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sexta-feira, 26 de abril de 2024

Apontador de manivela!

Amores do meu coração, sinto que fiz um dos melhores investimentos da vida: comprei um apontador de manivela para dar conta das pontas dos meus lápis aqui no ateliê.

Tenho um pote de plástico, desses de armazenar alimentos, no qual guardo uma porção de lápis de cor de linha escolar, pra uso geral. São várias marcas diferentes misturadas (Faber, Leo e Leo, Tris, etc) e quando a ponta de um deles está gasta, certamente encontro outro da mesma cor com a ponta inteira pra usar. 

Certo dia, resolvi pegar esses lápis para apontar e acabei quebrando TODOS os apontadores que tinha em casa. Não sei se a madeira dos lápis já está dura (são bem antigos) ou se era o plástico dos apontadores que já estava ressecado... 

Quatro velhos de guerra... Ao todo foram 6 embora no mesmo dia.

Só sei que fiquei na mão e acabei pedindo socorro no Instagram, pra ver se alguma boa alma me indicava um bom apontador. Daria pra usar estilete, que é o que eu geralmente  uso pra apontar os lápis de desenho, mas imagina apontar uns 100 lápis com estilete!! 

A princípio pensei em comprar algum apontador de metal, mas o Gabriel Mugi me recomendou comprar um de manivela e fiquei intrigada. 

Colei uns olhos nele pra ficar mais bonitinho.

O modelo que comprei foi esse da foto acima, Easy Office da Spiral. Paguei uns R$80 na loja Kalunga, com muito receio de ser um valor alto e não compensar tanto, mas olha... que investimento! Acho que nunca mais vou precisar comprar apontador na vida!

Funciona assim: a gente puxa duas travas (onde colei os olhos), puxa a bandeja metálica pra frente e encaixa o lápis nesse buraquinho. Depois é só ir girando a manivela até ela perder a resistência, puxar as travas novamente, e retirar o lápis.

Uma ponta de respeito, né não?!

Quando a gente segue essa orientação de girar a manivela até perder a resistência, o apontador "come" uns 2cm de lápis. Fiz o teste e, girando 3 ou 4 vezes, já é possível conseguir uma senhora ponta! O mecanismo interno é composto por uma espécie de cone com 3 espirais giratórias de metal que vão raspando a madeira do lápis. Essas raspas caem numa gavetinha e a gente pode descartar depois.

Foto da caixa de lápis com algumas pontas feitas e outras não.

Além dos lápis de cor, aproveitei pra apontar todos os outros lápis em casa: os de escrever, os de desenhar. Me diverti horrores! Até aqueles lápis de qualidade duvidosa o apontador dava conta.

A "desvantagem" é que esse é um apontador de mesa, ou seja, não cabe num estojo. Foi feito pra ficar paradinho lá no canto dele pra ser usado quando precisar. Então acabei comprando também um apontadorzinho de metal, pequenino e com dois tamanhos de buraco, pra ser fácil de levar em passeios e viagens.

Conclusão
Entendo que não é todo mundo que pode dar 80 pila num trem desse (eu mesma fiz isso chorando), mas achei que o investimento valeu à pena. Se a sua realidade de artista demanda usar lápis de cor com frequência, pode ser uma boa ter um desse em casa/ateliê. Mas se a sua rotina não é a de usar esse material, um apontador escolar mais resistente ou de metal já vai te atender bem.

É isso, querides! Até a próxima o/

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Eureka! Trouxe uma novidade!

É com muita alegria que compartilho aqui com vocês uma novidade incrível: a Eureka - ateliê de encadernação artesanal - e eu fechamos uma parceria para produção de caderninhos de bolso com capas da coleção Bichos Protagonistas de Obras de Arte. \o/


Tá sendo a minha primeira experiência com lançamento de produto de papelaria criativa, mas como entendo desse segmento pelo lado artista consumidora, fiz o máximo para trazer pro mercado em parceria com a Eureka um caderno com qualidade para quem gosta de desenhar. De artista para artista!

O que é a série Bichos Protagonistas.

Para quem ainda não conhece, Bichos Protagonistas de Obras de Arte é uma série de releituras que fiz, em tinta acrílica sobre papel, de obras pictóricas de grandes nomes da História da Arte. Foi uma forma divertida que encontrei para despertar nas pessoas o interesse pelos vários estilos e movimentos artísticos. No total são 6 pinturas (e eu tenho prints A4 ou A3 disponíveis pra venda):


Para a Eureka, disponibilizei 3 opções de capas: Athos à Modigliani; Calopsita Tocadora de Pífano; e O Beijo dos Gatinhos.

