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segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Estudos com paleta reduzida

Sobre paletas
No contexto artístico*, chamamos "paleta" o conjunto de cores disponíveis para executar um trabalho. Podem ser tanto as cores que vão ser misturadas entre si, quanto cores já misturadas e selecionadas previamente. Também chamamos de paleta aquele instrumento de madeira ou acrílico no qual as tintas são dispostas.


Às vezes a paleta de um artista** acabam funcionando como uma espécie de assinatura de suas obras!

O que é paleta reduzida?
Na semana passada, durante algumas pesquisas que vinha fazendo, achei o canal da Escola de Belas Artes da UFRJ no Youtube e acabei assistindo a algumas todas as lives gravadas sobre composição pictórica e pintura. Numa dessas aulas aprendi sobre "paleta reduzida" e fiquei impressionadíssima. Talvez para um estudante do curso de Artes isso não seja novidade, mas para mim foi como se um horizonte inteiro de novas possibilidades tivesse aberto diante dos meus olhos.

EBA UFRJ - Live de ensino remoto, professor Licius Bossolan
(paleta reduzida a partir de 01:40:21)

Aprendemos na teoria da cor que a partir das cores primárias (amarelo, magenta e do azul) podemos formar toda uma variedade de matizes, e adicionando branco ou preto a essas misturas, conseguimos criar ainda mais tons. Temos aí então uma paleta básica composta por 5 cores: 3 cores primárias + 2 (preto e branco). Mudando o tom de alguma dessas cores primárias, as misturas podem se tornar únicas e diferenciadas. 

Na paleta reduzida vista na aula, aprendi que conseguimos chegar a um espectro semelhante aos resultantes das cores primárias misturando apenas 3 cores: vermelho terroso, amarelo ocre e preto.


Quando falamos de espectro, estamos nos referindo à sensação de cor que nossos olhos captam por meio do reflexo da luz. Observe que no disco acima, a cor preta vibra para a casa dos azuis, e quando misturado ao amarelo ocre, acaba causando uma sensação de verde. Física ótica purinha, gente!

Meus testes
Empolgadona, acabei fazendo vários estudos de paleta reduzida, usando três mídias diferentes: tinta à óleo, aquarela e tinta acrílica.




O de tinta à óleo (imagem acima) foi feito no papel mesmo, com tinta da marca Acrilex. A coisa foi ficando tão interessante ao meu ver, que no final arrependi por não ter feito em tela. Acho que vou refazer em algum momento.


Em seguida, fiz com aquarela. Apesar da gente entender que o princípio ocorre com qualquer material, eu queria ver com meus próprios olhos o resultado das misturas. Usei tinta aquarela da linha Pentel Arts sobre papel específico para técnicas aguadas, 300g/m².


Talvez o mais polêmico tenha sido esse com tinta acrílica, um estudo de folhagem em "monocromia" de amarelo sobre papel. Usando apenas amarelo (Corfix), preto e branco (Acrilex) consegui efeitos visuais de tons verdes bem intensos. A polêmica em cima disso é que, de acordo com a teoria da cor, os verdes são obtidos por meio da mistura de amarelos e azuis.

Se quiser ver mais detalhes, postei os resultados no meu perfil do Instagram.

Curiosidades
A teoria da cor que estudamos hoje em dia só foi publicada por Goethe no início do século XIX.

Em tempos passados, pintores do renascimento e do barroco faziam seus tons de verdes e violetas a partir dos efeitos óticos que o pigmento preto proporciona ao ser misturado com ocres, brancos e vermelhos. 

O pigmento azul já foi muito caro, pois era feito a partir de uma pedra preciosa chamada lapis lazuli. Sendo assim, apenas nobreza e clero tinham grana o suficiente para bancar pinturas que levavam essa cor.

Com o passar do tempo, novos materiais foram sendo descobertos para extrair pigmentos azuis, como cobalto, cobre...e também pigmentos sintéticos livres de metais, como é o caso da ftalocianina.

Para quem interessar, deixo outra sugestão de aula:

EBA UFRJ - Análise de formação da pintura "A Ponte de Pedra", de Rembrandt.

No vídeo, o professor explica como teria sido o processo de composição pictórica do artista barroco Rembrandt para a paisagem "A Ponte de Pedra".

Dever de casa
Quem sou eu pra passar dever de casa?! Mas gostaria muito de sugerir que vocês façam o estudo de paleta reduzida, ou que testem seus materiais para explorar quantas misturas diferentes podem fazer com o que existe aí na sua casa. Vai ser surpreendente, tenho certeza!

Bons estudos e até a próxima! o/

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* - artístico aqui se refere a qualquer atividade ou ofício que envolva o uso de técnicas artísticas: design, arquitetura, ilustração, artes plásticas etc.
** - artista, portanto, também pode ser lido como qualquer pessoa, profissional ou não, praticante de atividades do meio artístico.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Como limpar os pinceis

Pintar é uma delícia! Mas uma parte do processo que muita gente ainda peca é na limpeza dos materiais após o uso, principalmente os pinceis. Às vezes por preguiça (quem nunca?), ou por não saber o modo mais adequado pra fazer isso.


No post de hoje vou mostrar como limpo os meus pinceis no dia a dia. É um processo bem simples e que, salvo uma peculiaridade ou outra, funciona para qualquer tipo de tinta. Vamos lá?

Você vai precisar de:
- sabão neutro em barra ou detergente neutro;
- água corrente;
- esponjinha velha;
- papel toalha ou flanela;
- limpa pincel ou pente modelador (opcional).

