque a limpeza com solvente estraga as cerdas fácil!


Pra não danificar tão rápido, aprendi a tirar só o excesso de tinta com o solvente e depois lavar o pincel com água corrente e sabão neutro em barra.

Tela, papel ou madeira?
Sei lá! XD
A tinta à óleo pode ser aplicada em qualquer um desses suportes, contanto que você faça uma preparação da superfície antes. (Já deu preguiça, né?) E eu aprendi da pior forma possível!

Estou usando sobras de papel paraná pra testar.

Essa foi a primeira pintura com tinta à óleo DA VIDA! Tive dificuldade no processo porque o papel absorvia a tinta toda, eu não conseguia espalhar, as cores não misturavam do jeito que eu imaginava... Já estava quase desistindo.


Foi aí que descobri um tal de "gesso acrílico" que é usado pra fazer essa preparação da tela/ papel/ madeira. Comprei um pote de um troço chamado "base acrílica". Não sei se dá no mesmo, mas até agora serviu bem pros meus outros testes.

A imagem abaixo foi o meu segundo teste, já preparada com duas demãos da base acrílica: 


Como a base impermeabiliza o papel, consegui deslizar melhor com pincel e aplicar a tinta mais facilmente. Mudou completamente a minha experiência e passei a gostar mais!

Tempo de secagem
Diferente das tintas à base d'água, óleo leva alguns dias (semanas, até meses) para secar. Isso permite a gente trabalhar com calma na pintura, fazendo um pouco a cada dia, pois com a tinta fresca, podemos modificar uma coisa ou outra se precisar.

Porém, todavia, entretanto (minha amiga Joyce vai rir lendo o começo deste parágrafo), para alguns efeitos de pintura, será preciso esperar a tinta secar completamente antes de trabalhar novas camadas por cima.

É possível acelerar o processo de secagem adicionando produtos à tinta. Mas eu já comprei um monte de coisa e não pretendo gastar mais grana com isso não. A tela vai demorar um ano secando se precisar!

Conclusão
Tô apaixonada né... foi inevitável. Um dia esse encontro teria que acontecer.

Sigo assistindo vídeos no YouTube pra aprender técnica e tentando praticar sempre que possível. A sala da minha casa tá uma loucura, mas tô amando. Quanto mais a gente "sente na pele" o quanto dá trabalho pintar um negócio, mais valor damos pra quem faz isso bem.

Obrigada pelo seu tempo e paciência para ler este post imenso. Agradeço também se puder me dar dicas nos comentários. <3 Toda troca de experiência é bem-vinda.

Fiquem bem. Até a próxima! o/

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Estudos com paleta reduzida

Sobre paletas
No contexto artístico*, chamamos "paleta" o conjunto de cores disponíveis para executar um trabalho. Podem ser tanto as cores que vão ser misturadas entre si, quanto cores já misturadas e selecionadas previamente. Também chamamos de paleta aquele instrumento de madeira ou acrílico no qual as tintas são dispostas.


Às vezes a paleta de um artista** acabam funcionando como uma espécie de assinatura de suas obras!

O que é paleta reduzida?
Na semana passada, durante algumas pesquisas que vinha fazendo, achei o canal da Escola de Belas Artes da UFRJ no Youtube e acabei assistindo a algumas todas as lives gravadas sobre composição pictórica e pintura. Numa dessas aulas aprendi sobre "paleta reduzida" e fiquei impressionadíssima. Talvez para um estudante do curso de Artes isso não seja novidade, mas para mim foi como se um horizonte inteiro de novas possibilidades tivesse aberto diante dos meus olhos.

EBA UFRJ - Live de ensino remoto, professor Licius Bossolan
(paleta reduzida a partir de 01:40:21)

Aprendemos na teoria da cor que a partir das cores primárias (amarelo, magenta e do azul) podemos formar toda uma variedade de matizes, e adicionando branco ou preto a essas misturas, conseguimos criar ainda mais tons. Temos aí então uma paleta básica composta por 5 cores: 3 cores primárias + 2 (preto e branco). Mudando o tom de alguma dessas cores primárias, as misturas podem se tornar únicas e diferenciadas. 

Na paleta reduzida vista na aula, aprendi que conseguimos chegar a um espectro semelhante aos resultantes das cores primárias misturando apenas 3 cores: vermelho terroso, amarelo ocre e preto.


