quinta-feira, 29 de novembro de 2012

S Design 2012 - O Mundo Acaba em Design

O que é S Design?
De tempos em tempos acontece na Ufes a S Design - uma semana inteira dedicada a atividades complementares do curso de Desenho Industrial, palestras, workshop, oficinas e até avaliação de portfólios e muito mais. Neste ano o tema é design e economia criativa, e abordará uma coisa que eu adoro: a diversidade das áreas de atuação do designer! 

Também acontecerá um concurso de projetos gráficos - 2º Prêmio Ronaldo Barbosa -, com duas categorias: impressos e digital. Vou participar, mas não posso dizer mais nada... os trabalhos são levados para avaliação sem o nome do autor, e sim com o número de inscrição, para não ter "sabotagem", uma vez que cabe a professores do Departamento de Desenho Industrial fazer a pré-seleção dos projetos. Hehehe!

Design em Quadrinhos
Este é o nome do projeto de pesquisa em design em quadrinhos que participo atualmente dentro do Núcleo de Imagem, Produção e Pesquisa(NIPP), na Ufes. Lá estudamos e pesquisamos como a metodologia de projeto em design pode se aplicar à produção de histórias em quadrinhos. 

Todos os posts sobre HQ do Cappuccino (ordem de leitura, tipografia, esboço, roteiro, storyboard, arte final, etc) se devem muito ao conhecimento que adquiri tanto na disciplina Estudo e Produção de Histórias em Quadrinhos quanto no projeto de pesquisa em quadrinhos, tendo como base tudo (teoria e prática) que vimos durante o curso de Desenho Industrial somados aos autores específicos da área de quadrinhos. 

Durante 3 dias da S Design, nós faremos uma oficina de Design em Quadrinhos, abordando desde a criação do personagem até arte final, passando por várias etapas pertinentes do projeto de design. E o melhor: colocando todo mundo pra desenhar e produzir!

Eu (caloura) na 1ª S Design - fazendo HQ

Durante todo o tempo que me entendo por gente, desenho. Do primeiro dia de aula até hoje, fim de curso, meus melhores projetos acadêmicos tiveram pingos de nanquim. Em todas as "S' anteriores, participei de oficinas e minicursos sobre história em quadrinhos - criação de personagem e roteiro com Estevão Ribeiro; minicurso de roteiro com João Marcos; oficina de HQ com Manoel Ricardo -, mas desta vez participarei como oficineira responsável pela parte de arte final!  Por isso, me sinto bláster feliz participando da S Design deste ano... fazendo algo que realmente gosto!

E que o mundo acabe em Design!!!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Crayon analógico e digital

Uau! Quanto tempo se passou desde a última postagem! Estive envolvida em alguns projetos ultimamente e quase não tive oportunidade para atualizar o Cappuccino durante as semanas que se passaram. As ideias e conteúdos, por sua vez, foram acumulando e terei dificuldade até para ordenar o pensamento, já que fico com vontade de falar tudo ao mesmo tempo.

Costuma-se usar o Crayon ou lápis de cera para desenhar, colorir, escrever. Geralmente associamos essa palavra apenas a giz de cera, mas é uma visão equivocada. Lápis de cor, lápis dermatográfico, carvão, giz pastel, giz de cera, tudo isso é considerado crayon, e felizmente temos disponíveis hoje no mercado um monte de cores e marcas.

File:Crayones cera.jpg
Giz de cera

As cores
Geralmente estudamos cor em dois momentos importantes da nossa vida escolar: 1 - nas aulas de Física (disco de Newton e disco de Benham) ; 2 - nas aulas de Citologia (cones e bastonetes, lembra?). Eu poderia falar aqui dos comprimentos de onda e das células fotossensíveis presentes nos nossos olhos, mas é melhor deixar essa parte pra lá. Simplificando muito a história, existem dois tipos de cor: cor luz e cor pigmento. A cor luz é a que vemos na TV ou no monitor do computador; e a cor pigmento é a cor que vemos nos impressos, nas tintas, lápis, caneta, etc.

Cores primárias
Chamamos de cores primárias aquelas cores que dão origem a todas as outras. No caso da cor luz, temos o vermelho, verde e azul (RGB - red, green, blue) como primárias, e nas cores pigmento temos cian, magenta e amarelo (CMY - cian, magenta, yellow). 

