terça-feira, 3 de julho de 2018

Desenhando melhor em 4, 3, 2, 1...

Procurar desenhar melhor é uma luta constante que temos, ainda mais porque estamos sempre nos comparando a outros desenhistas, né? Bom, primeiramente devemos entender que cada pessoa tem a sua maneira de desenhar e ainda que tenhamos interesse pelo mesmo estilo, cada artista desenvolve uma característica própria em seu trabalho.

Reparou que usei a palavra "desenvolve"? Não cai do céu! Essa característica própria adquirida pelo artista é, na verdade, o resultado de um processo - muitas vezes extenso, pessoal e exaustivo - de busca por aperfeiçoamento constante de seu próprio trabalho.

Pegue um cappuccino (ou uma bebida de sua preferência) e sente para conversar comigo, porque hoje vou falar de quatro coisas básicas com as quais, na minha opinião, precisamos nos habituar para melhorarmos nossa maneira de desenhar, principalmente para quem tem intenção de se profissionalizar fazendo isso. De certa forma, essas tais "coisas básicas" se aplicam também as várias outras carreiras. Mas, como sou ilustradora, os exemplos usados no post de hoje serão voltados mais especificamente para as artes. Vamos lá?

4 - Leia até seus olhos caírem
Ao longo da vida escutamos bastante a máxima de que "só aprendemos na prática", mas a teoria é igualmente importante para o aprendizado, pois lapida o fazer. Isto é, sabendo a teoria podemos praticar com mais confiança, os processos são otimizados quando sabemos o que e como fazer.


Livros sobre arte e desenho.

Leia textos sobre sua área de interesse, sejam livros, artigos, blogs... Construa sua própria biblioteca, não importa se ela for física ou digital, mas adquira sempre conhecimentos novos. Procure o saber teórico tanto de autores conhecidos, quanto das pessoas que gentilmente postam em seus sites/blogs suas próprias experiências e frustrações.

3 - Busque referências e se atualize
Quando se procura por leituras, consequentemente conhecemos artistas cujas obras nos chamam atenção. A apreciação dessas obras contribui para a construção de repertório.

Guarde aquele desenho legal que viu na revista ou salve no computador aquela ilustra bacana que apareceu numa pesquisa; monte um fichário ou uma pastinha de referências; siga os artistas nas redes sociais e acompanhe a evolução deles; veja histórias em quadrinhos e animações com outros olhos, perceba como as figuras são desenhadas e o que está na moda; procure outras obras do ilustrador daquele livro que você leu e curtiu na escola... Vá além: visite museus e galerias. Muitos possuem tour online pelos sites e contas nas redes sociais. Não tem desculpa, é só seguir!

Alguns artistas que sigo no Instagram; e minha ida à Pinacoteca, em São Paulo.

Esse tipo de referência ajuda demais! Com o tempo e o contato constante com trabalho de outros profissionais, você já saberá o que olhar quando precisar de ajuda com algum desenho. Mesmo que essas pessoas não convivam diretamente com você, ou nem fale seu idioma, é possível analisar suas obras e extrair delas algum aprendizado.

2 - Tenha materiais adequados
Não precisa gastar uma fortuna com materiais pra começar a desenhar. Pense nos materiais como suas ferramentas de trabalho e tenha à mão inicialmente apenas o que você realmente precisa. Vá abastecendo sua "caixa de ferramentas" de acordo com a demanda.

Minha área de trabalho.

Também é muito importante ter o seu espaço sagrado para desenhar. Mantenha seu cantinho de desenho sempre limpo e organizado para aproveitar melhor seu tempo nele.

1 - Treine constantemente
Recentemente os posts que minha vizinha de blog, Joyce, anda fazendo para o Caixola me deixaram bem motivadas para retomar o treino. Um deles foi o hábito de estudar, no qual relata a rotina de estudos sobre desenho de figura humana quem vem fazendo. Dá para notar o progresso que ela teve desenhando 20 minutos diariamente. Gente, vinte minutos! Parece pouco, mas faz uma enorme diferença.