Quando falamos de espectro, estamos nos referindo à sensação de cor que nossos olhos captam por meio do reflexo da luz. Observe que no disco acima, a cor preta vibra para a casa dos azuis, e quando misturado ao amarelo ocre, acaba causando uma sensação de verde. Física ótica purinha, gente!

Meus testes
Empolgadona, acabei fazendo vários estudos de paleta reduzida, usando três mídias diferentes: tinta à óleo, aquarela e tinta acrílica.




O de tinta à óleo (imagem acima) foi feito no papel mesmo, com tinta da marca Acrilex. A coisa foi ficando tão interessante ao meu ver, que no final arrependi por não ter feito em tela. Acho que vou refazer em algum momento.


Em seguida, fiz com aquarela. Apesar da gente entender que o princípio ocorre com qualquer material, eu queria ver com meus próprios olhos o resultado das misturas. Usei tinta aquarela da linha Pentel Arts sobre papel específico para técnicas aguadas, 300g/m².


Talvez o mais polêmico tenha sido esse com tinta acrílica, um estudo de folhagem em "monocromia" de amarelo sobre papel. Usando apenas amarelo (Corfix), preto e branco (Acrilex) consegui efeitos visuais de tons verdes bem intensos. A polêmica em cima disso é que, de acordo com a teoria da cor, os verdes são obtidos por meio da mistura de amarelos e azuis.

Se quiser ver mais detalhes, postei os resultados no meu perfil do Instagram.

Curiosidades
A teoria da cor que estudamos hoje em dia só foi publicada por Goethe no início do século XIX.

Em tempos passados, pintores do renascimento e do barroco faziam seus tons de verdes e violetas a partir dos efeitos óticos que o pigmento preto proporciona ao ser misturado com ocres, brancos e vermelhos. 

O pigmento azul já foi muito caro, pois era feito a partir de uma pedra preciosa chamada lapis lazuli. Sendo assim, apenas nobreza e clero tinham grana o suficiente para bancar pinturas que levavam essa cor.

Com o passar do tempo, novos materiais foram sendo descobertos para extrair pigmentos azuis, como cobalto, cobre...e também pigmentos sintéticos livres de metais, como é o caso da ftalocianina.

Para quem interessar, deixo outra sugestão de aula:

EBA UFRJ - Análise de formação da pintura "A Ponte de Pedra", de Rembrandt.

No vídeo, o professor explica como teria sido o processo de composição pictórica do artista barroco Rembrandt para a paisagem "A Ponte de Pedra".

Dever de casa
Quem sou eu pra passar dever de casa?! Mas gostaria muito de sugerir que vocês façam o estudo de paleta reduzida, ou que testem seus materiais para explorar quantas misturas diferentes podem fazer com o que existe aí na sua casa. Vai ser surpreendente, tenho certeza!

Bons estudos e até a próxima! o/

-----------------
* - artístico aqui se refere a qualquer atividade ou ofício que envolva o uso de técnicas artísticas: design, arquitetura, ilustração, artes plásticas etc.
** - artista, portanto, também pode ser lido como qualquer pessoa, profissional ou não, praticante de atividades do meio artístico.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Porta-pincel do Van Gogh

Os materiais de desenho e pintura andaram se multiplicando aqui em casa e recentemente precisei investir na compra de alguns itens para ajudar na organização. A fim de baratear as despesas, optei por fazer um tour e quase me perdi numa dessas lojinha de artigos em MDF para artesanato e garimpar itens que fossem uteis para o que eu precisava. 

Meu objetivo era ter uma caixinha com divisórias em que eu pudesse colocar pinceis e tintas em uso, para que elas ficassem separadas das demais enquanto o trabalho estivesse em desenvolvimento. Desta forma, eu não teria dificuldade em abastecer o godê ou lembrar quais pinceis pegar a cada sessão de pintura. 


Na loja de artigos em MDF encontrei esse objeto (imagem acima) que chamam de "porta-controle remoto", mas assim... tem esse nome, mas na real dá pra colocar o que você quiser! XD Então comprei 2 e decidi personalizar para ficar com cara de item artístico! rs.

A primeira coisa que fiz foi retirar o pó de madeira e poeira usando uma trincha de cerdas macias. Depois desencaixei as divisórias e usei tinta PVA preta para pintá-las.


Também pintei o interior da caixa de preto e achei que ficou bem legal assim. Em volta da caixinha passei a base acrílica, pra deixar preparado pra receber tinta depois.


As cerdas do pincel estão pedindo socorro, gente! Mas esse já é um pincel que uso apenas para serviços assim, mais brutos. Heheheh!