Cadernos de bolso Eureka - especificações


Os caderninhos de bolso são feitos um a um, costurados à mão com todo o cuidado, e são práticos para transportar porque medem 11,5cm x 16cm. Eles têm capa em textura de tela, fechamento com elástico colorido e miolo com 64 páginas em papel Pólen Bold 90g/m². 


Para quem não conhece, o Pólen é um papel não revestido da cor amarelo creme, de superfície porosa com textura gostosinha de correr o lápis; como foi projetado para livros, é super confortável para visão também!

Recomendo muito para usar como sketchbook mesmo, rabiscando livremente! Dá pra trabalhar nele com lápis grafite, lápis de cor e canetas nanquim. O papel Pólen aguenta moderadamente outras técnicas com tinta também, como guache, tinta nanquim, tinta acrílica, e marcadores à base de água. Eu fiz teste de resistência para aquarela, mas como é muito poroso, o espalhamento da tinta - se aguada demais - fica comprometido e pode vazar do outro lado do papel, além de enrugar e tal.

Como adquirir os sketchbooks de bolso


Os caderninhos podem ser adquiridos individualmente ou o kit com trio de capas na loja Eureka:



Aproveitando a promoção de aniversário do ateliê, todas as compras acima de R$50 feitas em agosto/2023 têm 12% de desconto usando o cupom EUREKA12. Então aproveite para garantir logo os seus economizando uma graninha.

Estou muito feliz e empolgada com essa oportunidade de parceria e espero que vocês gostem de usar os caderninhos. Se tiver alguma dúvida sobre o produto, pode deixar um comentário aqui na postagem ou enviar um e-mail que eu venho responder. <3

Ótima semana, pessoal! Até a próxima! o/

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Micromundo

Olá! Passe o protetor solar, porque hoje vamos caminhar no jardim procurando cenários para os mundinhos em miniatura.


Tenho postado várias ilustrações recentemente com esse tema, afinal de contas, fantasia é um gênero que adoro e acaba sendo aquela "zona de conforto" quando o bloqueio criativo bate, sabe? Porém, apesar de ser confortável, muitas vezes não é nada fácil elaborar uma composição e acabo angustiada do mesmo jeito.

Neste post vou mostrar um truque que pode ajudar a vencer a tela/ o papel em branco. E, pasmem, está aqui no jardim! Heheh!

Você certamente tem alguma plantinha perto de você neste momento. Seja no quintal, no jardim, no vasinho de suculenta na janela da área de serviço, ou no capim que cresce na calçada da rua... Todos esses cantinhos com mato são cenários em potencial para se desenhar micromundos.


Fiz esse compilado de fotos no jardim do condomínio. Não é a foto do jardim em si, mas são detalhezinhos de plantinhas aqui e ali. Tá entendendo onde quero chegar? Então pegue seu material de desenho e venha!


Pode tirar foto e voltar pra dentro casa, ou fazer o exercício de desenho no local mesmo, repondo a vitamina D. Foi o que eu fiz, inclusive! Fiquei lá me contorcendo no jardim do prédio pra ver e desenhar direitinho as plantas, até ficar com vergonha dos vizinhos me olhando, curiosos.

Uma coisa que eu adoro no desenho artístico é que ele não tem o compromisso de ser fiel à realidade. A gente pode inserir ou apagar elementos da imagem de referência sem culpa!


Depois de desenhar apenas aquilo que considerei interessante para o cenário, coloquei personagens: um duende (possível heróis da história); um vagalume (seu fiel escudeiro); e um sapinho espreitando perigosamente. Em seguida, com o rascunho pronto, fiz as linhas de contorno para arte final e comecei a preencher os espaços com cor.


O fundo fez toda a diferença na ilustração! Além de deixar o cenário mais profundo, as silhuetas das plantas criaram uma atmosfera mais sinistra para a narrativa. Eu amei, porque a ideia era justamente deixar a presença de um sapo ali o mais dramático possível!


Próximo passo, iluminação. Além dos detalhes das plantinhas, fui colocando sombra e luz no ambiente. Como tenho um vagalume em cena, precisei me preocupar com a luminosidade emitida por ele também.