Estudos de corpo humano que fiz há um tempo.

Só para esclarecer: ficar parado não faz com que a gente desaprenda a desenhar, só nos enferruja, e com isso acabamos ficando mais lentos para solucionar os problemas no desenho. Treinar diariamente nos agiliza física e mentalmente; a qualidade do acabamento melhora, os erros diminuem, otimizamos o tempo... Só temos a ganhar com isso. ;)

E aí, curtiu?
Concorda que seguindo essas dicas fica muito mais fácil buscar resultados? Não esqueça de compartilhar suas experiências, pois você pode ajudar outras pessoas com elas.

Até a próxima! o/

sábado, 23 de junho de 2018

5 dicas para economizar caneta nanquim

De tempos em tempos organizo meus materiais de desenho e jogo fora aqueles que não consigo mais usar -  os vazios, os que estragaram/secaram com o tempo, etc - e faço uma lista do que deve ser reposto. Um dos principais itens que monitoro são as minhas canetas nanquim descartáveis, que ultimamente estão durando bastante devido ao modo como as utilizo.

Vou deixar no post de hoje umas dicas de como fazer o material render, uma vez que os valores das canetas estão subindo desesperadamente. Para isso, conto com a ajuda do meu modelo, príncipe Vegeta, desenhado especialmente para este post. rs

Vegeta, personagem da série Dragon Ball Z - Nanquim sobre papel offset 180g/m², formato A5.

1) Procure opções mais baratas
Para trabalhos profissionais e que exijam qualidade a longo prazo, recomendo ter no seu estojo algumas canetas nanquins (nanquiiiim mesmo) descartáveis ou reutilizáveis. Se o desenho que você for fazer tem como finalidade um estudo, um rascunho rápido, algo pessoal e momentâneo, que não justificaria gastar um material tão caro, use outras canetas pretas mais em conta. 

Opções de canetas pretas mais baratas para desenhar.

Quando estava começando a desenhar histórias em quadrinhos, gostava de contornar tudo com caneta preta mas não me atentava à qualidade delas. No post "Nem toda tinta preta é nanquim" expliquei a diferença entre as canetas pretas, avaliando sua composição e mostrando o efeito que elas dão a longo prazo.

2) Faça rascunhos, esboce mil vezes se for necessário!
Meus rascunhos iniciais são uma bagunça. Uso pouco a borracha neles e faço uma quantidade absurda de riscos no mesmo lugar para obter um traço correto. Depois disso, com ajuda do vidro da janela da mesa de luz, faço um "esboço limpo".

Rascunho sujo em vermelho e rascunho limpo em azul.

Na imagem acima é possível comparar duas fases diferentes de rescunho do mesmo desenho. Faço o segundo rascunho aproveitando as melhores linhas do rascunho anterior e a partir dele vou adicionando detalhes. A arte final em caneta só vem depois que o rascunho está devidamente resolvido.

3) Preencha grandes áreas usando tinta
Uso caneta nanquim no contorno dos desenhos, mas para preencher áreas maiores, vou no pincel e tinta mesmo. Uma prática comum na arte final de quadrinhos é marcar com um "x" as áreas que serão preenchidas com nanquim, desta forma tanto o desenhista quanto o ajudante entendem o que é para ser feito.

Preenchimento das áreas marcadas com o "x" com tinta nanquim .

Imagina o tempo que eu gastaria para preencher essas áreas com caneta! Com tinta e pincel é bem mais rápido, fora que rende muito mais. 20 ml de nanquim Acrilex está na faixa de R$1,50 ~ R$2,00 e dá pra fazer uma porção de Vegetas iguais a esse.

4) Tenha pelo menos uma brush pen
Para preenchimento de áreas não tão grandes, recomendo usar brush pen - canetas com ponta de pincel de cerdas ou de feltro. Também existem vários tipos à venda, tanto nanquim quanto marcadores à base de álcool ou à base de água, de valores diversos.

Minhas brush pen.

