sábado, 19 de março de 2016

Ah... a criatividade

De onde você tira suas ideias para um desenho, heim? Como você pensa numa resposta malcriada para implicar com um amigo? Como você consegue consertar o motor do carro com chiclete?

"Criatividade"... Quem trabalha no meio artístico é cobrado constantemente a ser uma pessoa criativa. Quem trabalha com publicidade, propaganda e design então... xiiii!!! Aí que a cobrança aumenta mesmo.

Mas afinal, de onde vem nossa criatividade?
Para começar, nossa cabeça está cheia de coisas. Informações que absorvemos durante a vida toda, todos os dias, por meio dos nossos sentidos, consciente ou inconscientemente. Quando essas coisas chegam ao nosso cérebro, ele as organiza da seguinte forma: tudo que é relevante para você naquele momento é colocado na prateleira - local de fácil acesso; o que não é importante, ele guarda em gavetas, armários e cofres - locais que para acessar, você precisa se esforçar um pouco.

Como eu acredito que funciona o cérebro

Dependendo da fase da sua vida, ou momento no qual está passando, trabalho, etc, o cérebro reorganiza as coisas de acordo com suas novas prioridades, retirando algo do arquivo e movendo para a prateleira das coisas importantes, ou enviando informações outrora relevantes direto para o arquivo.

No dicionário criar significa inventar, produzir, transformar, tirar do nada (sim, tirar do nada)... E, considerando as situações em que precisei da criatividade, seja na vida pessoal ou na profissional, penso que todo mundo tem capacidade para ser criativo. Uns desenvolvem essa capacidade de criar mais que os outros. E se esses outros quiserem, podem exercitar a mente. É uma questão de tempo, disciplina, prática... e problemas! Sim, muitos problemas e tipos diferentes de problemas!

Todo problema tem solução

A criatividade está entre o problema e a solução dele, num processo extenso que passamos, muitas vezes, sem perceber. Dependendo do seu repertório de mundo e das coisas importantes que se tem na prateleira do cérebro, a solução de um dado problema vem tão rápido, que faz com que você se sinta um especialista. Outras vezes, as coisas na prateleira não são suficientes para resolver o que precisa.

Metodologia de projeto de Bruno Munari

A criatividade está, portanto, no meio do processo de resolução de problemas. É a síntese de todas as experiências e estudos da vida voltada para um objetivo. Por isso que para nós, profissionais dependentes da criatividade, é de fundamental importância que fiquemos atualizados sobre técnicas e tecnologias, cultura, política... Precisamos de tempo de dedicação para ler mais, ouvir, sentir, vivenciar, estudar, e o mais importante, experimentar.

A prateleira de um cozinheiro está cheia de combinações de sabores, temperos, tipos de cortes, temperaturas corretas, e esse repertório faz com que ele cozinhe algo genuíno com técnica, criatividade e sabor (#mastechef). A prateleira de um concurseiro está cheia de regras de gramática, fórmulas matemáticas, legislação... Ajuste a prateleira do seu cérebro para sua área de interesse no momento e crie repertório. Se for preciso, instale outras prateleiras! 

Dicas de leitura:
Separei 3 dicas de livros interessantes sobre processo criativo.

1. Roube como um artista - Austin Kleon


Este livro tem formato pequeno, pouco texto por página, muitos diagramas, de leitura fácil e rápida. Não tem desculpa pra não ler! É muito legal, te dá 10 dicas interessantes sobre como agilizar sua capacidade de criar de forma direta e ajuda a organizar as referências do dia a dia.

2. Sobre o artesanato intelectuar e outros ensaios - C. Wright Mills


Por meio de vários artigos, o autor nos mostra a importância de se coletar referências para o trabalho e mostra de que maneira podemos organizá-las. Ele chama essa coletânea de referências de "arquivo". O livro tem poucas páginas, mas a leitura é um pouco estranha para quem não está acostumado com "linguagem acadêmica". Vale a pena!

3. Das coisas nascem coisas - Bruno Munari


Todo mundo que se pergunta "por onde começar?" deveria ler este livro! Fala sobre técnicas e metodologia de projeto. Com exemplos bem didáticos e texto direto, Bruno (olha eu, cheia da intimidade) nos mostra que a evolução de um bom projeto depende do conhecimento que temos sobre todas as coisas que envolvem o problema que procuramos solucionar.

Bom estudo e até a próxima! o/

domingo, 13 de março de 2016

Oozaru!

Feliz Ano Novo!!
(Um pouco atrasado, mas tá valendo!)

Há um momento da vida que a gente passa por mudanças... Não estou falando da puberdade, me refiro ao período de busca pela independência, seja financeira, pessoal, familiar. Enfim, é nesse estágio da vida que estou agora. Trabalhando muito, me dedicando ao máximo na organização do novo lar, e tentando estudar no pouco tempo livre que sobra para um futuro mestrado. 