O traseiro do vagalume foi a cereja do bolo e a ilustração ficou assim:


A parte mais difícil é sempre o começo, né? Mas aí a gente vai rabiscando e se empolgando... até sair algo. O que você acha desse tipo de exercício para a criatividade? Toparia fazer?

Vou encerrar por aqui, deixando a proposta para que procurem um vasinho de planta aí em casa e façam a experiência de usar como cenário de um mundinho, com personagens fantásticos. Me conta se fizer, vou amar saber o resultado!

Até a próxima! o/

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Raio Disneyzador

Oi, gente!

Recentemente assisti a uma série na plataforma Disney + chamado "Sketchbook - Do Esboço à Realidade". É uma espécie de documentário "desenha e fala" que apresenta ilustradores que trabalham nos estúdios de animação. Cada episódio tem uns 20 minutinhos de duração, com o profissional falando sobre sua trajetória enquanto desenha um dos personagens da franquia.


Sempre curti assistir outros artistas desenhando ou pintando, pois consigo aprender muito só de olhar o processo criativo deles. O que cada um faz de especial, os materiais que usam, como resolvem determinado problema no desenho... Isso tudo a gente observa e vai arquivando na nossa cabeça e lá na frente acaba resgatando essas informações quando precisamos.

Ouvindo as histórias, me emocionei em vários momentos. Quem desenha acaba tendo experiências bem parecidas em algum momento da vida. Se você que está lendo este post também é artista, com certeza vai se lembrar de ter desenhado exaustivamente um personagem favorito de algum filme, ou daquela vez que ganhou um material de arte que não era parte da lista dos materiais da escola, ou então por ter conseguido fazer amizade com alguém por ser a criança que desenha.

Para quem não é assinante da plataforma, eu vou deixar outros vídeos que estão no canal "Walt Disney Animation Studios", no youtube. Nesses vídeos podemos aprender a desenhar alguns personagens com as pessoas que trabalham lá, como Mark Henn, por exemplo, animador da Pequena Sereia, Simba, Princesa Jasmine etc.



Vou deixar aqui também o link para a playlist com vários outros vídeos desenhando personagens


E que "raio" é esse que você colocou no título, Nane?
Ah, sim! Bom, fato é que, depois de assistir uma porção de vídeos, fiquei empolgadíssima e acabei fazendo alguns estudos pessoais pra exercitar esse estilo Disney, usando os amigos e eu como cobaias modelos.


O desenho acima foi o resultado da experiência. Fiz digitalmente, simulando lápis no app Procreate. Tem sido difícil encontrar tempo entre os trabalhos para estudar e praticar coisas novas, então fiquei feliz de ter conseguido desenvolver esses rascunhos durante os intervalos de descanso.

E por hoje é só. rs
Queria muito compartilhar os vídeos e, quem sabe, empolgar vocês também.

Beijos, e até a próxima! o/

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Academia Arcana

Olá, arteiros! Hoje venho com uma dica de livro para vocês.

No começo deste ano tive a oportunidade de trabalhar como ilustradora para um projeto de livro de RPG da Editora Chá chamado Academia Arcana, de autoria de Jordan Palmer. Trata-se de um jogo de interpretação ambientado em escolas de magia, com muitos mistérios a serem solucionados.

A versão brasileira, além das ilustrações originais de Abigail Wells, conta com imagens inéditas (desenhadas por esta que vos escreve) numa pegada mais condizente com a realidade escolar aqui do país, incluindo também alguns seres fantásticos da nossa cultura popular.




O livro foi lançado no evento de games Diversão Offline e está à venda na loja da editora nos formatos físico e digital. Um prato cheio para quem gosta do mundo da magia!

Espero que gostem!
Abração e até a próxima! o/

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Blue Period

Feliz Ano Novo, leitores!
Como vocês estão?

Nosso 2022 começou e espero que seja um ano infinitamente melhor do que os anteriores. A pandemia ainda está mexendo muito com a minha saúde mental e, consequentemente, afetando minha produção artística. Precisamos de ânimo (e todas as doses da vacina) para não deixar a peteca cair, certo?

Quero trazer pra vocês a dica de um anime que comecei a acompanhar no Netflix: Blue Period. Tem tudo a ver com nossa vida de artista e sobre como é importante ter uma produção constante, fazer exercícios, buscar inspiração... Tô curtindo horrores!