Para personalizar as laterais da caixinha, busquei inspiração nos meus livros de arte. A princípio me ocorreu pintar cada face dela com uma obra diferente de artistas diferentes; depois pensei que ficaria legal fazer obras de um mesmo artista; e por último, folheando revista com obras de Van Gogh, pensei que talvez ficasse interessante trabalhar a mesma pintura dando a volta na caixa. Escolhi "A noite estrelada", super famosa e uma das minhas favoritas!


Usei tinta acrílica para pintar (as que tenho são as bisnagas das marcas Acrilex e Corfix). Fiquei com preguiça de pegar o medium acrílico pra retardar a secagem da tinta e tive dificuldade em alguns momentos, precisando refazer misturas com mais frequência no godê (prato de isopor). Não sei até que ponto interfere, mas a umidade do ar estava bem baixa neste dia. =P

O resultado foi este:


Querendo aproveitar o restante da tinta no godê, inventei moda na parte inferior da caixa, pintando outra obra de Van Gogh. Desta vez, um dos seus autorretratos.


Van Gogh chateaaaado! Hahahahah! Tenho outra caixinha aqui esperando pra receber um carinho, mas ainda não decidi o que fazer.

Estou feliz com o resultado e feliz por meu cantinho de arte ficar cada vez mais especial. Espero que este post te inspire. 💖

Até a próxima! o/

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Praticando Lettering

Hello!
Encostei as produções pessoais para me preparar pra seleção de mestrado, por isso o blog ficou sem atualização por um tempo. Infelizmente até agora não obtive resultado positivo dos meus esforços. Nesse meio tempo também peguei uns trabalhos pra fazer, mas como eles não foram divulgados, ainda não posso mostrar o resultado aqui.

Nos últimos dias fiz alguns estudos pessoais com lettering novamente. Depois da febre "vintage" na área do design, os serviços de lettering são os queridinhos da vez! Quadros personalizados com uma frase bacana, painel de giz, pinturas em paredes, estampas de camisa - o lettering está bombando!

A saga continua...

Acho lindo e conheço muita gente talentosa trabalhando com isso no mercado. Em todos os posts anteriores sobre o assunto, deixei bem claro que era total fora da minha zona de conforto e que eu tinha vontade de exercitar mais esse lado. Pois bem, cá estou super orgulhosa por conseguir fazer algo decente pra mostrar.

Além do conteúdo disponível na internet para os interessados, existem livros muito bons sobre tipografia e desenhos com giz. Ganhei um livro bem legal sobre "chalk lettering" - letreiramento com giz de quadro negro - que mostra vários exemplos do que se pode ser feito, e quais materiais usar.

Livo muito massa! Vale a pena ter em casa.

O livro está em inglês, mas quem tem dificuldade no idioma não precisa se preocupar, pois ele é todo ilustrado e mostra passo a passo da construção de tudo. Além disso, ele também traz alguns exemplos de estilos de letras para dar uma ajudinha. 

Páginas internas.

Quando tenho oportunidade, gosto de presentear as pessoas com algo feito por mim. E foi numa dessas de presentear que acabei retomando os estudos em lettering.

O primeiro quadrinho que fiz foi para o quarto da minha sobrinha, que na época ainda estava na barriga da mãe. Aguardava ansiosamente a chegada dela e fiz com o coração cheio de amor:

Ideogramas de cima para baixo: verdade, razão e beleza.

Usei o estilo de caligrafia japonesa para escrever os ideogramas que formam o nome dela. O galo no fim do nome representa o ano que ela nasceu (2017), e consequentemente, seu signo no horóscopo chinês.

Os estudos desta semana foram mais "ocidentais" e inspirados no livro que mostrei lá no começo do post. Gastei muito papel e caneta para conseguir definir a composição dos elementos. Ainda não consigo fazer com tanta confiança, então preciso fazer diversos testes antes de pôr a mão na massa de verdade. 

Rascunhos da semana

Para transferir o rascunho para o papel definitivo, usei mesa de luz. Não tenho aquelas canetas coloridas opacas (tipo Posca), então estou usando tinta acrílica, aquarela e nanquim. Por ser tudo feito com pincel, o processo é bem demorado, pois qualquer erro de precisão num traço ou um respingo de tinta no lugar errado pode por tudo a perder... e ter que começar do zero!

O resultado:

Acrílica e aquarela sobre papel.

