segunda-feira, 17 de maio de 2021

Guache

Não acredito que, em todos esses anos de blog, eu nunca tenha feito uma postagem exclusiva sobre guache. Que vergonha! Mas de hoje não passa. rs

Com certeza, você em algum momento da vida usou tinta guache! Por ser uma tinta composta basicamente de pigmento, aglutinante e água, a tinta guache muitas vezes é usada para desenvolver atividades lúdicas com crianças. Antes da popularização dos produtos próprios para pintura corporal, se usava guache até pra pintar os rostos dos pequenos nas datas comemorativas da escola.


Essas tintas de potinhos coloridos que a gente acha fácil nas papelarias geralmente são tinta guache escolar. Mas temos no mercado as guaches de uso profissional também.


De modo geral, podemos dizer que guache é uma tinta aquarela opaca. O que muda na composição das duas é a proporção dos ingredientes, e a adição de materiais opacos (como gesso, por exemplo) ao pigmento do guache. Daí, temos de um lado a aquarela, que é uma tinta translúcida e que precisa de um fundo branco e um papel com textura pra poder "aparecer"; e de outro, o guache, de alta cobertura e que pode ser aplicado em qualquer fundo, independente de cor ou textura.



Na foto dos círculos cromáticos acima há um comparativo entre as cores de aquarela e as cores de guache. Note que no círculo das aquarelas ainda conseguimos ver a textura do papel, enquanto no círculo de guache, a única textura visível é deixada pelo pincel ao preencher a área com tinta.

Testando guache profissional
Há muitos anos, direto do túnel do tempo, quando ainda estava no início do curso de Design na Ufes, tive uma disciplina sobre Teoria da Cor na qual precisamos comprar guaches profissionais. A professora, artista plástica, recomendou comprar as cores básicas da marca Talens.

O preço de 1 potinho de Talens dava pra comprar uns 12 potinhos de tinta escolar. Foi o primeiro susto que eu levei! Mas em compensação, a pigmentação é bem forte e o rendimento dela para pintar é excelente. Foi possível fazer todos os trabalhos do semestre e ainda tenho tinta nos vidrinhos hoje, mais de 10 anos depois. Estão com o prazo de validade vencidos, mas mesmo assim dá pra usar porque guache não estraga.


Este ano, com pandemia e tudo mais, voltando a fazer trabalhos com tinta, encontrei no mercado a marca TGA. Também são guaches de linha profissional, de fabricação nacional e de valor bem mais em conta que a Talens. Comprei uma caixinha com 5 bisnagas (cores básicas + preto e branco) e custou uns R$50. 


Depois de comprar, dei uma pesquisada e descobri que outros ilustradores daqui do Brasil também usam essa marca. Fiquei super feliz e empolgada com a aquisição! 

Meus últimos estudos foram feitos com aquarela, e apesar da composição ser a mesma, são técnicas diferentes. Voltar a mexer com guache não foi fácil, mas foi bem gostoso. Vou deixar abaixo alguns estudos feitos com a TGA nos últimos dias: 



Algumas observações
Jamais subestimem um material pela finalidade dele. Como assim? É possível fazer trabalhos muito maravilhosos com materiais de baixo custo e de linha escolar. Talento e criatividade são qualidades que podem ser desenvolvidas independente das ferramentas que temos disponíveis no momento para o fazer artístico.

Juntar uns trocados para comprar materiais profissionais pode valer à pena quando queremos investir numa carreira mais sólida de ilustrador, artista ou designer. A durabilidade de um material profissional é bem maior, e tendo qualidade maior embutida no seu trabalho, é possível cobrar um valor mais alto por ele.

E não custa nada lembrar: não é o material que faz o artista.
Bons estudos e até a próxima! o/

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segunda-feira, 3 de maio de 2021

Desafio de Abril - desenho de pote

Olá, meus guerreiros! Fazer parte do mercado de ilustração é uma batalha sem fim, ora lutando contra o bloquei criativo, ora contra os prazos, e sempre treinando pra melhorar nossas habilidades. Certo?