A animação conta a história de Yatora, um colegial que se apaixona por arte às vésperas de decidir qual caminho seguir após se formar no ensino médio. Apesar da temática, o anime não dá ênfase ao ambiente de sala de aula, e nos dá a chance de acompanhar a rotina de Yatora do lado de fora do colégio.

Os episódios saem semanalmente aos sábados e já deve ter mais de 10 disponíveis na plataforma, caso alguém queira maratonar.

Aviso aos mangazeiros:
Existe o mangá também!!! Está sendo publicado no Japão pela Kodansha desde 2017, mas não sei se alguma editora trouxe ou tem planos de trazer para o Brasil. Se você souber, deixa a dica nos comentários, por favor. 💙


Desde Bakuman eu não sentia uma ligação tão forte com a história de algum anime/mangá. Quando toca a musiquinha de abertura então, meu coração acelera de um jeito inexplicável.

Me conta se gostou do anime também.
Boa semana, galera! o/

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Catálogo de cores dos marcadores

Ei! Tudo joia?
Postei alguns desenhos com marcadores nas redes sociais, e me perguntaram sobre as etiquetas de papel com graduações de cor que aparecem nas fotos. Hoje vou falar um pouquinho sobre elas e ensinar a fazer.


Eu fiz essas etiquetas de papel para organizar as cores dos marcadores que tenho no meu pote, igual catálogo de cor em lojas, sabe? 

Nunca tive uma Copic na vida, mas consegui juntar uma porção de canetinhas de marcas diferentes, e por várias vezes eu ficava perdida tentando saber quais cores combinavam, quais tons funcionavam melhor pra uma sombra...


Peguei papel de gramatura alta e fui recortando retângulos de 3cm de largura por 6cm de altura. Usei sobra de papel que tinha guardado aqui, mas pode fazer com o papel que preferir e com o tamanho que quiser. O truque é ter um furinho no centro superior de todos eles para você colocar uma argola ou um arame de pacote de pão mesmo. Acho mais prático até!

Depois, é só passar seus marcadores nos pedacinhos de papel e escrever as especificações de marca e numeração de cada cor no verso. 


Optei por deixar cada etiqueta separada por tons de uma mesma cor. Então eu posso ter marcas diferentes numa mesma tira, sem problemas. Soltando do arame/argola, consigo distribuir as cartelas lado a lado na mesa e ir formando paletas pra um desenho.


Bolei esse esquema pra resolver meu problema com os marcadores, mas acho que funciona para qualquer material que você tiver em casa. Fora que é muito charmoso pra fotografar ao lado do desenho também rs.

Gostou? Se fizer, me mostra. ;)

Até a próxima. o/

segunda-feira, 5 de abril de 2021

O círculo cromático do Cappuccino

Oi, gente! Tudo bem? Desenharam alguma coisa no feriado de Páscoa? Espero que tenha sido bem proveitoso. Eu passei os 3 dias desenvolvendo e testando com muito carinho uma coisa bem legal que poderá te ajudar a definir suas paletas de cor na hora de colorir uma ilustração: um círculo cromático pra poder imprimir e preencher em casa.


Já explico o que seria um disco cromático, mas antes, gostaria de dizer que o post de hoje vai acabar sendo um complemento de outro post de 2017, no qual expliquei alguns conceitos importantes sobre teoria da cor (este aqui: Coloridos fantásticos e onde habitam).

Disco ou círculo cromático

Bom, o círculo cromático é uma ferramenta que usamos para consultar as relações das cores entre si. Nele há indicação de cores que combinam, das cores que contrastam, de qual mistura de cores vem uma determinada cor, e uma série de outras informações. É possível comprar o disco pronto em papelarias ou lojas especializadas em material artístico.

Meu primeiro contato com as cores organizadas como disco foi na disciplina de Cor, quando cursava Design na faculdade. Cada aluno fez o seu próprio círculo usando tinta guache, e foi um exercício bem divertido.

Círculo cromático do Cappuccino

O arquivo que vou disponibilizar hoje é um PDF com 5 páginas: uma com o círculo, outra com instruções de uso, e as outras três são os discos das relações entre as cores, conforme mostrado na imagem a seguir.