Como fazer?
Para começar, você precisa tirar o excesso de tinta do pincel usando um pedaço de papel toalha, papel higiênico, ou paninho. Isso vai ajudar a poupar sabão e esforço na hora de lavar as cerdas. Depois, retire um pedaço de mais ou menos 1cm da barra de sabão e guarde o restante.


Esse processo funciona para qualquer tipo de tinta, mas se você estiver utilizando tinta à óleo, recomendo que, depois de tirar o excesso com papel, passe o pincel no solvente para soltar ainda mais o resíduo que fica nas cerdas.


O solvente que uso pra tinta à óleo é o Ecosolv Acrilex. Coloco um pouco dentro de um potinho de vidro com tampa pra ir usando enquanto estou pintando. A tinta que sai das cerdas vai decantando no fundo do pote de vidro, deixando o solvente limpo por cima. Dá pra reutilizar o solvente várias e várias vezes desta forma.

Se você estiver usando aquarela, guache, nanquim ou tinta acrílica, use água em vez de solvente nessa etapa. Mas atenção: jamaaaaais deixe o pincel "de molho" no copo com água! Isso estraga o cabo (que muitas vezes é feito de madeira) e pode fazer o ferrolho (parte de metal) soltar.


Continuando... Umedeça o pincel e esfregue as cerdas no sabão neutro, fazendo movimentos circulares. Você vai ver que a tinta soltará na espuma do sabão. Em seguida você pode "massagear" a cerdas para limpar, ou passá-las em um limpa pinceis (objeto verde na imagem acima).

Algumas pessoas não gostam de usar limpa pinceis porque dizem que pode danificar as cerdas. Particularmente, não vejo problema algum. É só ter cuidado, passar com delicadeza e muito amor.


Enxague as cerdas do pincel em água corrente e repita o processo até a espuma ficar sem tinta. 

Lembretes: algumas tintas endurecem e se tornam impermeáveis ao secar, como é o caso do nanquim e da tinta acrílica. Lembre de sempre lavar os pinceis imediatamente após o uso, para não correr o risco de estragar.
 

Como tenho o péssimo hábito de colocar pincel na boca e fazer a maior lambança segurando as coisas com a mão suja de tinta, também faço a limpeza de ferrolho e cabo do pincel. Para isso, uso uma esponjinha velha, com o lado abrasivo pro ferrolho, e o outro lado para o cabo. 

Evite usar o lado abrasivo para limpar o cabo, pois pode acabar apagando as informações impressas nele, como modelo, número e material que a cerda é feita.


Feito tudo isso, é só secar bem o pincelzinho com papel toalha ou flanela e pronto. Seu pinceis ficarão limpos e podem ser usados novamente.

Concluindo
Vai dar preguiça? Vai sim. Mas é extremamente importante cuidar bem dos pinceis para que tenham uma longa vida útil. Fora que alguns modelos custam os olhos da cara, e quando estragar vai bater aquela dor no coração... Ai, ai!

Se você está chegando agora no mundo da pintura, recomendo ler meu post sobre pinceis, no qual explico alguns dos tipos que existem, e indico modelos para ajudar sua experiência.

Tem alguma coisa que você faz de diferente para limpar e conservar seus pinceis? Compartilha aqui nos comentários. 

Até a próxima! o/

segunda-feira, 22 de março de 2021

Passando a borracha

Ai, a borracha....
Vou começar o post bem assim, com um suspiro!


Acordei reflexiva hoje, meu povo. Observando a poeirinha que a borracha deixa no papel, e pensando na importância dessa ferramenta tão fofa do nosso estojo, lancei uma enquete no stories do Instagram perguntando pros seguidores se eles usavam mais o lápis ou a borracha no desenho.

Resultado da enquete.

Apesar de não ser nada estranho usarem mais o lápis do que a borracha, o resultado me levou a um transe filosófico sobre a seguinte questão:

Usar a borracha é errado?

Provavelmente em algum momento na sua vida de artista você escutou alguém dizer que é errado usar a borracha, ou que usar demais a borracha enquanto desenha é característica de um mau desenhista.

Não sei quem ou como começou esse boato, mas hoje em dia, com a maturidade que adquiri na caminhada artística como designer e ilustradora, posso dizer com todo meu coração que a borracha é extremamente necessária para nosso processo de evolução e que essa associação do uso frequente da borracha com falta de competência artística é a maior besteira!

Usar borracha é entender que tudo que é feito pode ser desfeito e que o erro não faz de você um artista ruim. Se te ajuda a alcançar um bom resultado, use e abuse dela.

Precisamos normalizar o uso da borracha

Nós aprendemos mais com erros do que acertos, fato! E se temos medo de errar, provavelmente nem começaremos algo novo, ou então, não arriscaremos sair da zona de conforto.

Notei que em desenhos recentes fiz a borracha trabalhar mil vezes mais que o lápis porque queria deixá-los com linhas bem limpinhas. Me sinto uma fraude por isso? Lógico que não! Venho trabalhando esse processo no digital também, fazendo rascunhos livres e beeeeem caótico e uma camada, e na camada de cima, redesenho apenas as linhas importantes pra deixar o desenho base organizado.


A borracha nos liberta! Ela permite que voltemos atrás quando erramos, quando um risco não sai do jeito que prevíamos. Não só pra consertar falhas, mas a borracha também serve para dar acabamento num desenho, pra "limpar" os cantinhos, para puxar pontos de luz... super útil!

Mas então por que nos desencorajam a usá-la?

Se existem ferramentas pra traçar linhas retas, pra fazer linhas curvas, pra fazer círculos perfeitos, pra apagar erros... Por que não usá-las? 

O motivo aceitável pro não uso da borracha talvez seja o de libertar o gestual artístico na fase de esboço, para que o desenhista não fique "preso" à linha perfeita logo de cara, e para que o traço possa fluir livremente.