Pois muito que bem, tirei algumas semanas para me dedicar a um treinamento. Precisava testar uns materiais de desenho, e vou compartilhar tudo por aqui.

O retorno do desenho de pote
Para quem ainda não conhece ou é novo aqui no blog, tenho uma série de posts com dicas para quebrar o bloqueio criativo. Uma das formas é colocar palavras em um pote e sortear para desenhar. Assim eu fiz a cada semana do mês de abril para poder testar materiais novos. 

Quem acompanha pelo Instagram, viu semana a semana o que rolou, mas vou postar aqui mais informações sobre o processo todo.

Semana 1 - zumbi e aqualine
Eu tinha acabado de receber minhas aquarelas líquidas pelos correios, e estava doida pra testar. Foi aí que o desafio começou e sorteei as palavras: zumbi, magro, divertido e corda. 


Para trabalhar a característica de magreza, desenhei o monstrinho com os ossos bem marcados, sobretudo na face, pra deixar bem esquelético mesmo. O elemento corda foi usado emaranhado num prato, lembrando ao mesmo tempo um cérebro e uma macarronada. Imaginei que esse jogo de imagens também traria o conceito de "divertido" pra ilustração. As características de zumbi da personagem vieram tanto pelo corpo se deteriorando, quanto pelo uso das cores mais frias e cadavéricas. Assustador, mas bem simpático! 

Semana 2 - princesa e desenho digital no Procreate
Investi na compra do app Procreate após pesquisar muito a respeito. Em relação a funcionalidade, até agora, não achei tão diferente do app gratuito que eu já usava - o Sketchbook Pro. As principais diferenças estão na interface dos aplicativos e nos atalhos de toque. Ainda estou no período de transição e tenho muita coisa para descobrir.

Na semana 2 as palavras que sorteei foram: princesa, lanche, roqueira e magra. Acabou repetindo uma palavra da semana anterior.


Busquei referências de mulheres rockeiras na internet para poder compor o visual do meu desenho. Peguei inspiração nos cabelos e óculos da Rita Lee; acessórios com bastante personalidade e jaqueta de couro; alfinetes com logo de banda; e tatuagens da rainha Pitty. Queria muito comer um chocolate na hora que estava desenhando, então essa vontade acabou indo para a ilustração também!

Vídeo da finalização do desenho digitalmente.

Apesar do rascunho ter sido feito em papel, o processo de finalização dele foi todo digital. No vídeo acima é possível acompanha tudo em timelapse.

Semana 3 - o cavaleiro em nanquim
O terceiro "brinquedo" que precisava ser testado era uma caneta nanquim com ponta de pincel da UniPin. Gosto muito dessa marca para canetas descartáveis, uso vários tamanho de ponta pra arte final, mas dela ponta de pincel nunca tive antes.

Palavras sorteadas da semana: cavaleiro, gordo, ranzinza e bola.


Apesar de ter usado novamente a aquarela líquida pra aproveitar a tinta que ficou no godê, o que eu quis estudar aqui nessa ilustra foi a brush pen. Ela é bem resistente e consegui traçar linhas de várias espessuras sem deformar a ponta.

Sobre a narrativa do desenho, imaginei um cavaleiro gordinho e zangado, segurando uma bola que poderia ser a munição de um canhão. Não busquei muita referência externa para fazer essa ilustração, trabalhei mais com o que já existia pronto no meu imaginário. Deixei fluir.

Semana 4 - fada faminta e a tinta guache
A última semana do desafio teve como tema as palavras: fada, gulosa, grande e celular. Nessa ilustra eu trabalhei com tinta guache. Não é uma tinta que tenho muita experiência de uso, mas ficava com vontade de usar, inspiradas nos trabalhos de colegas (inclusive, quem não conhece o Mateus Cena, recomendo seguir o cara! Ele é fera na pintura com guache).


Quando sorteei as palavras, a primeira imagem que veio na minha cabeça foi aquela fada gigante do jogo Zelda - The Breath of the Wild. Juro pra vocês, quase fiz  uma fanart! Mas aí pensei direitinho e optei ir por outro caminho: desenhar uma fadinha faminta pedindo comida em um app pelo celular. Dei uma roubada na palavra "grande", que no desenho aparece no objeto de interação, um celular bem grande em relação à fada.