O legal é que você pode imprimir a página 1 várias vezes, e até usar papeis diferentes. Aqui no post estou usando aquarela, então meu círculo foi impresso em um papel de gramatura mais alta, especial para técnicas aguadas. As páginas tem formato original A4 (21cm x 29,7cm), mas para melhor aproveitamento de papel, optei imprimir 2 páginas por folha.



Comecei preenchendo meu círculo pelas cores primárias e fui fazendo as misturas entre elas para completar os espaços. Na parte inferior da folha, há uma área destinada a anotações sobre o material utilizado, e ao lado, espaços para registrar suas cores preferidas. As instruções de como preencher corretamente seu círculo cromático está na página 2.

O próximo passo foi recortar os discos das páginas 3, 4 e 5. Nessas páginas você também encontra o passo a passo de como recortar, além das orientações sobre como fazer a sobreposição deles no círculo cromático.

Algumas etapas da montagem do "brinquedo" envolvem uso de objetos cortantes e perfurantes, então se você for uma criança, peça a um alguém mais velho te supervisionar.


Só é possível usar 1 disco sobreposto de cada vez, variando de acordo com a relação que você busca entre as cores. Nas fotos acima mostro os discos sendo usados sobre um mesmo círculo cromático.

Download do círculo cromático

Gosto de ajudar quem busca conhecimento em artes e ilustração, e por isso faço essas coisas com todo o carinho do mundo! O download do PDF, assim como outros materiais já disponibilizados aqui no Cappuccino, é gratuito e sua venda é proibida.



Me contem nos comentários o que acharam. A opinião de vocês, leitores e colegas queridos, é muito importante para futuras produções de conteúdo deste blog.

Espero que tenham gostado!
Até a próxima! o/

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Camera Obscura

Quem me acompanha no Instagram deve ter visto os stories sobre a experiência com a câmara escura no final de semana.


Camera obscura é um termo em latim que significa "quarto escuro" ou "caixa escura", um sistema antigo de projeção de imagens que funciona igual aos nossos olhos e que mais tarde evoluiu para o surgimento da câmera fotográfica. A luz entra por um pequeno furo feito na caixa, e se projeta na parede interna oposta ao furo. Como a propagação da luz se dá de forma linear, a imagem é gerada espelhada e de cabeça pra baixo.



Há registros de que essa ferramenta já era conhecida no mundo antigo (séc IV a. C.) para estudar astronomia. A imagem a seguir é um desenho de Gemma Frisius (um médico, astrônomo, cartógrafo, matemátio e tudo o mais que a renascença permitia ser), do ano de 1544, mostrando aplicação do conceito para observação de eclipse.



Reza a lenda de que muitos artistas também a utilizaram como recurso auxiliar para desenhos através dos séculos, e que os modelos "compactos" começaram a surgir em meados do século XVII, durante o Renascimento. 



Podemos achar registros sobre aplicação das técnicas de projeção de imagens nos cadernos de Leozinho (Leonardo da Vinci), e nas pesquisas feitas sobre a arte do pintor holandês Johannes Vermeer, conhecido por "pintar com a luz", e cujas obras possuem aspecto de fotografias coloridas.




A suposição sobre o uso da camera obscura pelos grandes mestres da pintura gera bastante polêmica, pois algumas pessoas consideram tal prática como um tipo de trapaça, diminuindo a genialidade dos artistas daquela época; enquanto outras pessoas apreciam o uso desta tecnologia como ferramenta de auxílio para composição - uma vez que a tal genialidade dos mestres pintores engloba outros fatores e conhecimentos técnicos.

No vídeo abaixo podemos ver uma câmara escura construída no século passado em São Franscisco, CA, e em funcionamento até hoje. Com a entrada de luz posta em um teto giratório, as pessoas conseguem visualizar a imagem panorâmica 360º da praia projetada sobre uma superfície dentro da sala.

O vídeo está em inglês, mas independe do idioma para entender o fenômeno.

Tecnologia e arte sempre andaram de braços dados. A cada nova descoberta, uma revolução artística! Foi assim quando descobriram as leis da perspectiva; o surgimento do plástico influenciando diretamente na fabricação de tintas mais acessíveis; a fotografia deixou a pintura livre e movimentos artísticos surgiram a partir disso; os computadores possibilitaram que desenhos fossem feitos sem a necessidade de uma mídia física... e por aí vai.

Agora me diz, qual a sua opinião sobre a câmara escura? 
Deixa aqui nos comentários.