De fato, com o passar do tempo, a gente vai adquirindo mais destreza pra não precisar usar tanto as réguas e os compassos. Mas é consequência de anos de prática, de bastante exercício, de tempo investido em desenho ao longo da vida. Da mesma forma, um desenhista experiente em seu ofício, já cansado de sabendo desenhar um monte de coisas "de cabeça", consegue chegar a um resultado satisfatório de representação gráfica sem usar tanto a borracha.

O tabu do uso da borracha pode ser um grande fardo no desenvolvimento do desenhista iniciante. A pressão do "e se eu errar" bloqueia a pessoa! Eu sei porque já passei por isso inúmeras vezes.

Podemos usar o "não use a borracha" como uma sugestão de exercício criativo, e não como uma regra de comportamento. 

Estamos combinados?

Chega de amassar papel só pra não ter o orgulho ferido! Vamos botar as borrachas pra jogo, vamos desenhar livremente, respeitando nossos próprios processos e as diferentes etapas de desenvolvimento artístico.

Aproveitando o espaço deste post, gostaria de pedir sugestões de borrachas, pois as minhas estão acabando. rs

Até a próxima! o/

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Caricatura de casamento

Oi oi oi...
Quem tem dificuldade de desenhar em um A3 levanta a mão. o/

Falei no post anterior da importância de desenvolver o gestual desenhando em formato maiores. É um desafio e tanto, mas depois que a gente se acostuma ou aprende uns "truques", a coisa fica bem mais simples. Recentemente tenho trabalhando em projetos de desenho muito legais que exigem tamanhos diferentes dos que estamos acostumados. Hoje vou falar um pouco sobre o desenvolvimento de um desses desenhos, e explicando a importância de ter um planejamento prévio.

Sketchbook.
Nada mais nada menos que o nosso famoso caderninho de rabiscos, onde as ideias devem ser anotadas, onde os estudos podem ser feitos, sem preocupação se o que você está fazendo lá vai virar uma obra prima. Antes eu ficava com essa paranoia de "ahh, tenho que fazer só desenhos lindos no meu sketchbook"... Na moral? Se você tá assim, desapega desse pensamento e seja mais feliz. rs

No projeto que vou detalhar, tudo começou com um pequeno esboço no caderno, como pode ser visto na imagem abaixo.

Página do sketchbook com a ideia // detalhe

A minha preocupação nessa miniatura foi basicamente estrutural, pois precisava fazer um desenho em formato maior depois, um A3 (29,7cm x 42cm). Então, no primeiro rascunho houve definição de enquadramento, composição, equilíbrio... essas coisas.

Rascunho, esboço, rafe... chame do que quiser.
Esportistas treinam antes dos jogos, bandas ensaiam antes de apresentações, assim como desenhistas esboçam antes de desenhar. É assim que a gente consegue um resultado mais seguro do que fazemos.

No desenvolvimento do projeto, meu segundo rascunho foi feito com o objetivo de passar a ideia inicial para o tamanho final. Precisava testar se o que foi idealizado na miniatura funcionaria na escala maior antes de sair gastando papel e nanquim com tentativa e erro.

Segundo rascunho, em tamanho final.

Sobre formatos: o A3 é o dobro do A4, daí, pra não ficar gastando papel de tamanho especial com rascunho, juntei duas folhas de papel A4 com fita adesiva transparente para poder rascunhar. Nesse esboço eu já tive noção melhor de como a composição se adequaria ao formato final, o que poderia ser valorizado e o que deveria ser descartado.

Desenho limpo e finalização.
Com ajuda da mesa de luz, fiz um desenho limpo à lápis. Isto é, passei para o papel apenas as linhas importantes do rascunho, bem de leve, para trabalhar o nanquim depois.

O desenho limpo já foi feito em papel especial, alta alvura (nome chique pra "muito branco"), liso, formato A3. Depois passei o nanquim por cima das linhas usando pincel fino. No preenchimento de grandes áreas pretas, usei pincel maior.

Resultado.

Desenho pronto, emoldurado e entregue ao casal, que ficou feliz e deixou compartilhar o processo todo aqui no blog. Muito obrigada!

Rascunhar, testar, estudar, fazer e refazer é cansativo, mas precisamos muito disso para conseguirmos um bom resultado do desenho que pretendemos entregar. Eu sei que os mais ansiosos gostam de fazer tudo de uma vez, de primeira, rápido... Mas quanto mais tempo e carinho a gente dedica a um projeto - seja ele qual for -, mais qualidade terá.

Espero que tenham gostado. Qualquer coisa, já sabe, né? Deixe um comentário ou envie um e-mail para o endereço ali no perfil. Vamos compartilhar nossas experiências.

Até a próxima! o/

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Minhas HQs de Tex Willer

Há um bom tempo, depois de participar da pesquisa sobre HQs na universidade e longas conversas sobre material de referência para desenho com a Suco, alimentava a ideia de comprar um exemplar de Tex. Essa série antiga, apesar de ser ambientada num Velho-Oeste dos Estados Unidos, é italiana e possui uma estética bem bacana, trabalhada em preto e branco com muuuuuito contraste. Lindo!

Como não gosto de ficar olhando muito tempo pra telas de computador, comprei um exemplar da revistinha na banca, para poder consultar sempre que quiser. Como a série ainda está sendo republicada (pela Mythos Editora), o preço de capa nas bancas está R$8,30 para revistas simples (umas 100 páginas), mas edições antigas podem ser encontradas por um valor bem mais baixo em sebos.