Além de preenchimento, podem ser usadas para acabamento de linhas de contorno. A variação de peso proporcionada pela ponta dessas canetas dá um efeito interessante no desenho que seria difícil alcançar com a mesma precisão usando um pincel. Quem faz lettering também usa bastante!

5) Arte finalize digitalmente
As mesas digitalizadoras permitem desenvolver o processo todo digitalmente, desde o rascunho até a colorização. No entanto, mesmo quem não possui um desses recursos pode alternar as etapas fazendo contorno com técnicas tradicionais e depois selecionando e preenchendo as áreas pretas maiores em um programa editor de imagem sempre que possível.

Selecionando área e preenchendo digitalmente.

Essas foram algumas dicas de como fazer render e evitar desperdício dos materiais mais caros. Claro que cada caso é  um caso e alguns projetos demandam uso de materiais específicos. 

Ao mesmo tempo que economizar é importante, recomendo uso dos bons materiais em testes para que você consiga entender como funcionam e como podem ser bem aproveitados em seus trabalhos. Com o tempo e experiência, você mesmo vai ser capaz de julgar qual marca atende melhor suas necessidades, sejam elas amadoras ou profissionais.

Fico por aqui! Se já segue essas dicas ou tem mais alguma pra compartilhar, deixe seu comentário e vamos trocar figurinhas.

Até a próxima! o/

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Lettering - wi fi só depois

Olá, tudo certo? Desenhando muito?

Na semana passada tive uma experiência muito boa: arrumei a casa inteira. No começo foi complicado e deu trabalho imenso colocar tudo no lugar certo, mas o resultado foi ótimo. Nessa história, o ateliê/escritório ficou mais organizado e a vontade de produzir aumentou. Antes eu olhava pra bagunça em cima da mesa e sentia preguiça de fazer qualquer coisa, mas agora tento manter todas as coisas no lugar certo para não desperdiçar os meus surtos criativos.

Um desses surtos ocorreu quando terminei de limpar os armários da cozinha. Tenho duas prateleiras que ficam em cima da geladeira viradas para a sala de estar e uma moldura vermelha que estava vazia na gaveta de materiais. Pensei em unir o útil ao agradável colocando um quadrinho com alguma frase legal sobre cozinhas, mas ao procurar inspirações e referências, encontrei uma frase que chamou mais atenção: "wi-fi só depois de 30min de conversa".

Resultados de pesquisa de imagens no Google.

Como pode ver, existem vários modelos dessa frase, feitas à mão ou digitalmente, composições coloridas ou monocromáticas. Me apeguei mesmo à frase em si e quis fazer minha própria composição à mão.

Esboços iniciais.

Defendo que todas as ideias devem ir primeiro pro papel! Além de conseguir visualizar em tamanho real, com o rascunho eu pude fazer teste de legibilidade das letras.

Verifiquei que a escolha das letras não deu muito movimento pra composição. Quando falo de movimento, me refiro a sensação causada pelo caminho que olho faz no texto. O único elemento que proporcionava isso era aquele "de" como se fosse uma linha. A partir daí, experimentei outros estilos, mantendo a composição.

Esses foram alguns testes de letras cursivas para quebrar a monotonia.

É importante rascunhar tudo antes de finalizar. Quando você visualiza o rascunho de maneira mais crítica, consegue perceber erros e corrigir a tempo. Mostre para outras pessoas e peça opinião nessa fase, trazer olhares de fora pode ajudar a enxergar coisas que a gente não vê durante o processo. Bem melhor do que gastar aquele material caro pra finalizar e ter que refazer.

Processo de finalização em nanquim.

Quando cheguei na composição que julguei mais interessante, corri pra mesa de luz e passei o rascunho bruto para um novo rascunho, com grafite bem de leve, já no papel definitivo. Em seguida, passei caneta nanquim no contorno das letras e fiz o preenchimento com nanquim tinta.

Quadrinho finalizado.

Esse foi o resultado do estudo de lettering da semana. Achei que ficou bem divertido, e ameniza um pouco o impacto que a frase (pesada e reflexiva) proporciona.

Gostou? Deixe seu comentário. Vamos trocar experiências!
Até a próxima! o/