quinta-feira, 11 de abril de 2019

Encáustica - técnica do artista Vinícius Zocolotti

Você já ouviu falar sobre encáustica? Tive oportunidade de presenciar a técnica visitando o ateliê de Vinícius Zocolotti (@nativa.atelier), artista plástico, terapeuta holístico, arteterapeuta e meliponicultor aqui do estado. Uma pessoa talentosíssima de quem o trabalho admiro muito!

A encáustica, ou pintura com cera quente, é uma técnica artística antiga grega usada tanto para pinturas em cavalete quanto pinturas de mural, e que com o passar dos anos foi adquirindo funcionalidades práticas devido à durabilidade e qualidade. Para confecção das tintas é necessário misturar pigmentos com cera branca ou cera de abelha derretida. É um processo demorado e meticuloso, o qual Vinícius se dedica por completo.

Vinícius Zocolotti em seu ateliê.

Por ser meliponicultor, ele é bem exigente em relação à qualidade das ceras mistas orgânicas e dos pigmentos usados para fazer suas tintas. O processo de fabricação dos bastões é relativamente simples: a cera é derretida e dividida em porções para cada cor de pigmento; depois a mistura colorida é depositada em moldes e colocada para esfriar. Não me foi revelado a proporção de cada item, um mistério que só faz crescer meu interesse no trabalho. Os bastões ficam prontos para uso quando se solidificam por completo, e, segundo o artista, fatores externos como temperatura ambiente e umidade podem influenciar no resultado e no tempo de secagem.

Bastões de cera e materiais para pintura encáustica - ateliê de Vinícius Zocolotti.

Em seu ateliê, Vinícius possui, além das tradicionais ferramentas de pintor - como pincéis, espátulas, goivas etc - alguns objetos de uso doméstico que produzem calor e que são usados exclusivamente para as pinturas, como chapas de fritura (que ele usa como godê), ferro de passar roupa, secador de cabelo, solda, maçarico, entre outros. Desta forma, é possível derreter gradativamente os bastões produzindo efeitos diversos e texturas belíssimas no suporte.

Esquerda: A Roda / Direita: Axis Mundi I
Quadros do acervo de Vinícius Zocolotti - venda sob consultoria.

Devido ao nosso clima tropical com verões castigadores, as pinturas de encáustica são sazonais, tendo seu pico de produção nos meses correspondentes ao inverno. Nas outras estações, a dedicação maior de Vinícius está na confecção dos artigos de sua marca Nativa Atelier, nos atendimentos terapêuticos e no cultivo de mel e alimentos orgânicos do sítio que a família possui no interior do estado. O contato com a natureza também é uma forma de desacelerar o ritmo frenético da vida na cidade, colocar a mente no momento presente, e aproveitar as energias da terra.

As abelhas do meliponário viram motivos de suas obras.
 Quadro do acervo de Vinícius Zocolotti - venda sob consultoria.

No seu espaço de criação encontramos sempre músicas étnicas e tribais, batuque, mantras; artigos de decoração místicos; tarots; toneladas de livros; e gatos brincando. Talvez a tranquilidade do ambiente seja uma tentativa de acalmar a mente fervorosa e criativa de quem o habita. É como se a gente se acalmasse e se agitasse ao mesmo tempo... Dualidade digna de soneto de um outro Vinicius.

Detalhe da parede decorada do ateliê.

A encáustica é uma opção de técnica para quem tem receio de sujar a casa toda de tinta. Por ser à base de cera, não corre o risco de manchar o chão nem a roupa, e a manutenção do ambiente de trabalho é simples. Além disso, não há necessidade de aplicar verniz na pintura! A cera que Vinícius usa, quando polida, deixa um efeito brilhoso lindo nos quadros, e ele mesmo ressalta: "quanto mais polir, mais reluzente fica". Porém, deve-se ter todo o cuidado do mundo para não se queimar durante o trabalho.

Fico por aqui, espero que tenha gostado de conhecer um pouco sobre encáustica e sobre a produção artística do Vinícius Zocolotti. Quando puder, trarei mais artistas e seus processos criativos para o blog. Combinado?

Até a próxima! o/

quarta-feira, 27 de março de 2019

Does it spark joy? - método KonMari na vida do artista

Não se assuste! Este post não vai ensinar a dobrar roupas, mas vai dar dicas de como organizar a sua vida criativa para que sua produção como artista não vire uma bagunça.

Estreou recentemente no Netflix uma série chamada "Ordem na Casa" (Tidying Up), na qual Marie Kondo, autora dos livros "A mágica da arrumação" e "Isso me traz alegria",  visita famílias para ajudar a pôr ordem na bagunça de suas casas. Assisti a série toda e também senti vontade de guardar Marie num potinho... Mas o que mais me chamou atenção foi a possibilidade de aplicar seu método de organização - KonMari - em qualquer área da vida. Inclusive na profissão.


Trailer da série Ordem na Casa - Tidying Up

E como fazer isso?
A ideia geral é manter na vida apenas o que te traz alegria, itens que tenham valor sentimental, coisas que fazem parte de quem você pretende ser. Na vida profissional, interpretei como fazer uma organização geral das nossas referências, dos materiais e ferramentas, estilo de trabalho, técnicas...