Capas das edições que comprei.... na banca. xD

Quando cheguei em casa, mostrei a revistinha pro meu pai e ouvi um discurso bastante empolgado sobre como Tex fez parte da vida dele, quando mais jovem, trocando livros e gibis com amigos. Daí meu pai pegou a revistinha e levou pro quarto dele. Catou na cara de pau! Esperei ele se distrair e catei de volta. hauAHuahUA

Sinceramente, eu tinha um certo preconceito com Tex, de ser HQ de tiozinho... mas, cara, na moral, foi só começar a ler que me apaixonei perdidamente mudei de ideia. Tem lá seus problemas de balonagem e fluxo de leitura em alguns quadros de ação, mas é como ler um western Sherlock Holmes. A história é muito boa! =P

Partiu desenho!
Na companhia do amigo de infância do meu pai, e na folguinha depois do almoço, esbocei minha versão do ranger chefe dos navajos, Sr. Willer.

Tex e Dinamite (cavalo) - rascunho

Depois, num raríssimo momento de folga em casa, consegui passar nanquim tentando trabalhar contraste, peso de linha, hachuras. Que saudade eu tava do cheiro de nanquim!!

Para colorir usei marcadores à base de água e de álcool, olhando as cores de capa da revistinha como referência, pois como disse lá em cima, as páginas internas são em preto e branco. Existe a edição toda colorida de Tex também, caríssima, mas nem me atrai.

Dinamite - colorido com marcadores diversos.

Poucos dias depois voltei na banca pra fazer a limpa! Comprei mais um exemplar da revistinha do Tex, uma edição de outro com história completa, e, por indicação de um brother, uma revistinha do Zagor pra experimentar. É legal também, e estou na metade já!

Zagor é esse cara muito macho segurando a machadinha!

O tio da banca ficou animado por ver "uma jovem" comprando essas coisas e quis conversar pra descobrir o porquê. Falei que a princípio era para referência de desenho, mas que depois de ler acabei gostando. Penso em voltar na banca qualquer hora para mostrar os estudos que fiz. =)

Bons estudos!
Até a próxima! o/

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Mario - Pastel Oleoso

No post anterior, falei sobre minha primeira experiência com pastel oleoso - material artístico em bastão feito com de pigmento, cera e óleo - e fiquei devendo um vídeo decente do processo de colorização. Como passei algumas horas do fim de semana jogando Mario com Sr. Momotaro, escolhi o encanador mais famoso do mundo como tema do novo estudo.

*cantarolando a musiquinha*

/!\ Observação importante: ao utilizar produtos fortes como solventes, procure trabalhar em local arejado, protegendo suas vias respiratórias com máscaras. Não é aconselhável passar muito tempo mexendo com isso, então faça pausas! ...E claro, mantenha fora do alcance de crianças e bichinhos de estimação!

Os materiais utilizados: giz pastel oleoso (Pentel), papel branco com textura de tela 240g/m² (Filiart Renaud), solvente aguarrás (Lukscolor), pincel chato de pelo de marta nº12 (Tigre), e paninho multiuso. 

Antes e depois.

Depois do solvente, realcei texturas e áreas de sombra e luz passando mais pastel por cima do desenho. Lápis de cor pode ser utilizado em áreas pequenas para acabamento. O cenário não foi mostrado no vídeo, mas o processo de pintura é o mesmo do personagem.

Alguns detalhes de textura do papel x quantidade de material aplicado sobre ele.

E atendendo ao pedido do Sr. Momotaro, edito o post acrescentando detalhes da pintura. Observe que a textura do papel é mais evidente onde há menos tinta, enquanto as áreas com maiores camadas ficam quase lisas. Devido a concentração maior de óleo na composição, o bastão de pastel gasta muito rápido, daí usar solvente para mesclar as cores acaba "economizando" o material no preenchimento dos espaços em branco. ;)

Fico por aqui.
Até a próxima! o/

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Nem toda tinta branca é corretivo!

Fiz o Cappuccino de hoje pensando no post de semanas atrás: "Nem toda tinta preta é nanquim". Quando falei das possibilidades e diferenças das tintas pretas das canetas, pensei também no uso dos diferentes materiais brancos que usamos para consertar erros e/ou produzir efeitos.

Apaga a linha aqui, põe brilho ali, esfumaça lá...

Quando o desenho é feito à lápis, a borracha é garantia de que os erros podem ser corrigidos... mas e quando a gente faz o que não deve "pra valer"? Isto é, e quando erramos uma coisa importante usando tinta, lápis de cor, marcadores? Faz falta um Ctrl+z na vida real! Ou então, o que fazer quando o desenho está sem contraste ou vibrante demais?

Atualmente, mesmo que uma ilustração seja feita por processos manuais, de um jeito ou de outro ela recebe tratamento digital antes de ser utilizada no veículo ao qual se destina. Alguns erros e manchas, diferença de cores, efeitos, etc, podem ser facilmente corrigidos usando ferramentas dos softwares de edição de imagem. Algo que podemos fazer para diminuir o trabalho na hora da edição é tentar suavizar os problemas.


Diferentes materiais brancos:

Nanquim branco, aquarela, lápis de cor, lápis dermatográfico, caneta gel, corretivo e guache.

Já mostrei vários materiais diferentes aqui no blog e falei sobre comportamento de cada um. A tinta branca correspondente aos tipos diversos desses materiais não costuma ser diferente - em termos de "comportamento" - das demais cores.

O lápis de cor branco, por exemplo, é composto por pigmento, argila, cera e aglutinantes. Quando passamos ele por sobre papel branco, o pigmento branco ficará preso no papel e dependendo da concentração de cera, dificilmente conseguiremos misturar outra cor. Se o contrário for feito, se passar lápis colorido primeiro e por cima passar o branco, é possível aumentar a luminosidade da primeira cor.

giz pastel branco é um material mais delicado e de pouca aderência, pois é composto por muito pigmento e pouco aglutinante. Pode ser aplicado por cima de qualquer outro material e esfumaçado facilmente. Para efeito de luminosidade é bom, mas não recomendo para apagar erros.

