sexta-feira, 23 de maio de 2014

Art trade - Tiozinho da Joyce

Ufa! Finalmente consegui um tempinho pra postar no Cappuccino este mês. Hoje é feriado aqui na minha cidade e não teve expediente no trabalho, o que me rendeu algumas horas a mais de sono e uma parte da tarde para desenhar. As coisas em maio estão super corridas pro meu lado, mas prometo explicar o motivo dessa correria toda nos próximos posts.

O tiozinho
Em abril descobri no sketchbook da Joyce, minha amiga pessoal e dona do blog Caixola, um esboço muito legal e pedi a ela permissão para arte-finalizar e colorir o desenho. Para minha surpresa, a honra me foi concedida sem dificuldade. xD

Tiozinho da Joyce

O que mais gostei nesse desenho foi... tudo! Desde o estilo escolhido para representação até a personalidade da personagem passada pelas roupas e pose. Minha leitura foi de um senhor que trabalha como inspetor da polícia, detetive, algo do tipo, sabe? Sujeitinho durão no trabalho, e bonachão em casa com os filhos. Huahauhauah Sim! Pensei nos filhos dele também!

A Joyce estava aqui em casa em ocasião do aniversário da minha mãe, e, enquanto esperávamos a festinha começar, ficamos no meu "quarteliê" (quarto + ateliê) desenhando e jogando conversa fora. A arte final e o começo da pintura foram feitos nesse meio tempo. Quando a festinha começou, parei de pintar e só retomei a atividade hoje à tarde!

Resultado.

Usei nanquim nas linhas de contorno e preenchimento das áreas pretas, e Ecoline na colorização. Por fim, utilizei caneta gel branca para fazer um fios brancos no cabelo da personagem.

É sempre um desafio finalizar o desenho de outra pessoa, porque querendo ou não, você acaba colocando um pouco de si no que está fazendo, e a interpretação pode não ser a mesma do primeiro autor. Em situações assim, é comum o diálogo entre as partes, mas neste caso pouco discutimos a respeito.

Gostei do resultado, mas será que Joyce vai gostar? =P

Até a próxima! o/

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Estudo furreco Fuleco

Nossa, já é maio?! Este ano tá ligeiro que só!
Passei o último feriadão estudando para um concurso, e senti muita vontade de desenhar enquanto isso. Desde quando comecei a trabalhar fora de casa, meu tempo pra desenhar caiu vertiginosamente, e a produção se restringe basicamente ao que faço na agência. Ontem, no entanto, já com a cabeça cheia de citações de autores, fechei todos os livros que estavam abertos na minha frente e fui rabiscar alguma coisa despretensiosa.

Esboço do Fuleco - mascote da Copa Mundial da FIFA 2014

A ideia de desenhar o tatu-bola mais famoso dos últimos tempos veio de uma conversa que tive dia desses com alguns amigos sobre os preparativos para a Copa. Tudo bem que o povo está "revolts" com a história das obras, falta de estrutura, desvios disso e daquilo... mas poxa, cadê aquele espírito divertido dos vizinhos se reunindo pra cortar barbante e pendurar bandeirinha na rua, e pintar os muros das casas com mascotes?

Desabafo de lado, prossegui meu estudo experimentando um pouco de teoria da cor, no que diz respeito a percepção cromática, misturas, efeitos, etc, baseado no que li sobre o assunto durante o fim de semana. Em relação a isso, os autores dizem que as cores são percebidas individualmente, mas podem sofrer alterações em função das cores adjacentes.

Exemplo do comportamento do mesmo tom de cinza sobre fundos coloridos.

Aí catei meus materiais pra colorir o Fuleco. O desenho foi feito naquele sketchbook de papel vergê cor-de-salmão-grelhado, pras linhas de contorno usei caneta nanquim, preenchi o fundo com tinta nanquim preta, e trabalhei o adorno do fundo com canetinhas aquareláveis.

Fuleco ainda preto e cor-de-salmão-grelhado

Quando a área preta não existia, os misturas de verde estava com aspecto apagado devido ao contraste com o papel. Depois que preenchi o fundo todo com nanquim, o verde saltou tanto que pareceu uma forma recortada. Fuleco então, nem se fala! Ganhou destaque, valorizou a figura, silhueta... 

Mas o mais legal aconteceu quando terminei de colorir:

Fuleco colorido com marcadores à base de álcool.
Melhorei o acabamento do fundo verde usando lápis de cor.