Você pode fazer também!
E assim se passou o mês de abril por aqui. Alternando trabalho e experimentações de material nesse desafio criativo. Foi bem bacana e eu recomendo demais, caso tenha um tempo livre pra isso.

Você pode fazer a sua versão das palavras sorteadas acima ou então sortear palavras novas para desenhar. Se postar com a #desenhodepote e #cappuccinocomnanechan eu consigo te achar no Instagram e repostar seus desenhos. \o/ Vai ser bem legal!!

Gostou do post? Vamos trocar ideia nos comentários.
Abraço e até a próxima!

segunda-feira, 5 de abril de 2021

O círculo cromático do Cappuccino

Oi, gente! Tudo bem? Desenharam alguma coisa no feriado de Páscoa? Espero que tenha sido bem proveitoso. Eu passei os 3 dias desenvolvendo e testando com muito carinho uma coisa bem legal que poderá te ajudar a definir suas paletas de cor na hora de colorir uma ilustração: um círculo cromático pra poder imprimir e preencher em casa.


Já explico o que seria um disco cromático, mas antes, gostaria de dizer que o post de hoje vai acabar sendo um complemento de outro post de 2017, no qual expliquei alguns conceitos importantes sobre teoria da cor (este aqui: Coloridos fantásticos e onde habitam).

Disco ou círculo cromático

Bom, o círculo cromático é uma ferramenta que usamos para consultar as relações das cores entre si. Nele há indicação de cores que combinam, das cores que contrastam, de qual mistura de cores vem uma determinada cor, e uma série de outras informações. É possível comprar o disco pronto em papelarias ou lojas especializadas em material artístico.

Meu primeiro contato com as cores organizadas como disco foi na disciplina de Cor, quando cursava Design na faculdade. Cada aluno fez o seu próprio círculo usando tinta guache, e foi um exercício bem divertido.

Círculo cromático do Cappuccino

O arquivo que vou disponibilizar hoje é um PDF com 5 páginas: uma com o círculo, outra com instruções de uso, e as outras três são os discos das relações entre as cores, conforme mostrado na imagem a seguir.


O legal é que você pode imprimir a página 1 várias vezes, e até usar papeis diferentes. Aqui no post estou usando aquarela, então meu círculo foi impresso em um papel de gramatura mais alta, especial para técnicas aguadas. As páginas tem formato original A4 (21cm x 29,7cm), mas para melhor aproveitamento de papel, optei imprimir 2 páginas por folha.



Comecei preenchendo meu círculo pelas cores primárias e fui fazendo as misturas entre elas para completar os espaços. Na parte inferior da folha, há uma área destinada a anotações sobre o material utilizado, e ao lado, espaços para registrar suas cores preferidas. As instruções de como preencher corretamente seu círculo cromático está na página 2.

O próximo passo foi recortar os discos das páginas 3, 4 e 5. Nessas páginas você também encontra o passo a passo de como recortar, além das orientações sobre como fazer a sobreposição deles no círculo cromático.

Algumas etapas da montagem do "brinquedo" envolvem uso de objetos cortantes e perfurantes, então se você for uma criança, peça a um alguém mais velho te supervisionar.


Só é possível usar 1 disco sobreposto de cada vez, variando de acordo com a relação que você busca entre as cores. Nas fotos acima mostro os discos sendo usados sobre um mesmo círculo cromático.

Download do círculo cromático

Gosto de ajudar quem busca conhecimento em artes e ilustração, e por isso faço essas coisas com todo o carinho do mundo! O download do PDF, assim como outros materiais já disponibilizados aqui no Cappuccino, é gratuito e sua venda é proibida.



Me contem nos comentários o que acharam. A opinião de vocês, leitores e colegas queridos, é muito importante para futuras produções de conteúdo deste blog.

Espero que tenham gostado!
Até a próxima! o/