Coloco o famoso corretivo escolar na mesma categoria da caneta gel branca. Recomendo usar para acabamento - retocar umas linhas aqui e ali, puxar picos de luz, trazer áreas de grande contraste... São bons artifícios para cobrir erros, mas o corretivo escolar costuma amarelar com o tempo. A caneta gel, por sua vez, adere o pigmento da tinta que está sob ela.

As tintas brancas de guache e aquarela possuem a mesma composição, diferenciando basicamente na quantidade de coisas (aglutinantes e pigmentos). A tinta guache é mais espessa e mais recomendada para consertar "burradas", porque ao contrário do corretivo escolar, guache não costuma amarelar com o tempo... eu usava muito em quadrinhos. Na falta de guache, dá até pra usar aquarela em bisnaga, mas ela é bem mais fraquinha e dilui mais fácil. Em vez de corrigir uma mancha, pode causar uma nova. =P

Para quem gosta de nanquim, nanquim branco é uma opção e tanto, principalmente para trabalhos preto e branco. Use sem medo de ser feliz, pois o comportamento é o mesmo do nanquim preto: depois de seco, fica impermeável. Pra ter ideia, deixei secar nanquim branco no godê e não sai nem à pau! Já lavei muitas vezes e até agora nada...

Dois exemplos conhecidos e distintos de uso do material branco.
Esquerda: caneta gel branca usada no cabelo absorveu pigmento do marcador;
Direita: caneta gel e corretivo escolar não pegaram pigmento do material sob eles.

Nessa listinha podem entrar o lápis dermatográfico branco, aquela brush pen opaca da Magic Color, marcador branco Posca, tinta acrílica branca, etc, etc. 

Li certa vez que a cor branca "puro" não existe, e o que encontramos não só na forma de pigmento branco, mas objetos e papel, são na verdade variações de cinza com quase nada preto. E esses "brancos" também possuem variações frias e quentes, e tendência a outras cores, quando misturados (Materiais e técnicas: guia completo. São Paulo: Martins Fontes, 2008. p.68-69). Então, mais uma vez levanto a importância de se descobrir a finalidade do trabalho antes de escolher o material para executá-lo.

Enfim, eu não tenho conhecimento tão aprofundado pra afirmar nada com 100% de certeza, mas procuro sempre pesquisar as coisas que eu tenho para saber o que pode dar certo ou errado - e saber porque deu certo e porque deu errado. Algumas coisas são respondidas observando o resultado de testes, e outras infelizmente não estão ao meu alcance. Mas se o pouquinho da minha experiência puder ajudar em alguma coisa, eu já fico satisfeita.

Até a próxima! o/

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A Porta

Mesmo já tendo "encerrado" minha vida de estudante de graduação, resolvi assistir como ouvinte a uma disciplina optativa de Ilustração ofertada neste período para o curso de Desenho Industrial da Ufes. Mesmo não tendo vínculo de matrícula, tento me obrigar a cumprir os exercícios propostos pelo professor.

O desta semana foi bastante desafiador e quis fazer um Cappuccino sobre ele. Na verdade, eu gostaria muito de fazer Cappuccinos sobre os exercícios anteriores, mas são pessoais demais e não tive coragem. xD

*Pigarro*... Enfim, o professor propôs desenvolver uma ilustração para uma música de Vinicius de Moraes: A Porta. Quem escolheu a música para nosso exercício foi a filha do professor, que tem 6 anos, e talvez por isso ficou acordado em sala que a ilustração seria voltada ao público infantil dessa faixa etária.

Desenvolvimento
O desenvolvimento da atividade começou dentro de sala de aula, com organização de grupos para discutir ideias para a ilustração e rabiscos de possibilidades. Essa parte durou pouco, mas foi bem legal! Fazer um brainstorm em grupo é super enriquecedor, pois podemos ter diferentes opiniões sobre um mesmo assunto e discutir qual caminho seria melhor tomar para alcançar um determinado objetivo.

Meus rascunhos em sala de aula.

O terceiro rascunho foi a ideia que mais me agradou, e decidi trabalhar minha ilustração em cima dele. Pensei em usar aquarela para finalizar, então precisei redesenhar a ideia num papel branco, de gramatura mais alta e num formato maior.

Planejar as coisas antes de fazer evita um monte de erros bobos... Considerando o tempo pra execução, materiais e técnicas disponíveis, etc etc, planejei a execução da seguinte maneira: dividi a área do papel em partes simétricas com linhas verticais, horizontais e diagonais; depois fiz o rascunho do desenho usando elementos que formassem uma espécie de espiral condutora do olhar do expectador.

Divisões e estruturas do desenho.

"Ai Nane... sério que eu preciso pensar no percurso que o olho do expectador vai fazer no meu desenho?" - Yep! Sim, precisa. Inclusive, você pode fazer o exercício de achar as estruturas nas ilustrações de outras pessoas para ver que isso existe e não é invenção de moda da Nane.

Como disse lá em cima, queria trabalhar com aquarela, mas sem passar nanquim preto no contorno do desenho, pois se fizesse isso, deixaria muito pesado. Aquarela com grafite fica muito bacana, pois o cinza deste acaba pegando um pouco da cor que é passada por cima, e o efeito é lindo! Pra isso, precisei usar "caneta-borracha" de duas espessuras diferentes para apagar com precisão as linhas indesejadas.

Super-limpeza no desenho.