Misturando as cores

Disco cromático

Fiz dois círculos cromáticos usando dois materiais diferentes com apenas as três cores primárias de pigmento (CMY) para formar todas as outras cores. Podemos observar que a passagem de uma para a outra se dá de maneira brusca, devido ao material utilizado, e essa sobreposição de camadas de cor para misturar se assemelha ao que fazemos com aquarela.

Lavando com branco

Na imagem acima vemos uma espécie de borrão na parte superior das misturas. Esse borrão é formado pelo lápis e giz brancos. Essa é uma das funções do lápis branco, na verdade... suavizar a passagem de cor, ou esfumaçar, ou clarear determinada área do desenho, além de dar tom pastel às cores.

Obtendo efeitos como este, por exemplo


Crayon no Paint Tool SAI

Primeiro desenho feito no Paint Tool SAI

Há alguns dias instalei a versão trial do Paint Tool SAI no computador para ver como era, já que muitos amigos meus estavam trocando o Photoshop pelo SAI para colorir e tecendo elogios sobre ele. Apesar de realmente deixar a linha de contorno mais "bonita" e menos tremida que no Photoshop, e poder contar com uma variedade de brushes, achei os efeitos do SAI um pouco fracos (o de aquarela é horrível!). Um dos que mais achei interessantes foi o de efeito crayon, e foi com ele que colori o desenho acima para o J.A.C. do Halloween.

Detalhe 1

Usando todos aqueles conceitos da primeira parte deste post, colori o desenho todo digitalmente. O SAI simula o comportamento dos pigmentos, e se você trabalha a cor toda na mesma camada, é possível lavar a cor escura com uma cor mais clara, ou até mesmo com o brush branco.

Detalhe 2

No meio físico temos limitações de cores, mesmo fazendo misturas. No meio digital, as opções aumentam em milhões de vezes, mas o esforço braçal (pelo menos no que pude notar usando o SAI) continua o mesmo, as únicas vantagens são não precisar escanear e poder dar Ctrl+Z.

Paint Tool SAI

Interface do SAI

Aí está a interface do SAI com a imagem da Aoxo pra colorir e as configurações de brush que eu estou usando. Costumo criar minha própria paleta para não ficar perdida depois naquele círculo de milhões de cores, mas isso vai de cada um.

Mais uma captura de tela, com as cores usadas na máscara e na pele

A dica que eu dou pra quem quiser brincar nesse programa usando o efeito crayon é: faça de conta que é lápis de cor de verdade, pinte sempre no mesmo sentido, esfumace fazendo movimentos circulares, e muito cuidado com a pressão da caneta.

Fiz um vídeo curto pintando uma parte:


O post ficou maior do que eu previa, espero que tenha gostado.
Dúvidas, correções, sugestões... é só deixar comentário ou enviar e-mail. ;)

Até a próxima! o/

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Quero desenhar! Como começo?

Antes de tudo
Eu costumo dizer que "querer é meio caminho andado para conseguir". Então, se você quer desenhar, vença a próxima etapa: a que te leva ao objetivo. Há vários caminhos para se começar a desenhar, cada pessoa desenvolve o próprio método de aprendizagem, não é algo que se possa estabelecer como receita de bolo.

Há nas bancas uma infinidade de apostilas de desenhos.

Como sempre, vou deixar claro que as dicas que adiciono no Cappuccino são frutos da minha maneira de resolver determinadas situações, sobretudo baseada em minhas próprias experimentações a partir de leituras, pesquisas, análises, vivência, etc, sobre determinado assunto.

Outra coisa
Não fique comparando o seu trabalho com o de um Mike Deodato da vida... Pode até tê-lo como uma de suas referências, mas seu trabalho deve ser comparado primeiramente ao seu antes e seu depois. Se você está melhor do que antes, ótimo!

Um exemplo do meu antes (esquerda), em 2010, e depois (direita), 2012.

Como começo?
Como começar eu não sei, pois não me lembro como comecei... foi há tanto tempo! Mas elaborei um roteiro de estudos e vou compartilhar com vocês aqui. Prontos? Peguem lápis e papel, ou mesa digitalizadora, que a labuta vai começar agorinha mesmo!