Até a próxima o/ 
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MAIS MATERIAIS SOBRE CAMERA ESCURA:
Documentário Tim's Vermeer, 2013 
Outro documentário Vermeer: master of light (em inglês)

domingo, 24 de maio de 2020

Cor da embalagem X Cor da tinta

Quem nunca sofreu com a diferença entre a cor da tampa/tubo da canetinha e a cor real da tinta, que atire a primeira bolinha de papel! Pode acontecer com outros materiais também, mas geralmente o que mais prega peça são as canetinhas, tanto do tipo hidrocor quanto marcadores.

Adquiri recentemente um estojo de marcadores Magic Color com 12 cores para voltar a mexer com esse material. O preço é bem acessível comparado a outras marcas, e a tinta é bem forte, mas tem lá suas peculiaridades. Uma delas é que as cores das tampinhas nem sempre correspondem às cores verdadeiras da tinta, e pode acabar causando uma bagunça na hora da colorização. 

Tinta x cores das tampinhas.
Em algumas a diferença é gritante!

Já até fiz postagem compartilhando minha cartela de cor e folha de testes para ajudar a experimentar os materiais antes de usá-los, e hoje vou trazer uma nova dica para evitar erros. Vi essa solução observando a ilustradora Baks (Bárbara Fonseca) em um vídeo, no qual usa Magic Color para colorir um desenho.

Simples e sensacional: em uma das extremidades da caneta, ela colou uma etiqueta com a "cor real" do marcador. Senti um estalo na cabeça e me perguntei "como não pensei nisso antes?". Abaixo mostro passo a passo de como fazer.

Risquei as canetinhas em um papel branco, e depois recortei as tiras.

Usando fita adesiva transparente, colei as tiras correspondentes a cada caneta.

Gostei muito da ideia e pretendo fazer de pouco em pouco com outras canetinhas, e até mesmo com alguns lápis de cor. O resultado foi este:

Canetinhas devidamente etiquetadas.

Acredito que vai me ajudar bastante daqui pra frente, além das tabelas e dos testes, pois a consulta é mais imediata e agiliza o processo. Espero que tenham gostado!

Até a próxima! o/

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Olá, Mauricio!

Ei, gente! Tudo bem? Como está a rotina de desenho? Espero que à todo vapor!!!

Depois de sumir por um tempo, estou de volta trazendo uma dica super bacana de rolê gratuito pra você: a exposição Olá, Mauricio!, no Centro Cultural Fiesp, na cidade de São Paulo. A mostra começou em julho, e temos aí mais alguns meses para aproveitar.

Imagem do folder com Programação de Setembro do SESI-SP;
+ Bidu gigante na entrada do prédio da Fiesp.

Mesmo com uma duração bacana, eu sei que muitos admiradores do trabalho do Mauricio e fãs da Turma da Mônica não tem a oportunidade de viajar até São Paulo para conferir de pertinho o que está rolando. Eu mesma passei por isso várias vezes! Perdi muitas exposições legais que acontecem aqui na "terra da garoa" porque morava longe e não tinha condições de vir... Mas, calma! Quero compartilhar contigo a experiência. Vamos juntos?

Primeiro painel da exposição.

A mostra é sobre as contribuições de Mauricio de Sousa nesses 60 anos de carreira. Ele, que começou jornalista, hoje tem papel super importante na cultura brasileira, tanto na área do entretenimento quanto na de educação, por meio dos quase 500 personagens de quadrinhos que criou. O painel de entrada, na metáfora de página dupla de jornal, conta um resumo de sua vida profissional e traz imagens de diversos momentos, incluindo a primeira tirinha publicada - Bidu e Franjinha.

Painéis de apresentação das personagens dos núcleos
Chico Bento (acima) e Astronauta (abaixo).

Na primeira parte da exposição temos contato com as personagens organizadas de acordo com seus núcleos. Os painéis são gigantes, super coloridos, e podem ser fotografados (sem flash, lógico). Fui num horário bem tranquilo, então consegui tirar fotos bem abertas pra mostrar alguns deles.

Agora pasmem! Quando as apresentações das personagens acabam, a gente encontra uma réplica da estação de trabalho do Mauricio. Confesso, senti muita vontade de pular a faixa de segurança e sentar ali pra saber qual a sensação. Dicionário, canetas de todas as cores e miniaturas são alguns dos itens em cima da mesa, sem contar com maravilhosas páginas originais (ou cópias das originais) de Turma da Mônica Jovem. A lágrima só não escorreu porque tinha um segurança me olhando fixamente.