A camisa dele e o fundo dos olhos ficaram brancos!!! Não, não usei nenhum material branco pra colorir a camisa, isso é apenas o efeito causado pelo contraste das outras cores em volta da área da camisa. Ela continua cor-de-salmão-grelhado, mas quando o cérebro pensa nas outras cores mais escuras em volta, faz com que a área mais clara seja percebida diferente. \o/ Fim!

Moral da história: pensar nas cores usadas em um projeto é muito importante. É preciso estudar o comportamento dos contrastes, das misturas, das sobreposições, das paletas possíveis, e das variações, a fim de evitar que o resultado fique comprometido. Os diferentes tipos de luz (do Sol, da lâmpada, do fogo) também interferem na nossa percepção das cores, e a iluminação do local onde seu desenho vai ficar exposto (pendurado na parede do corredor da sua casa, no Louvre, na embalagem de um produto no supermercado) precisa ser levada em consideração no projeto. =P

Até a próxima! o/
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Atualizando o post com algumas dicas de leitura pra quem se interessa por cor:
- GUIMARÃES, Luciano. A cor como informação. SP: Blume, 2002.
- FARINA, Modesto, Psicodinâmica das cores em comunicação. 5° ed. São Paulo: Edgard Blusher, 2000  

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Colibri

No mês de abril, o tema escolhido para o MDC foi "Aves da fauna brasileira", e dentre todas as espécies disponíveis nesse vasto catálogo da natureza, escolhi participar com o colibri. Esse beija-flor pequenino é uma ave que chama atenção pela beleza se seus movimentos e cores, e está relacionada ao Espírito Santo (ES) pela diversidade de espécies que vivem por aqui.

O desenho:
Quis basear meu estudo num processo de desconstrução e construção da figura, usando uma imagem de referência que cacei na internet, filtrando por "modelo" que mais se aproximava do colorido que tinha em mente.

Depois de definida a imagem, comecei o processo de desconstrução, apresentado a seguir. 

Desconstrução de figura em formas geométricas básicas.

A decomposição em elementos básicos ocorre conforme mostrado na figura acima, e já é algo que tenho facilidade em fazer "de cabeça". Mas pra quem não conhece o processo, ou tem dificuldade em enxergar as formas de imediato, pode traçar em um papel vegetal sobre a fotografia/imagem. É um exercício muito bom e que ajuda na composição depois.

Observe, abaixo, o processo inverso, ou seja, a construção da figura.

A partir das figuras geométricas vistas no papel, pôde ser construído o beija-flor.
Rascunho de colibri em tamanho real feito com lápis aquarela Faber Castell.

É o mesmo processo que a gente vê nas revistas "Aprenda a Desenhar" da vida. Os dois processos (desconstrução e construção) são importantes a gente ter internalizados, então a prática é importante pra que isso aconteça e fique natural com o tempo.

Quando finalizei o rascunho, suavizei a linha passando o pincel úmido sobre o lápis. Em seguida, comecei a trabalhar massas de cores, sobrepondo e mesclando com água de vez em quando.

Á esquerda: cores base / À direita: todas as cores usadas no desenho final.

No caso dessa colorização, não quis explorar a propriedade aquarelável do lápis para fazer manchas, mas para mesclar as cores de maneira natural. Tipo o que eu fiz com aguarrás nas pinturas com pastel oleoso, só que neste caso, o solvente é água. Fiz isso porque também queria a textura do lápis presente no papel.

Resultado:

Caneta gel branca usada nos pontos de luz e detalhes das penas da cauda.

O desenho foi feito no meu sketchbook com papel vergê salmão 120g/m². A folha aguentou aguadas e várias camadas de pigmento de lápis de cor, sem deixar marcas nas páginas seguintes. \o/

Quando estava na parte de detalhamento da pintura, apliquei na plumagem algumas coisas que deram certo naqueles meus estudos de Carnaval. Eis outra importância dos estudos - você pode usar uma coisa aprendida anteriormente em outra que você nunca fez. Eu ia completar com "por exemplo, nunca desenhei um beija-flor antes, mas eles são cobertos de penas, e eu já desenhei muitas penas uma vez.", mas lembrei disto:

Pintura feita em 2003, também com lápis aquarela.

Eu tinha um bebedouro desses pendurado na janela do meu quarto e de vez em quando aparecia uma galera pra matar a sede, e registrei os dois numa dessas. Putz! Desenterrei essa beeeem do fundo do baú mesmo!! Na época eu achei lindo, uma obra de arte que valia milhões... Mas está cheio de problemas. Comparando antes e depois, vi que melhorei e estou feliz. =)

Acho que já me prolonguei bastante por hoje. Se por acaso alguma parte do processo ficou confusa, ou se alguma dúvida aparecer, por favor me avise.

Até! o/