Por fim, o mais difícil: pintar. Não registrei o processo de colorização porque acredito que você já sabe como faço pra pintar as coisas com aquarela. Comecei "de fora pra dentro", isto é, do fundo (céu, nuvens, espaço e Terra) até os elementos centrais (porta e garotinha), deixando detalhes por último.

Utilizei aquarela em pastilhas da Pentel.

Em alguns pontos usei um pouco de lápis de cor pra ressaltar linhas e algumas áreas mais escuras com mais precisão. Os pontos brancos que formam as estrelas foram feitos com corretivo líquido, já os pontos de luz na menina foram feitos com caneta gel branca.  

Foi uma experiência bem legal e desafiadora. Se tiver tempo, pegue uma música que gosta e tenta desenhar algo que a represente. Depois mostre pros amigos, parentes, ou até mesmo pra mim, se quiser. Pergunte o que a pessoa consegue ver ali, tente descobrir se sua representação tá boa, se o objetivo foi cumprido... é um ótimo exercício e eu gostei de ter feito e compartilhado o resultado aqui no blog! ;)

Até a próxima! o/

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Magic Color - tons de cinza

No começo deste ano tive contato com marcadores à base de álcool pela primeira vez (Marcadores Magic Color) e não fazia ideia de como usá-los, porque não encontrava boas referências sobre o funcionamento. Em relação a especificação de produto ou composição, ainda vá lá... mas tutorial sobre técnica era mais complicado de se achar. Atualmente, já tendo chance de experimentar marcadores à base de água e de álcool, e ter feito muitos testes para entender o potencial do material, me senti mais à vontade pra comprar o estojo da Magic Color com 6 tons de cinza.

Como nesta semana estou relendo o primeiro volume do mangá Naruto (do Kishimoto Masashi), quis desenhar meu personagem preferido da série: Kakashi sensei. \(^-^)/

...o mangá, o rafe, as Magic Color, e desenho final.

A linha Magic Color série Ouro é, comparado aos outros materiais de mesma proposta, muito acessível! Tem lá suas diferenças de comportamento, mas a qualidade não é nada ruim, a chave do problema é testar e treinar até achar que o negócio ficou bom. Em relação à passagem e misturas de tons, o resultado também fica melhor quando usamos cores aproximadas.

O estojo de cinzas vem com 6 canetas - 3 cinzas tons quentes (WG1, WG3 e WG5) e 3 cinzas tons frios (CG1, CG3 e CG5) . Ao todo, a marca oferece 10 tons de cinza, mas só oferecem caixas fechadas com esses tons listados acima. Os intermediários só são vendidos separadamente, ou quando se adquire o estojo com todas as 60 cores.

Para misturar tons aproximados, não é necessário ter a caneta incolor (blender). Como pode ser visto na imagem abaixo, basta passar o tom mais escuro sobre o tom claro e, logo em seguida, passar novamente o tom claro por cima de tudo enquanto a tinta ainda estiver úmida. 

Passagem gradativa de tons de cinza quente - WG1 e WG3.

Seguindo este esquema, podemos fazer a passagem gradativa de todas as cores próximas, mesmo que falte os cinzas intermediários. É possível, inclusive, fazer a passagem dos tons escuros de cinza com a caneta preta (que veio no meu outro estojo de 12 cores básicas).

Tá aí a mistureba!

Sobre a caneta blender: notei que ao passá-la por cima de uma área, ela vai desbotando a cor. Usei esse efeito para conseguir pontos de luz do desenho, principalmente onde há elementos de metal. O uso adequado desta caneta, acredito eu, deve ser da mesma maneira quando se mistura duas cores próximas, isto é, passando primeiro o blender, depois uma cor, depois o blender novamente por cima de tudo. Mas não tenho certeza sobre isso... =P 

Um detalhe importante ao usar marcadores é planejar as áreas de cor antes de começar a colorir, pois a tinta à base de álcool costuma secar rápido!

O resultado da experimentação está aqui:

com participação especial da querida
caneta gel de tinta branca!

Gostei  do desempenho do material, e achei o resultado interessante. Tô até pensando na possibilidade de comprar mais algumas cores...

Até a próxima! o/

sexta-feira, 15 de março de 2013

Marcadores Magic Color

Olá!
Há algumas semanas, a Suco (do Caixola) comprou um estojo de marcadores Magic Color da série dourada e eu fiquei com vontade de experimentar também. Mas esse tipo de coisa não se deve pedir emprestado, porque se você se empolgar, gasta tudo. Então, acabei adquirindo um estojo também.

Dentro da caixa vem esse papelzinho que funciona como catálogo e indicador de validade. O estojo que a Suco e eu temos é o de cores básicas, esse primeiro da lista, de 12 cores, da ponta Prof Perm.

Só tenho mais um ano de validade pras canetas

A desvantagem de ter um estojo só é a impossibilidade de fazer gradação de forma suave entre as cores, ou seja, para cores chapadas é ótimo! Ainda é cedo pra dizer se quero comprar outros estojos com cores diferentes (lógico) desta marca, porque ainda estou descobrindo o que fazer com as canetas.

Meu primeiro teste foi esse aqui:

Usei papel off-set 75g/m²

A caneta libera bastante tinta e o papel absorve tinta também, então vazou facilmente na minha mesa branca. Um "truque" pra isso não acontecer, é passar o pincel bem rápido no papel para não ter contato prolongado entre as superfícies. Mas se for fazer isso, você precisa pensar muito antes pra saber exatamente o trajeto. Se encostar a ponta no papel pra pensar, já era.

Daí eu resolvi fazer outra experiência usando papel mais liso pra saber como a tinta se comportava. Achei que a tinta seca bem rápido, mas não sei se foi por causa da lâmpada muito próxima do papel ou se pelo fato do ar condicionado estar ligado... Lógico que esses fatores influenciam, mas como não testei de outra forma também, não posso afirmar nada.