Réplica da mesa de trabalho do Mauricio de Sousa.

Aí, meu coração que já estava abalado, quase encerra atividade quando me dirijo à segunda parte da exposição: Histórias em Quadrões -  a releitura que o Mauricio fez das obras de grandes artistas. Esta ala começa com vááááários originais dos esboços protegidos de mim por um vidro.

Esboços originais de Histórias em Quadrões.

Os "quadrões" são quadrões mesmo. Telas bem grandes pintadas à tinta, com personagens da Turma da Mônica dando ar da graça em famosas obras de arte. Encontrei, dentre os esboços, o do meu "quadrão" favorito - Cebolinha tocador de pífaro (releitura de O tocador de pífaro, de Édouard Manet).

Cebolinha tocador de pífaro.

Porém, a versão à tinta não estava exposta, buááá!! Mas aproveitei a oportunidade para eleger um segundo favorito dentre os presentes na galeria. A escolha foi bem óbvia, na verdade: a releitura d'A grande onda de Kanagawa, do mestre japonês Hokusai.

A grande onda de Kanagawa.

O final da galeria fica na saída do espaço, encerrando a exposição, e isso me deu uma sensação triste de "poxa... acabou." - daí, retornei pela porta de entrada e percorri tudo de novo! Sim... perambulei lá dentro DUAS vezes e pretendo ir de novo, porque dá pra absorver muita informação.

Do lado de fora, professores organizavam seus alunos para entrar. Senti tanta vontade de conduzir eu mesma um grupo de crianças e explicar os personagens, contar sobre como as historinhas do Mauricio me ajudaram quando eu tinha a idade delas, ensinar história da arte pegando a deixa dos Quadrões... Passou um filme na minha cabeça. Me vi criança desenhando a Mônica e falando  que seria desenhista.

Senha simbólica para fila da exposição Olá, Mauricio!

Bom, trouxe comigo dois bilhetinhos da senha simbólica que é distribuída lá dentro. Uma é minha e a outra é sua, leitor, que foi junto por meio desta postagem. 

A exposição tem muito mais do que mostrei aqui. Perderia a graça se eu mostrasse tudo também, né? Se você tiver chance, gosta de desenhar, gosta de quadrinhos, visite. Fica aberto de terça à sábado, das 10h às 22h; e aos domingos, das 10h às 20h - até dia 15 de dezembro de 2019.

Se já foi, ou pretende ir, deixe um comentário contando sua experiência. Caso não possa ir, mas interessou, deixe suas perguntas aqui nos comentários, que a gente troca ideia também. Beleza?

Até a próxima! o/

terça-feira, 7 de maio de 2019

Teste seus materiais sem medo

Este é mais um post para aqueles que, assim como eu, precisam trabalhar o medo de colorir desenhos. Fiz pra mim uma "folha de testes" que complementa a cartela de cores que disponibilizei no post sobre as canetinhas Geloo.

Costumo dizer que para se perder o medo de pintar seja lá o que for, precisamos conhecer os materiais, saber as cores, testar misturas, e praticar exaustivamente. Recentemente voltei a usar lápis de cor para pintar alguns desenhos e, antes de riscar o papel, adquiri o hábito de testar a mina do lápis em um papel de rascunho para ter certeza da cor. Isso já me dá uma confiança maior para colorir os desenhos sem medo de estragar, mas além de consumir material extra, notei que essa prática acaba me tomando um pouco de tempo a mais para finalizar um desenho.

Assisti alguns vídeos no youtube de pessoas que possuem grupos de colorir, e vi que a maioria fazia anotações das cores dos lápis em um papel para consultar. Foi daí que veio a ideia de elaborar uma folha de teste padrão, na qual eu pudesse especificar a marca do material, fazer anotações prévias e sugerir instruções de misturas ou possibilidades de efeitos. Desta forma, em vez de ter um papel rascunho sempre a tiracolo, eu teria um documento já com dicas do que posso fazer.

Vou deixar a imagem abaixo disponível em alta qualidade para que você possa baixar e imprimir. O formato original é de um A5, então sugiro impressão de 2 páginas por folha para melhor aproveitamento de papel. 

Clique na imagem para visualizar e baixar.