Antes de ser julgada como uma blogueira desnaturada, porque não postei nada desde setembro do ano passado, gostaria de dizer, em minha defesa, que senti muita falta de escrever pra você.

Nessa correria toda da vida, o último desenho que fiz e finalizei foi para um cartão temático de Ano Novo, o qual distribuiria aos amigos, com o signo do horóscopo chinês referente a 2016 - macaco. Quando pensei no tema, a primeira coisa que passou na minha cabeça de otaku foi desenhar o Goku, de Dragon Ball, que na história vira um macaco gigante (Oozaru) quando olha pra Lua cheia.

Rascunho puro x rascunho limpo

Os rascunhos para definir composição foram feitos em papel offset verde porque era o que eu tinha à mão quando pensei no desenho. Depois, com ajuda da mesa de luz, finalizei o desenho em nanquim sobre papel branco 180g/m². Para colorir usei lápis de cor... desses sem mistério, escolar, 12 cores. Para preencher o ano, usei caneta gel dourada. No original fica bem bonito, mas nas cópias coloridas ficou uma cor ocre bem escura.

Desenho finalizado.
あけまして おめでとう!= akemashite omedetou! = Feliz Ano Novo!

Esse foi o resultado da brincadeira. Há um bom tempo não desenho para fins pessoais, então fiquei bem feliz por ter desempoeirado os materiais no começo do ano. =)

Espero que consigamos colher bons frutos em 2016 e que a produção não pare!
Até a próxima! o/

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Pastel Aquarelável

Depois que comecei a trabalhar fora de casa fiquei bastante alheia aos tipos diversos de materiais artísticos, tanto novos quanto os já existentes e pouco explorados. Eis que o Universo me surpreende quando no melhor dia do ano, meu aniversário (quase 3 meses atrás), dona Suco me presenteia com uma caixa de gizes pastel aquarela Reeves.

A caixa vem com 12 cores, sendo uma delas branca para efeitos opacos.
(O presente veio embrulhado nesse papel, que virou capa daquele sketchbook)

O primeiro teste que fiz com o material foi bem básico e bobo: aquarelei as cores para ver como ficavam no papel e arrisquei um desenho pequeno também. Nem dei tanta importância pra esse teste, com registro e tal, porque foi coisa do momento mesmo. Cheguei a publicar no Instagram e só.

Esse bombom de cereja do desenho foi outro presente de aniversário...
...que acabou bem rápido!

A Suco tinha me dado esses gizes pra evitar que eu estragasse minha saúde usando solvente nos desenhos com pastel oleoso. Nem preciso dizer que a rinite agradece, né?! Adoro aquarela e me apaixonei perdidamente por pastel oleoso. Daí veio um ser iluminado e juntou os dois em um! s2

Bom, mil anos depois, ou seja, ontem, peguei algo mais complicado pra fazer e testar de verdade os gizes: um auto-retrato com direito a ficar olhando pro espelho e tudo. Pois é... Vira e mexe me desenho pra fazer tirinhas, sempre com uma pegada descontraída, mas dessa vez arrisquei desenho deseeeeenho mesmo, do tipo que eu fazia na matéria eletiva de Desenho 3.

Chamei de selfie. rs

Por causa do calor que fez ultimamente, o aglutinante de alguns bastões derreteram um pouco e ficaram gosmentos. Limpei tudo, mas tô com medo disso acontecer de novo. Um truque para retirar umidade desses materiais é armazená-los em recipientes com arroz ou envolver em algodão. Vou tentar fazer isso. =T

Colorido.

Para colorir usei cores primárias, que foram se misturando ao longo do processo e gerando novas cores. Trabalhei as sobreposições por camada, delimitando com amarelo as áreas claras, magenta tons intermediários, e por fim, azul para áreas escuras.

Usei papel próprio para aquarela desta vez! Hahahah! Mas ai terminar de colorir "à seco" fiquei na dúvida se molharia ou não. A textura do papel, a mistura entre as cores, os borrados, o gestual... Tudo isso ficou tão evidente, que eu não queria correr o risco de perder.

Não aguentei e molhei pra ver de qual era.

As cores possuem bastante pigmento e se misturam muito fácil! Fiquei besta! Quando a intenção for aquarelar depois, nem precisa deixar uma carga muito grande de cor nas áreas. Tanto é que em determinados locais do desenho ficou parecendo guache em vez de aquarela, de tanto resíduo.

Olhando agora, o desenho final ganhou um efeito interessante de coisa dentro da piscina. rs A combinação das cores e o efeito das manchas me agradou. Eu não tô nem avaliando o desenho como auto-retrato mais, e sim como um mero objeto de estudo de comportamento do material. =)

Fiquei muito feliz quando ganhei os gizes e agora muito mais feliz por ter conseguido usar tranquilamente em um estudo aqui pro Cappuccino. Não sei se consegui ser clara em relação ao material devido a minha afobação pra escrever o post, mas fico à disposição pra esclarecer qualquer dúvida. É só deixar um comentário.

Até a próxima! o/