Etapa 1: Ritmo - Risque, rabisque e passe por cima!
Solte o braço! Desenhe retas horizontais, verticais, inclinadas, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda; curvas, círculos, triângulos; formas geométricas, formas orgânicas. Gaste pelo menos meia hora do seu dia fazendo um aquecimento desse tipo... Ah! Nada de réguas ou segurar Shift nessas horas, ok? Se as retas não ficarem retas, não há problema! Com o tempo isso melhora.

Sobre o "passar por cima" eu me refiro a pegar um desenho pronto de alguém e colocar um papel vegetal ou criar uma layer por cima e copiar. Lembra na escola, quando você estava aprendendo o alfabeto e passava por cima de letras pontilhadas? É mais ou menos isso. E, ainda usando o exemplo das letras, escolha estilos de desenhos variados, afinal de contas ninguém quer passar o resto da vida escrevendo só a letra A ou B.

Isso aqui é o quero dizer com "Passar por cima"

Pegue um personagem de Dragon Ball Z, com linhas mais marcadas e formas pontiagudas para desenhar num dia, no outro dia você desenha personagens da Turma da Mônica, que são mais redondos... e vai alternando para aquecer mesmo. E não invente upar o resultado disso num portfólio, pois não é propriedade intelectual sua. Lembre-se: Você está passando por cima para se exercitar!

Etapa 2: Exercício - Observe, construa e desconstrua!
Esta próxima etapa fez muita diferença no meu antes e depois. Passei pelo Desenho de Observação quando entrei na UFES, porque é matéria obrigatória do primeiro período. Aqui aprendemos a observar as coisas e reproduzi-las no papel usando grafite (de lápis ou lapiseira) de diferentes graduações: HB, 2B, 3B, 4B, e por aí vai.

Graduações de grafite

Primeiramente o estudo é feito desenhando o objeto e colocando nele a sensação de volume, ou seja, as passagens de luz e sombra. Isso pode ser feito não só com objetos, mas estudos de anatomia desenhando modelos vivos, ou reproduzindo fotografias.

Fiz este estudo usando lápis de cor azul aquarelável

Will Eisner disse que para se desenhar uma porta, é preciso entender como a porta funciona, independente se o estilo do desenho for realista ou exagerado humoristicamente. No caso dos objetos desenhados, ele diz que "o leitor sabe como devem funcionar e reagirá de modo negativo se você errar.". - Tirei a informação do livro Quadrinhos e Arte Sequencialeditora Martins Fontes.

Então, vamos estudar como construir para saber desconstruir.

Etapa 3: Treino - Crie, desenhe, mostre, estude, refaça!
Talvez a mais difícil das 3 etapas seja esta última, porque não dependemos só de nós mesmos para avaliarmos o quanto progredimos. Precisamos da opinião dos outros! Daqueles que entendem do assunto e podem criticar o nosso trabalho justificando a crítica (e acredito que fazer diferenciação entre "construtiva" e "destrutiva" seja desculpa de noobie - crítica é crítica e ponto).

Se receber um "nossa, ficou muito bom!", pergunte por quê. Se receber um "Ficou ruim!", pergunte por quê. A pessoa que disse que aprendemos com os erros está certa, mas também podemos aprender com os acertos se eles nos forem apontados.

Não desanime com um "essa perna que você desenhou está desproporcional." - pesquise anatomia da coisa que você desenhou, estude aquilo, volte para o desenho de observação, aprenda a estrutura de uma perna (ossada, musculatura, articulações), desenhe muitas pernas, refaça seu desenho, mostre novamente... e repita o ciclo quantas vezes for preciso. Afinal, você quer ser bom, não quer?

Crie um blog, uma galeria no deviantArt, um álbum no Facebook para que seus conhecidos possam ver e criticar seu trabalho. Mas vamos combinar que opinião de mãe e de melhor amigo não conta, tá? Eles costumam roubar a seu favor!

Fiquem a vontade para me mandar links com o resultado. Gostaria muito de visualizar o processo! Caso o trabalho seja upado no Facebook, por favor deixe o álbum aberto para que eu possa ver, porque eu não tenho perfil lá. XD

Bom trabalho e até a próxima! o/