A princípio a folha conta com um mini círculo cromático para primárias e secundárias, espaço para 12 cores, 3 retângulos e 6 bolinhas para testes gerais de misturas, transições, sobreposições etc, além de um espaço pra observações gerais. 

Folha de teste - protótipo - lápis metálico Faber-Castell

No protótipo acima, ainda manuscrito, fiz estudos da minha caixa de lápis metálicos da Faber-Castell - que tem 12 cores - e achei que esse formato atende as minhas necessidades no momento. Aos poucos vou atualizando de acordo com os materiais que tenho no ateliê para tentar facilitar a vida. Espero que ajude a facilitar a sua vida também.

Depois me conta o que achou.
Até a próxima! o/

quarta-feira, 27 de março de 2019

Does it spark joy? - método KonMari na vida do artista

Não se assuste! Este post não vai ensinar a dobrar roupas, mas vai dar dicas de como organizar a sua vida criativa para que sua produção como artista não vire uma bagunça.

Estreou recentemente no Netflix uma série chamada "Ordem na Casa" (Tidying Up), na qual Marie Kondo, autora dos livros "A mágica da arrumação" e "Isso me traz alegria",  visita famílias para ajudar a pôr ordem na bagunça de suas casas. Assisti a série toda e também senti vontade de guardar Marie num potinho... Mas o que mais me chamou atenção foi a possibilidade de aplicar seu método de organização - KonMari - em qualquer área da vida. Inclusive na profissão.


Trailer da série Ordem na Casa - Tidying Up

E como fazer isso?
A ideia geral é manter na vida apenas o que te traz alegria, itens que tenham valor sentimental, coisas que fazem parte de quem você pretende ser. Na vida profissional, interpretei como fazer uma organização geral das nossas referências, dos materiais e ferramentas, estilo de trabalho, técnicas...

Dependendo da sua área de atuação, as categorias podem variar, o importante é pensar nos objetos e agrupá-los de acordo com suas características ou função. Trabalho com design gráfico e ilustração, então dividi as minhas categorias da seguinte forma:

  • MATERIAIS: minha maior categoria - aqui ficam todos os materiais artísticos e as ferramentas de trabalho que tenho, como computador, tablet, papeis, lápis de cor, tintas, pincéis, caneta, grampeador, cola, fita adesiva etc;
  • LIVROS: esta categoria engloba livros em geral, revistas, mangá, histórias em quadrinhos, apostilas etc;
  • DOCUMENTOS: documentos pessoais e profissionais, desenhos e trabalhos antigos, contratos, briefings, certificados, diplomas, recibos, notas fiscais e afins;
  • REFERÊNCIAS: sites favoritos, plataformas, conteúdo em redes sociais;
  • DIVERSOS: praticamente itens de decoração, CDs de música, e as coisas que não pertencem aos demais grupos;

Mantenha apenas o que for necessário
Depois de separar os objetos dentro das categorias, fui descartando o que não me trazia felicidade e o que de fato não servia mais. Tinha vários marcadores secos ocupando espaço na gaveta, então agradeci e joguei fora. Itens que estão em boas condições de uso, mas que já não fazem mais sentido para você, podem ser doados pra quem precisa. Isso inclui os perfis que a gente segue em redes sociais também. 

Um pedacinho da bagunça...

Os itens que você decidir manter precisam ser guardados com seus semelhantes. A criação de subcategorias pode ajudar a estabelecer os espaços de cada coisa. Por exemplo: designar um local específico para guardar só papeis, outro só para tintas, outro para as canetas, e por aí vai. Desta forma fica mais fácil encontrar o que procura e, depois do uso, retornar ao lugar correto.

Deixe perto o que você usa com frequência.
Nesta postagem sobre criatividade comparei nosso cérebro com uma estante em que as coisas importantes estão lá para serem acessadas facilmente, e que à medida em que nossas prioridades mudam, as informações da estante também vão mudando. Bom, seu espaço físico criativo deve seguir a mesma linha: deixe mais acessível o que é usado com frequência. Se no futuro as prioridades mudarem, reconfigure seu espaço de modo que ele continue te atendendo bem.

Mantenha por perto apenas o necessário, e organize de acordo com tipo e frequência de uso.

No fim das contas você vai se sentir mais feliz e mais produtivo no seu ambiente de trabalho ou de estudo. Ainda estou no meio do processo e já me sinto bem melhor. Recomendo o exercício!

Até a próxima! o/