O quadrinho azul também é presente para amigos queridos que aguardam a chegada da cegonha. Já o quadro laranja é um estudo pessoal. Os bonecos redondos são Daruma - amuletinhos para realizar pedidos e trazer boa sorte pra casa. Ainda não sei o que vou fazer com eles. =P

Em relação às experiências anteriores, acredito estar fazendo progresso e sigo otimista. Você pode rever estudos anteriores clicando aqui. Se tiver alguma sugestão, inclusive, um comentário será super bem-vindo.

Até a próxima! o/

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Como limpar os pinceis

Pintar é uma delícia! Mas uma parte do processo que muita gente ainda peca é na limpeza dos materiais após o uso, principalmente os pinceis. Às vezes por preguiça (quem nunca?), ou por não saber o modo mais adequado pra fazer isso.


No post de hoje vou mostrar como limpo os meus pinceis no dia a dia. É um processo bem simples e que, salvo uma peculiaridade ou outra, funciona para qualquer tipo de tinta. Vamos lá?

Você vai precisar de:
- sabão neutro em barra ou detergente neutro;
- água corrente;
- esponjinha velha;
- papel toalha ou flanela;
- limpa pincel ou pente modelador (opcional).

Como fazer?
Para começar, você precisa tirar o excesso de tinta do pincel usando um pedaço de papel toalha, papel higiênico, ou paninho. Isso vai ajudar a poupar sabão e esforço na hora de lavar as cerdas. Depois, retire um pedaço de mais ou menos 1cm da barra de sabão e guarde o restante.


Esse processo funciona para qualquer tipo de tinta, mas se você estiver utilizando tinta à óleo, recomendo que, depois de tirar o excesso com papel, passe o pincel no solvente para soltar ainda mais o resíduo que fica nas cerdas.


O solvente que uso pra tinta à óleo é o Ecosolv Acrilex. Coloco um pouco dentro de um potinho de vidro com tampa pra ir usando enquanto estou pintando. A tinta que sai das cerdas vai decantando no fundo do pote de vidro, deixando o solvente limpo por cima. Dá pra reutilizar o solvente várias e várias vezes desta forma.

Se você estiver usando aquarela, guache, nanquim ou tinta acrílica, use água em vez de solvente nessa etapa. Mas atenção: jamaaaaais deixe o pincel "de molho" no copo com água! Isso estraga o cabo (que muitas vezes é feito de madeira) e pode fazer o ferrolho (parte de metal) soltar.


Continuando... Umedeça o pincel e esfregue as cerdas no sabão neutro, fazendo movimentos circulares. Você vai ver que a tinta soltará na espuma do sabão. Em seguida você pode "massagear" a cerdas para limpar, ou passá-las em um limpa pinceis (objeto verde na imagem acima).

Algumas pessoas não gostam de usar limpa pinceis porque dizem que pode danificar as cerdas. Particularmente, não vejo problema algum. É só ter cuidado, passar com delicadeza e muito amor.


Enxague as cerdas do pincel em água corrente e repita o processo até a espuma ficar sem tinta. 

Lembretes: algumas tintas endurecem e se tornam impermeáveis ao secar, como é o caso do nanquim e da tinta acrílica. Lembre de sempre lavar os pinceis imediatamente após o uso, para não correr o risco de estragar.
 

Como tenho o péssimo hábito de colocar pincel na boca e fazer a maior lambança segurando as coisas com a mão suja de tinta, também faço a limpeza de ferrolho e cabo do pincel. Para isso, uso uma esponjinha velha, com o lado abrasivo pro ferrolho, e o outro lado para o cabo. 

Evite usar o lado abrasivo para limpar o cabo, pois pode acabar apagando as informações impressas nele, como modelo, número e material que a cerda é feita.


Feito tudo isso, é só secar bem o pincelzinho com papel toalha ou flanela e pronto. Seu pinceis ficarão limpos e podem ser usados novamente.

Concluindo
Vai dar preguiça? Vai sim. Mas é extremamente importante cuidar bem dos pinceis para que tenham uma longa vida útil. Fora que alguns modelos custam os olhos da cara, e quando estragar vai bater aquela dor no coração... Ai, ai!

Se você está chegando agora no mundo da pintura, recomendo ler meu post sobre pinceis, no qual explico alguns dos tipos que existem, e indico modelos para ajudar sua experiência.

Tem alguma coisa que você faz de diferente para limpar e conservar seus pinceis? Compartilha aqui nos comentários. 

Até a próxima! o/