quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Mascotes

Pára tudo!

Semana passada trabalhei em um projeto de mascote e caí na real de que nunca abordei esse tema em sua amplitude aqui no Cappuccino. Você sabe o que são mascotes? Talvez até saiba, pois estamos em contato com eles a todo tempo, seja pela televisão, na gôndula do supermercado, nos eventos promocionais, nas escolas, nas campanhas etc.

É massacote...

Na publicidade, Mascote é uma personagem simbólica de uma marca, com objetivo de estabelecer relação de proximidade com o público consumidor. E quando falo "marca" não me refiro apenas a um produto, ok? Pode ser uma instituição, um serviço, um evento...

Estudo de caso.
Vou compartilhar com vocês um projeto do meu portfólio para exemplificar melhor a questão toda. Foi um trabalho desenvolvido em 2017 para a rádio capixaba FM Super. Por questões éticas, não divulgarei nenhuma informação institucional presente nos documentos de pré-projeto, e me atentarei apenas em exemplificar por meio das imagens o que foi feito.

Foi realizado um briefing com o cliente para que eu tivesse todas as diretrizes para iniciar o projeto. Essa etapa, meus queridos, é muito importante! Quanto mais específico e bem delimitado for o escopo, melhor conseguimos nos organizar e entregar um bom resultado. A partir daí, fiz pesquisas para embasamento teórico, desenhei os primeiros rascunhos e elaborei os possíveis desdobramentos, para que o cliente pudesse visualizar a funcionalidade do mascote.

Mascote FM Super - estudos iniciais.

Enviei os rascunhos para aprovação, junto com a justificativa de todas as tomadas de decisão do desenho, para que a equipe pudesse entender os estudos que fiz e os propósitos de cada detalhe. Alguns ajustes foram solicitados antes da aprovação. Confira:

Ajustes solicitados durante o desenvolvimento do Mascote FM Super.

Importante: aprovem com cliente todas as etapas e documentem todos os retornos. Isso minimiza o erro e evita que grandes modificações sejam solicitadas perto da finalização do trabalho.

Depois do rascunho aprovado, o mascote foi vetorizado para dar melhor acabamento e possibilitar sua aplicação posteriormente em qualquer formato. Também disponibilizei o esquema com as várias vistas do personagem para facilitar futuramente sua modelagem em 3D.

Mascote FM Super finalizado, com vistas fronta, lateral, costas e detalhes.

Atenção! Mascotes não são apenas um desenho!
É bastante comum um cliente se assustar com a diferença nos valores de um projeto de mascote comparados aos valores de uma caricatura, por exemplo. Apesar de em ambos os casos o resultado final ser, na maioria das vezes, a entrega de um desenho, o processo de desenvolvimento de uma mascote é bem mais complexo.

Primeiro de tudo, precisamos seguir uma metodologia. Estudar a marca a qual a mascote fará parte, entender suas características, pesquisar o que já foi feito para marcas diferentes do mesmo ramo para não cair no senso comum ou no plágio; buscar referências e elementos marcantes; entender como a marca se posiciona no mercado e com seus consumidores para ajudar no desenvolvimento do gestual da personagem. É preciso também ter noção de composição, teoria das cores, marketing; testar, errar, consertar, testar novamente...

O que um bom projeto de mascote precisa ter?
Xiiii... vamos lá. Pesquisa é um ponto chave na elaboração de um mascote. Se aprofunde o quanto puder no segmento do seu cliente, posicionamento da marca, características desejáveis; tente entender o motivo do cliente solicitar um mascote.

No desenvolvimento da personagem, busque informação sobre linguagem corporal, significado das cores, estudos de formas e sólidos geométricos, estilos de desenho, texturas, acabamentos... a semiótica pode ser uma ferramenta norteadora para tomada de decisões.

Charlie - mascote criado para ser porta-voz da campanha Consuma Atitude, da empresa Resultate.

Em relação à parte técnica da entrega do projeto, procure mostrar como será a expressão corporal dessa mascote e como será sua interação com a marca. Pense em poses chaves para utilização em peças publicitárias e/ou outros tipos de campanha. O esquema com as vistas rotacionadas do mascote também faz parte de um projeto completo.