Aqui usei papel couché 180g/m² - viu a mesa manchada?

A superfície do papel couché é bem lisa, por isso mesmo a caneta soltando bastante tinta, esta não vaza o papel. A consequência da não absorção e da secagem rápida são essas listras e manchas quando se passa a caneta duas vezes no mesmo lugar. Uma vantagem é poder escurecer o tom da cor utilizando esse recurso. A gradação do rosa da blusa, por exemplo, eu fiz passando rosa por cima do rosa depois que a primeira camada secou completamente.  

Por enquanto só tenho esses dois testes, porque minha mão voltou a doer e estou evitando empolgação com desenhos no momento. =/

A próxima experiência que pretendo fazer é com tinta Ecoline, que pegarei emprestado com uma amiga que comprou as tintas em 2005 e não usou ainda. Assim que eu tiver resultados satisfatórios, coloco no Cappuccino.

Até a próxima! o/

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Quero desenhar! Como começo?

Antes de tudo
Eu costumo dizer que "querer é meio caminho andado para conseguir". Então, se você quer desenhar, vença a próxima etapa: a que te leva ao objetivo. Há vários caminhos para se começar a desenhar, cada pessoa desenvolve o próprio método de aprendizagem, não é algo que se possa estabelecer como receita de bolo.

Há nas bancas uma infinidade de apostilas de desenhos.

Como sempre, vou deixar claro que as dicas que adiciono no Cappuccino são frutos da minha maneira de resolver determinadas situações, sobretudo baseada em minhas próprias experimentações a partir de leituras, pesquisas, análises, vivência, etc, sobre determinado assunto.

Outra coisa
Não fique comparando o seu trabalho com o de um Mike Deodato da vida... Pode até tê-lo como uma de suas referências, mas seu trabalho deve ser comparado primeiramente ao seu antes e seu depois. Se você está melhor do que antes, ótimo!

Um exemplo do meu antes (esquerda), em 2010, e depois (direita), 2012.

Como começo?
Como começar eu não sei, pois não me lembro como comecei... foi há tanto tempo! Mas elaborei um roteiro de estudos e vou compartilhar com vocês aqui. Prontos? Peguem lápis e papel, ou mesa digitalizadora, que a labuta vai começar agorinha mesmo!

Etapa 1: Ritmo - Risque, rabisque e passe por cima!
Solte o braço! Desenhe retas horizontais, verticais, inclinadas, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda; curvas, círculos, triângulos; formas geométricas, formas orgânicas. Gaste pelo menos meia hora do seu dia fazendo um aquecimento desse tipo... Ah! Nada de réguas ou segurar Shift nessas horas, ok? Se as retas não ficarem retas, não há problema! Com o tempo isso melhora.

Sobre o "passar por cima" eu me refiro a pegar um desenho pronto de alguém e colocar um papel vegetal ou criar uma layer por cima e copiar. Lembra na escola, quando você estava aprendendo o alfabeto e passava por cima de letras pontilhadas? É mais ou menos isso. E, ainda usando o exemplo das letras, escolha estilos de desenhos variados, afinal de contas ninguém quer passar o resto da vida escrevendo só a letra A ou B.

Isso aqui é o quero dizer com "Passar por cima"

Pegue um personagem de Dragon Ball Z, com linhas mais marcadas e formas pontiagudas para desenhar num dia, no outro dia você desenha personagens da Turma da Mônica, que são mais redondos... e vai alternando para aquecer mesmo. E não invente upar o resultado disso num portfólio, pois não é propriedade intelectual sua. Lembre-se: Você está passando por cima para se exercitar!

Etapa 2: Exercício - Observe, construa e desconstrua!
Esta próxima etapa fez muita diferença no meu antes e depois. Passei pelo Desenho de Observação quando entrei na UFES, porque é matéria obrigatória do primeiro período. Aqui aprendemos a observar as coisas e reproduzi-las no papel usando grafite (de lápis ou lapiseira) de diferentes graduações: HB, 2B, 3B, 4B, e por aí vai.

Graduações de grafite

Primeiramente o estudo é feito desenhando o objeto e colocando nele a sensação de volume, ou seja, as passagens de luz e sombra. Isso pode ser feito não só com objetos, mas estudos de anatomia desenhando modelos vivos, ou reproduzindo fotografias.

Fiz este estudo usando lápis de cor azul aquarelável

Will Eisner disse que para se desenhar uma porta, é preciso entender como a porta funciona, independente se o estilo do desenho for realista ou exagerado humoristicamente. No caso dos objetos desenhados, ele diz que "o leitor sabe como devem funcionar e reagirá de modo negativo se você errar.". - Tirei a informação do livro Quadrinhos e Arte Sequencialeditora Martins Fontes.

Então, vamos estudar como construir para saber desconstruir.

Etapa 3: Treino - Crie, desenhe, mostre, estude, refaça!
Talvez a mais difícil das 3 etapas seja esta última, porque não dependemos só de nós mesmos para avaliarmos o quanto progredimos. Precisamos da opinião dos outros! Daqueles que entendem do assunto e podem criticar o nosso trabalho justificando a crítica (e acredito que fazer diferenciação entre "construtiva" e "destrutiva" seja desculpa de noobie - crítica é crítica e ponto).

Se receber um "nossa, ficou muito bom!", pergunte por quê. Se receber um "Ficou ruim!", pergunte por quê. A pessoa que disse que aprendemos com os erros está certa, mas também podemos aprender com os acertos se eles nos forem apontados.