Dependendo da sua área de atuação, as categorias podem variar, o importante é pensar nos objetos e agrupá-los de acordo com suas características ou função. Trabalho com design gráfico e ilustração, então dividi as minhas categorias da seguinte forma:

  • MATERIAIS: minha maior categoria - aqui ficam todos os materiais artísticos e as ferramentas de trabalho que tenho, como computador, tablet, papeis, lápis de cor, tintas, pincéis, caneta, grampeador, cola, fita adesiva etc;
  • LIVROS: esta categoria engloba livros em geral, revistas, mangá, histórias em quadrinhos, apostilas etc;
  • DOCUMENTOS: documentos pessoais e profissionais, desenhos e trabalhos antigos, contratos, briefings, certificados, diplomas, recibos, notas fiscais e afins;
  • REFERÊNCIAS: sites favoritos, plataformas, conteúdo em redes sociais;
  • DIVERSOS: praticamente itens de decoração, CDs de música, e as coisas que não pertencem aos demais grupos;

Mantenha apenas o que for necessário
Depois de separar os objetos dentro das categorias, fui descartando o que não me trazia felicidade e o que de fato não servia mais. Tinha vários marcadores secos ocupando espaço na gaveta, então agradeci e joguei fora. Itens que estão em boas condições de uso, mas que já não fazem mais sentido para você, podem ser doados pra quem precisa. Isso inclui os perfis que a gente segue em redes sociais também. 

Um pedacinho da bagunça...

Os itens que você decidir manter precisam ser guardados com seus semelhantes. A criação de subcategorias pode ajudar a estabelecer os espaços de cada coisa. Por exemplo: designar um local específico para guardar só papeis, outro só para tintas, outro para as canetas, e por aí vai. Desta forma fica mais fácil encontrar o que procura e, depois do uso, retornar ao lugar correto.

Deixe perto o que você usa com frequência.
Nesta postagem sobre criatividade comparei nosso cérebro com uma estante em que as coisas importantes estão lá para serem acessadas facilmente, e que à medida em que nossas prioridades mudam, as informações da estante também vão mudando. Bom, seu espaço físico criativo deve seguir a mesma linha: deixe mais acessível o que é usado com frequência. Se no futuro as prioridades mudarem, reconfigure seu espaço de modo que ele continue te atendendo bem.

Mantenha por perto apenas o necessário, e organize de acordo com tipo e frequência de uso.

No fim das contas você vai se sentir mais feliz e mais produtivo no seu ambiente de trabalho ou de estudo. Ainda estou no meio do processo e já me sinto bem melhor. Recomendo o exercício!

Até a próxima! o/

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Leprechaun - SuperSoft Faber Castell

Conversando com as amigas desenhistas sobre lápis de cor, tive conhecimento sobre uma linha de lápis da Faber-Castell, da série mais profissional, chamada SuperSoft. São lápis de cor de mina macia e que soltam muito pigmento na superfície na qual são usados. Tive oportunidade de experimentá-los uma vez na casa da Joyce (Caixola), e gostei muito do comportamento da cor no papel. Empolgada com a experiência, no fim de 2018 me dei uma caixa de presente.

Caixa dos lápis SuperSoft e Leprechauns.

Encontrei um tempo para testá-los novamente esta semana, após ver uns estudos de leprechaun (duente da sorte) que a minha amiga Débora (Imaginei Ilustrei) estava fazendo. Fiquei inspirada e tive vontade de desenhar um também, então usei ele como a desculpa perfeita para estrear meus lápis SuperSoft.

O rascunho foi feito em papel sulfite e finalizado em papel kraft. Como a transferido para o papel kraft não é possível com mesa de luz, usei a técnica de decalque. Com grafite a gente risca o verso de uma folha de papel e depois a usa com se fosse um carbono.

Transferindo o rascunho para o papel kraft.

Antes de ir para os finalmentes e colorir o desenho, fiz uns estudos de comportamento do lápis. Isto é, em um papel colorido testei todos os lápis para saber exatamente quais eram as cores das minas, e misturei algumas para entender como o pigmento se comporta.

Testes de pigmento dos lápis SuperSoft.

Apertando bastante o lápis, o pigmento cobre toda a superfície, dando um efeito maravilhoso. Como pode ser observado na foto acima, os degradês podem variar tanto em função da pressão aplicada no lápis ao pintar, quanto na mistura entre cores diferentes.

Leprechaun finalizado

O marrom do papel kraft sumiu, ficou apenas o pigmento do lápis. O melhor de tudo é que não deixa resíduo na mão da gente e não corre o risco de borrar o desenho. Pelo menos comigo não aconteceu.

Gostei bastante da experiência e repeti fazendo uma companheira pro personagem. Afinal de contas, essa riqueza toda que ele carrega poderia muito bem ser compartilhada, né?

Casal leprechaun.

Os detalhes de pontos de luz, em branco, foram feitos com caneta Posca e caneta gel Gelly Roll. A tinta dessas canetas não absorve o pigmento deste tipo de lápis, continua bem branquinha. Achei ótimo, pois o efeito permanece no desenho por um bom tempo!

A caixa que tenho tem 24 cores e custou aproximadamente R$50. Foi bem divertido e prazeroso colorir com lápis de cor depois de tanto tempo sem usá-los. Existem outras marcas de lápis macios que seguem nessa linha, com preços variados. Os usados pela Débora no estudo foram os da marca Prismacolor. Espero que tenham gostado e que visitem os blogs mencionados neste post.

Desejo muita sorte e fortuna a todos vocês! 🍀
Até a próxima!