Leituras
Para quem se interessa pelo assunto, além de me disponibilizar por e-mail ou por comentário a trocar ideia sobre o assunto, gostaria de recomendar o livro Mascotes. Semiótica da Vida Imaginária, da professora Clotilde Perez; e dois artigos sobre utilização de mascotes:

- A utilização de personagens e mascotes nas embalagens e sua representação
simbólica no ponto-de-venda, de Luiz Cláudio Gonçalves Gomes, e Alexsandro de Souza Azevedo.

- As mascotes na publicidade a alimentos para crianças, de Rosário Higgs, Carla Medeiros, e Francisco Costa Pereira.

Espero que tenham gostado.
Até a próxima! o/

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Olá, Mauricio!

Ei, gente! Tudo bem? Como está a rotina de desenho? Espero que à todo vapor!!!

Depois de sumir por um tempo, estou de volta trazendo uma dica super bacana de rolê gratuito pra você: a exposição Olá, Mauricio!, no Centro Cultural Fiesp, na cidade de São Paulo. A mostra começou em julho, e temos aí mais alguns meses para aproveitar.

Imagem do folder com Programação de Setembro do SESI-SP;
+ Bidu gigante na entrada do prédio da Fiesp.

Mesmo com uma duração bacana, eu sei que muitos admiradores do trabalho do Mauricio e fãs da Turma da Mônica não tem a oportunidade de viajar até São Paulo para conferir de pertinho o que está rolando. Eu mesma passei por isso várias vezes! Perdi muitas exposições legais que acontecem aqui na "terra da garoa" porque morava longe e não tinha condições de vir... Mas, calma! Quero compartilhar contigo a experiência. Vamos juntos?

Primeiro painel da exposição.

A mostra é sobre as contribuições de Mauricio de Sousa nesses 60 anos de carreira. Ele, que começou jornalista, hoje tem papel super importante na cultura brasileira, tanto na área do entretenimento quanto na de educação, por meio dos quase 500 personagens de quadrinhos que criou. O painel de entrada, na metáfora de página dupla de jornal, conta um resumo de sua vida profissional e traz imagens de diversos momentos, incluindo a primeira tirinha publicada - Bidu e Franjinha.

Painéis de apresentação das personagens dos núcleos
Chico Bento (acima) e Astronauta (abaixo).

Na primeira parte da exposição temos contato com as personagens organizadas de acordo com seus núcleos. Os painéis são gigantes, super coloridos, e podem ser fotografados (sem flash, lógico). Fui num horário bem tranquilo, então consegui tirar fotos bem abertas pra mostrar alguns deles.

Agora pasmem! Quando as apresentações das personagens acabam, a gente encontra uma réplica da estação de trabalho do Mauricio. Confesso, senti muita vontade de pular a faixa de segurança e sentar ali pra saber qual a sensação. Dicionário, canetas de todas as cores e miniaturas são alguns dos itens em cima da mesa, sem contar com maravilhosas páginas originais (ou cópias das originais) de Turma da Mônica Jovem. A lágrima só não escorreu porque tinha um segurança me olhando fixamente.

Réplica da mesa de trabalho do Mauricio de Sousa.

Aí, meu coração que já estava abalado, quase encerra atividade quando me dirijo à segunda parte da exposição: Histórias em Quadrões -  a releitura que o Mauricio fez das obras de grandes artistas. Esta ala começa com vááááários originais dos esboços protegidos de mim por um vidro.

Esboços originais de Histórias em Quadrões.

Os "quadrões" são quadrões mesmo. Telas bem grandes pintadas à tinta, com personagens da Turma da Mônica dando ar da graça em famosas obras de arte. Encontrei, dentre os esboços, o do meu "quadrão" favorito - Cebolinha tocador de pífaro (releitura de O tocador de pífaro, de Édouard Manet).

Cebolinha tocador de pífaro.