Não desanime com um "essa perna que você desenhou está desproporcional." - pesquise anatomia da coisa que você desenhou, estude aquilo, volte para o desenho de observação, aprenda a estrutura de uma perna (ossada, musculatura, articulações), desenhe muitas pernas, refaça seu desenho, mostre novamente... e repita o ciclo quantas vezes for preciso. Afinal, você quer ser bom, não quer?

Crie um blog, uma galeria no deviantArt, um álbum no Facebook para que seus conhecidos possam ver e criticar seu trabalho. Mas vamos combinar que opinião de mãe e de melhor amigo não conta, tá? Eles costumam roubar a seu favor!

Fiquem a vontade para me mandar links com o resultado. Gostaria muito de visualizar o processo! Caso o trabalho seja upado no Facebook, por favor deixe o álbum aberto para que eu possa ver, porque eu não tenho perfil lá. XD

Bom trabalho e até a próxima! o/

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Jem e as Hologramas

"Quem e as Hologramas??"
Jem e as Hologramas, galera. Eu também não conhecia e, com todo o respeito, nem é do meu tempo. Isso é uma série animada de TV dos anos 80 que conta a história de uma menina chamada Jerrica (Jessica na versão brasileira) Benton, filha do dono do orfanato pra garotas Starlight Girls  e acionista da gravadora Starlight Music. Após a morte de seu pai, Jerrica assume uma nova identidade (Jem) e forma com as amigas do orfanato uma banda para, acredito eu, fazer dinheiro e conseguir comprar a outra parte das ações da gravadora. Isso acontece com a ajuda de um computador chamado Energy, que seu pai deixou escondido em algum-lugar-Starlight, capaz de produzir hologramas.

Jem e as Hologramas

Semana passada, Suco chan me chamou pra assistir a um programa online em que dois artistas desenham e discutem várias coisas sobre ilustração ao vivo toda sexta-feira - o JoGee. Lá eles também propõem desafios de desenho para quem faz parte do grupo no Deviantart. O desafio que está rolando atualmente é fazer o redesign de um ou mais personagens do desenho animado título do post, adaptando para o cenário pop atual, e eu resolvi me inscrever nesse trem pra competir com a dona do Caixola.

Cansada de queimar a retina na tela do computador desenhando com a tablet, resolvi trabalhar com papel e "camadas analógicas" desta vez, usando o computador apenas pro acabamento. Confira as etapas:

1) Primeiro pensei nas coisas que são atuais no cenário pop: objetos, roupas, acessórios, cortes de cabelo, estilos musicais... enfim, uma série de coisas que a gente encontra nas ruas, nas rádios e na televisão. Tendo essa lista, filtrei as características que poderiam se encaixar com a personalidade da Jem/Jerrica - personagem que escolhi - e comecei a esboçar sua nova aparência. 

Cacei os primeiros episódios no youtube pra assistir e pesquisar personalidade, história, família, gestual, comportamento, etc. Mesmo tendo preguiça de fazer uma busca decente e assistindo aos episódios em italiano, acredito ter feito um bom trabalho.

2) Depois de ter feito o rascunho, usei uma "nova camada" (de papel vegetal) para passar nanquim. Gostaria de ter usado bico de pena, mas estou com pouquíssima tinta nanquim no pote... aí usei a caneta descartável mesmo. A vantagem é que a ponta não arranha a folha de papel vegetal. 

Na série, a aparência de Jem é dada a Jerrica através do holograma produzido pelo computador Energy, que era acionado por meio de brincos em forma de estrela. Transferi Energy pra um computador portátil, que pode ser um tablet ou um Smartphone... A pose que escolhi foi uma tipo: "@jerricabenton: Estou pronta para mais um show d'As Hologramas. http://instagr..."

3) Em outra camada usei lápis de cor para colorir algumas partes do desenho. As roupas e a munhequeira eu quis trabalhar no computador por 3 motivos: I - a mesa que tenho possui superfície áspera, o que dá  um efeito de textura muito legal quando uso lápis de cor. Porém não queria dar esse efeito na roupa, queria algo mais liso; II - meu lápis de cor preto é o menor de todos e eu queria fazer o vestido bem escuro; III - não queria gastar meu nanquim. Não necessariamente nesta ordem.

4) A vantagem de fazer as coisas em camadas é poder jogar uma delas fora sem ter que repetir o trabalho todo de novo. Aff... é a mesma vantagem do jeito digital de fazer as coisas, só que na "vida real". Acima está a ordem correta do agrupamento das camadas.

5) Juntando as camadas na ordem certa, colando as laterais com fita adesiva, e olhando contra a luz, podemos ver o resultado aproximado dessa trabalheira toda. Bom, na foto acima o desenho não está contra a luz, e sim em cima da mesa... mas dá pra ver mais ou menos o resultado.

6) É importante dizer aqui que o que você vê agora não é igual ao que vai ser digitalizado. O papel vegetal deixa a visão das cores um pouco acinzentada, pois não é 100% translúcido. Porém, ao escanear, a luz percorre sua superfície com tanta intensidade, que fica tudo transparente e bonitinho. Escanear agora equivale ao Crtl+E do Photoshop.


7) Por fim, escaneei e dei uma editada básica. Eis o resultado dessa tarde! Deu um certo trabalho, mas eu me diverti muito com isso tudo. Há um bom tempo não desenhava no papel e foi bom voltar pra lá. Mesmo tendo resolvido o problema da ponta da caneta da mesa digitalizadora com o palito de dente, pretendo agilizar a compra da minha Wacom. =P

A versão da Suco chan você confere clicando aqui. Torçam por nós duas!! Apesar de estarmos competindo, também ficarei muito feliz se ela vencer o desafio.

Até a próxima! o/