Porém, a versão à tinta não estava exposta, buááá!! Mas aproveitei a oportunidade para eleger um segundo favorito dentre os presentes na galeria. A escolha foi bem óbvia, na verdade: a releitura d'A grande onda de Kanagawa, do mestre japonês Hokusai.

A grande onda de Kanagawa.

O final da galeria fica na saída do espaço, encerrando a exposição, e isso me deu uma sensação triste de "poxa... acabou." - daí, retornei pela porta de entrada e percorri tudo de novo! Sim... perambulei lá dentro DUAS vezes e pretendo ir de novo, porque dá pra absorver muita informação.

Do lado de fora, professores organizavam seus alunos para entrar. Senti tanta vontade de conduzir eu mesma um grupo de crianças e explicar os personagens, contar sobre como as historinhas do Mauricio me ajudaram quando eu tinha a idade delas, ensinar história da arte pegando a deixa dos Quadrões... Passou um filme na minha cabeça. Me vi criança desenhando a Mônica e falando  que seria desenhista.

Senha simbólica para fila da exposição Olá, Mauricio!

Bom, trouxe comigo dois bilhetinhos da senha simbólica que é distribuída lá dentro. Uma é minha e a outra é sua, leitor, que foi junto por meio desta postagem. 

A exposição tem muito mais do que mostrei aqui. Perderia a graça se eu mostrasse tudo também, né? Se você tiver chance, gosta de desenhar, gosta de quadrinhos, visite. Fica aberto de terça à sábado, das 10h às 22h; e aos domingos, das 10h às 20h - até dia 15 de dezembro de 2019.

Se já foi, ou pretende ir, deixe um comentário contando sua experiência. Caso não possa ir, mas interessou, deixe suas perguntas aqui nos comentários, que a gente troca ideia também. Beleza?

Até a próxima! o/

terça-feira, 7 de maio de 2019

Teste seus materiais sem medo

Este é mais um post para aqueles que, assim como eu, precisam trabalhar o medo de colorir desenhos. Fiz pra mim uma "folha de testes" que complementa a cartela de cores que disponibilizei no post sobre as canetinhas Geloo.

Costumo dizer que para se perder o medo de pintar seja lá o que for, precisamos conhecer os materiais, saber as cores, testar misturas, e praticar exaustivamente. Recentemente voltei a usar lápis de cor para pintar alguns desenhos e, antes de riscar o papel, adquiri o hábito de testar a mina do lápis em um papel de rascunho para ter certeza da cor. Isso já me dá uma confiança maior para colorir os desenhos sem medo de estragar, mas além de consumir material extra, notei que essa prática acaba me tomando um pouco de tempo a mais para finalizar um desenho.

Assisti alguns vídeos no youtube de pessoas que possuem grupos de colorir, e vi que a maioria fazia anotações das cores dos lápis em um papel para consultar. Foi daí que veio a ideia de elaborar uma folha de teste padrão, na qual eu pudesse especificar a marca do material, fazer anotações prévias e sugerir instruções de misturas ou possibilidades de efeitos. Desta forma, em vez de ter um papel rascunho sempre a tiracolo, eu teria um documento já com dicas do que posso fazer.

Vou deixar a imagem abaixo disponível em alta qualidade para que você possa baixar e imprimir. O formato original é de um A5, então sugiro impressão de 2 páginas por folha para melhor aproveitamento de papel. 

Clique na imagem para visualizar e baixar.

A princípio a folha conta com um mini círculo cromático para primárias e secundárias, espaço para 12 cores, 3 retângulos e 6 bolinhas para testes gerais de misturas, transições, sobreposições etc, além de um espaço pra observações gerais. 

Folha de teste - protótipo - lápis metálico Faber-Castell

No protótipo acima, ainda manuscrito, fiz estudos da minha caixa de lápis metálicos da Faber-Castell - que tem 12 cores - e achei que esse formato atende as minhas necessidades no momento. Aos poucos vou atualizando de acordo com os materiais que tenho no ateliê para tentar facilitar a vida. Espero que ajude a facilitar a sua vida também.

Depois me conta o que achou.
Até a próxima! o/